Saturday, March 7, 2015

The Anti-Empire Report #137 - Cuba made simple



English
Português
William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #137
O Relatório Anti-Império No. 137
By William Blum – Published February 23rd, 2015
Por William Blum – Publicado em 23 de fevereiro de 2015
Cuba made simple
Cuba tornada simples
“The trade embargo can be fully lifted only through legislation – unless Cuba forms a democracy, in which case the president can lift it.” [11]
“O embargo comercial só pode ser totalmente levantado por meio de legislação - a menos que Cuba se torne democracia, caso em que o presidente terá poderes para levantar o embargo” [11]
11. Al Kamen, Washington Post, February 18, 2015
Aha! So that’s the problem, according to a Washington Post columnist – Cuba is not a democracy! That would explain why the United States does not maintain an embargo against Saudi Arabia, Honduras, Guatemala, Egypt and other distinguished pillars of freedom. The mainstream media routinely refer to Cuba as a dictatorship. Why is it not uncommon even for people on the left to do the same? I think that many of the latter do so in the belief that to say otherwise runs the risk of not being taken seriously, largely a vestige of the Cold War when Communists all over the world were ridiculed for blindly following Moscow’s party line. But what does Cuba do or lack that makes it a dictatorship?
Ahá! Então esse é o problema, de acordo com o colunista do Washington Post – Cuba não é uma democracia! Isso explicaria por que os Estados Unidos não mantêm embargo contra Arábia Saudita, Honduras, Guatemala, Egito e outros distintos pilares da liberdade. A mídia convencional repetidamente refere-se a Cuba como ditadura. Por que não é incomum até pessoas da esquerda fazerem o mesmo? Creio que muitas dessas últimas o fazem por acreditarem que dizer o contrário implicará risco de não serem levadas a sério, largo vestígio da Guerra Fria, quando comunistas do mundo inteiro eram ridicularizados por seguirem cegamente a linha do partido de Moscou. Mas o que Cuba faz, ou deixa de fazer, que a torne ditadura?
No “free press”? Apart from the question of how free Western media is, if that’s to be the standard, what would happen if Cuba announced that from now on anyone in the country could own any kind of media? How long would it be before CIA money – secret and unlimited CIA money financing all kinds of fronts in Cuba – would own or control almost all the media worth owning or controlling?
Não tem “imprensa livre”? À parte a questão de o quanto a mídia ocidental é livre, se esse dever ser o padrão, o que aconteceria se Cuba anunciasse que, doravante, qualquer pessoa no país poderia ser dona de algum tipo de mídia? Quanto tempo se passaria antes de dinheiro da CIA - dinheiro secreto e ilimitado da CIA financiando todos os tipos de atividades em Cuba - comprar ou controlar toda mídia que valesse a pena ser controlada?
Is it “free elections” that Cuba lacks? They regularly have elections at municipal, regional and national levels. (They do not have direct election of the president, but neither do Germany or the United Kingdom and many other countries). Money plays virtually no role in these elections; neither does party politics, including the Communist Party, since candidates run as individuals. Again, what is the standard by which Cuban elections are to be judged? Is it that they don’t have the Koch Brothers to pour in a billion dollars? Most Americans, if they gave it any thought, might find it difficult to even imagine what a free and democratic election, without great concentrations of corporate money, would look like, or how it would operate. Would Ralph Nader finally be able to get on all 50 state ballots, take part in national television debates, and be able to match the two monopoly parties in media advertising? If that were the case, I think he’d probably win; which is why it’s not the case.
São “eleições livres” que Cuba não tem? Lá há, a intervalos regulares, eleições em níveis municipal, regional e nacional. (Não há eleição direta do presidente, mas nem as há em Alemanha, Reino Unido e muitos outros países). O dinheiro praticamente não desempenha qualquer papel nessas eleições de lá; nem a política partidária, inclusive a do Partido Comunista, visto que os candidatos concorrem como indivíduos. Repetindo, qual é o padrão pelo qual as eleições cubanas devem ser julgadas? É o critério elas não terem os Irmãos Koch despejando nelas um bilião de dólares? Os estadunidenses, em sua maioria, se parassem para pensar um momento, poderiam descobrir ser difícil até imaginar como seria eleição livre e democrática sem grandes concentrações de dinheiro corporativo, ou como funcionaria. Finalmente Ralph Nader conseguiria participar das eleições em todos os 50 estados, tomar parte em debates na televisão nacional, e igualar-se aos dois partidos monopolistas em anúncios na mídia? Se as coisas se passassem assim, acredito que ele provavelmente venceria; e é porque não se passam assim.
Or perhaps what Cuba lacks is our marvelous “electoral college” system, where the presidential candidate with the most votes is not necessarily the winner. If we really think this system is a good example of democracy why don’t we use it for local and state elections as well?
Ou talvez falte a Cuba nosso maravilhoso “colégio eleitoral,” onde o candidato à presidência com mais votos não é necessariamente o vencedor. Se realmente achamos que esse sistema é bom exemplo de democracia, por que não o usamos também para eleições locais e estaduais?
Is Cuba not a democracy because it arrests dissidents? Many thousands of anti-war and other protesters have been arrested in the United States in recent years, as in every period in American history. During the Occupy Movement two years ago more than 7,000 people were arrested, many beaten by police and mistreated while in custody. [12] And remember: The United States is to the Cuban government like al Qaeda is to Washington, only much more powerful and much closer; virtually without exception, Cuban dissidents have been financed by and aided in other ways by the United States.
Cuba não é democracia porque prende dissidentes? Muitos milhares de manifestantes contra a guerra e outros têm sido presos nos Estados Unidos em anos recentes, como em todo período da história estadunidense. Durante o movimento Occupy há dois anos mais de 7.000 pessoas foram presas, muitas espancadas pela polícia e maltratadas enquanto em custódia. [12] E lembrem-se: Os Estados Unidos são, para o governo cubano, como a al Qaeda é para Washington, apenas que muito mais poderosos e muito mais próximos; praticamente sem exceção, dissidentes cubanos têm sido financiados e auxiliados de outras maneiras pelos Estados Unidos.
12. Huffington Post, May 3, 2012
Would Washington ignore a group of Americans receiving funds from al Qaeda and engaging in repeated meetings with known members of that organization? In recent years the United States has arrested a great many people in the US and abroad solely on the basis of alleged ties to al Qaeda, with a lot less evidence to go by than Cuba has had with its dissidents’ ties to the United States. Virtually all of Cuba’s “political prisoners” are such dissidents. While others may call Cuba’s security policies dictatorship, I call it self-defense.
Ignoraria Washington grupo de estadunidenses recebendo financiamente da al Qaeda e envolvendo-se em repetidas reuniões com membros conhecidos daquela organização? Em anos recentes os Estados Unidos já prenderam grande número de pessoas nos Estados Unidos e no exterior apenas com base em alegados vínculos com a al Qaeda, com muito menos evidência do que Cuba no tocante aos vínculos de seus dissidentes com os Estados Unidos. Praticamente todos os “prisioneiros políticos” de Cuba são dissidentes da espécie. Embora outras pessoas possam chamar as políticas de segurança de Cuba de ditadura, eu as chamos de autodefesa.


No comments:

Post a Comment