Sunday, March 22, 2015

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Israelis vote against pretence of peace
Israelenses votam contra pantomima de paz
Published time: March 18, 2015 14:01
Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu waves to supporters at the party headquarters in Tel Aviv March 18, 2015. (Reuters / Amir Cohen)
Despite the predictions, the Israeli left has been soundly beaten in Tuesday’s elections by its more honest ‘right wing’, whose commitment to the total eradication of the Palestinians as any kind of political entity is openly stated.
A despeito das previsões, a esquerda israelense foi exemplarmente batida nas eleições de terça-feira pela ‘direita,’ mais honesta, cujo compromisso com a total erradicação dos palestinos como qualquer forma de entidade política é enunciado sem rebuços.
The defeat of the Zionist Union, ostensibly committed to negotiations and a two-state solution, should not, therefore, be read as the defeat of any genuine desire for peace, but as an increasing desire amongst Israelis to abandon the pretence that they seek anything other than permanent violent colonial domination of the indigenous Arabs.
A derrota da União Sionista, pretensamente comprometida com negociações e com solução de dois estados, não deverá, portanto, ser entendida como derrota de qualquer desejo genuíno de paz, e sim como desejo crescente, entre os israelenses, de abandonarem a ficção de estarem buscando qualquer outra coisa que não domínio colonial permanente violento dos árabes indígenas.
The traditional means of justifying the ongoing “incremental genocide”’ of the Palestinians, to use Ilan Pappe’s apt phrase, has been to sporadically initiate fraudulent “peace talks”, the inevitable collapse of which serves to justify the next round of bloodletting. These talks, such as those culminating in Barak’s so-called “generous offer” in 2000 – of which more below – are thus embarked on not to resolve the conflict but to justify its escalation, and in a way that simultaneously brings Israel’s international partners on board and salves the consciences of Israeli ‘liberals’. The rejection, then, of the Zionist Union and its commitment to “peace talks”’ represents an end to any perceived necessity to do either.
O meio tradicional de justificar o permanente “genocídio incremental”’ dos palestinos, para usar a expressão feliz de Ilan Pappe, tem sido iniciar esporadicamente fraudulentas “conversações de paz”, o inevitável colapso das quais serve para justificar a próxima rodada de derramamento de sangue. Essas conversações, tais como as que culminaram na assim chamada “generosa oferta” de Barak em 2000 – da qual falaremos abaixo – são pois utilizadas não para resolver o conflito, e sim para justificar a escalada dele, e de maneira tal que simultaneamente una sob a liderança israelense seus parceiros internacionais e aplaque a consciência dos ‘liberais’ de Israel. A rejeição, portanto, da União Sionista e de seu compromisso com “negociações de paz”’ representa fim de percepção de necessidade de fazer qualquer das duas coisas acima citadas.
The differences between the two parties were always, then, more a matter of presentation than of policies or goals. Indeed, the list of policies which were not up for negotiation was predictably long.
As diferenças entre os dois partidos sempre foram, pois, mais questão de apresentação do que de políticas ou objetivos. Na verdade, a lista de políticas não passíveis de negociação era previsivelmente longa.
On Iran, there is little difference between the two main parties, with Isaac Herzog, leader of the opposition Zionist Union declaring that “No Israeli leader will accept a nuclear Iran”- followed, naturally, by that classic war-cry, “All options are on the table.”
No tocante ao Irã, há pouca diferença entre os dois principais partidos, com Isaac Herzog, líder da oposicionista União Sionista declarando que “Nenhum líder israelense aceitará Irã nuclear”- seguido, naturalmente, do clássico grito de guerra “Todas as opções estão em cima da mesa.
On Gaza, both sides supported last summer’s aerial bombardment, with Herzog giving his full support to Netanyahu’s slaughter. Of the seven week ‘campaign’ - which killed or maimed over 12,000 men, women and children and left over 100,000 homeless - Herzog said that he backed “the decisions of the political and military leadership, which were reasonable and sensible throughout the operation” Al Monitor even commented that: “Given all the critical barbs that Netanyahu faced throughout the war not only from his coalition partners, but even from senior members of his own party, he could not have hoped for a more supportive and statesmanlike opposition leader.”
No tocante a Gaza, ambos os lados apoiaram o bombardeio aéreo do último verão, com Herzog dando total apoio à chacina de Netanyahu. Acerca da ‘campanha’ de sete semanas - que matou ou mutilou mais de 12.000 homens, mulheres e crianças e deixou mais de 100.000 pessoas sem teto - Herzog disse que apoiava “as decisões da liderança política e militar, que foram razoáveis e sensatas durante a operação.” O Al Monitor inclusive comentou que: “Considerando-se todas as farpas políticas que Netanyahu enfrentou no decorrer da guerra, não apenas de seus parceiros de coalizão mas até de membros de alto nível de seu próprio partido, não poderia ter sido esperado líder de oposição mais solidário e com mais postura de homem do estado.”
And on Syria, both have consistently (and unsurprisingly) supported the armed insurgency against the Assad government. Most recently both Herzog and his ZU partner Tzipi Livni declared their support for the January 18th airstrike on Syria which wiped out six leading Hezbollah commanders – that is to say, six of the most effective military leaders in Syria’s war against ISIS – but this comes on the back of years of support for the Syrian ‘rebels’ who, Herzog (correctly) noted in 2012, “want peace with Israel after Assad falls” and “wish to ‘be friends’ with the Jewish state.” Elsewhere Herzog is reported as having “built close ties with figures in the Syrian opposition” and called for a US war against Syria – a move which would very likely have led to a full ISIS takeover of the country.
E quanto à Síria, ambos consistentemente (e não surpreendentemente) apoiaram a insurgência armada contra o governo Assad. Mais recentemente ambos Herzog e sua parceira do ZU Tzipi Livni declararam seu apoio ao ataque de 18 de janeiro à Síria que varreu da face da Terra seis importantes comandantes do Hezbollah – vale dizer, seis dos mais eficazes líderes militares na guerra da Síria contra o ISIS – mas isso vem em na esteira de/ em acréscimo a anos de apoio aos ‘rebeldes’ sírios que, observou Herzog (corretamente) em 2012, “querem a paz com Israel depois que Assad cair” e “desejam ‘amizade’ com o estado judaico.” Algures Herzog é citado como tendo “construído estreitos vínculos com figuras da oposição síriae pedido publicamente guerra dos Estados Unidos à Síria – lance que teria muito provavelmente levado a tomada total do país pelo ISIS.
Palestinian artists paint on the remains of car that witnesses said was destroyed by Israeli shelling during a 50-day war last summer, in Rafah in the southern Gaza Strip February 24, 2015. (Reuters / Ibraheem Abu Mustafa)
Support for the crippling, if not total destruction, of Syria, Iran and Palestine – this is all a given in Israeli politics. On these issues, there is nothing to discuss. As Meron Rappoport has noted, “the Palestinian issue was almost totally absent from this campaign.
Apoio ao estropiamento, se não a total destruição, de Síria, Irã e Palestina – isso é ponto pacífico na política israelense. No tocante a essas questões, nada há para discutir. Como Meron Rappoport observou, “a questão palestina ficou quase totalmente ausente nessa campanha.
Veteran Israeli commentator Gideon Levy elaborated: “The horrible war that took place just a few months ago – which cost Israel 10 billion shekels and dozens of lives, as well as the lives of over 2,000 Palestinians in Gaza, including hundreds of women and children, and which did not achieve anything or bring about change – hasn’t been discussed at all.
O veterano comentador israelense Gideon Levy explicou de modo mais detalhado: “A horrível guerra que teve lugar há apenas poucos meses – que custou a Israel 10 biliões de shekels e muitas vidas, bem como as vidas de mais de 2.000 palestinos em Gaza, inclusive centenas de mulheres e crianças, e que não conseguiu nada nem trouxe mudança – não foi em absoluto discutida.
Yet, we are led to believe that there are differences – significant ones – even on these so-called ‘foreign policy’ issues (yes, for European inhabitants of historic Palestine, it seems, even Palestine itself is considered ‘foreign policy’). As Avi Shlaim has written, “the Israeli voter is invited to choose between two starkly contrasting visions. For the Zionist Union, ending the occupation is a long-term strategic goal. It advocates negotiations with the Palestinian Authority, leading to a two-state solution to the conflict... [whereas] Netanyahu is doing everything in his power to prevent the emergence of a viable Palestinian state. His long-standing and unswerving policy is to oppose Palestinian freedom, self-determination, and statehood. He is the unilateralist par excellence. Land confiscation, economic strangulation, and brutal repression are his chief policy instruments for consolidating Israel's control over the West Bank.”
Nada obstante, querem que acreditemos haver diferenças – significativas – até mesmo nessas questões assim chamadas de ‘política externa’ (sim, para habitantes europeus da Palestina histórica, parece, até a própria Palestina é considerada assunto de ‘política externa’). Como escreveu Avi Shlaim, “o eleitor israelense é convidado a escolher entre duas visões fortemente contrastantes. Para a União Sionista, acabar a ocupação é objetivo estratégico de longo prazo. Defende negociações com a Autoridade Palestina, levando a solução de dois estados para o conflito... [enquanto] Netanyahu está fazendo tudo em seu poder para impedir o surgimento de estado palestino viável. Sua política de longo tempo e inflexível é opor-se a liberdade, autodeterminação e estado palestinos. Ele é unilateralista por excelência. Conficos de terra, estrangulamento econômico e repressão brutal são seus principais instrumentos de política para consolidar o controle da Cisjordânia por Israel.”
It seems, then, that there are fundamental differences on the conflict after all: Herzog’s desire for negotiations, leading to a Palestinian state, appears to contrast strongly with Netanyahu’s policy of sabotaging peace talks and making a Palestinian state impossible. Yet the reality is, these seemingly contradictory policies in fact work in tandem.
Pareceria, pois, haver diferenças fundamentais no tocante ao conflito, afinal de contas: o desejo de Herzog de negociações, levando a estado palestino, parece contrastar agudamente com a política de Netanyahu de sabotar conversações de paz e tornar impossível construção de estado palestino. No entanto a realidade é, essas políticas aparentemente contraditórias na verdade funcionam em sincronia.
Is Herzog’s vision really that of the “Palestinian freedom, self-determination, and statehood” so vehemently opposed by Netanyahu? It is revealing that Ehud Barak gave wholehearted public backing to Herzog. Barak, lest we forget, was in 2000 the architect of the so-called “generous offer” of a ‘state’ divided into a series of discontiguous cantons, the abandonment of the right to return, and the forfeiting of much of East Jerusalem – in other words, a state pretty much shorn of all the meaningful attributes of statehood. That Barak now argues that Herzog “can be trusted to deal with the Palestinians,” suggests that he “can be trusted” to make just such an offer in any future negotiations - an offer that is virtually guaranteed to be rejected, but which allows the Israelis to embark on another round of war – and for US and Britain to support it – safe in the delusion that they ‘tried’ to resolve things, but those bloody-minded Palestinians rejected their magnanimity once again.
É a visão de Herzog realmente a de “liberdade, autodeterminação e condição de estado dos palestinos” tão veementemente oposta à de Netanyahu? É revelador que Ehud Barak tenha dado apoio público completo e entusiástico a Herzog. Barak, para que não esqueçamos, foi, em 2000, o arquiteto da assim chamada “oferta generosa” de um ‘estado’ dividido numa série de cantões descontínuos, a extinção do direito de regresso, e a renúncia a Jerusalém Leste – em outras palavras, estado praticamente tosado de todos os atributos relevantes da condição de estado. Que Barak agora argumente que Herzog “merece confiança quanto a lidar com os palestinos” sugere que este “mereça confiança” quanto a fazer exatamente a mesma oferta em negociações futuras - oferta a ser praticamente garantidamente rejeitada, mas que permitiria aos israelenses lançarem-se a outra rodada de guerra – e a Estados Unidos e Grã-Bretanha apoiarem-nos – de pé firme no desvario de que eles ‘tentaram’ resolver as coisas, mas esses palestinos turrões rejeitaram mais uma vez sua magnanimidade.
In other words, even this apparent difference on Palestinian statehood disguises another basic shared commitment to preventing a functioning, stable and genuinely independent Palestinian state. The difference is between offering the Palestinians a state bereft of the key attributes of statehood, or offering them nothing at all. But the relation between these apparently opposing policies has always been cyclical and symbiotic, with Israel alternating between punishing the Palestinians, and offering them a chance to sell out. Once the sell-out is rejected, the next round of bloodletting could then be undertaken with a ‘clean conscience’. The victory of Likud represents the desire for an end to this cycle of fraudulent negotiations followed by sporadic massacres, in favor of a policy which simply gets on with the massacring.
Em outras palavras, mesmo essa aparente indiferença acerca da condição de estado para os palestinos disfarça outro compromisso básico compartilhado para impedir estado palestino funcional, estável e genuinamente independente. A diferença está entre ou oferecer aos palestinos estado destituído dos atributos relevantes de estado, ou oferecer-lhes absolutamente nada. A relação, contudo, entre essas políticas aparentemente opostas sempre foi cíclica e simbiótica, com Israel alternando-se entre punir os palestinos e oferecer-lhes oportunidade de traírem suas crenças e princípios. Uma vez rejeitada a traição de crenças e princípios, poderá se empreendida a próxima rodada de derramamento de sangue com a ‘consciência limpa’. A vitória do Likud representa o desejo de fim desse ciclo de negociações fraudulentas seguidas de massacres esporádicos, em favor de política que simplesmente vá em frente com o massacre.
But before those of us in the West get on our high horse of condemnation, we should remember that, just as Israel and Palestine is a microcosm of relations between the West and the Global South as a whole, so is Israeli politics the mirror image of politics in Britain, the US, France and all the other countries who ape their political systems. Just as Israel is divided between those who like their wars openly racist and those who prefer to delude themselves that they only come about after “everything else has been tried,” so the rest of the Western world is divided between those who want to fight their wars openly using high tech weapons fired from battleships proudly waving their own flags, and those who would prefer to lurk in the background, sending over their ‘trainers’ and‘non-lethal’ weaponry whilst waging economic warfare against all those powers who refuse to submit to Western dictate. It is divided between the increasingly overt racism of UKIP, the Front National or the Tea Party, or the respectable racism of those whose immigration quotas, detention centers and police murders come couched in terms of regrettable necessities. What is not being contested in any of these elections is the commitment to a continuation of the war against the third world in some form – not in Israel, not in the US, and certainly not in Britain. And, just as in Israel, the trend is towards doing away with the pretence altogether - and openly embracing fascism.
Antes porém de nós, no Ocidente, arvorarmo-nos altaneiramente em juízes condenadores, lembremo-nos de que, do mesmo modo que Israel e Palestina são microcosmo das relações entre o Ocidente e o Sul Global como um todo, também a política de Israel é a imagem invertida da política na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos, na França e em todos os outros países que copiam seus sistemas políticos. Do mesmo modo que Israel está dividido entre aqueles que preferem suas guerras abertamente racistas e aqueles que preferem iludir-se dizendo que elas só ocorrem depois que “tudo o mais já foi tentado,” assim o resto do mundo ocidental está dividido entre aqueles que desejam conduzir suas guerras abertamente usando armas de alta tecnologia disparadas de navios de guerra que orgulhosamente agitam suas próprias bandeiras, e aqueles que preferem espreitar a partir do plano de fundo, enviando seus ‘treinadores’ e armas ‘não letais’ enquanto conduzem guerra econômica contra todas aquelas potências que se recusem a submeter-se ao édito do Ocidente. Está dividido entre o racismo cada vez mais aberto de UKIP, Frente Nacional ou Partido do Chá, e o racismo respeitável daqueles cujas quotas de imigração, centros de detenção e assassínios pela polícia vêm acondicionados no palavreado de lamentáveis imprescindibilidades. O que não está sendo contestado em nenhuma dessas eleições é o compromisso com continuação da guerra contra o terceiro mundo de alguma forma – não em Israel, não nos Estados Unidos, e certamente não na Grã-Bretanha. E, do mesmo modo que em Israel, a tendência é no sentido de acabar completamente com a pantomima - e adotar abertamente o fascismo.
Dan Glazebrook, for RT.
Dan Glazebrook is a political writer and author of “Divide and Ruin: The West's Imperial Strategy in an Age of Crisis”.
Dan Glazebrook é escritor político e autor de “Dividir para Arruinar: A Estratégia Imperial do Ocidente em Época de Crise”.
The statements, views and opinions expressed in this column are solely those of the author and do not necessarily represent those of RT.
Afirmações, pontos de vista e opiniões expressados nesta coluna são unicamente do autor e não necessariamente representam os do RT.

Thursday, March 19, 2015

World Socialist Web Site - Brazil’s right-wing protests: A warning to the working class


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World Socialist Web Site
World Socialist Web Site
Published by the International Committee of the Fourth International (ICFI)
Publicado pela Comissão Internacional da Quarta Internacional (ICFI)
Brazil’s right-wing protests: A warning to the working class
Protestos de direita no Brasil: Advertência à classe trabalhadora
18 March 2015
Media reports on Sunday’s right-wing protests in Brazil calling for the ouster of Workers Party (Partido dos Trabalhadores—PT) President Dilma Rousseff estimate the turnout at anywhere between one million and two million people.
Informes da mídia a respeito dos protestos de direita no domingo no Brasil pedindo a saída da presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores - PT, avaliam a presença de algo entre um e dois milhões de pessoas.
While these head counts are likely inflated for political reasons, the protests nevertheless underscore the intense class polarization that exists in Brazil, as well as the political dangers posed to the Brazilian working class.
Embora essa contagem esteja provavelmente inflada por motivos políticos, os protestos todavia sublinham a intensa polarização de classes que existe no Brasil, bem como os perigos políticos para a classe trabalhadora brasileira.
Folha de S. Paulo, Brazil’s largest circulation daily and by no means unsympathetic to the right-wing politics of the demonstration, described Sunday’s actions as “a protest of a rich, well-tended Brazil” driven by concerns over the “continuous inflation of services” ranging from “housekeepers to parking in the middle class Vila Madelena neighborhood, as well as private schools and health insurance.” The protests were noteworthy for raising no social demands whatsoever.
Folha de S. Paulo, o diário de maior circulação no Brasil, e de modo algum destituída de simpatia pela política direitista da manifestação, descreveu as ações do domingo como “manifestação de um Brasil rico, bem cuidado” impelido por preocupações com  a “renitente inflação de serviços” que incluem desde “trabalhadores domésticos e estacionamento na Vila Madalena a escolas e planos de saúde particulares.” Os protestos foram dignos de nota por não suscitarem qualquer tipo de demanda social.
Analyses of the organizations behind the demonstration, particularly the online “Free Brazil Movement” (Movimento Brasil Livre), have traced their inspiration and funding to right-wing groups run by the billionaire Koch brothers in the US and Brazil’s wealthiest billionaire, Jorge Paulo Lemann. These forces have seized upon the ballooning bribery and kickback scandal at Petrobras in no small measure because they hope it will serve as a vehicle for their own enrichment through the complete privatization of the state-owned oil corporation.
Análises das organizações por trás da manifestação, particularmente o online “Movimento Brasil Livre,” rastrearam a inspiração e o financiamento deles a grupos de direita administrados pelos bilionários irmãos Koch nos Estados Unidos e pelo mais rico bilionário do Brasil, Jorge Paulo Lemann. Essas forças têm-se aproveitado do rápido avanço do escândalo de suborno e propina na Petrobrás em não pequena medida pelo fato de esperar que o evento sirva como veículo para seu próprio enriquecimento por meio de completa privatização da empresa estatal de petróleo.
The mobilization of hundreds of thousands of people under the anti-communist banners of the political right is unprecedented in recent Brazilian history. One has to go back more than half a century to March 1964, when protests organized under the slogan “Marches of the Family with God for Freedom” (Marchas da Família com Deus pela Liberdade) brought hundreds of thousands of middle class Brazilians into the streets as part of a coordinated campaign to prepare the US-backed military coup that took place the following month.
A mobilização de centenas de milhares de pessoas sob estandartes anticomunistas da direita política não tem precedente na história recente do Brasil. É preciso retroagir a mais de meio século para março de 1964, quando protestos organizados sob o slogan “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” levaram centenas de milhares de brasileiros da classe média às ruas como parte de campanha coordenada para preparar o golpe militar apoiado pelos Estados Unidos que teve lugar no mês seguinte.
The right-wing protests of that period were organized to bring down a bourgeois nationalist government under President Joao Goulart, who had sought to implement a series of limited reforms that were wholly rejected by the ruling oligarchy and its US imperialist patrons.
Os protestos de direita daquele período foram organizados para derrubar governo nacionalista burguês do presidente Presidente João Goulart, que havia buscado implementar série de reformas limitadas que foram totalmente rejeitadas pela oligarquia dominante e por seus patrocinadores imperialistas estadunidenses.
Last Sunday’s protests were aimed at driving out a PT government that has carried out financial policies dictated by Wall Street and Brazilian capital, while maintaining minimal social assistance programs, such as bolsa familia, designed to quell discontent among the country’s poorest layers. The Brazilian bourgeoisie and those sections of the middle class closest to it view even this minor diversion of resources as an intolerable drain on the profits and wealth of the rich.
Os protestos de domingo passado foram assestados para expulsar um governo do PT que tem implementado políticas financeiras ditadas por Wall Street e pelo capital brasileiro, mantendo ao mesmo tempo programas mínimos de assistência social, como o Bolsa Família, concebidos para aplacar o descontentamento nos níveis mais pobres do país. A burguesia brasileira e aquelas secções da classe média mais próximas dela veem mesmo esse desvio mínimo de recursos como dreno intolerável dos lucros e do patrimônio dos ricos.
Sunday’s demonstrations included the prominent participation of fascistic elements calling for the military to overthrow Rousseff, including signs in English clearly directed at securing US support for another coup.
As manifestações de domingo incluíram a proeminente participação de elementos fascistas clamando à instituição militar para que derrubasse Roussef, incluindo cartazes em inglês claramente dirigidos a granjear apoio dos Estados Unidos para outro golpe.
The Brazilian military dictatorship had been discredited by its record of savage repression, killings and torture during its more than 20 years in power. If right-wing forces can once again openly agitate for a military coup, it is thanks to the reactionary role of the PT and the various pseudo-left groups that have sought to promote illusions in this thoroughly capitalist party. Together, for more than three decades, they have worked to prevent any independent struggle by the Brazilian working class.
A ditadura militar brasileira havia sido desacreditada por seu histórico de repressão brutal, assassínios e tortura durante seus mais de 20 anos no poder. Se forças da direita podem mais uma vez pressionar fortemente no sentido de golpe militar, isso se dá graças ao papel reacionário do PT e dos diversos grupos de pseudoesquerda que têm procurado promover ilusões naquele partido completamente capitalista. Juntos, por mais de três décadas, eles vêm trabalhando para impedir qualquer luta independente por parte da classe trabalhadora brasileira.
The political crisis presently unfolding in Brazil is the end product of a protracted process that began with the founding of the PT in 1980, with Luiz Inácio Lula da Silva, a leader of the metalworkers union, at its head.
A crise política que atualmente se desdobra no Brasil é o produto final de longo processo que começou com a fundação do PT em 1980, com Luiz Inácio Lula da Silva, líder do sindicato dos metalúrgicos, à frente.
At the time, a host of petty-bourgeois lefts promoted the PT as a new “democratic” and Brazilian road to socialism, based upon the politics of national reformism and trade unionism. Various groups, including those affiliated to revisionist tendencies that had broken with the Fourth International, did their best to liquidate themselves into the PT, proclaiming it a viable substitute for the building of an international revolutionary party. The Pabloite United Secretariat went so far as to insist that the PT’s “very existence produces a dynamic that substantially reduces the possibility of class collaboration.”
À época, uma penca de esquerdas pequeno-burguesas promoveram o PT como nova via “democrática” e brasileira para o socialismo, baseada na política de reformismo nacional e sindicalismo. Diversos grupos, inclusive aqueles filiados a tendências revisionistas que haviam cindido com a Quarta Internacional, fizeram seu melhor para desaguarem no PT, proclamando-o como substituto viável da construção de partido revolucionário internacional. O Secretariado Unido Pabloíta chegou a ponto de insistir em que a “própria existência do PT produz dinâmica que reduz substancialmente a possibilidade de colaboração de classe.”
The ensuing years saw the PT register increasing electoral successes while moving steadily to the right, until it finally won the presidency for Lula in 2002, a position it has held for 12 years. The PT became the preferred instrument of rule of the Brazilian bourgeoisie, loyally carrying out the dictates of the IMF and both international and Brazilian capital. In the process, the PT’s leadership, including ex-student radicals, trade unionists and former guerrillas, underwent a transformation in their lifestyles and bank accounts, amassing millions through various corrupt schemes.
Os anos seguintes viram o PT registrar crescentes sucessos eleitorais enquanto movia-se paulatinamente para a direita, até finalmente ganhar a presidência para Lula em 2002, posição que vem mantendo há 12 anos. O PT tornou-se o instrumento preferido da burguesia brasileira, observando lealmente os ditames do FMI e do capital tanto internacional quanto brasileiro. Nesse processo, a liderança do PT, inclusive radicais ex-estudantes, sindicalistas e ex-guerrilheiros sofreram transformação em seus estilos de vida e contas bancárias, amealhando milhões por meio de diversos esquemas corruptos.
This has reached its apogee in the Petrobras scandal, with charges that some $4 billion was looted from the company to secure inflated contracts for private firms that, in turn, paid kickbacks into the campaign coffers and private accounts of the PT and its political allies.
O apogeu foi alcançado no escândalo da Petrobrás, com acusações de que cerca de $4 biliões foram roubados da empresa para garantirem contratos inflados para firmas privadas que, por sua vez, pagaram propinas para os cofres de campanha e contas privadas do PT e seus aliados políticos.
Among the nearly 60 politicians charged in the affair are Antonio Palocci, former finance minister and chief of staff to Rousseff, who began his political life as a member of the OSI (International Socialist Organization), affiliated to the French OCI of Pierre Lambert. Also charged Monday was João Vaccari Neto, the PT treasurer, who was formerly president of the bank workers union and a leading figure in the CUT union federation. Acting as Rousseff’s chief spokesman in relation to the scandal is Miguel Rossetto, long a leading member of the Brazilian Pabloite group affiliated to the United Secretariat.
Entre os aproximadamente 60 políticos acusados no affair estão Antônio Palocci, ex-ministro da fazenda e chefe de gabinete de Rousseff, que começou sua vida política como membro da OSI (Organização Socialista Internacional), filiada à OCI francesa de Pierre Lambert. Também acusado na segunda-feira foi João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, ex-presidente do sindicato dos bancários e figura de proa na federação sindical CUT. Atuando como principal porta-voz de Dilma em relação ao escândalo está Miguel Rosseto, de há muito membro importante do grupo pabloíta brasileiro filiado ao Secretariado Unido.
In the midst of the revelations of pervasive corruption, the Rousseff government is plowing ahead with drastic austerity measures attacking social spending and basic rights of the working class. Layoffs are mounting, prices are soaring, and Brazil remains one of the most economically polarized countries in the world.
Em meio às revelações de corrupção disseminada, o governo Rousseff está indo em frente com drásticas medidas de austeridade atacando gastos sociais e direitos básicos da classe trabalhadora. Demissões aumentam, preços disparam, e o Brasil remanesce um dos países mais economicamente polarizados do mundo.
If, under these conditions, the right is able to mobilize in the streets of Brazil, it is because the so-called “left,” orbiting the PT, a right-wing political instrument of the bourgeoisie, is not a vehicle for social struggle or even opposition, but rather part of the existing capitalist setup, tasked with containing and suppressing the workers’ struggles.
Se, nessas condições, a direita consegue mobilizar-se nas ruas do Brasil, é porque a assim chamada “esquerda,” orbitando em torno do PT, instrumento político direitista da burguesia, não é veículo de luta social ou sequer de oposição, e sim parte do constructo capitalista, encarregado de conter e suprimir as lutas dos trabalhadores.
This raises similar dangers as those posed in France, where the National Front is able to appeal to social discontent because of the reactionary role played by the pro-business Socialist Party of François Hollande, backed by petty-bourgeois pseudo-left groups such as the New Anti-capitalist Party (NPA). In Greece, the lightening fast capitulation to the international banks by Syriza, a bourgeois party promoted by pseudo-left groups internationally, provides an opening for fascistic forces such as Golden Dawn.
Isso suscita perigos semelhantes aos criados na França, onde a Frente Nacional consegue apelar para o descontentamento social por causa do papel reacionário desempenhado pelo pró-empresas Partido Socialista de François Hollande, apoiado por grupos pequeno-burgueses de pseudoesquerda tais como o Novo Partido Anticapitalista (NPA). Na Grécia, a coruscantemente rápida capitulação, perante os bancos internacionais, da Syriza, partido burguês promovido por grupos pseudoesquerdistas internacionalmente, oferece flanco desguarnecido para forças fascistas como a Alvorada Dourada.
The decisive question posed is that of revolutionary leadership in the working class. In Brazil, this means fighting to win the workers to a program of socialism and internationalism, combined with a ruthless political struggle against the Workers Party and all those pseudo-left groups and unions that are in its orbit. These tasks can be carried out only through the building of a section of the International Committee of the Fourth International.
A questão decisiva que se coloca é a da liderança revolucionária na classe trabalhadora. No Brasil, isso significa lutar para conseguir para os trabalhadores um programa de socialismo e internacionalismo, conjugado com luta política implacável contra o Partido dos Trabalhadores e todos aqueles grupos e sindicatos pseudoesquerdistas em sua órbita. Essas tarefas só podem ser levadas a efeito por meio da criação de uma secção da Comissão Internacional da Quarta Internacional.
Bill Van Auken
Bill Van Auken

Wednesday, March 18, 2015

RT - What the de-Palestinization of Jerusalem is really like


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What the de-Palestinization of Jerusalem is really like
Como ocorre, na prática, a despalestinação de Jerusalém
Nadezhda Kevorkova is a war correspondent who has covered the events of the Arab Spring, military and religious conflicts around the world, and the anti-globalization movement.
Nadezhda Kevorkova é correspondente de guerra que já cobriu os eventos da Primavera Árabe, conflitos militares e religiosos ao redor do mundo, e o movimento antiglobalização.
Published time: March 14, 2015 11:47
Photo by Nadezhda Kevorkova
Everyday life of a Palestinian in Jerusalem consists of years spent in fighting for their right to obtain a license: first, for land, then for a house and then for the repair works for the house.
A vida cotidiana de palestino em Jerusalém consiste de anos gastos em lutar por seu direito de obter uma licença: primeiro, para terra e, em seguida, para casa, e depois para a obra de reparo da casa.
And if you have no house – you lose the right to live in Jerusalem.
E, se você não tiver casa - perde o direito de viver em Jerusalém.
For an average reader, the situation may seem to be about the progressive government running a project to get rid of rundown property harboring nests of terrorists which does seem like a sensible and legitimate thing to do. But this is not what it is – this is a stage in the policy of de-Palestinization of Jerusalem. Let’s see how this cleanup really works through the example of ordinary Palestinian citizens.
Para leitor médio, a situação pode parecer dizer respeito a governo progressista implementando projeto de livrar-se de propriedades em más condições abrigando ninhos de terroristas, o que parece algo sensato e legítimo. Não é, porém, o que acontece - é sim um estágio na política de despalestinação de Jerusalém. Vejamos como essa limpeza realmente funciona por meio do exemplo de cidadãos palestinos comuns.
Hit by the Ceiling
Atingido pelo Teto
This robust old building in the Harat-bab-Hotta quarter, located in the vicinity of the Al Aqsa Mosque in the Old City of Jerusalem looks just like any other here.
O robusto antigo edifício no bairro de Harat-bab-Hotta, localizado nas proximidades da Mesquita de Al Aqsa, na Cidade Antiga de Jerusalém, é semelhante a qualquer outro prédio dali.
The owner of the building is Khalid Arafat Shueiki. He had six families living in his building, and now two of them have no other way out than to move. Samer Shaker, head of a family of 11 used to occupy the room whose floor collapsed hitting those who lived one floor below, the family of Ahmad Shueiki, father of eight children.
O dono do edifício é Khalid Arafat Shueiki. Ele tinha seis famílias vivendo em seu edifício, e agora duas delas não têm alternativa a não ser mudarem-se. Samer Shaker, chefe de família de 11 pessoas, ocupava no passado o cômodo cujo piso desabou, atingindo as pessoas que moravam no andar de baixo, a família de Ahmad Shueiki, pai de oito filhos.
All the structural frames of the building gave in and collapsed recently, as a result of wear and tear, many years of rain and damp. It was pure luck no one was hurt. This looks like a regular, if a bit large, household chore. But there is a crowd of people outside, and reporters arrived at the scene.
Todas as partes estruturais do edifício cederam e caíram recentemente, como resultado de uso normal, muitos anos de chuva e umidade. Foi pura sorte ninguém ter-se machucado. A aparência é a de uma tarefa doméstica regular, embora um tanto alentada. Há porém multidão de pessoas do lado de fora, e repórteres chegaram ao local. 
The landlord invites us to enter. For safety reasons, we have to stick to the walls as the floor in the middle is not to be trusted. The city hall officials who came in the morning marked the building with a ribbon which bans anyone from entering –that’s the only help they provided to the people living here.
O dono nos convida a entrar. Por motivos de segurança temos de colar-nos às paredes porque o piso, no meio, não é de confiança. As autoridades da prefeitura que vieram de manhã cercaram o edifício com fita que proíbe qualquer pessoa de entrar - a única ajuda que proporcionaram às pessoas moradoras do prédio.
“When I wanted to repair the house, the authorities refused to issue him the required permission,” says Khalid.
“Quando tentei consertar a edificação, as autoridades recusaram a permissão exigida,” diz Khalid.
He goes on to explain that if anyone living in the house tried to fix it without a permit they will be fined by the authorities.
Ele então explica que se algum morador do prédio tentasse consertá-lo sem documento de permissão, seria multado pelas autoridades.
“They forbid us to fix our houses. This used to be a good solid building. But everything comes to peril over the years, solid as it may be,” he says. “They” refers to the city authorities.
“Elas nos proíbem de consertar nossas casas. Este edifício, no passado, era sólido. Tudo, porém, se desgasta com o passar dos anos, por mais sólido que seja,” diz ele. “Elas” é referência às autoridades municipais.
Fathers of the families who resided here (Photo by Nadezhda Kevorkova)
“This isn’t personal. It’s the same throughout the entire city, especially in the Al Aqsa area,” adds Khalid.
“Não se trata de algo pessoal. A mesma coisa acontece na cidade inteira, especialmente na área da Al Aqsa,” acresce Khalid.
These families were in luck – after the house collapsed, they were moved to a hotel, and their stay is covered by the Palestinian Authority, even though it has no representation in Jerusalem whatsoever, it is banned from here.The city is governed (or occupied – the choice of term is determined by who speaks, a Palestinian or an Israeli) by Israel.
Aquelas famílias tiveram sorte – depois de o edifício entrar em colapso, foram levadas para hotel, e sua estada é coberta pela Autoridade Palestina, embora esta não tenha qualquer representação em Jerusalém, por ser proibida ali. A cidade é governada (ou ocupada – a escolha da palavra depende de quem fala, palestino ou israelense) por Israel.
The situation is not completely hopeless as the UN does acknowledge the occupied state of a part of Jerusalem. That is, it is not completely hopeless if you are quite optimistic. But that’s what all Palestinians are like.
A situação não é completamente sem esperança, visto que as Nações Unidas reconhecem a condição de estado ocupado de parte de Jerusalém. Isto é, não é completamente sem esperança se você for bastante otimista. É porém o que são todos os palestinos.
“The house repairs will be taken care by the UN – the UN will request the city authorities for the permit. It’ll take months to come through…” Khalid is thinking it over. “Who knows how long it’ll take. But I hope it’ll be a matter of months. Once we get it, we’ll fix the house quickly.The permit is the main thing. If the same thing happened to a Jewish family, they’d be given new housing in the Old City the very next day, and their old house would be fixed in a month’s time.”
“Os reparos da edificação serão efetuados pelas Nações Unidas - as Nações Unidas solicitarão o documento de permissão às autoridades municipais. Levará meses para conseguir…” Khalid pensa cuidadosamente. “Quem sabe quanto tempo levará. Espero, porém, que seja questão de meses. Uma vez o obtenhamos, consertaremos o prédio rapidamente. O documento de permissão é o principal. Se a mesma coisa tivesse acontecido a família judaica, receberia nova residência na Cidade Antiga logo no dia seguinte, e sua residência anterior seria consertada no espaço de um mês.”
Residents believe that houses collapse not only because of the natural wear and tear caused by time, rain and snow. They think that the excavation works run by the authorities by the Al Aqsa for many years are a contributing factor as the works unsettle the foundations of the houses which have seen no proper maintenance for decades thanks to the regulations.
Os residentes acreditam que as edificações caem não apenas por causa de uso normal continuado afetado por tempo, chuva e neve. Acham que as obras de escavação levadas a efeito pela autoridades perto de Al Aqsa por muitos anos são fator influenciador, visto que as obras abalam os alicerces das edificações que estão há décadas sem manutenção adequada por causa da regulamentação.
The Israeli authorities respond to that by saying that Palestinians themselves dig up the area.
As autoridades israelenses respondem a isso dizendo que os próprios palestinos escavam a área.
This way or another, Palestinians are losing their houses in Jerusalem, while doing their best to fight and keep them.But they don’t have that many opportunities.
O que seja, os palestinos estão perdendo suas residências em Jerusalém, embora fazendo tudo o que podem para lutar e mantê-las. Não têm, contudo, tantas oportunidades.
Keeping the High Ground
Manutenção do Terreno Elevado/Posição de Vantagem
If you take a walk in the area of the old Al Hanin market in the Old City, you’ll see that the view of its beautiful narrow and winding streets is now marred by numerous rusty poles propping the old cracked walls.
Se você caminhar pela área do velho mercado de Al Hanin, na Cidade Antiga, notará que a vista de suas lindas ruas estreitas e sinuosas está agora arruinada por numerosos postes enferrujados sustentando os velhos muros fendidos.
In a corner, there is a rundown steep staircase that takes us up to the Al Irami quarter.
Numa esquina há escada empinada, em precária condição, que nos leva ao bairro de Al Irami.
Loai Soblabann opens the door. This 22-year old Palestinian is the only bread-winner for his parents and six siblings. The youngest is only six.
Loai Soblabann abre a porta. O palestino de 22 anos é o único arrimo de família para seus pais e seis irmãos. O mais jovem tem apenas seis anos de idade.
“Father is sick, he had a stroke, and I am the eldest one. I work for a Jewish restaurant, Arabs have no jobs to offer,” says he. All Arab businesses are doing so poorly that they can’t hire anyone.
“Pai está doente, teve derrame, e sou o mais velho. Trabalho em restaurante judaico, os árabes não têm empregos a oferecer,” diz. Todas as empresas árabes estão indo tão mal que não conseguem empregar ninguém.
The Soblabanns are occupying the rooms overlooking the market. On the ground level, there are only two more Palestinian families left, all the rest is taken by settlers.
Os Soblabanns ocupam os cômodos com vista para o mercado. No andar térreo há apenas mais duas famílias palestinas restantes, todo o resto foi tomado por colonos.
Loai’s family defends the territory – their house towers over a block near the al-Aqsa mosque (Photo by Nadezhda Kevorkova)
“This started before I was born. All the Arabs who lived next door to us lost their jobs and therefore couldn’t pay the taxes, they debts were growing, and they left to seek jobs elsewhere to pay the debts, but when they returned their homes were taken over by strangers,” says Loai. “We had reporters here this morning. Our ceiling came crashing down, and the authorities are denying the permit to fix it,” he continues.
“Isso começou antes de eu nascer. Todos os árabes nossos vizinhos perderam seus empregos e portanto não podiam pagar os impostos, suas dívidas aumentavam, e eles partiram para procurar empregos alhures para pagar as dívidas mas, quando retornaram para seus lares, estes haviam sido tomados por estranhos,” diz Loai. “Tivemos repórteres aqui esta manhã. Nosso teto arriou, e as autoridades estão-nos negando o documento de permissão para consertarmo-lo,” continua ele.
The settlers living next door have no problem fixing their homes. They live comfortably, they have a school. It’s Saturday. Loai invites us to join him on the rooftop. Immediately, an armed settler appears out of nowhere to keep an eye on us.
Os colonos vizinhos não têm problema para consertar suas casas. Vivem confortavelmente, têm uma escola. É sábado. Loai convida-nos a juntar-nos a ele no topo do telhado. Imediatamente colono armado aparece vindo do nada para ficar de olho em nós.
A small tower overlooking the market is the home of the Soblabanns. “We have the highest ground here; from here you can see everything. That’s why they want to take away our home. The settlers beat my mother and the children. They keep provoking us all the time. They write threats on the walls,” says Loai.
Pequena torre de onde se avista o mercado é o lar dos Soblabanns. “Temos o terreno elevado/a posição de vantagem aqui; daqui podemos ver tudo. Eis porque eles querem tirar-nos nosso lar. Os colonos espancaram minha mãe e as crianças. Provocam-nos o tempo todo. Escrevem ameaças nos muros/paredes,” diz Loai.
On the roof the settlers set up a children’s playground, which Arab children are forbidden to enter. The little mosque was fenced off, one of the two entrances closed. The settlers’ bicycles are stored in the air vents to prevent them from being exposed to snow and rain. It’s forbidden by the safety regulations, but it seems that the regulations don’t apply to settlers.
No telhado os colonos criaram uma área de recreação para crianças, com acesso proibido a crianças árabes. A pequena mesquita teve sua área dividida por cerca, uma das duas entradas fechada. As bicicletas dos colonos ficam guardadas nas aberturas de ar para não ficarem expostas a neve e chuva. Isso é proibido pelos regulamentos de segurança, mas parece que os regulamentos não se aplicam aos colonos.
Palestinians keep their bikes in air ducts of the old market (Photo by Nadezhda Kevorkova)
Loai thinks that it’s pointless to go to the police about this. “There are so many of them here, they’re everywhere, they even made homes underground. They are allowed to build anything. They expanded their buildings, even though it’s forbidden. They closed off the street for the Arab family living below us”, he shows us a narrow staircase that their neighbors have to use to get down to their floor from the roof.
Loai acha que não adianta ir à polícia no caso. “Há tantos deles aqui, estão em toda parte, até fizeram casas subterrâneas. É-lhes permitido construir qualquer coisa. Expandiram seus edifícios, embora seja proibido. Fecharam a rua para a família árabe que mora abaixo de nós”, mostra-nos estreita escada que seus vizinhos têm de usar para chegarem a seu andar a partir do telhado.
“My family has been living in this house since my grandfather’s time. The settlers came from all over the world and are taking our houses”, he laments, saying that many charities have been raising money, but it still doesn’t work – this issue can’t be solved with Palestinian money.
“Minha família vive nesta casa desde o tempo de meu avô. Os colonos vieram do mundo inteiro e estão tomando nossas casas”, lamenta ele, dizendo que muitas instituições de caridade têm levantado dinheiro, mas ainda assim não parece funcionar - o problema não pode ser resolvido com dinheiro palestino.
When the settlers want your land
Quando os colonos querem sua terra
On the beautiful Jabal al Makaber hill in a Jerusalem suburb a Palestinian house stands surrounded by trees. Next to it, a multi-storey building for the settlers is being constructed. Looking around, one would see that all the hills nearby have a similar view to offer.
Na linda colina de Jabal al Makaber num subúrbio de Jerusalém há casa palestina cercada de árvores. Ao lado está sendo construído edifício de vários andares para os colonos. Olhando ao redor ver-se-á que todas as colinas próximas oferecem visão similar.
The house owner, 51-year-old Khalid Rabaia, is an AC repairman. He has six kids. A total of 24 people are living in the house with him: his father with his family and his uncle with his kids. All of them were born in this house, on this land. They have a British permit dated 1943 for the oldest part of the house (Palestine was under British mandate until 1948). The land belongs to this Palestinian family. Fifteen years ago they built additions to their house so that the growing family had enough space to live in,
O dono da casa, Khalid Rabaia, de 51 anos, é consertador de ar condicionado. Vivem na casa, com ele, no total, 24 pessoas: seu pai com família e seu tio com filhos. Todos eles nasceram na casa, naquela terra. Têm documento britânico de permissão datado de 1943 para a parte mais antiga da casa (a Palestina esteve sob autoridade britânica até 1948). A terra pertence a essa família palestina. Há quinze anos construíram acréscimos à casa de tal modo que a crescente família tivesse espaço suficiente para viver no imóvel.
In 1970s their neighbors uphill sold their land to the settlers. Five years ago the construction of the multi-storey buildings began, triggering Palestinian protests. A year ago the construction resumed. Construction workers blocked the road, dumping construction waste there, and mapped out where they were going to put the fence, taking some more of the Palestinian land.
Nos anos 1970 seus vizinhos colina acima venderam sua terra para os colonos. Há cinco anos a construção dos edifícios de vários andares começou, suscitando protestos dos palestinos. Há um ano a construção foi retomada. Trabalhadores de construção bloquearam a rua, despejando nela entulho de construção, e mapearam onde colocariam a cerca, tomando um tanto mais de terra palestina.
This is what happened to a Palestinian house as the settlers got closer to it (Photo by Nadezhda Kevorkova)
The construction causes a multitude of problems, from broken trees and a wrecked road to stones falling on children’s heads.
A construção causa penca de problemas, de árvores quebradas e rua estragada a pedras caindo na cabeça de crianças.
“In March 2014 we were ordered to demolish our house, all the new additions. The reason was that we had no permit for them. We paid a fine of 80,000 shekels and asked a lawyer to get us a permit, but part of our house got demolished instead. The old part could stay, they said, but the additions we built on our own land we had to demolish. Eight people that used to live there now have to share two rooms. And we only have one kitchen and one bathroom,” Khalid says.
“Em março de 2014 recebemos ordem de demolir nossa casa, todos os novos acréscimos. O motivo foi não termos documento de permissão para eles. Pagamos multa de 80.000 shekels e pedimos a advogado para obter-nos documento de permissão, mas em vez disso parte de nossa casa foi demolida. A parte antiga podia ficar, disseram, mas os acréscimos que construímos em nossa própria terra teríamos de demolir. Oito pessoas que moravam ali agora têm de partilhar dois cômodos. E só temos uma cozinha e um banheiro,” diz Khalid.
The family paid an additional 20,000 shekels for the demolition. What remained of the walls they covered in plastic film.
A família pagou 20.000 shekels adicionais pela demolição. O que restou das paredes foi coberto com filme plástico.
“The water is flooding the house. The authorities made pictures of our house so now we can’t fix the roof,” Khalid’s wife says.
“A água está inundando a casa. As autoridades tiraram retratos de nossa casa para não podermos consertar o telhado,” diz a mulher de Khalid.
“We can only pray to God. We won’t leave; we will live here even if we all have to share one room. If we leave, the Jews will seize this land and we won’t be able to live here at all,” Khalid says. By ‘here’ he means Palestine.
“Só podemos orar a Deus. Não sairemos; moraremos aqui mesmo se tivermos de compartir um único cômodo. Se sairmos, os judeus tomarão esta terra e não poderemos viver aqui em absoluto,” diz Khalid. ‘Aqui’ significa a Palestina.
“They tried to give us money, buy us. Both the settlers and people from the town council came and offered us money. Now they’re making us suffer and hope we leave,” the head of the family sighs.
“Tentaram dar-nos dinheiro, comprar-nos. Tanto os colonos quanto as pessoas do conselho municipal vieram e nos ofereceram dinheiro. Agora estão-nos fazendo sofrer e esperam que saiamos,” suspira o chefe da família.
The authorities come in every day to check whether the family repaired the roof – the town council banned them to put on a roof. (Photo by Nadezhda Kevorkova)
The family has been trying to solve this problem through lawful means for years. But the authorities refused to approve their application for a building permit. “They didn’t give us the permit, saying they wanted to build everything on their own, but that’s all talk. What they really believe is that Palestinians have no right to be here at all,” Khalid says. The authorities wanted the Palestinians to pay for the construction work that they would handle on their own. “They wanted us to pay a million shekels to build all the infrastructure here. What they want is an entire bank full of money!”
A família tenta resolver o problema por meios legais há anos. As autoridades, contudo, recusam-se a aprovar o pedido dela de documento de permissão para construir. “Elas não nos deram a permissão, dizendo que desejavam construir tudo elas próprias, mas isso é só conversa. O que elas realmente acreditam é que os palestinos não têm direito nenhum de estar aqui,” diz Khalid. As autoridades queriam que os palestinos pagassem o trabalho de construção que eles próprios administrassem. “Queriam que pagássemos um milhão de shekels para construir toda a infraestrutura aqui. O que querem é um banco inteiro cheio de dinheiro!”
Khalid says that at first the settlers wanted to build four houses on this small piece of land, but they ran out of money.
Khalid diz que de início os colonos queriam construir quatro casas naquele pequeno espaço de terra, mas o dinheiro acabou.
“The settlers have plans for our land, so the authorities won’t give us the permit,” Khalid says.
“Os colonos têm planos para nossa terra e, portanto, as autoridades não nos darão a permissão,” diz Khalid.
It’s right to stay on your land
É direito ficar em sua terra
The Beit Hanina neighborhood is located in Jerusalem and governed by Israeli authorities. The place where in February 2013 bulldozers demolished a house four families lived in is covered in construction waste. In cleared-out spot fridges and whatever furniture could be salvaged are standing, exposed to rain and snow. Three families that used to live here are currently renting living space, while one remained here.
O bairro de Beit Hanina fica em Jerusalém e é governado por autoridades israelenses. O lugar onde bulldozers, em fevereiro de 2013, demoliram casa onde moravam quatro famílias está coberto de entulho de construção. Em local aclareirado geladeiras e qualquer mobília que pôde ser salva quedam expostas a chuva e neve. Três famílias que moravam ali estão hoje alugando espaço onde viver, enquanto uma continuou lá.
Mohammad Saleh is 55, he used to be a freight dispatcher. He hasn’t been working since 2004 due to health problems with his legs and back. His two oldest sons earn the money for the family to get by. Mohammad has eight kids in total.
Mohammad Saleh tem 55 anos e era supervisor de entregas por caminhão. Não trabalha desde 2004 por causa de problemas de saúde com pernas e costas. Seus dois filhos mais velhos ganham o dinheiro com o qual a família vive. Mohammad tem, no total, oito filhos.
He doesn’t know why it was his house that got demolished.
Ele não sabe por que sua casa é que foi demolida.
“Not all our neighbors have proper permits, but we were the ones whose house got demolished. The authorities wanted me to suspect that my neighbors were the ones who tattled on us. But we know our house was just one of the 25,000 they destroyed in Jerusalem,” Mohammad says.
“Nem todos os nossos vizinhos têm permissões adequadas, mas a nossa casa é a que foi demolida. As autoridades queriam que eu suspeitasse de que meus vizinhos é que nos denunciaram. Nós porém sabemos que nossa casa era apenas uma dentre as 25.000 que eles destruíram em Jerusalém,” diz Mohammad.
Mohammad doesn’t believe he will be able to get a permit. “I’m working on it,” he jokes, explaining that the permit cost is calculated at 1,200 shekels per square meter.
Mohammad não acredita que conseguirá permissão. “Estou trabalhando nesse sentido,” graceja, explicando que o custo da permissão está calculado em 1.200 shekels por metro quadrado.
He was slapped with a 20,000 shekel fine, but he couldn’t afford it. “How on earth can I afford the license?” he exclaims.
Ele foi aquinhoado com multa de 20.000 shekels, mas não teve como pagar pela permissão. “Como poderia conseguir o dinheiro para a licença?” exclama.
He thinks the authorities deliberately procrastinated with the development plan to deny licenses to Palestinians. Now, the plan is ready.
Ele acha que as autoridades procrastinaram deliberadamente o plano imobiliário para negar licenças aos palestinos. Agora, o plano está pronto.
“My children were arrested twice after the demolition. They took part in the protests over the killing of Mohammed Abu Khdeir (a teen who was allegedly burned by settlers in the summer of 2014),” he says. His younger children were under house arrest for protests – one spent eight months, the other 14 months.
“Meus filhos foram presos duas vezes depois da demolição. Tomaram parte em protestos pelo assassínio de Mohammed Abu Khdeir (adolescente alegadamente queimado por colonos no verão de 2014),” diz ele. Seus filhos mais novos ficaram em prisão domiciliar por causa dos protestos - um por oito meses, outro por 14.
The children’s room in the makeshift home can be demolished any minute without notice (Photo by Nadezhda Kevorkova)
“It’s so difficult to live here right now. They ignore any circumstances people might be in. I refused to leave Jerusalem and move beyond the wall. Those who live on the other side of the wall are no longer residents of Jerusalem. People are afraid to change their life so drastically,” says Mohammad.
“É muito difícil viver aqui agora. Eles ignoram quaisquer circunstâncias que as pessoas possam estar atravessando. Recusei-me a sair de Jerusalém e a mudar-me para além do muro. Aqueles que moram no outro lado do muro não mais são residentes de Jersulalém. As pessoas estão com medo de mudar sua vida tão drasticamente,” diz Mohammad.
“The Israeli plan is to throw Palestinians out of Jerusalem,” he concludes.
“O plano israelense é expulsar os palestinos de Jerusalém,” conclui.
That’s what happened to his parents, two brothers and one of his sons – they were kicked out Jerusalem, and now they live in Ramallah’s suburb of Semiramis. “But it’s not even Israel or the occupied bank. There’re no services, nothing at all, they don’t collect garbage. They could be told one day: “Hey, you are beyond the wall, you are the West Bank, get the hell out of here,” he says.
Foi o que sucedeu com seus pais, dois irmãos e um de seus filhos - foram chutados de Jerusalém, e agora vivem no subúrbio de Semiramis, em Ramallah. “Mas não é nem Israel ou a margem ocupada. Não há serviços, absolutamente nada, não coletam o lixo. Um dia poderá ser-lhes dito: “Ei, vocês estão além do muro, vocês são Cisjordânia, caiam fora daqui,” diz ele.
“I am a Palestinian, I have the right to live in any part of Palestine, but the Israeli government wants to push to the Palestinian authority as many Palestinians as possible. I can sell the land – it’s pretty expensive – and move wherever I want. But I’m staying here. Just pay 150,000 shekels to the authorities on the West Bank and build whatever you want. But I don’t want to leave Jerusalem, I don’t want Jerusalem to be without Palestinians,” laments Mohammad.
“Sou palestino, tenho o direito de viver em qualquer parte da Palestina, mas o governo israelense quer empurrar para a Autoridade Palestina tantos palestinos quanto possível. Posso vender a terra - é muito cara - e mudar-me para onde quiser. Fico aqui, porém. É só pagar 150.000 shekels às autoridades da Cisjordânia e construir o que quiser. Mas não quero sair de Jerusalém, não quero Jerusalém sem palestinos,” lamenta Mohammad.
When he was young, Mohammad was close to Fatah. In 1978, he was arrested for two months, but no charges were made.
Quando jovem, Mohammad estava próximo da Fatah. Em 1978 foi preso por dois meses, mas não foram formuladas acusações.
“I do what’s right. Right now it’s staying on my land,” he says defiantly.
“Faço o que é certo. No momento, fico em minha terra,” diz, desafiadoramente.
I ask his children to get together for a family photo. Water is dripping from the ceiling, the furniture and clothes are getting wet as we speak.
Peço aos filhos dele que fiquem juntos para foto da família. Pinga água do teto, mobília e roupas vão ficando molhadas à medida que falamos.
The makeshift home he’s now staying in are regarded as illegal by Israel. “They can demolish it any time. But we are going to rebuild it. We are not going anywhere. Period.”
O lar improvisado em que ele agora está é visto como ilegal por Israel. “Podem demolir a qualquer momento. Reconstruí-lo-emos, porém. Não vamos para parte alguma. Ponto final.”
“I have to pay for power or they are going to cut us off. It’s the first month that we’ve got electricity. We had to live a year without any power.” They don’t have water and have to get it from their neighbors.
“Tenho de pagar eletricidade ou eles a cortarão. É o primeiro mês em que temos eletricidade. Tivemos de viver um ano sem energia elétrica nenhuma.” Não têm água e têm de obtê-la dos vizinhos.
Until 2003, the family didn’t have a permanent home and had to rent an apartment. It was quite expensive, and finally in 2003 three families came together to build a home. They spent 10 years, and once it was ready, the house was demolished.
Até 2003 a família não tinha residência permanente e tinha de alugar apartamento. Era muito caro e finalmente, em 2003, três famílias se juntaram para construir uma casa. Levaram 10 anos e, uma vez pronta, foi demolida.
They will never forget the day their house was torn down.
Nunca se esquecerão do dia em que a casa foi derrubada.
There’s no home but they still think positive (Photo by Nadezhda Kevorkova)
"They were dozens of soldiers all around. It took them less than a day to destroy it. The children were in school, my wife was out in Jerusalem, I was on some business. There were only three women, including my daughter. The soldiers didn’t show any papers or warrant, they didn’t even want to talk to us. They came at 8.30 am and at 3 pm it was all over. They didn’t give the women a minute to pack their belongings, they didn’t let anyone in. They just threw the things out. Actually, we’ve seen any papers. There was a court hearing but we couldn’t do anything – they issued a fine for the demolition of our home. We went to the court several times – but all in vain,” says Mohammad.
"Eram muitos soldados em toda parte. Levou menos de um dia para a destruírem. As crianças estavam na escola, minha mulher estava fora em Jerusalém, eu estava em alguma atividade de negócios. Havia apenas três mulheres, inclusive minha filha. Os soldados não mostraram nenhum documento ou mandado, não quiseram nem falar conosco. Vieram às 8:30 e às 3 da tarde estava tudo acabado. Não deram às mulheres um minuto para elas empacotarem seus pertences, não deixaram ninguém entrar. Apenas jogaram as coisas para fora. Na verdade, não vimos qualquer documento. Houve audiência em tribunal mas não podíamos fazer nada - emitiram multa para a demolição de nossa casa. Fomos ao tribunal diversas vezes - mas tudo em vão, diz Mohammad.
When they started construction, they thought they would be able to pay for the license once the development plan is ready. But never got an opportunity. It’s neither negligent nor illegal – it’s just the way it is.
Quando começaram a construção, achavam que conseguiriam pagar a licença depois de o plano imobiliário estar pronto. Nunca, porém, tiveram oportunidade. Não por negligência, nem por ilegalidade - é apenas como as coisas são.
A grandchild woke up and started crying. Mohammad tells me the baby’s parents are in Mecca, and the baby is staying with them. Mohammad once visited Mecca with his father in 1979, but not as a pilgrim. He dreams of doing the hajj and even had an invitation from the president but the authorities didn’t let us go because of the unpaid fines.
Criancinha acordou e começou a chorar. Mohammad conta-me que os pais do bebê estão em Meca, e o bebê ficou com eles. Uma vez Mohammad visitou Meca em 1979, com seu pai, mas não como peregrino. Sonha em fazer a hajj e até foi convidado pelo presidente, mas as autoridades não nos deixaram ir por causa de multas não pagas.
He is not allowed to drive a car – for the same reason.
Não tem permissão para guiar carro - pelo mesmo motivo.
“If I get a job, they would deduct the fine from my pay,” he says. He adds all he can earn is 5,000 shekels a month, or 60,000 a year.
“Se eu arranjar emprego, eles deduzirão a multa de meu salário,” diz ele. Acrescenta que tudo o que pode ganhar são 5.000 shekels por mês, ou 60.000 por ano.
The cost of the license is the same for Israelis, he says, but they get help from funds. Also, they come together and build as a community. Some houses stand empty, he adds.
O custo da licença é o mesmo para os israelenses, diz ele, mas eles recebem ajuda de fundos. Ademais, eles vêm juntos e constroem como comunidade. Algumas casas continuam vazias, acrescenta ele.
Mohammad says the demolition policy has always been on the agenda of the authorities but they have really stepped it up since 2012. They tore down 80 homes in 2012, and promised to destroy another 20. About 13 other homes were demolished in the same month as Mohammad’s home.
Mohammad diz que a política de demolição sempre esteve no programa das autoridades, mas elas a intensificaram realmente a partir de 2012. Derrubaram 80 casas em 2012 e prometeram destruir outras 20. Cerca de 13 outras casas foram demolidas no mesmo mês em que a casa de Mohammad.
“Two months after the demolition my daughter got married. I insisted that she came out of the ruins with the groom in her wedding dress,” Mohammad shows me his family albums.
“Dois meses depois da demolição minha filha casou-se. Insisti para que ela saísse das ruínas, com o noivo, trajando o vestido de noiva,” diz Mohammad, mostrando-me seus álbuns de família.
The statements, views and opinions expressed in this column are solely those of the author and do not necessarily represent those of RT.
Afirmações, pontos de vista e opiniões expressados nesta coluna são unicamente do autor e não necessariamente representam os do RT.