Sunday, March 1, 2015

The Anti-Empire Report #137 - The Greek Tragedy: Some things not to forget, which the new Greek leaders have not.



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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #137
O Relatório Anti-Império No. 137
By William Blum – Published February 23rd, 2015
Por William Blum – Publicado em 23 de fevereiro de 2015
The Greek Tragedy: Some things not to forget, which the new Greek leaders have not.
A Tragédia Grega: Algumas coisas a não esquecer, o que os novos líderes gregos não fizeram.
American historian D.F. Fleming, writing of the post-World War II period in his eminent history of the Cold War, stated that “Greece was the first of the liberated states to be openly and forcibly compelled to accept the political system of the occupying Great Power. It was Churchill who acted first and Stalin who followed his example, in Bulgaria and then in Rumania, though with less bloodshed.”
O historiador estadunidense D.F. Fleming, escrevendo acerca do perído pós-Segunda Guerra Mundial em sua eminente história da Guerra Fria, declarou que “a Grécia foi o primeiro dos estados libertados a ser abertamente e pela força compelida a aceitar o sistema político da Grande Potência ocupadora. Foi Churchill quem agiu primeiro e Stalin quem seguiu seu exemplo, na Bulgária e em seguida na Romênia, embora com menos derramamento de sangue.”
The British intervened in Greece while World War II was still raging. His Majesty’s Army waged war against ELAS, the left-wing guerrillas who had played a major role in forcing the Nazi occupiers to flee. Shortly after the war ended, the United States joined the Brits in this great anti-communist crusade, intervening in what was now a civil war, taking the side of the neo-fascists against the Greek left. The neo-fascists won and instituted a highly brutal regime, for which the CIA created a suitably repressive internal security agency (KYP in Greek).
Os britânicos intervieram na Grécia enquanto a Segunda Guerra Mundial ainda campeava. O Exército de Sua Majestade conduziu guerra contra o ELAS, os guerrilheiros esquerdistas que haviam desempenhado papel maior em forçar os ocupantes nazistas a retirarem-se. Pouco depois de a guerra ter acabado, os Estados Unidos juntaram-se aos britânicos nessa grande cruzada anticomunista, intervindo no que era agora guerra civil, tomando o lado dos neofascistas contra a esquerda grega. Os neofascistas venceram e instituíram regime altamente brutal, para o qual a CIA criou adequadamente repressiva agência de segurança interna (KYP em grego).
In 1964, the liberal George Papandreou came to power, but in April 1967 a military coup took place, just before elections which appeared certain to bring Papandreou back as prime minister. The coup had been a joint effort of the Royal Court, the Greek military, the KYP, the CIA, and the American military stationed in Greece, and was followed immediately by the traditional martial law, censorship, arrests, beatings, and killings, the victims totaling some 8,000 in the first month. This was accompanied by the equally traditional declaration that this was all being done to save the nation from a “communist takeover”. Torture, inflicted in the most gruesome of ways, often with equipment supplied by the United States, became routine.
Em 1964, o liberal George Papandreou subiu ao poder mas, em abril de 1967, ocorreu golpe militar, logo antes de eleições que pareciam trariam certamente Papandreou de volta como primeiro-ministro. O golpe havia sido esforço conjunto da Corte Real, da instituição militar grega, da KYP, da CIA, e dos militares estadunidenses acantoados na Grécia, e foi seguido imediatamente de lei marcial, censura, detenções, espancamentos, e assassínios, as vítimas totalizando 8.000 no primeiro mês. O que foi acompanhado da igualmente tradicional declaração de que aquilo estava sendo feito para salvar a nação de “tomada do poder pelos comunistas”. Tortura, infligida da maneira mais brutal, amiúde com equipamento fornecido pelos Estados Unidos, tornou-se rotina.
George Papandreou was not any kind of radical. He was a liberal anti-communist type. But his son Andreas, the heir-apparent, while only a little to the left of his father, had not disguised his wish to take Greece out of the Cold War, and had questioned remaining in NATO, or at least as a satellite of the United States.
George Papandreou não era radical, de modo algum. Era um tipo liberal anticomunista. Seu filho Andreas, contudo, herdeiro político esperado, embora apenas um pouco mais à esquerda do que o pai, não havia disfarçado seu desejo de tirar a Grécia da Guerra Fria, e havia questionado a permanência na OTAN, ou pelo menos a permanência como satélite dos Estados Unidos.
Andreas Papandreou was arrested at the time of the coup and held in prison for eight months. Shortly after his release, he and his wife Margaret visited the American ambassador, Phillips Talbot, in Athens. Papandreou later related the following:
Andreas Papandreou foi detido por ocasião do golpe e mantido na prisão por oito meses. Pouco depois de sua libertação, ele e sua mulher Margaret visitaram o embaixador estadunidense, Phillips Talbot, em Atenas. Papandreou posteriormente relatou o seguinte:
I asked Talbot whether America could have intervened the night of the coup, to prevent the death of democracy in Greece. He denied that they could have done anything about it. Then Margaret asked a critical question: What if the coup had been a Communist or a Leftist coup? Talbot answered without hesitation. Then, of course, they would have intervened, and they would have crushed the coup. [1]
Perguntei a Talbot se os Estados Unidos poderiam ter intervindo na noite do golpe, para impedir a morte da democracia na Grécia. Ele negou que pudessem ter feito qualquer coisa a respeito. Então Margaret suscitou pergunta crítica: E se o golpe tivesse sido golpe comunista ou esquerdista? Talbot respondeu sem hesitação. Então, obviamente, eles teriam intervindo, e teriam esmagado o golpe. [1]
1. William Blum, Killing Hope: U.S. Military and C.I.A. Interventions Since World War II, chapters 3 and 35
Another charming chapter in US-Greek relations occurred in 2001, when Goldman Sachs, the Wall Street Goliath Lowlife, secretly helped Greece keep billions of dollars of debt off their balance sheet through the use of complex financial instruments like credit default swaps. This allowed Greece to meet the baseline requirements to enter the Eurozone in the first place. But it also helped create a debt bubble that would later explode and bring about the current economic crisis that’s drowning the entire continent. Goldman Sachs, however, using its insider knowledge of its Greek client, protected itself from this debt bubble by betting against Greek bonds, expecting that they would eventually fail. [2]
Outro encantador capítulo das relações Estados Unidos-Grécia ocorreu em 2001, quando Goldman Sachs, o Execrável Golias de Wall Street, secretamente ajudou a Grécia a manter biliões de dólares de dívida fora de sua folha de balanço por meio do uso de complexos instrumentos financeiros tais como permutas de inadimplência creditícia. Isso permitiu que a Grécia, antes de tudo, satisfizesse os requisitos mínimos para ingressar na Eurozona. Ajudou, contudo, também a criar bolha de dívida que mais tarde explodiria e causaria a atual crise econômica que está afundando o continente inteiro. Goldman Sachs, porém, usando seu conhecimento privilegiado acerca do cliente grego, protegeu-se dessa bolha de dívida mediante apostar contra os títulos gregos, na expectativa de que eles finalmente entrassem em colapso.[2]
2. “Greek Debt Crisis: How Goldman Sachs Helped Greece to Mask its True Debt”, Spiegel Online (Germany), February 8, 2010. Google “Goldman Sachs” Greece for other references.
Will the United States, Germany, the rest of the European Union, the European Central Bank, and the International Monetary Fund – collectively constituting the International Mafia – allow the new Greek leaders of the Syriza party to dictate the conditions of Greece’s rescue and salvation? The answer at the moment is a decided “No”. The fact that Syriza leaders, for some time, have made no secret of their affinity for Russia is reason enough to seal their fate. They should have known how the Cold War works.
Será que Estados Unidos, Alemanha, o resto da União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional – constituindo coletivamente a Máfia Internacional – permitirão que os novos líderes gregos do partido Syriza ditem as condições de resgate e salvação da Grécia? A resposta no momento é decidido “Não”. O fato de os líderes da Syriza, por algum tempo, não terem feito segredo de suas simpatia em relação à Rússia é motivo bastante para selar seu destino. Eles deveriam ter sabido como a Guerra Fria funciona.
I believe Syriza is sincere, and I’m rooting for them, but they may have overestimated their own strength, while forgetting how the Mafia came to occupy its position; it didn’t derive from a lot of compromise with left-wing upstarts. Greece may have no choice, eventually, but to default on its debts and leave the Eurozone. The hunger and unemployment of the Greek people may leave them no alternative.
Acredito que a Syriza é sincera, e torço por ela, mas ela pode ter superestimado sua própria força, esquecendo-se, ao mesmo tempo, de como a Máfia veio a ocupar sua posição; não derivou-a de grandes concessões a chegantes esquerdistas posudos. A Grécia poderá não ter escolha, por fim, a não ser dar o calote na dívida e deixar a Eurozona. A fome e o desemprego do povo grego poderão não deixar a ela alternativa.

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