Wednesday, March 18, 2015

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What the de-Palestinization of Jerusalem is really like
Como ocorre, na prática, a despalestinação de Jerusalém
Nadezhda Kevorkova is a war correspondent who has covered the events of the Arab Spring, military and religious conflicts around the world, and the anti-globalization movement.
Nadezhda Kevorkova é correspondente de guerra que já cobriu os eventos da Primavera Árabe, conflitos militares e religiosos ao redor do mundo, e o movimento antiglobalização.
Published time: March 14, 2015 11:47
Photo by Nadezhda Kevorkova
Everyday life of a Palestinian in Jerusalem consists of years spent in fighting for their right to obtain a license: first, for land, then for a house and then for the repair works for the house.
A vida cotidiana de palestino em Jerusalém consiste de anos gastos em lutar por seu direito de obter uma licença: primeiro, para terra e, em seguida, para casa, e depois para a obra de reparo da casa.
And if you have no house – you lose the right to live in Jerusalem.
E, se você não tiver casa - perde o direito de viver em Jerusalém.
For an average reader, the situation may seem to be about the progressive government running a project to get rid of rundown property harboring nests of terrorists which does seem like a sensible and legitimate thing to do. But this is not what it is – this is a stage in the policy of de-Palestinization of Jerusalem. Let’s see how this cleanup really works through the example of ordinary Palestinian citizens.
Para leitor médio, a situação pode parecer dizer respeito a governo progressista implementando projeto de livrar-se de propriedades em más condições abrigando ninhos de terroristas, o que parece algo sensato e legítimo. Não é, porém, o que acontece - é sim um estágio na política de despalestinação de Jerusalém. Vejamos como essa limpeza realmente funciona por meio do exemplo de cidadãos palestinos comuns.
Hit by the Ceiling
Atingido pelo Teto
This robust old building in the Harat-bab-Hotta quarter, located in the vicinity of the Al Aqsa Mosque in the Old City of Jerusalem looks just like any other here.
O robusto antigo edifício no bairro de Harat-bab-Hotta, localizado nas proximidades da Mesquita de Al Aqsa, na Cidade Antiga de Jerusalém, é semelhante a qualquer outro prédio dali.
The owner of the building is Khalid Arafat Shueiki. He had six families living in his building, and now two of them have no other way out than to move. Samer Shaker, head of a family of 11 used to occupy the room whose floor collapsed hitting those who lived one floor below, the family of Ahmad Shueiki, father of eight children.
O dono do edifício é Khalid Arafat Shueiki. Ele tinha seis famílias vivendo em seu edifício, e agora duas delas não têm alternativa a não ser mudarem-se. Samer Shaker, chefe de família de 11 pessoas, ocupava no passado o cômodo cujo piso desabou, atingindo as pessoas que moravam no andar de baixo, a família de Ahmad Shueiki, pai de oito filhos.
All the structural frames of the building gave in and collapsed recently, as a result of wear and tear, many years of rain and damp. It was pure luck no one was hurt. This looks like a regular, if a bit large, household chore. But there is a crowd of people outside, and reporters arrived at the scene.
Todas as partes estruturais do edifício cederam e caíram recentemente, como resultado de uso normal, muitos anos de chuva e umidade. Foi pura sorte ninguém ter-se machucado. A aparência é a de uma tarefa doméstica regular, embora um tanto alentada. Há porém multidão de pessoas do lado de fora, e repórteres chegaram ao local. 
The landlord invites us to enter. For safety reasons, we have to stick to the walls as the floor in the middle is not to be trusted. The city hall officials who came in the morning marked the building with a ribbon which bans anyone from entering –that’s the only help they provided to the people living here.
O dono nos convida a entrar. Por motivos de segurança temos de colar-nos às paredes porque o piso, no meio, não é de confiança. As autoridades da prefeitura que vieram de manhã cercaram o edifício com fita que proíbe qualquer pessoa de entrar - a única ajuda que proporcionaram às pessoas moradoras do prédio.
“When I wanted to repair the house, the authorities refused to issue him the required permission,” says Khalid.
“Quando tentei consertar a edificação, as autoridades recusaram a permissão exigida,” diz Khalid.
He goes on to explain that if anyone living in the house tried to fix it without a permit they will be fined by the authorities.
Ele então explica que se algum morador do prédio tentasse consertá-lo sem documento de permissão, seria multado pelas autoridades.
“They forbid us to fix our houses. This used to be a good solid building. But everything comes to peril over the years, solid as it may be,” he says. “They” refers to the city authorities.
“Elas nos proíbem de consertar nossas casas. Este edifício, no passado, era sólido. Tudo, porém, se desgasta com o passar dos anos, por mais sólido que seja,” diz ele. “Elas” é referência às autoridades municipais.
Fathers of the families who resided here (Photo by Nadezhda Kevorkova)
“This isn’t personal. It’s the same throughout the entire city, especially in the Al Aqsa area,” adds Khalid.
“Não se trata de algo pessoal. A mesma coisa acontece na cidade inteira, especialmente na área da Al Aqsa,” acresce Khalid.
These families were in luck – after the house collapsed, they were moved to a hotel, and their stay is covered by the Palestinian Authority, even though it has no representation in Jerusalem whatsoever, it is banned from here.The city is governed (or occupied – the choice of term is determined by who speaks, a Palestinian or an Israeli) by Israel.
Aquelas famílias tiveram sorte – depois de o edifício entrar em colapso, foram levadas para hotel, e sua estada é coberta pela Autoridade Palestina, embora esta não tenha qualquer representação em Jerusalém, por ser proibida ali. A cidade é governada (ou ocupada – a escolha da palavra depende de quem fala, palestino ou israelense) por Israel.
The situation is not completely hopeless as the UN does acknowledge the occupied state of a part of Jerusalem. That is, it is not completely hopeless if you are quite optimistic. But that’s what all Palestinians are like.
A situação não é completamente sem esperança, visto que as Nações Unidas reconhecem a condição de estado ocupado de parte de Jerusalém. Isto é, não é completamente sem esperança se você for bastante otimista. É porém o que são todos os palestinos.
“The house repairs will be taken care by the UN – the UN will request the city authorities for the permit. It’ll take months to come through…” Khalid is thinking it over. “Who knows how long it’ll take. But I hope it’ll be a matter of months. Once we get it, we’ll fix the house quickly.The permit is the main thing. If the same thing happened to a Jewish family, they’d be given new housing in the Old City the very next day, and their old house would be fixed in a month’s time.”
“Os reparos da edificação serão efetuados pelas Nações Unidas - as Nações Unidas solicitarão o documento de permissão às autoridades municipais. Levará meses para conseguir…” Khalid pensa cuidadosamente. “Quem sabe quanto tempo levará. Espero, porém, que seja questão de meses. Uma vez o obtenhamos, consertaremos o prédio rapidamente. O documento de permissão é o principal. Se a mesma coisa tivesse acontecido a família judaica, receberia nova residência na Cidade Antiga logo no dia seguinte, e sua residência anterior seria consertada no espaço de um mês.”
Residents believe that houses collapse not only because of the natural wear and tear caused by time, rain and snow. They think that the excavation works run by the authorities by the Al Aqsa for many years are a contributing factor as the works unsettle the foundations of the houses which have seen no proper maintenance for decades thanks to the regulations.
Os residentes acreditam que as edificações caem não apenas por causa de uso normal continuado afetado por tempo, chuva e neve. Acham que as obras de escavação levadas a efeito pela autoridades perto de Al Aqsa por muitos anos são fator influenciador, visto que as obras abalam os alicerces das edificações que estão há décadas sem manutenção adequada por causa da regulamentação.
The Israeli authorities respond to that by saying that Palestinians themselves dig up the area.
As autoridades israelenses respondem a isso dizendo que os próprios palestinos escavam a área.
This way or another, Palestinians are losing their houses in Jerusalem, while doing their best to fight and keep them.But they don’t have that many opportunities.
O que seja, os palestinos estão perdendo suas residências em Jerusalém, embora fazendo tudo o que podem para lutar e mantê-las. Não têm, contudo, tantas oportunidades.
Keeping the High Ground
Manutenção do Terreno Elevado/Posição de Vantagem
If you take a walk in the area of the old Al Hanin market in the Old City, you’ll see that the view of its beautiful narrow and winding streets is now marred by numerous rusty poles propping the old cracked walls.
Se você caminhar pela área do velho mercado de Al Hanin, na Cidade Antiga, notará que a vista de suas lindas ruas estreitas e sinuosas está agora arruinada por numerosos postes enferrujados sustentando os velhos muros fendidos.
In a corner, there is a rundown steep staircase that takes us up to the Al Irami quarter.
Numa esquina há escada empinada, em precária condição, que nos leva ao bairro de Al Irami.
Loai Soblabann opens the door. This 22-year old Palestinian is the only bread-winner for his parents and six siblings. The youngest is only six.
Loai Soblabann abre a porta. O palestino de 22 anos é o único arrimo de família para seus pais e seis irmãos. O mais jovem tem apenas seis anos de idade.
“Father is sick, he had a stroke, and I am the eldest one. I work for a Jewish restaurant, Arabs have no jobs to offer,” says he. All Arab businesses are doing so poorly that they can’t hire anyone.
“Pai está doente, teve derrame, e sou o mais velho. Trabalho em restaurante judaico, os árabes não têm empregos a oferecer,” diz. Todas as empresas árabes estão indo tão mal que não conseguem empregar ninguém.
The Soblabanns are occupying the rooms overlooking the market. On the ground level, there are only two more Palestinian families left, all the rest is taken by settlers.
Os Soblabanns ocupam os cômodos com vista para o mercado. No andar térreo há apenas mais duas famílias palestinas restantes, todo o resto foi tomado por colonos.
Loai’s family defends the territory – their house towers over a block near the al-Aqsa mosque (Photo by Nadezhda Kevorkova)
“This started before I was born. All the Arabs who lived next door to us lost their jobs and therefore couldn’t pay the taxes, they debts were growing, and they left to seek jobs elsewhere to pay the debts, but when they returned their homes were taken over by strangers,” says Loai. “We had reporters here this morning. Our ceiling came crashing down, and the authorities are denying the permit to fix it,” he continues.
“Isso começou antes de eu nascer. Todos os árabes nossos vizinhos perderam seus empregos e portanto não podiam pagar os impostos, suas dívidas aumentavam, e eles partiram para procurar empregos alhures para pagar as dívidas mas, quando retornaram para seus lares, estes haviam sido tomados por estranhos,” diz Loai. “Tivemos repórteres aqui esta manhã. Nosso teto arriou, e as autoridades estão-nos negando o documento de permissão para consertarmo-lo,” continua ele.
The settlers living next door have no problem fixing their homes. They live comfortably, they have a school. It’s Saturday. Loai invites us to join him on the rooftop. Immediately, an armed settler appears out of nowhere to keep an eye on us.
Os colonos vizinhos não têm problema para consertar suas casas. Vivem confortavelmente, têm uma escola. É sábado. Loai convida-nos a juntar-nos a ele no topo do telhado. Imediatamente colono armado aparece vindo do nada para ficar de olho em nós.
A small tower overlooking the market is the home of the Soblabanns. “We have the highest ground here; from here you can see everything. That’s why they want to take away our home. The settlers beat my mother and the children. They keep provoking us all the time. They write threats on the walls,” says Loai.
Pequena torre de onde se avista o mercado é o lar dos Soblabanns. “Temos o terreno elevado/a posição de vantagem aqui; daqui podemos ver tudo. Eis porque eles querem tirar-nos nosso lar. Os colonos espancaram minha mãe e as crianças. Provocam-nos o tempo todo. Escrevem ameaças nos muros/paredes,” diz Loai.
On the roof the settlers set up a children’s playground, which Arab children are forbidden to enter. The little mosque was fenced off, one of the two entrances closed. The settlers’ bicycles are stored in the air vents to prevent them from being exposed to snow and rain. It’s forbidden by the safety regulations, but it seems that the regulations don’t apply to settlers.
No telhado os colonos criaram uma área de recreação para crianças, com acesso proibido a crianças árabes. A pequena mesquita teve sua área dividida por cerca, uma das duas entradas fechada. As bicicletas dos colonos ficam guardadas nas aberturas de ar para não ficarem expostas a neve e chuva. Isso é proibido pelos regulamentos de segurança, mas parece que os regulamentos não se aplicam aos colonos.
Palestinians keep their bikes in air ducts of the old market (Photo by Nadezhda Kevorkova)
Loai thinks that it’s pointless to go to the police about this. “There are so many of them here, they’re everywhere, they even made homes underground. They are allowed to build anything. They expanded their buildings, even though it’s forbidden. They closed off the street for the Arab family living below us”, he shows us a narrow staircase that their neighbors have to use to get down to their floor from the roof.
Loai acha que não adianta ir à polícia no caso. “Há tantos deles aqui, estão em toda parte, até fizeram casas subterrâneas. É-lhes permitido construir qualquer coisa. Expandiram seus edifícios, embora seja proibido. Fecharam a rua para a família árabe que mora abaixo de nós”, mostra-nos estreita escada que seus vizinhos têm de usar para chegarem a seu andar a partir do telhado.
“My family has been living in this house since my grandfather’s time. The settlers came from all over the world and are taking our houses”, he laments, saying that many charities have been raising money, but it still doesn’t work – this issue can’t be solved with Palestinian money.
“Minha família vive nesta casa desde o tempo de meu avô. Os colonos vieram do mundo inteiro e estão tomando nossas casas”, lamenta ele, dizendo que muitas instituições de caridade têm levantado dinheiro, mas ainda assim não parece funcionar - o problema não pode ser resolvido com dinheiro palestino.
When the settlers want your land
Quando os colonos querem sua terra
On the beautiful Jabal al Makaber hill in a Jerusalem suburb a Palestinian house stands surrounded by trees. Next to it, a multi-storey building for the settlers is being constructed. Looking around, one would see that all the hills nearby have a similar view to offer.
Na linda colina de Jabal al Makaber num subúrbio de Jerusalém há casa palestina cercada de árvores. Ao lado está sendo construído edifício de vários andares para os colonos. Olhando ao redor ver-se-á que todas as colinas próximas oferecem visão similar.
The house owner, 51-year-old Khalid Rabaia, is an AC repairman. He has six kids. A total of 24 people are living in the house with him: his father with his family and his uncle with his kids. All of them were born in this house, on this land. They have a British permit dated 1943 for the oldest part of the house (Palestine was under British mandate until 1948). The land belongs to this Palestinian family. Fifteen years ago they built additions to their house so that the growing family had enough space to live in,
O dono da casa, Khalid Rabaia, de 51 anos, é consertador de ar condicionado. Vivem na casa, com ele, no total, 24 pessoas: seu pai com família e seu tio com filhos. Todos eles nasceram na casa, naquela terra. Têm documento britânico de permissão datado de 1943 para a parte mais antiga da casa (a Palestina esteve sob autoridade britânica até 1948). A terra pertence a essa família palestina. Há quinze anos construíram acréscimos à casa de tal modo que a crescente família tivesse espaço suficiente para viver no imóvel.
In 1970s their neighbors uphill sold their land to the settlers. Five years ago the construction of the multi-storey buildings began, triggering Palestinian protests. A year ago the construction resumed. Construction workers blocked the road, dumping construction waste there, and mapped out where they were going to put the fence, taking some more of the Palestinian land.
Nos anos 1970 seus vizinhos colina acima venderam sua terra para os colonos. Há cinco anos a construção dos edifícios de vários andares começou, suscitando protestos dos palestinos. Há um ano a construção foi retomada. Trabalhadores de construção bloquearam a rua, despejando nela entulho de construção, e mapearam onde colocariam a cerca, tomando um tanto mais de terra palestina.
This is what happened to a Palestinian house as the settlers got closer to it (Photo by Nadezhda Kevorkova)
The construction causes a multitude of problems, from broken trees and a wrecked road to stones falling on children’s heads.
A construção causa penca de problemas, de árvores quebradas e rua estragada a pedras caindo na cabeça de crianças.
“In March 2014 we were ordered to demolish our house, all the new additions. The reason was that we had no permit for them. We paid a fine of 80,000 shekels and asked a lawyer to get us a permit, but part of our house got demolished instead. The old part could stay, they said, but the additions we built on our own land we had to demolish. Eight people that used to live there now have to share two rooms. And we only have one kitchen and one bathroom,” Khalid says.
“Em março de 2014 recebemos ordem de demolir nossa casa, todos os novos acréscimos. O motivo foi não termos documento de permissão para eles. Pagamos multa de 80.000 shekels e pedimos a advogado para obter-nos documento de permissão, mas em vez disso parte de nossa casa foi demolida. A parte antiga podia ficar, disseram, mas os acréscimos que construímos em nossa própria terra teríamos de demolir. Oito pessoas que moravam ali agora têm de partilhar dois cômodos. E só temos uma cozinha e um banheiro,” diz Khalid.
The family paid an additional 20,000 shekels for the demolition. What remained of the walls they covered in plastic film.
A família pagou 20.000 shekels adicionais pela demolição. O que restou das paredes foi coberto com filme plástico.
“The water is flooding the house. The authorities made pictures of our house so now we can’t fix the roof,” Khalid’s wife says.
“A água está inundando a casa. As autoridades tiraram retratos de nossa casa para não podermos consertar o telhado,” diz a mulher de Khalid.
“We can only pray to God. We won’t leave; we will live here even if we all have to share one room. If we leave, the Jews will seize this land and we won’t be able to live here at all,” Khalid says. By ‘here’ he means Palestine.
“Só podemos orar a Deus. Não sairemos; moraremos aqui mesmo se tivermos de compartir um único cômodo. Se sairmos, os judeus tomarão esta terra e não poderemos viver aqui em absoluto,” diz Khalid. ‘Aqui’ significa a Palestina.
“They tried to give us money, buy us. Both the settlers and people from the town council came and offered us money. Now they’re making us suffer and hope we leave,” the head of the family sighs.
“Tentaram dar-nos dinheiro, comprar-nos. Tanto os colonos quanto as pessoas do conselho municipal vieram e nos ofereceram dinheiro. Agora estão-nos fazendo sofrer e esperam que saiamos,” suspira o chefe da família.
The authorities come in every day to check whether the family repaired the roof – the town council banned them to put on a roof. (Photo by Nadezhda Kevorkova)
The family has been trying to solve this problem through lawful means for years. But the authorities refused to approve their application for a building permit. “They didn’t give us the permit, saying they wanted to build everything on their own, but that’s all talk. What they really believe is that Palestinians have no right to be here at all,” Khalid says. The authorities wanted the Palestinians to pay for the construction work that they would handle on their own. “They wanted us to pay a million shekels to build all the infrastructure here. What they want is an entire bank full of money!”
A família tenta resolver o problema por meios legais há anos. As autoridades, contudo, recusam-se a aprovar o pedido dela de documento de permissão para construir. “Elas não nos deram a permissão, dizendo que desejavam construir tudo elas próprias, mas isso é só conversa. O que elas realmente acreditam é que os palestinos não têm direito nenhum de estar aqui,” diz Khalid. As autoridades queriam que os palestinos pagassem o trabalho de construção que eles próprios administrassem. “Queriam que pagássemos um milhão de shekels para construir toda a infraestrutura aqui. O que querem é um banco inteiro cheio de dinheiro!”
Khalid says that at first the settlers wanted to build four houses on this small piece of land, but they ran out of money.
Khalid diz que de início os colonos queriam construir quatro casas naquele pequeno espaço de terra, mas o dinheiro acabou.
“The settlers have plans for our land, so the authorities won’t give us the permit,” Khalid says.
“Os colonos têm planos para nossa terra e, portanto, as autoridades não nos darão a permissão,” diz Khalid.
It’s right to stay on your land
É direito ficar em sua terra
The Beit Hanina neighborhood is located in Jerusalem and governed by Israeli authorities. The place where in February 2013 bulldozers demolished a house four families lived in is covered in construction waste. In cleared-out spot fridges and whatever furniture could be salvaged are standing, exposed to rain and snow. Three families that used to live here are currently renting living space, while one remained here.
O bairro de Beit Hanina fica em Jerusalém e é governado por autoridades israelenses. O lugar onde bulldozers, em fevereiro de 2013, demoliram casa onde moravam quatro famílias está coberto de entulho de construção. Em local aclareirado geladeiras e qualquer mobília que pôde ser salva quedam expostas a chuva e neve. Três famílias que moravam ali estão hoje alugando espaço onde viver, enquanto uma continuou lá.
Mohammad Saleh is 55, he used to be a freight dispatcher. He hasn’t been working since 2004 due to health problems with his legs and back. His two oldest sons earn the money for the family to get by. Mohammad has eight kids in total.
Mohammad Saleh tem 55 anos e era supervisor de entregas por caminhão. Não trabalha desde 2004 por causa de problemas de saúde com pernas e costas. Seus dois filhos mais velhos ganham o dinheiro com o qual a família vive. Mohammad tem, no total, oito filhos.
He doesn’t know why it was his house that got demolished.
Ele não sabe por que sua casa é que foi demolida.
“Not all our neighbors have proper permits, but we were the ones whose house got demolished. The authorities wanted me to suspect that my neighbors were the ones who tattled on us. But we know our house was just one of the 25,000 they destroyed in Jerusalem,” Mohammad says.
“Nem todos os nossos vizinhos têm permissões adequadas, mas a nossa casa é a que foi demolida. As autoridades queriam que eu suspeitasse de que meus vizinhos é que nos denunciaram. Nós porém sabemos que nossa casa era apenas uma dentre as 25.000 que eles destruíram em Jerusalém,” diz Mohammad.
Mohammad doesn’t believe he will be able to get a permit. “I’m working on it,” he jokes, explaining that the permit cost is calculated at 1,200 shekels per square meter.
Mohammad não acredita que conseguirá permissão. “Estou trabalhando nesse sentido,” graceja, explicando que o custo da permissão está calculado em 1.200 shekels por metro quadrado.
He was slapped with a 20,000 shekel fine, but he couldn’t afford it. “How on earth can I afford the license?” he exclaims.
Ele foi aquinhoado com multa de 20.000 shekels, mas não teve como pagar pela permissão. “Como poderia conseguir o dinheiro para a licença?” exclama.
He thinks the authorities deliberately procrastinated with the development plan to deny licenses to Palestinians. Now, the plan is ready.
Ele acha que as autoridades procrastinaram deliberadamente o plano imobiliário para negar licenças aos palestinos. Agora, o plano está pronto.
“My children were arrested twice after the demolition. They took part in the protests over the killing of Mohammed Abu Khdeir (a teen who was allegedly burned by settlers in the summer of 2014),” he says. His younger children were under house arrest for protests – one spent eight months, the other 14 months.
“Meus filhos foram presos duas vezes depois da demolição. Tomaram parte em protestos pelo assassínio de Mohammed Abu Khdeir (adolescente alegadamente queimado por colonos no verão de 2014),” diz ele. Seus filhos mais novos ficaram em prisão domiciliar por causa dos protestos - um por oito meses, outro por 14.
The children’s room in the makeshift home can be demolished any minute without notice (Photo by Nadezhda Kevorkova)
“It’s so difficult to live here right now. They ignore any circumstances people might be in. I refused to leave Jerusalem and move beyond the wall. Those who live on the other side of the wall are no longer residents of Jerusalem. People are afraid to change their life so drastically,” says Mohammad.
“É muito difícil viver aqui agora. Eles ignoram quaisquer circunstâncias que as pessoas possam estar atravessando. Recusei-me a sair de Jerusalém e a mudar-me para além do muro. Aqueles que moram no outro lado do muro não mais são residentes de Jersulalém. As pessoas estão com medo de mudar sua vida tão drasticamente,” diz Mohammad.
“The Israeli plan is to throw Palestinians out of Jerusalem,” he concludes.
“O plano israelense é expulsar os palestinos de Jerusalém,” conclui.
That’s what happened to his parents, two brothers and one of his sons – they were kicked out Jerusalem, and now they live in Ramallah’s suburb of Semiramis. “But it’s not even Israel or the occupied bank. There’re no services, nothing at all, they don’t collect garbage. They could be told one day: “Hey, you are beyond the wall, you are the West Bank, get the hell out of here,” he says.
Foi o que sucedeu com seus pais, dois irmãos e um de seus filhos - foram chutados de Jerusalém, e agora vivem no subúrbio de Semiramis, em Ramallah. “Mas não é nem Israel ou a margem ocupada. Não há serviços, absolutamente nada, não coletam o lixo. Um dia poderá ser-lhes dito: “Ei, vocês estão além do muro, vocês são Cisjordânia, caiam fora daqui,” diz ele.
“I am a Palestinian, I have the right to live in any part of Palestine, but the Israeli government wants to push to the Palestinian authority as many Palestinians as possible. I can sell the land – it’s pretty expensive – and move wherever I want. But I’m staying here. Just pay 150,000 shekels to the authorities on the West Bank and build whatever you want. But I don’t want to leave Jerusalem, I don’t want Jerusalem to be without Palestinians,” laments Mohammad.
“Sou palestino, tenho o direito de viver em qualquer parte da Palestina, mas o governo israelense quer empurrar para a Autoridade Palestina tantos palestinos quanto possível. Posso vender a terra - é muito cara - e mudar-me para onde quiser. Fico aqui, porém. É só pagar 150.000 shekels às autoridades da Cisjordânia e construir o que quiser. Mas não quero sair de Jerusalém, não quero Jerusalém sem palestinos,” lamenta Mohammad.
When he was young, Mohammad was close to Fatah. In 1978, he was arrested for two months, but no charges were made.
Quando jovem, Mohammad estava próximo da Fatah. Em 1978 foi preso por dois meses, mas não foram formuladas acusações.
“I do what’s right. Right now it’s staying on my land,” he says defiantly.
“Faço o que é certo. No momento, fico em minha terra,” diz, desafiadoramente.
I ask his children to get together for a family photo. Water is dripping from the ceiling, the furniture and clothes are getting wet as we speak.
Peço aos filhos dele que fiquem juntos para foto da família. Pinga água do teto, mobília e roupas vão ficando molhadas à medida que falamos.
The makeshift home he’s now staying in are regarded as illegal by Israel. “They can demolish it any time. But we are going to rebuild it. We are not going anywhere. Period.”
O lar improvisado em que ele agora está é visto como ilegal por Israel. “Podem demolir a qualquer momento. Reconstruí-lo-emos, porém. Não vamos para parte alguma. Ponto final.”
“I have to pay for power or they are going to cut us off. It’s the first month that we’ve got electricity. We had to live a year without any power.” They don’t have water and have to get it from their neighbors.
“Tenho de pagar eletricidade ou eles a cortarão. É o primeiro mês em que temos eletricidade. Tivemos de viver um ano sem energia elétrica nenhuma.” Não têm água e têm de obtê-la dos vizinhos.
Until 2003, the family didn’t have a permanent home and had to rent an apartment. It was quite expensive, and finally in 2003 three families came together to build a home. They spent 10 years, and once it was ready, the house was demolished.
Até 2003 a família não tinha residência permanente e tinha de alugar apartamento. Era muito caro e finalmente, em 2003, três famílias se juntaram para construir uma casa. Levaram 10 anos e, uma vez pronta, foi demolida.
They will never forget the day their house was torn down.
Nunca se esquecerão do dia em que a casa foi derrubada.
There’s no home but they still think positive (Photo by Nadezhda Kevorkova)
"They were dozens of soldiers all around. It took them less than a day to destroy it. The children were in school, my wife was out in Jerusalem, I was on some business. There were only three women, including my daughter. The soldiers didn’t show any papers or warrant, they didn’t even want to talk to us. They came at 8.30 am and at 3 pm it was all over. They didn’t give the women a minute to pack their belongings, they didn’t let anyone in. They just threw the things out. Actually, we’ve seen any papers. There was a court hearing but we couldn’t do anything – they issued a fine for the demolition of our home. We went to the court several times – but all in vain,” says Mohammad.
"Eram muitos soldados em toda parte. Levou menos de um dia para a destruírem. As crianças estavam na escola, minha mulher estava fora em Jerusalém, eu estava em alguma atividade de negócios. Havia apenas três mulheres, inclusive minha filha. Os soldados não mostraram nenhum documento ou mandado, não quiseram nem falar conosco. Vieram às 8:30 e às 3 da tarde estava tudo acabado. Não deram às mulheres um minuto para elas empacotarem seus pertences, não deixaram ninguém entrar. Apenas jogaram as coisas para fora. Na verdade, não vimos qualquer documento. Houve audiência em tribunal mas não podíamos fazer nada - emitiram multa para a demolição de nossa casa. Fomos ao tribunal diversas vezes - mas tudo em vão, diz Mohammad.
When they started construction, they thought they would be able to pay for the license once the development plan is ready. But never got an opportunity. It’s neither negligent nor illegal – it’s just the way it is.
Quando começaram a construção, achavam que conseguiriam pagar a licença depois de o plano imobiliário estar pronto. Nunca, porém, tiveram oportunidade. Não por negligência, nem por ilegalidade - é apenas como as coisas são.
A grandchild woke up and started crying. Mohammad tells me the baby’s parents are in Mecca, and the baby is staying with them. Mohammad once visited Mecca with his father in 1979, but not as a pilgrim. He dreams of doing the hajj and even had an invitation from the president but the authorities didn’t let us go because of the unpaid fines.
Criancinha acordou e começou a chorar. Mohammad conta-me que os pais do bebê estão em Meca, e o bebê ficou com eles. Uma vez Mohammad visitou Meca em 1979, com seu pai, mas não como peregrino. Sonha em fazer a hajj e até foi convidado pelo presidente, mas as autoridades não nos deixaram ir por causa de multas não pagas.
He is not allowed to drive a car – for the same reason.
Não tem permissão para guiar carro - pelo mesmo motivo.
“If I get a job, they would deduct the fine from my pay,” he says. He adds all he can earn is 5,000 shekels a month, or 60,000 a year.
“Se eu arranjar emprego, eles deduzirão a multa de meu salário,” diz ele. Acrescenta que tudo o que pode ganhar são 5.000 shekels por mês, ou 60.000 por ano.
The cost of the license is the same for Israelis, he says, but they get help from funds. Also, they come together and build as a community. Some houses stand empty, he adds.
O custo da licença é o mesmo para os israelenses, diz ele, mas eles recebem ajuda de fundos. Ademais, eles vêm juntos e constroem como comunidade. Algumas casas continuam vazias, acrescenta ele.
Mohammad says the demolition policy has always been on the agenda of the authorities but they have really stepped it up since 2012. They tore down 80 homes in 2012, and promised to destroy another 20. About 13 other homes were demolished in the same month as Mohammad’s home.
Mohammad diz que a política de demolição sempre esteve no programa das autoridades, mas elas a intensificaram realmente a partir de 2012. Derrubaram 80 casas em 2012 e prometeram destruir outras 20. Cerca de 13 outras casas foram demolidas no mesmo mês em que a casa de Mohammad.
“Two months after the demolition my daughter got married. I insisted that she came out of the ruins with the groom in her wedding dress,” Mohammad shows me his family albums.
“Dois meses depois da demolição minha filha casou-se. Insisti para que ela saísse das ruínas, com o noivo, trajando o vestido de noiva,” diz Mohammad, mostrando-me seus álbuns de família.
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Afirmações, pontos de vista e opiniões expressados nesta coluna são unicamente do autor e não necessariamente representam os do RT.

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