Tuesday, April 29, 2014

FFF - Morsi, Allende, and Kennedy



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The Future of Freedom Foundation
A Fundação Futuro de Liberdade
Hornberger’s Blog
O Blog de Hornberger
Morsi, Allende, and Kennedy
Morsi, Allende e Kennedy
March 25, 2014
25 de março de 2014
The military coup in Egypt provides a fascinating insight into the mindsets of the national-security establishments in both Egypt and the United States. After all, don’t forget: It has been the U.S. national-security state that has, over the decades, funded, built up, fortified, trained, and closely worked with the Egyptian military-intelligence establishment. Thus, it should come as no surprise that the mindsets of those who manage these two massive national-security state structures in both countries are similar to each other.
O golpe militar no Egito propicia fascinante percepção da postura mental dos establishments de segurança nacional tanto no Egito quanto nos Estados Unidos. Afinal de contas, não nos esqueçamos: Tem sido o estado de segurança nacional dos Estados Unidos que, ao longo de décadas, financiou, construiu, fortaleceu, treinou e trabalhou intimamente com o establishment militar-de inteligência egípcio. Portanto, não deveria ser surpresa as posturas mentais dos que gerem essas duas maciças estruturas de estado de segurança nacional em ambos os países serem similares uma à outra.
In ousting the democratically elected president of the country, Mohamad Morsi, the Egyptian national-security establishment sent a powerful message: That when it comes to determining what constitutes a threat to national security, the national-security branch of the government — i.e., the military and intelligence forces — not the president or the legislature — is the final determiner. If the national-security establishment determines that the elected president is a threat to national security, then, in the minds of the national-security establishment, it is incumbent on the nation’s military and intelligences forces to terminate the threat to the nation by removing the president from office.
Em derrubando o presidente democraticamente eleito do país, Mohamad Morsi, o establishment de segurança nacional egípcio enviou mensagem de forte efeito: Que, quando se trate de determinar o que constitui ameaça à segurança nacional, o ramo de segurança nacional do governo  — isto é, as forças da instituição militar e da inteligência — não o presidente ou o legislativo — é o determinante final. Se o establishment de segurança nacional determinar que o presidente eleito é ameaça à segurança nacional, então, nas mentes do establishment de segurança nacional, compete à instituição militar e às forças de inteligência acabar com a ameaça à nação mediante removerem do cargo o presidente.
It’s not difficult to understand how those in the national-security branch of the government would arrive at this mindset. It’s the specific mission of the military and intelligence branch of the government to protect “national security.” That’s its area of expertise. Thus, the idea is that the military and intelligence forces are much better positioned than the president and legislature to understand the complexities of national security and to recognize the nature of genuine threats to national security.
Não é difícil entender como os integrantes do ramo de segurança nacional do governo chegam a essa postura mental. É missão específica do ramo representado pela instituição militar e pela inteligência do governo proteger a “segurança nacional.” É a área de especialização dele. Portanto, a ideia é a de que as forças da instituição militar e da inteligência têm condição muito melhor do que o presidente e o legislativo para entender a complexidade da segurança nacional e para reconhecer a natureza das ameaças genuínas à segurança nacional.
Of course, the ideal case is when the executive, legislative, and national-security branches of the government are on the same page in ascertaining and dealing with threats to national security. Terrorists, communists, and drug dealers are good examples of where all three branches of government come together to address what they jointly consider to be grave threats to national security.
Obviamente, a situação ideal é aquela na qual os ramos executivo, legislativo e de segurança nacional do governo estão de acordo quanto a identificar e a lidar com ameaças à segurança nacional. Terroristas, comunistas e traficantes de drogas são bons exemplos de casos nos quais todos os três ramos do governo se juntam para tratar do que conjuntamente consideram graves ameaças à segurança nacional.
But life doesn’t always turn out as planned. Voters make mistakes. They elect the wrong people. In those rare instances where they elect the wrong person to be president, a person whose polciies are sending the nation into economic chaos, communism, or terrorism, it becomes the uncomfortable duty of the national-security establishment to correct the mistake and remove the threat. That’s what was done, of course, with Morsi.
A vida, porém, nem sempre transcorre como planejado. Eleitores cometem equívocos. Elegem as pessoas erradas. Naqueles raros casos em que elegem a pessoa errada para ser presidente, pessoa cujas políticas empurram a nação para o caos econômico, comunismo, ou terrorismo, torna-se desconfortável dever do establishment de segurança nacional corrigir o equívoco e remover a ameaça. É o que foi feito, obviamente, com Morsi.
It’s important to understand that in this process, the personnel in the national-security establishment do not consider themselves to be bad people for doing what they have to do to protect the nation — i.e., oust the person who the voters have democratically elected president of the country. On the contrary, when something like this has to be done, the military and intelligence forces consider themselves great patriots, that is, people who are simply doing what has to be done to protect national security.
É importante entender que, nesse processo, o pessoal do establishment de segurança nacional não se considera como sendo gente ruim por fazer o que tem de fazer para proteger a nação — isto é, remover a pessoa que os eleitores elegeram democraticamente presidente do país. Pelo contrário, quando algo como isso tem de ser feito, as forças da instituição militar e da inteligência consideram-se integradas por grandes patriotas, isto é, pessoas que estão simplesmente fazendo o que precisa ser feito para proteger a segurança nacional.
You especially see this phenomenon in Egypt, where military and intelligence officials have not only removed the president from office but where they also have imposed a brutal military crackdown on anyone who might object to what they have done and are doing. Those officials honestly believe that they are heroes for what they have done and are doing to “restore democracy” to the nation.
Vocês veem esse fenômeno especialmente no Egito, onde autoridades da instituição militar e da inteligência não apenas removeram o presidente do cargo como também impuseram brutal repressão militar a qualquer pessoa que pudesse objetar ao que fizeram e estão fazendo. Aquelas autoridades honestamente acreditam que são heroínas pelo que fizeram e estão fazendo para “restaurar a democracia” no país.
Equally important, so does the U.S. national-security state. Oh sure, there are the standard expressions of “concern” about the widespread vicious crackdown on the citizenry by the Egyptian national-security establishment, but everyone knows that it’s all for show. There certainly has been no termination of U.S. support for Egypt’s military dictatorship, and U.S. officials have performed all sorts of contortions to avoid calling the Egyptian coup a coup in order to avoid triggering an automatic termination of U.S. money, weaponry, and ammunition to the Egyptian military.
Igualmente importante, o mesmo faz o estado de segurança nacional dos Estados Unidos. Oh, claro, há as manifestações padrão de “preocupação” com a disseminada feroz repressão dos cidadãos pelo establishment egípcio de segurança nacional, mas todo mundo sabe que é tudo para inglês ver. Certamente não ocorreu cessação do apoio dos Estados Unidos à ditadura militar egípcia, e as autoridades dos Estados Unidos exercitam toda forma de prestidigitação para evitar chamar de golpe o golpe no Egito, a fim de evitarem deflagrar término automático de dinheiro, armamentos e munições dos Estados Unidos para a instituição militar egípcia.
Even more revealing, U.S. officials continue to maintain the same position as Egypt’s military regime — that any Egyptian citizen who violently resists the military tyranny under which the nation is now suffering is a terrorist and should be dealt with accordingly.
Ainda mais revelador, as autoridades dos Estados Unidos continuam a manter a mesma posição que o regime militar do Egito — que qualquer cidadão egípcio que resistir violentamente à tirania militar sob a qual a nação hoje sofre é terrorista e deverá ser tratado acordemente.
We witnessed a similar occurrence in Chile in 1973. The national-security establishment in both Chile and the United States reached the conclusion that Chile’s democratically elected president, Salvador Allende, constituted a threat to national security, both in Chile and the United States. In the eyes of military and intelligence officials in both countries, the Chilean electorate had made a grave mistake by electing Allende, a self-avowed socialist and communist, to be president. As President Nixon’s national-security advisor Henry Kissinger put it, “I don’t see why we should have to stand by and let a country go Communist due to the irresponsibility of its own people.”
Testemunhamos ocorrência similar no Chile em 1973. O establishment de segurança nacional tanto no Chile quanto nos Estados Unidos chegou à conclusão de que o presidente democraticamente eleito do Chile, Salvador Allende, constituía ameaça à segurança nacional, tanto do Chile quanto dos Estados Unidos. Aos olhos das autoridades da instituição militar e da inteligência de ambos os países, o eleitorado chileno havia cometido grave equívoco ao eleger Allende, confesso socialista e comunista, para presidente. Como disse Henry Kissinger, conselheiro de segurança nacional do President Nixon, “Não vejo por que deveríamos ficar parados e deixar um país tornar-se comunista por causa da irresponsabilidade de seu próprio povo.”
Thus, with the full support of the U.S. national-security establishment, the Chilean national-security establishment removed the threat to national security that the democratically elected Allende supposedly posed. In a violent coup, the Chilean military ousted Allende from power and assumed brutal military control over the country, as a way, of course, to transition to “democracy,” as the military is doing in Egypt.
Assim, pois, com total apoio do establishment de segurança nacional dos Estados Unidos, o establishment de segurança nacional chileno removeu a ameaça à segurança nacional que o democraticamente eleito Allende supostamente representava. Em golpe violento, a instituição militar chilena tirou Allende do poder e assumiu controle militar brutal sobre o país, como forma, obviamente, de transição para a “democracia,” como a instituição militar está fazendo no Egito.
Not surprisingly, the aftermath of the Chilean coup was quite similar to the Egyptian coup. In Chile, there were mass round-ups and incarceration of tens of thousands of innocent people, killing of peaceful protestors, torture, disappearances, kidnappings, suppression of dissent, cessation of an independent press, and even rape of detainees.
Não surpreendentemente, a esteira do golpe chileno foi muito parecida com a do golpe egípcio. No Chile, houve prisões em massa e encarceramento de dezenas de milhares de pessoas inocentes, assassínio de manifestantes pacíficos, tortura, desaparecimentos, sequestros, repressão de dissidência, cessação de imprensa independente, e até estupro de detidos.
It was all justified in the same way that the Egyptian coup was justified: that this was all necessary to protect “national security.”  Moreover, like the Egyptian national-security state officials, to this day the Chilean military-intelligence forces consider themselves to be great patriots for what they did, notwithstanding the fact that many of them are now serving time in Chilean penitentiaries for their “patriotic” actions.
Foi tudo justificado do mesmo modo que o golpe egípcio foi justificado: tudo fora necessário para proteger a “segurança nacional.” Ademais, do mesmo modo que as autoridades do estado de segurança nacional egípcio, até hoje as forças militares/de inteligência consideram-se grandes patriotas por terem feito o que fizeram, apesar do fato de seu integrantes hoje estarem cumprindo pena em penitenciárias chilenas por suas ações “patrióticas.”
While U.S. national-security officials were playing an important supporting role in the Chilean coup, Nixon, Kissinger, and other high U.S. officials were, at the same time, publicly denying any participation in the coup, much as President Obama, the Pentagon, and the CIA are denying any supportive role in the Egyptian coup. But it was all a lie — part of what is called “plausible deniability — the national-security state’s doctrine that entails having the president become an official liar to the world.
Enquanto autoridades de segurança nacional dos Estados Unidos desempenhavam importante papel de suporte no golpe chileno, Nixon, Kissinger e outras altas autoridades dos Estados Unidos negavam, ao mesmo tempo, qualquer participação no golpe, de modo muito parecido com a negação, por Obama, o Pentágono e a CIA de qualquer papel de apoio ao golpe egípcio. Tudo porém foi mentira — parte do que é chamado de “negabilidade plausível — a doutrina do estado de segurança nacional que implica em o presidente tornar-se mentiroso oficial em relação ao mundo.
In fact, it was so important to the U.S. national-security establishment that its participation in the Chilean coup be kept secret that U.S. military and intelligence officials operating in Chile during the coup even participated in the execution of two American journalists, one of whom had inadvertently stumbled upon evidence of U.S. complicity in the coup. Since, with such knowledge, these two Americans, Charles Horman and Frank Teruggi, had become a threat to “national security,” it was decided that it was okay to kill them.
Na verdade, era tão importante para o establishment de segurança nacional dos Estados Unidos que sua participação no golpe chileno permanecesse em segredo que as autoridades militares e de inteligência dos Estados Unidos que operavam no Chile durante o golpe participaram até da execução de dois jornalistas estadunidenses, um dos quais havia inadvertidamente tropeçado em evidência da cumplicidade dos Estados Unidos no golpe. Visto que, detentores de tal conhecimento, aqueles dois estadunidenses, Charles Horman e Frank Teruggi, haviam-se tornado ameaça à “segurança nacional,” foi decidido que tudo bem matá-los.
One of the fascinating aspects of the coups in both Chile and Egypt is how they have received the ardent support of American conservatives. For example, after the Egyptian coup that removed the democratically elected Morsi from office, the Wall Street Journal, undoubtedly expressing the viewpoint of most other U.S. conservatives, wrote: “Egyptians would be lucky if their new ruling generals turn out to be in the mold of Chile’s Augusto Pinochet, who took over power amid chaos but hired free-market reformers and midwifed a transition to democracy.”
Um dos aspectos fascinantes dos golpes tanto no Chile quanto no Egito é como eles receberam ardoroso apoio dos conservadores estadunidenses. Por exemplo, depois do golpe egípcio que removeu do cargo o democraticamente eleito Morsi, o Wall Street Journal, expressando indubitavelmente o ponto de vista da maioria dos outros conservadores estadunidenses, escreveu: “Os egípicios serão afortunados se seus novos generais governantes se revelarem do tipo de Augusto Pinochet do Chile, que tomou o poder em meio ao caos mas contratou reformadores de livre mercado e partejou transição para a democracia.”
That, of course, is an incredible insight into the conservative mind. I don’t see how anyone can read such a statement and not come up with the conclusion that conservatives ardently endorse the notion that it is the patriotic duty of a national-security establishment to protect national security by removing from office a democratically elected president who purportedly poses a grave threat to national security.
Isso nos dá, obviamente, incrível entendimento profundo da mente conservadora. Não vejo como alguém possa ler tal declaração sem chegar à conclusão de que os conservadores endossam ardorosamente a noção de ser dever patriótico de um establishment de segurança nacional proteger a segurança nacional mediante remover do cargo presidente democraticamente eleito que pretensamente represente grave ameaça à segurança nacional.
Given such a mindset, I can’t understand why conservatives get so bent out of shape when people point the finger at the U.S. national security establishment in the assassination of President John F. Kennedy. After all, wouldn’t U.S. national-security officials have simply been doing their patriotic duty to protect national security by removing Kennedy from office, just as national-security state officials have done with Allende and Morsi?
Dada tal postura mental, não consigo entender por que os conservadores ficam tão indignados quando alguém aponta o dedo para o establisment de segurança nacional dos Estados Unidos no assassínio do Presidente John F. Kennedy. Afinal, as autoridades de segurança nacional dos Estados Unidos não estavam simplesmente cumprindo seu dever patriótico ao tirarem Kennedy do cargo, do mesmo modo que as autoridades do estado de segurança nacional fizeram com Allende e Morsi?
This post was written by: Jacob G. Hornberger
Jacob G. Hornberger is founder and president of The Future of Freedom Foundation. He was born and raised in Laredo, Texas, and received his B.A. in economics from Virginia Military Institute and his law degree from the University of Texas. He was a trial attorney for twelve years in Texas. He also was an adjunct professor at the University of Dallas, where he taught law and economics. In 1987, Mr. Hornberger left the practice of law to become director of programs at the Foundation for Economic Education. He has advanced freedom and free markets on talk-radio stations all across the country as well as on Fox News’ Neil Cavuto and Greta van Susteren shows and he appeared as a regular commentator on Judge Andrew Napolitano’s show Freedom Watch. View these interviews at LewRockwell.com and from Full Context. Send him email.
Esta postagem foi escrita por: Jacob G. Hornberger
Jacob G. Hornberger é fundador e presidente da Fundação Futuro de Liberdade. Nasceu e foi criado em Laredo, Texas, e recebeu seu grau de Bacharel em Artes em economia do Instituto Militar da Virgínia e seu grau em leis da Universidade do Texas. Foi advogado atuante durante doze anos no Texas. Foi também professor adjunto na Universidade de Dallas, onde lecionou leis e economia. Em 1987, o Sr. Hornberger deixou a prática jurídica para tornar-se diretor de programas na Fundação de Educação Econômica. Tem promovido liberdade e livres mercados em estações de rádio com participação da audiência em todo o país, bem como nos programas da Fox News de Neil Cavuto e Greta van Susteren, e participou como comentador regular no programa do Juiz Andrew Napolitano Observatório da Liberdade. Veja essas entrevistas em LewRockwell.com e a partir de Full Context. Envie-lhe email.


Saturday, April 26, 2014

The Anti-Empire Report - Ukraine


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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #126
O Relatório Anti-Império No.126
By William Blum – Published March 7th, 2014
Por William Blum – Publicado em 7 de março de 2014
Ukraine
Ucrânia
When it gets complicated and confusing, when you’re overwhelmed with too much information, changing daily; too many explanations, some contradictory … try putting it into some kind of context by stepping back and looking at the larger, long-term picture.
Quando as coisas ficam complicadas e confusas, quando a gente fica soterrado debaixo de excesso de informação, mudando diariamente; demasiadas explicações, algumas contraditórias ... tente colocar as coisas em algum tipo de contexto mediante afastar-se mentalmente da situação a fim de considerá-la objetivamente e olhar para o quadro maior, de mais longo prazo. 
The United States strives for world domination, hegemony wherever possible, their main occupation for over a century, it’s what they do for a living. The United States, NATO and the European Union form The Holy Triumvirate. The Holy Triumvirate has subsidiaries, chiefly The International Monetary Fund, World Bank, World Trade Organization, International Criminal Court … all help to keep in line those governments lacking the Holy Triumvirate Seal Of Approval: the IMF, WB, and WTO impose market fundamentalism, while foreign leaders who act too independent are threatened with being handed over to the ICC for heavy punishment, as the United States imposes sanctions on governments and their leaders as only the King of Sanctions can, lacking any sense of hypocrisy or irony.
Os Estados Unidos lutam por domínio do mundo, hegemonia onde possível, sua principal ocupação por mais de um século, é a profissão deles. Estados Unidos, OTAN e União Europeia formam o Santo Triunvirato. O Santo Triunvirato tem subsidiárias, principalmente o Fundo Monetário Internacional - IMF, o Banco Mundial - WB, a Organização Mundial do Comércio - WTO, o Tribunal Criminal Internacional - ICC ... todos ajudando a manter sob controle aqueles governos dependentes do Sinete de Aprovação do Santo Triunvirato: IMF, WB e WTO impõem fundamentalismo de mercado, enquanto líderes estrangeiros que agem de forma demasiado independente são ameaçados de ser entregues ao ICC para pesada punição, enquanto os Estados Unidos impõem sanções a governos e a seus líderes como só o Rei das Sanções pode fazer, sem qualquer sentimento de hipocrisia ou ironia. 
And who threatens United States domination? Who can challenge The Holy Triumvirate’s hegemony? Only Russia and China, if they were as imperialistic as the Western powers. (No, the Soviet Union wasn’t imperialistic; that was self-defense; Eastern Europe was a highway twice used by the West to invade; tens of millions of Russians killed or wounded.)
E quem ameaça o domínio dos Estados Unidos? Quem tem como desafiar a hegemonia do Santo Triunvirato? Só Rússia e China, se fossem tão imperialistas quanto as potências ocidentais. (Não, a União Soviética não era imperialista; aquilo foi autodefesa; o Leste Europeu era uma rodovia usada duas vezes pelo Ocidente para invasão; dezenas de milhões de russos mortos ou feridos.)
Since the end of the Cold War the United States has been surrounding Russia, building one base after another, ceaselessly looking for new ones, including in Ukraine; one missile site after another, with Moscow in range; NATO has grabbed one former Soviet Republic after another. The White House, and the unquestioning American mainstream media, have assured us that such operations have nothing to do with Russia. And Russia has been told the same, much to Moscow’s continuous skepticism. “Look,” said Russian president Vladimir Putin about NATO some years ago, “is this is a military organization? Yes, it’s military. … Is it moving towards our border? It’s moving towards our border. Why?”[ Guardian Weekly (London), June 27, 2001]
Desde o final da Guerra Fria os Estados Unidos vêm cercando a Rússia, construindo uma base após outra, procurando novas incessantemente, inclusive na Ucrânia; um local de mísseis após outro, com Moscou na mira; a OTAN açambarcou uma ex-república soviética após outra. A Casa Branca, e a nada questionadora mídia convencional estadunidense, têm-nos assegurado que tais operações nada têm a ver com a Rússia. E à Rússia tem sido dito o mesmo, apesar do contínuo ceticismo de Moscou. “Vejam,” disse o presidente russo Vladimir Putin acerca da OTAN há alguns anos, “é essa uma organização militar? Sim, é militar. … Está-se movendo rumo a nossa fronteira? Está-se movendo rumo a nossa fronteira. Por quê?” [Guardian Weekly (London), 27 de junho de 2001]
The Holy Triumvirate would love to rip Ukraine from the Moscow bosom, evict the Russian Black Sea Fleet, and establish a US military and/or NATO presence on Russia’s border. (In case you were wondering what prompted the Russian military action.) Kiev’s membership in the EU would then not be far off; after which the country could embrace the joys of neo-conservatism, receiving the benefits of the standard privatization-deregulation-austerity package and join Portugal, Ireland, Greece, and Spain as an impoverished orphan of the family; but no price is too great to pay for being part of glorious Europe and the West!
O Santo Triunvirato adoraria arrancar a Ucrania do seio de Moscou, expulsar a frota russa do Mar Negro, e estabelecer presença militar estadunidense e/ou da OTAN na fronteira da Rússia. (No caso de você não saber o que deflagrou a ação militar russa.) A condição de membro da União Europeia de Kyiv não estaria, então, longe; após o que o país poderia gozar as delícias do neoconservadorismo, recebendo os benefícios do pacote padrão de privatização-desregulamentação-austeridades e juntar-se a Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha como órfã empobrecida da família; preço nenhum, porém, é alto demais para ser parte da gloriosa Europa e do Ocidente!
The Ukrainian insurgents and their Western-power supporters didn’t care who their Ukrainian allies were in carrying out their coup against President Viktor Yanukovych last month … thugs who set policemen on fire head to toe … all manner of extreme right-wingers, including Chechnyan Islamic militants [RT television (RT.com, Moscow/Washington, DC), March 1, 2014] … a deputy of the ultra-right Svoboda Party, part of the new government, who threatens to rebuild Ukraine’s nukes in three to six months. [Deputy Mikhail Golovko, RT, March 1, 2014] … the snipers firing on the protestors who apparently were not what they appeared to be – A bugged phone conversation between Urmas Paet, the Estonian foreign minister, and EU foreign policy chief Catherine Ashton, reveals Paet saying: “There is now stronger and stronger understanding that behind the snipers it was not Yanukovych, but it was somebody from the new coalition.”[ RT, March 5, 2014, “The EU’s Ukraine policy and moral bankruptcy”; the phone conversation is believed to have taken place February 26.] … neo-Nazi protestors in Kiev who have openly denounced Jews, hoisting a banner honoring Stepan Bandera, the infamous Ukrainian nationalist who collaborated with the German Nazis during World War II and whose militias participated in atrocities against Jews and Poles.
Os insurgentes ucranianos e as potências ocidentais suas apoiadoras não se importaram com quem eram seus aliados ucranianos no desferimento do golpe contra o Presidente Viktor Yanukovych mês passado … brutamontes que puseram fogo em policiais da cabeça aos pés ... muitos tipos diferentes de direitistas, inclusive militantes islâmicos chechenos [televisão RT (RT.com, Moscou/Washington, DC), 1o. de março de 2014] … deputado do ultradireitista Partido Svoboda, parte do novo governo, que ameaça reconstruir as bombas nucleares da Ucrânia em de três a seis meses. [Deputado Mikhail Golovko, RT, 1o. de março de 2014] … os franco-atiradores disparando contra manifestantes, que aparentemente não eram o que pareciam ser – Conversa telefônica grampeada entre Urmas Paet, ministro do exterior estoniano, e a chefe de política externa da União Europeia Catherine Ashton revela Paet dizendo: “Agora há entendimento cada vez mais forte de que, por trás dos franco-atiradores não estava Yanukovych, e sim alguém da nova coalizão.” [RT, 5 de março de 2014, “A política da União Europeia para a Ucrânia e falência moral”; acredita-se que a conversa telefônica teve lugar em 26 de fevereiro.]… manifestantes neonazistas em Kyiv que abertamente denunciaram judeus, hasteando cartaz em homenagem a Stepan Bandera, o nacionalista ucraniano de triste fama que colaborou com os nazistas alemães durante a Segunda Guerra Mundial e cujas milícias participaram de atrocidades contra judeus e poloneses.
The Israeli newspaper Haaretz reported on February 24 that Ukrainian Rabbi Moshe Reuven Azman advised “Kiev’s Jews to leave the city and even the country.” Edward Dolinsky, head of an umbrella organization of Ukrainian Jews, described the situation for Ukrainian Jews as “dire” and requested Israel’s help.
O jornal israelense Haaretz informou, em 24 de fevereiro, que o rabino ucraniano Moshe Reuven Azman recomendou aos “judeus de Kyiv que deixassem a cidade e até o país.” Edward Dolinsky, chefe de uma organização guarda-chuva de judeus ucranianos, descreveu a situação dos judeus ucranianos como “agourenta” e solicitou ajuda de Israel.
All in all a questionable gang of allies for a dubious cause; reminiscent of the Kosovo Liberation Army thugs Washington put into power for an earlier regime change, and has kept in power since 1999.
No todo, uma questionável quadrilha de aliados para uma causa suspeita; reminiscente dos brutamontes do Exército de Libertação da Kosovo que Washington colocou no poder para mudança de regime anterior, e têm sido mantidos no poder desde 1999.
The now-famous recorded phone conversation between top US State Department official Victoria Nuland and the US ambassador to the Ukraine, wherein they discuss which Ukrainians would be to Washington’s liking in a new government, and which not, is an example of this regime-change mentality. Nuland’s choice, Arseniy Yatseniuk, emerged as interim prime minister.
A agora famosa conversa gravada ao telefone entre a alta autoridade do Departamento de Estado dos Estados Unidos Victoria Nuland e o embaixador dos Estados Unidos na Ucrânia, onde eles discutem quais ucranianos seriam do gosto de Washington em um novo governo, e quais não, é exemplo dessa mentalidade de mudança de regime. O escolhido de Nuland, Arseniy Yatseniuk, emergiu como primeiro-ministro interino.
The National Endowment for Democracy, an agency created by the Reagan administration in 1983 to promote political action and psychological warfare against states not in love with US foreign policy, is Washington’s foremost non-military tool for effecting regime change. The NED website lists 65 projects that it has supported financially in recent years in Ukraine. [NED 2012 Annual Report] The descriptions NED gives to the projects don’t reveal the fact that generally their programs impart the basic philosophy that working people and other citizens are best served under a system of free enterprise, class cooperation, collective bargaining, minimal government intervention in the economy, and opposition to socialism in any shape or form. A free-market economy is equated with democracy, reform, and growth; and the merits of foreign investment in their economy are emphasized.
A Dotação Nacional para a Democracia - NED, órgão criado pela administração Reagan em 1983 para promover ação política e guerra psicológica contra estados não apaixonados pela política externa dos Estados Unidos, é a mais destacada ferramenta não militar de Washington para efetuar mudança de regime. O website da NED lista 65 projetos por ela suportados financeiramente em anos recente na Ucrânia. [Relatório Anual da NED de 2012] As descrições dos projetos pela NED não revelam o fato de que geralmente seus programas divulgam a filosofia básica segundo a qual trabalhadores e outros cidadãos melhor são servidos em sistema de livre empresa, cooperação de classes, negociações coletivas, intervenção mínima do governo na economia e oposição ao socialismo em qualquer modalidade ou forma. Economia de livre mercado é igualada a democracia, reforma, e crescimento; e os méritos do investimento estrangeiro na economia são enfatizados. 
The idea was that the NED would do somewhat overtly what the CIA had been doing covertly for decades, and thus, hopefully, eliminate the stigma associated with CIA covert activities. Allen Weinstein, who helped draft the legislation establishing NED, declared in 1991: “A lot of what we do today was done covertly 25 years ago by the CIA.” [Washington Post, September 22, 1991]
A ideia era a de que a NED faria de certo modo abertamente o que a CIA vinha fazendo secretamente havia décadas e portanto, se tudo desse certo, eliminaria o estigma associado às atividades secretas da CIA. Allen Weinstein, que ajudou a elaborar a legislação que criou a NED, declarou, em 1991: “Muito do que fazemos hoje foi feito secretamente há 25 anos pela CIA.” [Washington Post, 22 de setembro de 1991]
NED, receives virtually all its financing from the US government ($5 billion in total since 1991 [Victoria Nuland, speaking at the National Press Club, Washington, DC, December 13, 2013] ), but it likes to refer to itself as an NGO (Non-governmental organization) because this helps to maintain a certain credibility abroad that an official US government agency might not have. But NGO is the wrong category. NED is a GO. Its long-time intervention in Ukraine is as supra-legal as the Russian military deployment there. Journalist Robert Parry has observed:
A NED recebe praticamente todo o seu financiamento do governo dos Estados Unidos ($5 biliões, no total, desde 1991 [Victoria Nuland, falando no Clube da Imprensa Nacional, Washington, DC, 13 de dezembro de 2013]), mas gosta de referir a si própria como ONG (organização não governamental) porque isso ajuda a manter certa credibilidade no exterior, coisa que órgão oficial do governo dos Estados Unidos poderá não ter. ONG, porém, é categoria errada. A NED é uma OG. Sua intervenção de longo tempo na Ucrânia é tão supralegal quanto o espraiamento militar russo ali. O jornalista Robert Parry observou:
For NED and American neocons, Yanukovych’s electoral legitimacy lasted only as long as he accepted European demands for new “trade agreements” and stern economic “reforms” required by the International Monetary Fund. When Yanukovych was negotiating those pacts, he won praise, but when he judged the price too high for Ukraine and opted for a more generous deal from Russia, he immediately became a target for “regime change.”
Para a NED e para os neocons estadunidenses, a legitimidade eleitoral de Yanukovych só durou enquanto ele aceitou as exigências europeias de novos “tratados de comércio” e severas “reformas” econômicas exigidas pelo Fundo Monetário Internacional. Quando Yanukovych negociava esses pactos ganhava elogios, mas quando ele julgou o preço alto demais para a Ucrânia e optou por acordo mais generoso com a Rússia, tornou-se imediatamente alvo de “mudança de regime.”
Thus, we have to ask, as Mr. Putin asked – “Why?” Why has NED been funding 65 projects in one foreign country? Why were Washington officials grooming a replacement for President Yanukovych, legally and democratically elected in 2010, who, in the face of protests, moved elections up so he could have been voted out of office – not thrown out by a mob? Yanukovych made repeated important concessions, including amnesty for those arrested and offering, on January 25, to make two of his adversaries prime minister and deputy prime minister; all to no avail; key elements of the protestors, and those behind them, wanted their putsch.
Assim, pois, temos de perguntar, como o Sr. Putin perguntou – “Por quê?” Por que vem a NED financiando 65 projetos em um só país estrangeiro? Por que as autoridades de Washington estava preparando substituição do Presidente Yanukovych, legal e democraticamente eleito em 2010, o qual, em face dos protestos, convocou eleições de tal maneira que pudesse ter de deixar o cargo em função da votação - não expelido por uma turba? Yanukovych fez repetidamente importantes concessões, inclusive anistia para os detidos, e ofereceu-se, em 25 de janeiro, para tornar dois de seus adversários primeiro-ministro e primeiro-ministro adjunto; tudo em vão; elementos decisivos entre os manifestantes, e aqueles por trás deles, quiseram seu putsch.
Carl Gershman, president of NED, wrote last September that “Ukraine is the biggest prize”. [Washington Post, September 26, 2013] The man knows whereof he speaks. He has presided over NED since its beginning, overseeing the Rose Revolution in Georgia (2003), the Orange Revolution in Ukraine (2004), the Cedar Revolution in Lebanon (2005), the Tulip Revolution in Kyrgyzstan (2005), the Green Revolution in Iran (2009), and now Ukraine once again. It’s as if the Cold War never ended.
Carl Gershman, presidente da NED, escreveu, em setembro último, que a “Ucrânia é o maior dos prêmios”. [Washington Post, 26 de setembro de 2013] O homem sabe do que está falando. Ele preside a NED desde o início da organização, tendo supervisado a Revolução das Rosas na Geórgia (2003), a Revolução Alaranjada na Ucrânia (2004), a Revolução dos Cedros no Líbano (2005), A Revolução das Tulipas no Quirguistão (2005), a Revolução Verde no Irã (2009), e agora a Ucrânia de novo. É como se a Guerra Fria nunca tivesse acabado.
The current unbridled animosity of the American media toward Putin also reflects an old practice. The United States is so accustomed to world leaders holding their tongue and not voicing criticism of Washington’s policies appropriate to the criminality of those policies, that when a Vladimir Putin comes along and expresses even a relatively mild condemnation he is labeled Public Enemy Number One and his words are accordingly ridiculed or ignored.
A atual animosidade sem peias da mídia estadunidense em relação a Putin também reflete uma velha prática. Os Estados Unidos estão de tal forma acostumados a líderes mundiais segurarem a língua e não verbalizarem críticas às políticas de Washington adequadas ao caráter criminoso de tais políticas que, quando um Vladimir Putin aparece e expressa condenação mesmo relativamente branda ele é rotulado de Inimigo Número Um e suas palavras são, acordemente, ridicularizadas ou ignoradas. 
On March 2 US Secretary of State John Kerry condemned Russia’s “incredible act of aggression” in Ukraine (Crimea) and threatened economic sanctions. “You just don’t in the 21st century behave in 19th century fashion by invading another country on completely trumped up pre-text.” [“Face the Nation”, CBS, March 2, 2014]
Em 2 de março o Secretário de Estado dos Estados Unidos John Kerry condenou o “incrível ato de agressão” da Rússia na Ucrânia (Crimeia) e ameaçou sanções econômicas. “No século 21 simplesmente não se admite que alguém se comporte como no século 19 invadindo outro país com base em pretextos completamente falsos.” [“Encare a Nação”, CBS, 2 de março de 2014]
Iraq was in the 21st century. Senator John Kerry voted for it. Hypocrisy of this magnitude has to be respected.
O Iraque estava no século 21. O Senador John Kerry votou favoravelmente à invasão. Hipocrisia desse quilate tem de ser respeitada.
POSTSCRIPT: Ukraine’s interim prime minister announced March 7 that he has invited the NATO Council to hold a meeting in Kiev over the recent developments in the country. “I invited the North Atlantic Council to visit Kiev and hold a meeting there,” Arseny Yatsenyuk said during a visit to Brussels, where he met with NATO Secretary General Anders Fogh Rasmussen and EU officials. “We believe that it will strengthen our cooperation.”
PÓS-ESCRITO: O primeiro-ministro interino da Ucrânia anunciou, em 7 de março, que convidou o Conselho da OTAN a fazer reunião em Kiev a propósito dos recentes desdobramentos no país. “Convidei o Conselho do Atlântico Norte a visitar Kyiv e fazer reunião ali,” disse Arseny Yatsenyuk durante visita a Bruxelas, onde se encontrou com o Secretário-Geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen e autoridades da União Europeia. “Acreditamos que isso fortalecerá nossa cooperação.”