Sunday, June 29, 2014

IPS - Atheists, the “Ultimate Other” in Turkey


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IPS – Inter Press Service
IPS – Inter Press Service
Atheists, the “Ultimate Other” in Turkey
Ateus, os “Diferentes por Excelência” na Turquia
Photo: Tolga Inci, one of the founders and interim chair of the Atheism Association, outside the association’s office in Istanbul. Credit: Nick Ashdown/IPS
Foto: Tolga Inci, um dos fundadores e presidente interino da Associação de Ateísmo, do lado de fora do escritório da associação em Istanbul. Crédito: Nick Ashdown/IPS
ISTANBUL, Jun 24 2014 (IPS) - “Being an atheist isn’t something you can easily express in Turkey,” says Sinem Köroğlu, a member of the Atheism Association, the first official organisation for atheists in the country. “It’s becoming more difficult with the current government as well,” she adds.
ISTANBUL, 24 de junho de 2014 (IPS) - “Ser ateu não é algo que você possa expressar facilmente na Turquia,” diz Sinem Köroğlu, membro da Associação de Ateísmo, a primeira organização oficial para ateus naquele país. “E bem assim está-se tornando mais difícil com o governo atual,” acrescenta ela.
Set up earlier this year in Istanbul, the aim of the Atheism Association is to give a voice and support to non-believers in Turkey, a country not known for its fondness of atheists.
Criada no início deste ano em Istanbul, o objetivo da Associação de Ateísmo é dar voz e apoio a não crentes na Turquia, país não conhecido por morrer de amores pelos ateus.
Politicians in the religious conservative Justice and Development Party (AKP) have been making hostile comments about atheists. Last year, a high-ranking member of the party, Mahmud Macit, used Twitter to attack “spineless psychopaths pretending to be atheists”, saying that they “should be annihilated.” Prime Minister Erdoğan himself has also insulted protesters by calling them “atheists and terrorists”.
Políticos do religioso conservador Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) vêm fazendo comentários hostis acerca dos ateus. No ano passado, membro de alto escalão do partido, Mahmud Macit, usou o Twitter para atacar “psicopatas sem espinha dorsal que fingem ser ateus”, dizendo que eles “deveriam ser aniquilados.” O próprio Primeiro-Ministro Erdoğan também tem insultado manifestantes mediante chamá-los de “ateus e terroristas”.
“It’s just really degrading,” says Köroğlu, speaking from the group’s small office in Istanbul’s cosmopolitan Kadıköy neighbourhood, known as a stronghold of secularism. But she says politicians’ comments reflect the larger views of Turkish society. “This is the mentality of the majority of Turkish people, and we need to break this.”
“É realmente simplesmente degradante,” diz Köroğlu, falando do pequeno escritório do grupo no bairro cosmopolita de Kadıköy em Istanbul, conhecido como baluarte do secularismo. Contudo, diz ela, os comentários dos políticos refletem os pontos de vista mais amplos da sociedade turca. “Essa é a mentalidade da maioria do povo turco, e precisamos acabar com isso.”
A survey carried out by Istanbul’s Bahçeşehir University in 2011 found that 64 percent of respondents would not want to have an atheist for a next-door neighbour, 72 percent would not want someone who drinks alcohol, and 67 percent would not want an unmarried couple.
Pesquisa conduzida pela Universidade Bahçeşehir de Istanbul, em 2011, descobriu que 64 por cento dos respondentes não desejavam ter ateu por vizinho de porta ao lado, 72 por cento não desejavam alguém que bebesse álcool, e 67 por cento não desejavam casal não casado. 
Mustafa Akyol, a Turkish writer and advocate for a tolerant form of Islam, says atheists are seen as the “ultimate other” in Turkey. “In the public consciousness, mostly among religious conservatives, atheists are seen as immoral and dirty – all of the negative things you could imagine.”
Mustafa Akyol, escritor turco e defensor de forma tolerante de islã, diz que os ateus são vistos como os “diferentes por excelência” na Turquia. “Na consciência pública, especialmente entre religiosos conservadores, os ateus são vistos como imorais e obscenos - todas as coisas negativas que se possa imaginar.”
Such vitriol can result in serious harassment. Barbaros Şansal, a prominent fashion designer and activist, is also a well-known atheist. “I receive lots of messages with threats all the time because I’m an atheist,” he says. “They want to kill me, they want to torture me, they ask me to leave the country, and so on.”
Essa crítica cruel pode resultar em sério assédio. Barbaros Şansal, preeminente designer de moda e ativista, é também notório ateu. “Recebo muitas mensagens com ameaças o tempo todo, pelo fato de eu ser ateu,” diz ele. “Querem matar-me, querem torturar-me, pedem-me para sair do país, e assim por diante.”
The Atheism Association has also received threatening phone calls, which members say they had expected all along. “I didn’t take them too seriously,” says Tolga Inci, one of the founders and interim chair of the association.
A Associação de Ateísmo tem também recebido telefonemas ameaçadores que, dizem os membros, esperavam desde o início. “Não os levo demasiado a sério,” diz Tolga Inci, um dos fundadores e presidente interno da associação.
Part of the reason for this, says Akyol, is the vicious way non-Muslims, especially atheists, are often treated by conservative religious media outlets. “They demonise atheists, and treat them as valueless, immoral people.”
Parte da razão para isso, diz Akyol, é o modo pelo qual não-muçulmanos, especialmente ateus, são amiúde tratados por veículos conservadores da mídia religiosa. “Demonizam os ateus, e os tratam como pessoas imprestáveis e imorais.”
Inci says his organisation has already been attacked in the press by religious papers such as Haber Vaktim and Milli Gazete.” They said we will attempt to spread atheism and wage a war against religion,” he answers with a laugh.
Inci diz que sua organização já foi atacada na imprensa por jornais religiosos tais como Haber Vaktim e Milli Gazete.” Dizem que tentaremos espalhar o ateísmo e conduzir guerra à religião,” responde rindo.
Köroğlu insists that the association is not trying to start a war or convert anyone. It just wants to spread awareness about atheism and to support Turkey’s non-believers.
Köroğlu insiste em que a associação não está tentando iniciar guerra ou converter ninguém. Deseja apenas difundir consciência do ateísmo e dar a poio aos não crentes da Turquia.
“We’re not trying to take anyone’s religion away from them. We’re just trying to defend atheists,” she says. “We need to teach them that we’re human as well.”
“Não estamos tentando afastar ninguém de sua religião. Estamos apenas tentando defender os ateus,” diz ela. “Precisamos ensinar às pessoas que também somos humanos.”
According to Inci, religious discrimination in Turkey has increased in recent years, coinciding with the rise to power of the AKP. But he thinks that now the situation “has become worse.” Noting that “with the AKP, they talk about religion all the time.” Inci says this makes not only atheists, but many less devout people and religious minorities uncomfortable.
De acordo com Inci, a discriminação religiosa na Turquia tem aumentado nos anos recentes, coincidindo com a ascensão do AKP ao poder. Acredita ele, porém, que agora a situação “vem ficando pior.” Observando que “com o AKP, eles falam de religião o tempo todo.” Inci diz que isso faz não apenas os ateus, mas muitas pessoas menos devotas e minorias religiosas sentirem-se desconfortáveis.
Turkey was established as a staunchly secular republic in 1923, but Inci thinks that it is becoming more publicly religious. “We want our secularism back,” he says.
A Turquia foi instaurada como república firmemente secular em 1923, mas Inci acha que está-se tornando mais publicamente religiosa “Queremos nosso secularismo de volta,” diz.
Of Turkey’s 74 million people, 99.8 percent are Muslim, and 80-85 percent of those are Sunni. However, there are also 10-15 million Alevis, a heterodox sect of Shia Islam known for its more relaxed religious customs, and smaller numbers of Christians, Jews, and atheists.
Dos 74 milhões de habitantes da Turquia, 99,8 por cento são muçulmanos, dos quais 80-85 por cento sunitas. Há também, todavia, 10-15 milhões de alevitas, seita heterodoxa do islã xiita conhecida por seus costumes religiosos mais lassos, e números menores de cristãos, judeus e ateus.
A Eurobarometer poll in 2005 found that 95 percent of Turkish respondents believe in God, while a Pew poll of 2006 reported that 69 percent said religion is “very important” to them.
Foi verificado, pela pesquisa Eurobarômetro, em 2005, que 95 por cento dos respondentes turcos acreditam em Deus, enquanto pesquisa Pew de 2006 informou que 69 por cento disseram a religião ser “muito importante” para eles.
Turkey’s educational curriculum includes a mandatory religious class that focuses almost exclusively on Sunni Islam. All citizens must carry ID cards declaring their religion, and being an atheist is not an option. State-provided burial services exist for Islamic funerals only, with cremation forbidden in Islam – but many atheists do not want to be buried in Islamic cemeteries.
O programa educacional da Turquia inclui aulas obrigatórias de religião que se concentram quase exclusivamente no islã sunita. Todos os cidadãos têm de portar carteiras de identidade declarando sua religião, e ser ateu não é uma das opções. Existem serviços estatais de sepultamento apenas para funerais islâmicos, sendo a cremação proibida no islã - porém muitos ateus não querem ser enterrados em cemitérios islâmicos.
The colossal government department responsible for religious affairs – the Diyanet – only promotes Sunni Islam. Since the AKP came to power in 2002, its budget has more than quintupled and the number of employees has increased from 74,000 to over 141,000.
O colossal departamento do governo responsável por assuntos religiosos - o Diyanet – só promove o islã sunita. Desde que o AKP subiu ao poder em 2002, o orçamento do órgão mais do que quintuplicou e o número de funcionários aumentou de 74.000 para mais de 141.000.
The government has passed laws that critics accuse of being religiously inspired. Last year, a bill restricting alcohol sales was passed, legislation that Erdoğan said was “something that faith orders.”
O governo tem aprovado leis que os críticos acusam de ser religiosamente inspiradas. No ano passado foi aprovado projeto de lei restringindo venda de álcool, legislação que Erdoğan disse ser “algo que a fé impõe.”
The current Law 216 on hate speech makes it illegal to insult religious values and has been used to prosecute several high profile figures such as world-renowned classical musician Fazıl Say, and linguist and writer Sevan Nişanyan. Both were prosecuted for online comments deemed to be offensive towards Islam.
A atual Lei 216 acerca do ódio torna ilegal insultar valores religiosos e tem sido usada para processar diversas figuras eminentes tais como o mundialmente renomado músico clássico Fazıl Say, e o linguista e escritor Sevan Nişanyan. Ambos foram processados por comentários online considerados ofensivos ao islã.
“I think that law is very questionable,” Inci says. “It’s like a rubber band. You can stretch it any way you like. Maybe saying that I’m an atheist is considered putting down religious values.”
“Acho que essa lei é muito questionável,” diz Inci. “É como elástico. Você pode esticá-la do modo como quiser. Talvez eu dizer que sou ateu possa ser considerado menosprezo de valores religiosos.”
Akyol believes that Law 216 has an important value in suppressing hate speech, but that it should not be used to target people like Say and Nişanyan. “Criticism of religion should not be a crime,” he says.
Akyol acredita que a Lei 216 desempenha importante papel em reprimir o discurso de ódio, mas não deveria ser usada para visar pessoas como Say e Nişanyan. “Criticar a religião não deveria ser crime,” diz ele.
Akyol, himself a devout Muslim, stresses that Islam has been historically accepting towards non-Muslims, citing the Ottoman Empire’s tolerance towards religious minorities. He notes there are still many young Muslim intellectuals who do not demonise atheists and are willing to engage in civilised dialogue.
Akyol, ele próprio muçulmano devoto, enfatiza que o islã historicamente tem sido acolhedor em relação aos não muçulmanos, e cita a tolerância do Império Otomano com referência às minorias religiosas. Observa haver ainda muitos jovens intelectuais muçulmanos que não demonizam os ateus e estão dispostos a entabular diálogo civilizado.
For Akyol, the Atheism Association can play an important role in fostering such dialogue. “I support their [atheists’] right to exist. I think it’s good that they exist so Muslims can see these people and maybe converse with them.”
Para Akyol, a Associação de Ateísmo pode desempenhar importante papel em promover tal diálogo. “Apoio o direito deles [ateus] de existir. Acho bom que eles existam de tal modo que os os muçulmanos possam vê-los e talvez conversar com eles.”
Meanwhile, the Atheism Association is planning to provide free legal support to anyone charged with blasphemy, organising seminars, and conducting a survey on religious beliefs in Turkey. They want religious classes in school to be optional, state-provided funeral services for non-Muslims, and crematoriums to be opened in Turkey.
No entretempo, a Associação de Ateísmo está planejando oferecer apoio jurídico grátis a qualquer pessoa acusada de blasfêmia, organizar seminários, e conduzir pesquisa acerca de crenças religiosas na Turquia. Deseja que as aulas de religião nas escola sejam opcionais, que os serviços de funeral oferecidos pelo estado sejam extensivos a não muçulmanos, e que sejam criados crematórios na Turquia.


Thursday, June 26, 2014

Jonathan Cook: The View from Nazareth / You can’t force-feed occupation to those who crave freedom


ENGLISH
PORTUGUÊS
Jonathan Cook: The View from Nazareth
Jonathan Cook – A Visão a partir de Nazaré
You can’t force-feed occupation to those who crave freedom
Não é possível fazer a ocupação descer pela goela de quem anseia por liberdade
23 June 2014
23 de junho de 2014
The National – 23 June 2014
The National – 23 June 2014
For more than a month Israel sought to wriggle off a hook that should have snared it from the start. Two children, 17 and 16, were shot dead during Nakba Day protests near Ramallah, in which youths threw stones ineffectually at well-protected and distant Israeli military position.
Por mais de mês Israel tentou evadir-se de responsabilização que deveria tê-lo constrangido desde o início. Dois adolescentes, de 17 e 16 anos, foram mortos a tiros durante protestos no Dia da Catástrofe perto de Ramallah, nos quais jovens jogaram pedras, sem eficácia, em bem protegida e distante posição militar israelense.
Hundreds of Palestinian children have lost their lives over the years at the end of a sharpshooter’s sights, but the deaths of Nadim Nuwara and Mohammed Abu Al Tahir in Beitunia were not easily forgotten.
Centenas de crianças palestinas já perderam suas vidas, ao longo dos anos, na mira da visão de atiradores precisos, mas a morte de Nadim Nuwara e Mohammed Abu Al Tahir em Beitunia não foram facilmente esquecidas.
Israel’s usual denials – the deaths were faked, video footage was doctored, Israeli soldiers were not responsible, the youths provoked the soldiers, no live ammunition was used – have been discredited one by one. Slowly Israel conceded responsibility, if only by falling into a grudging silence.
Os desmentidos usuais de Israel – as mortes foram falsas, o trecho de filme foi adulterado, os soldados israelenses não foram responsáveis, os jovens provocaram os soldados, não foi usada munição com explosivos ou produtos químicos ativos - foram desacreditados um a um. Aos poucos Israel reconheceu responsabilidade, se não de outra maneira quedando-se em rancoroso silêncio.
A CCTV camera mounted on the outer wall of a carpentry shop provided the most damning evidence: it captured the moments when the two unarmed boys were each hit with a live round, in one case as the youth can be seen walking away from the protest area.
Câmera da CCTV montada na parede externa de carpintaria proporcionou a evidência mais inegável: captou os momentos quando os dois jovens desarmados foram, cada um, atingidos por balas reais, num dos casos enquanto o jovem é visto afastando-se da área de protesto.
But rather than come to terms with the world as it now is, Israel wants to preserve the way it once was. It believes that through force of will it can keep the tide of accountability at bay in the occupied territories.
Em vez, todavia, de reconciliar-se com o mundo tal como este hoje é, Israel quer preservar o jeito de o mundo ser no passado. Acredita que por meio da força de vontade poderá manter a maré da responsabilização ao largo nos territórios ocupados.
There has been no admission of guilt, no search for the guilty soldiers and no reassessment of its policies on crowd control or the use of live fire – let alone on the continuation of the occupation. Instead, 20 soldiers arrived last week at the store in Beitunia, threatened to burn it down, arrested the owner, Fakher Zayed, and ordered he remove the camera that caused so much embarrassment.
Não houve admissão de culpa, não houve procura dos soldados culpados e não houve reavaliação de suas políticas de controle de multidão ou uso de fogo real - menos ainda da continuação da ocupação. Pelo contrário - 20 soldados chegaram na semana passada à carpintaria de Beitunia, ameaçaram incendiá-la, detiveram o dono, Fakher Zayed, e ordenaram-lhe que removesse a câmera que causou tanto embaraço.
According to Israel, the fault lies not with a society where teenage soldiers can choose to swat a Palestinian child as casually as a fly. The problem is with a Palestinian storekeeper, who assumed he could join the modern world.
De acordo com Israel, a culpa repousa não numa sociedade onde soldados adolescentes podem golpear uma criança palestina tão despreocupadamente quanto golpeiam uma mosca. O problema é o dono da carpintaria, que convenceu-se de poder juntar-se ao mundo moderno.
The nostalgia for a “golden era” of occupation was evident, too, last week in a policy change. Israel has rounded up hundreds of Palestinians in the hunt for three Israeli teenagers missing since June 12. Palestinian cities like Hebron have been under lockdown for days, and several Palestinians youths killed, while soldiers scour the West Bank.
A nostalgia de uma “era dourada” de ocupação ficou evidente, também, na semana passada numa mudança de política. Israel já prendeu em massa centenas de palestinos na procura de três adolescentes israelenses sumidos desde 12 de junho. Cidades palestinas como Hebron estão em estado de acesso restrito há dias, e diversos jovens palestinos foram mortos, enquanto soldados esquadrinham a Margem Oeste.
But with the search proving fruitless, Israel’s attorney general approved the reintroduction of the notorious “ticking bomb” procedure.
Com as buscas, contudo, revelando-se infrutíferas, o procurador-geral de Israel aprovou a reintrodução do infame procedimento de “bomba tiquetaqueante.”
In doing so, he turned the clock back 15 years to a time when Israel routinely used torture against prisoners. Israel may not have been alone then in using torture, but it was exceptional in flaunting its torture dungeons alongside claims to democratic conduct.
Em assim fazendo, ele atrasou o relógio 15 anos, até uma época quando Israel rotineiramente usava tortura contra prisioneiros. Israel pode não ter estado sozinho, à época, no uso de tortura, mas era excepcional em ostentar seus calabouços de tortura paralelamente a protestos de conduta democrática.
Only in 1999 did the country’s supreme court severely limit the practice, allowing interrogators one exemption – a suspect could be tortured only if he was a ticking bomb, hiding information of an attack whose immediate extraction could save lives.
Só em 1999 o supremo tribunal do país limitou severamente a prática, permitindo aos interrogatores uma única isenção - suspeito só poderia ser torturado se fosse bomba tiquetaqueante, escondendo informação de ataque cuja extração imediata pudesse salvar vidas.
Now Israel’s law chief has agreed that the Palestinian politicians, journalists and activists swept up in the latest mass arrests will be treated as “ticking bombs”. Israel’s torture cells are back in business.
Agora o maioral da lei em Israel concordou com que políticos, jornalistas e ativistas palestinos arrebanhados nas últimas prisões em massa sejam tratados como “bombas tiquetaqueantes”. As celas de tortura de Israel estão de volta à ativa.
Israelis have been lulled into a false sense of security by the promise of endless and simple technical solutions to the ever-mounting problems caused by the occupation.
Os israelenses têm sido embalados num falso sentimento de segurança por meio da promessa de soluções técnicas infindáveis e simples para os sempre crescentes problemas causados pela ocupação.
This week, Israel’s prime minister, Benjamin Netanyahu, hoped to find another “fix” for Palestinians who refuse to remain supine in the face of their oppression.
Esta semana o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, teve a esperança de encontrar outra “solução” para palestinos que se recusem a permanecer dóceis em face de sua opressão.
Mr Netanyahu is racing through a law to force-feed more than 100 Palestinian prisoners who are two months’ into a hunger strike. The inmates demand that Israel end the common practice of holding prisoners for months and sometimes years without charge, in what is blandly termed “administrative detention”.
O Sr Netanyahu empenha-se em conseguir aprovação de lei para alimentar à força mais de 100 prisioneiros palestinos que fazem greve de fome há dois meses. Os presos exigem que Israel acabe com a prática comum de manter prisioneiros detidos durante meses e por vezes anos sem acusação, no que é eufemisticamente chamado de “detenção administrativa”.
Such prisoners, ignorant of their offence, are unable to mount a defence. And as it becomes ever clearer to Palestinian society that Israel is never going to concede Palestinian statehood, things that were once barely tolerated are now seen as unendurable.
Tais prisioneiros, ignorantes de suas ofensas, são incapazes de montar defesa. E à medida que se torna cada vez mais claro que Israel nunca concederá a condição de estado à Palestina, coisas que no passado mal eram toleradas hoje são consideradas completamente intragáveis.
Last week, the heads of the World Medical Association urged Israel to halt the legislation, which in a double bill of compulsion will require doctors to sedate and force-feed prisoners to break their hunger strike.
Na semana passada, os dirigentes da Associação Médica Mundial - WMA urgiram Israel a suspender o trâmite de tal legislação, que em duplo projeto de lei de compulsão exigirá que médicos sedem e alimentem à força prisioneiros para quebrarem sua greve de fome.
The WMA called the practice “tantamount to torture”. The legislation violates not only the autonomy of the prisoners but the oaths taken by the doctors to work for their patients’ benefit.
A WMA chamou a prática de “equivalente a tortura”. A legislação viola não apenas a autonomia dos prisioneiros como também os juramentos feitos pelos médicos de trabalhar para benefício de seus pacientes.
The liberal Haaretz newspaper warned that Israel was rushing headlong towards “a new abyss in terms of human rights violations”. And all this to prevent reality pricking the Israeli conscience: that Palestinians would rather risk death than endure the constant indignities of a life under belligerent occupation.
O jornal liberal Haaretz advertiu que Israel estava despencando de cabeça em “novo abismo em termos de violações de direitos humanos”. E tudo isso para impedir que a realidade aguilhoe a consciência israelense: a de que os palestinos preferem correr risco de morrer a tolerar as constantes indignidades de vida sob ocupação hostil e agressiva.
Israelis have yet to realise the dam is soon to burst. They still believe a technical fix is the way to solve ethical dilemmas continuously thrown up by the longest occupation in modern times.
Os israelenses ainda não perceberam que a barragem cedo estourará. Ainda acreditam que solução técnica é modo de resolver dilemas éticos continuamente gerados pela mais longa ocupação dos tempos modernos.
Israel’s technical solutions work to an extent. They confine Palestinians to ever smaller spaces: the prison of Gaza, the city under lockdown, the torture cell, or the doctor’s surgery where a feeding tube can be inserted.
As soluções técnicas de Israel funcionam até certo ponto. Confinam os palestinos a espaços cada vez menores: a prisão de Gaza, a cidade sob restrição de acesso, a cela de tortura, ou a cirurgia do médico durante a qual tubo de alimentação pode ser inserido.
But the craving for self-determination and dignity are more than technical problems. You cannot force-feed a people to still their hunger for freedom.
O desejo ardente de autodeterminação e de dignidade, porém, é mais do que problema técnico. Não se pode aplacar a fome de liberdade de um povo por meio de alimentação forçada.
Belligerent occupations – especially ones where no hope or end is in sight – engender evermore creative and costly forms of resistance, as the hunger strike demonstrates. A physical act of resistance can be temporarily foiled. But the spirit behind it cannot be so easily subdued.
Ocupações hostis e agressivas - especialmente quando sem esperança ou fim à vista - engendram formas de resistência cada vez mais criativas e dispendiosas, como a greve de fome deixa claro. Ato físico de resistência pode ser temporariamente frustrado. O espírito por trás dele, contudo, não pode ser subjugado tão facilmente.