Wednesday, December 31, 2014

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Afghanistan conflict: When Enduring Freedom is turned asunder
Conflito no Afeganistão: Quando a Liberdade Duradoura é feita em pedaços
Published time: December 28, 2014 06:52
AFP Photo / Deshakalyan Chowdhury)
In December of 2001, the mightiest military force the world has ever known launched 'Operation Enduring Freedom' in Afghanistan. Today, the US and NATO military mission in that distant country officially comes to a close, but the foe remains unvanquished.
Em dezembro de 2001 a mais poderosa força militar que o mundo jamais conheceu deflagrou a 'Operação Liberdade Duradoura' no Afeganistão. Hoje, a missão militar de Estados Unidos e OTAN naquele país distante termina oficialmente, mas o inimigo continua invicto.
I am writing this piece to caution the leaders of free nations, before you leap into more asymmetrical warfare abroad, please examine the outcomes of Afghanistan first. Let me begin by pointing out that just before America entered her longest war, then-President George W. Bush was quoted as saying:
Escrevo este artigo para sugerir aos líderes de nações livres que, antes de se lançarem a mais guerra assimétrica no exterior, por favor examinem primeiro os resultados do Afeganistão. Permitam-me começar destacando que logo antes de os Estados Unidos terem entrado em sua mais longa guerra, o então presidente George W. Bush foi citado dizendo:
We will direct every resource at our command — every means of diplomacy, every tool of intelligence, every instrument of law enforcement, every financial influence, and every necessary weapon of war — to the destruction and to the defeat of the global terror network.”
Dirigiremos todo recurso disponível — todo meio de diplomacia, toda ferramenta de inteligência, todo instrumento de imposição da lei, toda influência financeira, e toda arma de guerra necessária — para destruição e derrota da rede global de terror.”
Thousands of lives, trillions of dollars, 13 years, and a loss of America’s reputation and prestige in the world. All that brought about nothing positive whatsoever. Not only have the Taliban and Al-Qaeda not been destroyed, the global threat of conflict is even more vehement today. Many experts fear the long-range effects of America’s wars will be perpetual attacks of retribution. We are witnessing, even now, the beginnings of this.
Milhares de vidas, triliões de dólares, 13 anos, e perda de reputação e prestígio dos Estados Unidos no mundo. Tudo isso sem trazer absolutamente nada de positivo. Não apenas Talibã e Al-Qaeda não foram destruídos, como ainda a ameaça global de conflito é ainda mais veemente hoje em dia. Muitos especialistas temem que os efeitos de longo prazo das guerras dos Estados Unidos venham a ser ataques perpétuos de retaliação. Estamos testemunhando, ainda agora, o início disso.
As NATO's International Security Assistance Force Joint Command lowers its flags, American and coalition forces engage ISIL across Syria and Iraq, and brazen Taliban attacks certify all our worst fears. Al-Qaeda has restarted training camps within Afghanistan. The Taliban has launched more than a dozen attacks targeting foreigners in just the last few weeks. These and other such events punctuate the reality that we accomplished absolutely nothing positive in Afghanistan. The saddest part of this reality for many is the brave men and women who fought and died there; they and their families only have their honor to show for their ultimate sacrifices. However, the military failures in Afghanistan will later be seen as secondary to what America and her allies have lost as free nations.
Enquanto o Comando Conjunto da Força Internacional de Assistência para Segurança da OTAN arria suas bandeiras, forças estadunidenses e de coalizão entram em combate com o ISIL na Síria e no Iraque, e ousados ataques do Talibã confirmam todos os nossos piores temores. A Al-Qaeda recomeçou campos de treinamento no Afeganistão. O Talibã vem de lançar mais de dúzia de ataques a estrangeiros apenas nas últimas semanas. Esses e outros eventos da espécie põem em relevo a realidade de não termos conseguido absolutamente nada de positivo no Afeganistão. A parte mais triste dessa realidade, para muita gente, são os bravos homens e mulheres que lutaram e morreram lá; eles e suas famílias só têm sua honra para mostrar em favor de seus sacrifícios últimos. Sem embargo, os fracassos militares no Afeganistão serão vistos, posteriormente, como secundários em comparação com o que os Estados Unidos e seus aliados perderam como nações livres.
Hijacked United Airlines Flight 175 from Boston crashes into the south tower of the World Trade Center and explodes at 9:03 a.m. on September 11, 2001 in New York City (AFP Photo)
In the maelstrom of emotion following the 9/11 attacks, and in these ensuing years, a major shift occurred. A shift not too often noted in the mainstream, but a policy dogma that has halted the march of nations toward peace. If we recall, back in September 2001 the US Congress passed legislation titled 'Authorization for Use of Military Force Against Terrorists,' that George W. Bush signed into law. Though it was later overturned by the US Supreme Court, the law authorized the use of US Armed Forces against those responsible for the 9/11 attacks. The intent of this law set the tone for America’s foreign policy up until today. Then-President Bush would also “re-label” Taliban forces as “supporters of terror,” rather than as soldiers, in order to get around the Geneva Convention. These legal shenanigans to get around international law ultimately led to unlawful detentions, constitutional infringements, torturing individuals without due process, the NSA excesses, and still more proxy wars across the globe now. Today, leaders only seem to need to admit the readily indefensible – rather than seek any real remedy. To quote President Barack Obama:
No remoinho de emoção subsequente aos ataques do 11/9, e nestes anos seguintes, ocorreu mudança maior. Mudança não muito a miúdo notada no meio convencional, mas dogma de política que sustou a marcha das nações rumo à paz. Se nos lembrarmos, no passado, em setembro de 2001, o Congresso dos Estados Unidos aprovou legislação intitulada 'Autorização para Uso de Força Militar Contra Terroristas,' que George W. Bush sancionou como lei. Embora mais tarde invalidada pelo Supremo Tribunal, a lei autorizava o uso das Forças Armadas dos Estados Unidos contra os responsáveis pelos ataques do 11/9. A intenção da lei deu o tom para a política externa dos Estados Unidos até hoje. O então presidente Bush também “re-rotularia” as forças do Talibã como “apoiadoras do terror,” em vez de formadas por soldados, a fim de contornar a Convenção de Genebra. Essas matreirices jurídicas para contornar a lei internacional levaram como resultado a detenções ilegais, infringências constitucionais, tortura de indivíduos sem o processo devido, os excessos da Agência de Segurança Nacional – NSA, e a ainda mais guerras por procuração em todo o mundo agora. Hoje, os líderes só parecem precisar admitir o claramente indefensável – em vez de procurar qualquer correção real. Para citar o presidente Barack Obama:
With respect to the larger point of the RDI report itself, even before I came into office I was very clear that in the immediate aftermath of 9/11 we did some things that were wrong. We did a whole lot of things that were right, but we tortured some folks. We did some things that were contrary to our values.”
“Com respeito ao ponto maior do relatório referente ao programa Cessão Extrajudicial, Detenção e Interrogatório - RDI ele próprio, mesmo antes de eu tomar posse eu deixara bem claro que na esteira imediata do 11/9 fizemos algumas coisas que estavam erradas. Fizemos muitas coisas que estavam certas, mas torturamos algumas pessoas. Fizemos algumas coisas que eram contra nossos valores.
Indeed. It is America’s values, America’s position in the world, that has suffered most because of these last years. Where once collateral damage to civilians was an outrage, today drones and technology have made clinical the horrors of ancient wars. The Costs of War Project estimates that some 174,000 plus civilians have died in Afghanistan (21,000) and northern Pakistan since Enduring Freedom was launched. These casualties leave a dark red stain on our ideals about freedom, but the methodologies of this war indicate other real perpetrators of ongoing terror. The profiteers have an interest in wars, after all.
De fato. Os valores dos Estados Unidos, a posição dos Estados Unidos no mundo, foram os que mais sofreram por causa destes anos. Onde no passado danos colaterais a civis eram afronta, hoje em dia aviões não pilotados [drones] e tecnologia tornaram clínicos os horrores de guerras antigas. O Projeto Custos de Guerra estima que 174.000 civis ou mais morreram no Afeganistão (21.000) e no norte do Paquistão desde que a Liberdade Duradoura foi deflagrada. Essas baixas deixam marca vermelho-escura em nossos ideais concernentes a liberdade, mas as metodologias desta guerra indicam outros reais perpetradores de terror permanente. Os que auferem lucros indevidos têm interesse em guerras, afinal de contas.
The reader may be surprised to find out that US troops in Afghanistan have used more small arms munitions per insurgent killed than in any war in history. That’s right, at a point in the Afghanistan conflict, munitions manufacturers in the US could not keep up with the demand for bullets. The situation got so bad the US had to import ammo from Israel just to keep their rate-of-fire up. At the peak, it took 250,000 rounds of ammo to kill one Taliban guerilla. And no, I am not exaggerating. As for the total munitions expenditures by coalition forces in Afghanistan, it appears no one on Earth has this estimated in total. However, the types and spot usage of killing devices in this war are cataloged. For instance, some 1,228 cluster bombs containing 248,000 bomblets were used by coalition forces during the initial stages of Enduring Freedom. These latest wars have seen forms of literal hell unleashed onto not just our foes, but the populations of distant lands. Please allow me to clarify:
O leitor poderá ficar surpreso ao descobrir que as tropas dos Estados Unidos no Afeganistão usaram mais munição de pequenas armas por insurgente morto do que em qualquer guerra na história. É verdade, a certa altura do conflito no Afeganistão, os fabricantes de munição nos Estados Unidos não conseguiam atender à demanda por balas. A situação ficou tão ruim que os Estados Unidos tiveram de importar munição de Israel só para manter o nível da capacidade de tiro. No pico, eram necessários 250.000 projéteis para matar um único guerrilheiro Talibã. E não, não estou exagerando. Quanto ao gasto total com munição para as forças da coalizão no Afeganistão, parece que ninguém na Terra estimou esse total. Contudo, os tipos e o local de uso de dispositivos letais nessa guerra estão catalogados. Por exemplo, durante os estágios iniciais da Liberdade Duradoura, foram usadas pelas forças da coalizão cerca de 1.228 bombas de fragmentação contendo 248.000 bombinhas. Essas últimas guerras exibiram formas de literal inferno deflagrado não apenas contra nossos inimigos, mas contra as populações daquelas terras distantes. Por favor permitam-me esclarecer:
On the use of cluster munitions, an officer aboard the US aircraft carrier Carl Vinson described the use of 2,000 lb cluster bombs dropped by B-52 bombers: "A 2,000 lb bomb, no matter where you drop it, is a significant emotional event for anyone within a square mile."
No tocante ao uso de munição de fragmentação, oficial a bordo do porta-aviões estadunidense Carl Vinson descreveu o uso de bombas de fragmentação de 2.000 libras lançadas por bombardeiros B-52: "Bomba de 2.000 libras, não importa onde você a despeje, é evento emocionalmente significativo para qualquer pessoa dentro de uma milha quadrada."
Reuters, via The Times of India, reported from Kabul that "a US bomb flattened a flimsy mud-brick home in Kabul on Sunday blowing apart seven children as they ate breakfast with their father. The blast shattered a neighbour's house killing another two children...the houses were in a residential area called Qalaye Khatir near a hill where the hard-line Taliban militia had placed an anti-aircraft gun."
A Reuters, via The Times of India, informou a partir de Cabul que "bomba dos Estados Unidos arrasou frágil casa de adobe em Cabul no domingo, fazendo em pedaços sete crianças que tomavam café da manhã com o pai. A explosão arrebentou casa vizinha matando outras duas crianças…as casas ficavam em área residencial chamada Qalaye Khatir perto de colina onde a milícia de linha dura Talibã havia colocado arma antiaérea."
Two US army Chinook helicopters land at Kandahar airfield in southern Afghanistan on March 30, 2011 (AFP Photo)
The decision to bomb heavily populated areas of Afghanistan by the coalition has resulted in the highest civilian kill ratio per 10,000 tons of bombs in history. The year 2001 alone eclipsed even Cambodia during the Vietnam War – Afghanistan was left with 2,643 civilian deaths; Cambodia with 1,852; Serbia with 522; and Iraq with 341.
A decisão da coalizão de bombardear áreas densamente povoadas do Afeganistão resultou na maior proporção de morte de civis por 10.000 toneladas de bombas da história. Só o ano de 2001 eclipsou até o Camboja durante a Guerra do Vietnã – o Afeganistão teve 2.643 mortes de civis; o Camboja 1.852; a Sérvia 522; e o Iraque 341.
From 2009 to 2013, the Obama administration was responsible for at least 18,274 airstrikes in Afghanistan, at least 1,160 of which were by pilotless drones. Despite the supposed precision of these weapons, 45 civilians died in drone strikes in 2013 alone in Afghanistan.
De 2009 a 2013, a administração Obama foi responsável por pelo menos 18.274 ataques aéreos no Afeganistão, pelo menos 1.160 dos quais por drones sem piloto. A despeito da pretensa precisão dessas armas, 45 civis morreram em ataques de drones, só em 2013, no Afeganistão.
A list like this for 13 years of devastation could go on, and on, just like the war itself. The incontrovertible reality of Afghanistan is more easily reached though. Killing civilians from the air or on the ground only creates shattered lives, hatred, and helps create future terror. It is in this sense that America and the coalition have failed to the utter extreme. To quote from the article 'Inviting Future Terrorism,' by Aaron G. Lehmer, people of these far-off conflict zones justifiably wonder of Americans and the alliance: “Why do they hate us?” Why indeed.
Lista como essa para 13 anos de devastação poderia continuar indefinidamente, do mesmo modo que a própria guerra. A realidade incontrovertível do Afeganistão é mais facilmente alcançável, porém. Matar civis a partir do ar ou no solo só cria vidas destroçadas, ódio, e ajuda a criar terror futuro. É nesse sentido que Estados Unidos e coalizão falharam cabalmente. Para citar do artigo 'Convite a Terrorismo Futuro,' de Aaron G. Lehmer, as pessoas daquelas longínquas zonas de conflito justificavelmente perguntam-se, dos estadunidenses e da aliança: “Por que eles nos odeiam?” Por que, de fato.
Now, as generals and presidents cling to hollow victories to rationalize costly wars, any freshman at West Point Military Academy might characterize them (honestly) as just another Vietnam. President Obama and his Pentagon advisers tout the Taliban’s inability to interfere with elections in Afghanistan these days, but why would Al-Qaeda or the Taliban bother to change the inept government of President Ashraf Ghani? You see, this is the failed logic that got us into these wars in the first place. Even as we prepare to leave Afghanistan, commanders from the Afghan National Army (ANA) and the International Security Assistance Force in Afghanistan (ISAF) discuss “commitments” to “eliminate [terrorist] sanctuaries of Pakistani militants on Afghan soil.” The bold talk goes on, even as the war supposedly ends.
Ora bem, enquanto generais e presidentes aferram-se a vitórias vazias para racionalizar guerras dispendiosas, qualquer calouro da Academia Militar de West Point poderia caracterizá-las (honestamente) como apenas outro Vietnã. O presidente Obama e seus assessores do Pentágono trombeteiam a incapacidade do Talibã de interferir em eleições no Afeganistão atualmente, mas por que Al-Qaeda ou Talibã se abalariam para modificar o inepto governo do presidente Ashraf Ghani? Veem vocês, essa lógica cambeta é que, antes de tudo, nos enfiou nessas guerras. Enquanto nos aprestamos para sair do Afeganistão, comandantes do Exército Nacional Afegão (ANA) e da Força Internacional de Assistência para Segurança no Afeganistão (ISAF) discutem “compromissos” para “eliminar refúgios [terroristas] de militantes paquistaneses em solo afegão.” O discurso impudente continua, ainda quando a guerra pretensamente termine.
Even in losing out, Washington cannot avoid a cliché, cannot pass up another opportunity to name some cliché military campaign, or to designate brave men to die to perpetuate a game few outside Washington understand or even see. However leadership rationalizes Afghanistan, though, two stark realities remain. For Afghans, the story of a local farmer named Miya Jan resonates. After a drone attack on an isolated road in Watapur, Miya related the aftermath to the Los Angeles Times:
Mesmo levando a pior Washington não consegue evitar o clichê, não consegue deixar passar outra oportunidade de aventar alguma campanha militar estereotipada/desgastada, ou de enviar homens corajosos para morrerem a fim de perpetuar jogo que poucos fora de Washington entendem ou sequer veem. Qualquer o modo pelo qual a liderança racionalize o Afeganistão, contudo, duas realidades inquestionáveis remanescem. Para os afegãos, a história de rural local chamado Miya Jan permanece vívida. Depois de ataque de drones contra isolada estrada em Watapur, Miya relatou a sequência ao Los Angeles Times:
"There were pieces of my family all over the road," said Jan, recalling the deadly Sept. 7 late afternoon incident in an interview last week. "I picked up those pieces from the road and from the truck and wrapped them in a sheet to bury them. Do the American people want to spend their money this way, on drones that kill our women and children?" he asked.
"Havia pedaços de minha família pela estrada inteira," disse Jan, relembrando o letal incidente do final da tarde de 7 de setembro em entrevista na semana passada. "Catei aqueles pedaços da estrada e do caminhão e os enrolei num lençol para sepultá-los. Quer o povo estadunidense gastar seu dinheiro desse modo, em drones que matam nossas mulheres e crianças?" perguntou.
Finally, to answer his question, Americans must be truly willing, for we have done just that. For a snapshot view, realizing that every Hellfire missile that is used in Afghanistan costs $58,000, it seems pertinent for me. Furthermore, the fact that the cost to maintain a soldier in Afghanistan for a year rose from $540,000 to above $1,600,000 at the time of withdrawal is significant. On the monetary costs though, no single wasteful expenditure seems more relevant than the failed training of Afghan security forces. I say “failed” because a 30 percent attrition rate for deserters in such a force mimics the Iraq situation we see now. Furthermore, since the war began, more than four million refugees have sought safety or solace from the devastation in this region. This is telling, as in all US-NATO interventions. The real cost of our wars is felt by the blameless the most. America is becoming infamous for the wrong things, the wrong ideals. If the Israelis are practicing genocide in Gaza for some, those same people see America in the same light.
Finalmente, para responder a essa pergunta, os estadunidenses só podem de fato estar querendo isso, pois é exatamente o que temos feito. Para visão sinóptica, ter em conta que cada míssil Hellfire usado no Afeganistão custa $58.000 dólares confirma isso para mim. Ademais, o fato de o custo de manter um único soldado no Afeganistão durante um ano ter subido de $540.000 dólares para acima de $1.600.000 à época da retirada é significativo. No tocante a custos monetários, contudo, nenhum gasto isolado esbanjador parece mais relevante do que o fracassado treinamento das forças de segurança afegãs. Digo “fracassado” porque índice de desgaste de 30 por cento de desertores em tais forças compara-se à situação que vemos hoje no Iraque. Ademais, desde que a guerra começou, mais de quatro milhões de refugiados já buscaram segurança ou alívio da devastação que campeia naquela região. Isso é sintomático, como em todas as intervenções Estados Unidos-OTAN. O real custo de nossas guerras é pago especialmente pelos que não têm nenhuma culpa no cartório. Os Estados Unidos estão-se tornando de infausta fama pelas coisas erradas, pelos ideais errados. Se, para alguns, os israelenses estão praticando genocídio em Gaza, essas mesmas pessoas veem os Estados Unidos sob a mesma ótica.
AFP Photo / STR
To sum up, the US and NATO mission in Afghanistan can rightfully be called disastrous. The America that once was aghast at the idea of torturing people wholesale, is today subdued and numbed to the so-called “black sites” in Afghanistan and around the globe, where torture became the norm. Compared to NSA spying on US citizens, the cover-up or misdirection used to conceal these activities are outright war crimes for most people. Names like Parwan Detention Facility, the Salt Pit, and detainees like Khaled el-Masri and other tortured detainees echo a dark reality of this war on terror. For the leaders who have helped perpetuate these wars, though, cheap talk still resonates. Barack Obama just spoke to US troops on Christmas day about this war’s effects. He said:
Para resumir, a missão dos Estados Unidos e da OTAN no Afeganistão pode com razão ser chamada de desastrosa. Os Estados Unidos que no passado mostravam-se chocados com a ideia de torturar pessoas por atacado estão, hoje, silentes e apáticos em relação aos assim chamados “locais tenebrosos” no Afeganistão e ao redor do mundo, onde a tortura tornou-se a regra. Em comparação com a espionagem da Agência de Segurança Nacional – NSA dos cidadãos dos Estados Unidos, o encobrimento ou o fornecimento de informações incorretas usados para ocultar essas atividades são francos crimes de guerra para muitas pessoas. Nomes como Dependência Parvan de Detenção, o Poço do Sal, e detentos como Khaled el-Masri e outros detentos torturados fazem eco a uma tenebrosa realidade dessa guerra ao terror. Para os líderes que têm ajudado a perpetuar essas guerras, contudo, discurso capcioso continua a ser empregado. Barack Obama acaba de falar a tropas dos Estados Unidos no dia de Natal acerca dos efeitos dessa guerra. Disse:
"The world is better, it's safer, it's more peaceful, it's more prosperous and our homeland protected because of you."
"O mundo está melhor, mais seguro, mais pacífico, mais próspero, e nosso torrão natal está protegido por causa de vocês."
Is it? As we leave Afghanistan for wars elsewhere, it’s inconceivable we’ve failed to properly frame and assess the damage we may have done. Instead of realigning US and NATO policy though, we’ve somehow forged straight ahead toward more failures. Miraculously, detainees like Abu Omar - who was taken prisoner and tortured without any proof whatever he’d committed a crime - they’re lost to the American psyche. Meanwhile, the weapons manufacturers who create so-called “smart weapons,” they’ve even become the victims of the evil anti-war enemy. That’s right, our inverted sense of American idealism has spawned a new breed of law and right, apparently. It is in this that the Afghanistan war and other American wars have cost us most dearly. As the war in Afghanistan fades into some contrived historical context, what will remain is the scar etched across the face of America, across the landscape of other great nations. If 9/11 signaled a dark new world rising, our beginning and end in Afghanistan fostered that dark vision. We were supposed to defeat it.
Está? Ao deixarmos o Afeganistão para guerras em outros lugares, é inconcebível termos deixado de adequadamente conceituar e avaliar os danos que possamos ter cometido. Em vez porém de consertarmos a política dos Estados Unidos e da OTAN, de algum modo lançamo-nos à frente rumo a mais fracassos. Miraculosamente, detentos como Abu Omar – que foi feito prisioneiro e torturado sem qualquer prova, em absoluto, de ter cometido crime – estão perdidos, para a psique estadunidense. Enquanto isso, os fabricantes de armas que criam as assim chamadas “armas inteligentes,” tornaram-se, até, vítimas do perverso inimigo contrário à guerra. É isso mesmo, nosso senso invertido do idealismo estadunidense gerou e disseminou nova espécie
de lei e direito, aparentemente. É aí que a guerra no Afeganistão e outras guerras estadunidenses nos custaram caríssimo. À medida que a guerra no Afeganistão desmaie em algum contexto histórico artificioso, o que restará será a cicatriz cravada no rosto dos Estados Unidos, no panorama de outras grandes nações. Se o 11/9 assinalou o surgimento de um mundo novo tenebroso, nosso início e fim no Afeganistão robusteceram essa visão tenebrosa. Nosso papel deveria ter sido o de desvanecê-la.
The light of the world we once represented got dimmer for people all over the world these last 13 years. And this is the real tragedy of Afghanistan.
A luz do mundo que representávamos no passado tornou-se mais débil para pessoas de todo o mundo nestes últimos 13 anos. E esta é a real tragédia do Afeganistão.
Phillip Butler for RT
Phil Butler is journalist and editor, and a partner at the digital marketing firm, Pamil Visions PR. Phil contributes to the Huffington Post, The Epoch Times, Japan Today, and many others. He's also a policy and public relations analyst for Russia Today, as well as other international media. You can find Phil's blog at http://www.phillip-butler.com.
Phil Butler é jornalista e editor, e sócio da firma de marketing digital Pamil Visions PR. Phil contribui para Huffington Post, The Epoch Times, Japan Today, e muitos outros. É também analista de políticas e relações públicas do Russia Today, bem como de outra mídia internacional. Você pode encontrar o blog de Phil em http://www.phillip-butler.com.
The statements, views and opinions expressed in this column are solely those of the author and do not necessarily represent those of RT.
Afirmações, pontos de vista e opiniões expressados nesta coluna são unicamente do autor e não necessariamente representam os do RT.

Monday, December 29, 2014

The Blog from Nazareth - Israel and Europe’s shared anti-semitism


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Jonathan Cook – The Blog from Nazareth
Jonathan Cook – O Blog de Nazaré
Israel and Europe’s shared anti-semitism
Antissemitismo compartido por Israel e Europa
18 December 2014
Here’s a telling comment from the leader of a Swedish far-right party that throws a little light on the real reason early last century the great colonial power of the time, Britain, sponsored – through the Balfour Declaration – Israel’s creation.
Eis aqui comentário revelador do líder de partido sueco de extrema direita que lança um pouco de luz sobre o real motivo pelo qual, no início do século passado, a grande potência colonial da época, Grã-Bretanha, patrocinou – por meio da Declaração Balfour – a criação de Israel.
Bjorn Soder, leader of the Sweden Democrats party, has demanded that Jews drop their Jewish identity and assimilate if they want to live as Swedish citizens. (I don’t speak Swedish so I can’t check the original story, but the Guardian’s headline suggests Soder’s problem is with Jews in Sweden having a religious identity, which seems improbable. The text of the story indicates that he objects to Jews in Sweden having a Jewish ethnic or national identity. In his view, presumably, this would conflict with a Swedish national identity and raise issues of dual loyalty.)
Bjorn Soder, líder do partido Democratas Suecos, vem de demandar que os judeus renunciem a sua identidade judaica e sejam assimilados, se desejarem viver na Suécia como cidadãos suecos. (Não falo sueco e pois não posso conferir o artigo original, mas a manchete do Guardian sugere que o problema de Soder diz respeito a os judeus, na Suécia, terem identidade religiosa, o que parece improvável. O texto do artigo indica que ele objeta a judeus na Suécia terem identidade étnica ou nacional. Do ponto de vista dele, presumivelmente, isso entraria em conflito com identidade nacional sueca e suscitaria questões de lealdade dual.)
Here’s what he says to critics who accuse him of being anti-semitic: “Those who know me when it comes to Jews know I have long had a very strong commitment to both the state of Israel and the Jewish people.”
Eis o que ele diz a críticos que o acusam de ser antissemita: “Aqueles que me conhecem sabem que, no tocante aos judeus, sempre tive forte compromisso tanto com o estado de Israel quanto com o povo judeu.”
I don’t think he’s being disingenuous here. This attitude towards Jews was one common in Europe last century (and, as we shall see, lingers to this day, especially among Israel’s supporters).
Não acredito que ele esteja sendo insincero. Essa atitude em relação aos judeus era comum na Europa no século passado (e, como veremos, persiste até hoje, especialmente entre apoiadores de Israel).
Soder’s concerns were shared by the European elites of the time, including the British cabinet ministers who devised the Balfour Declaration. Britain’s solution was to encourage Jews to migrate from Europe to the Middle East. To export the “problem”, as they saw it, to the colonies. Other European leaders, most notably Adolf Hitler, would eventually settle on a more extreme solution: the genocide of the Jews in Europe.
As preocupações de Soder eram compartidas pelas elites europeias da época, inclusive pelos ministros do gabinete britânico que elaboraram a Declaração Balfour. A solução da Grã-Bretanha foi estimular os judeus a migrarem da Europa para o Oriente Médio. Para exportar o “problema”, como o viam, para as colônias. Outros líderes europeus, mais notadamente Adolf Hitler, optariam finalmente por solução mais extremada: o genocídio dos judeus da Europa.
In other words, the logic of Israel’s creation and of the extermination of the Jews was intimately related – flipsides of the same deep-seated European racism. Both assumed that Jews were unassimilable, potentially disloyal outsiders who needed either to be expelled or to be killed.
Em outras palavras, a lógica da criação de Israel e o extermínio dos judeus estavam intimamente relacionados – faces diferentes do mesmo racismo europeu profundamente entranhado. Ambos assumindo que os judeus eram inassimiláveis, estranhos potencialmente desleais que precisariam ser ou expelidos ou mortos.

The Zionists both exploited this racism for their own ends (the creation of a Jewish state) and mirrored it, adopting the same ideas as the racists of an identifiable Jewish nation (identified through blood or religion) and one that needed to live apart from other nations.
Os sionistas tanto exploraram esse racismo para seus próprios objetivos (a criação de um estado judaico) quanto o espelharam, adotando as mesmas ideias como racistas de nação judaica identificável (identificada por meio de sangue ou religião) e de nação que precisava viver à parte das outras nações.
Zionism, the movement for creating a Jewish state and one that succeeded only when it agreed that such a state would be built on the Palestinians’ homeland, precisely depended on claims of chosen-ness and Biblical entitlement to territory. Where Europe’s racists believed the Jews should be contained or quarantined in the Middle East, the Zionists believed the Jews should create an ethnically pure national fortress.
O sionismo, o movimento para criação de estado judeu e que só teve sucesso quando concordou em que tal estado seria construído no torrão natal dos palestinos, dependia precisamente de afirmações de povo escolhido e direito bíblico ao território. Enquanto os racistas europeus acreditavam que os judeus deveriam ser contidos ou ficar em quarentena no Oriente Médio, os sionistas acreditavam que os judeus deveriam criar uma fortaleza nacional etnicamente pura.
This is why the idea invented by Israel of a “new anti-semitism” – one distinguishable from historical anti-semitism because it supposedly infects only the left and is marked by criticism of Israel – is so laughable. The true anti-semites have always been the devoted followers of the Zionist movement, the Israeli elites and their many diehard friends in European capitals.
Eis porque a ideia inventada por Israel de “novo antissemitismo” – passível de ser distinguido do antissemitismo histórico porque supostamente infecta apenas a esquerda e caracteriza-se por crítica a Israel – é tão risível. Os verdadeiros antissemitas sempre foram os dedicados seguidores do movimento sionista, as elites israelenses e seus muitos obstinados amigos nas capitais europeias.
Soder and his tinpot racists are small fry compared to that crowd.
Soder e seus racistas de meia pataca são pintos quanto comparados com aquela turma.
UPDATE
ATUALIZAÇÃO
A Swedish reader, Kristoffer Larsson, clarifies Soder’s thinking and makes an important additional point. In the tradition of ethnic nationalists, Soder is trying to insist on a distinction between Swedish citizenship and Swedish nationality, suggesting that there is a deeper Swedishness that one achieves only by identifying exclusively with an imagined Swedish nationality.
Leitor sueco, Kristoffer Larsson, esclarece o pensamento de Soder e aporta importante ponto adicional. Na tradição dos nacionalistas étnicos, Soder está tentando insistir em distinção entre ciadania sueca e nacionalidade sueca, sugerindo existir uma suecidade mais profunda do que aquela que alguém obtém mediante identificar-se exclusivamente com uma imaginada nacionalidade sueca.
Larsson writes:
Larsson escreve:
Björn Söder, who’s one of the leading Sweden Democrats (but not its leader), makes a distinction between citizenship and nationality. He said that Jews, Kurds, Laplanders and other minorities can hold Swedish citizenship without belonging to the Swedish “nation”. His belief is that you can hold several citizenships but only belong to one nation (e.g. Swedish, Jewish, Arab, Kurdish). Hence, if an immigrant wishes to adopt Swedish nationality he must abandon his other nationality/-ies. The problem, he argues, is when there are too many nations in one country; he says it’s preferable if the country’s geographical boundaries are in conjunction with the spread of the main group’s members.
Björn Söder, um dos principais Democratas Suecos (mas não líder deles), estabelece distinção entre cidadania e nacionalidade. Ele disse que os judeus, curdos, lapões e outras minorias podem ter cidadania sueca sem pertencer à “nação” sueca. A crença dele é que alguém pode ter diversas cidadanias, mas só pode pertencer a uma nação (por exemplo, sueca, judaica, árabe, curda). Portanto, se imigrante desejar adotar nacionalidade sueca, terá de abandonar sua(s) outra(s) nacionalidade(s). O problema, argumenta ele, ocorre quando há demasiadas nações dentro de um só país; ele diz ser preferível que os limites geográficos do país estejam em conjunção com o espraiamento dos membros do grupo majoritário.
You will, of course, note the similarity with how things work in Israel: one may be a citizen of the Jewish state without being of Jewish nationality (le’om). So the Jewish community leader mentioned in the Guardian article will condemn Söder for his statement but would adamantly defend Israel even though it has actually implemented this very distinction between nationality and citizenship (likely one of the reasons why Söder supports Israel). I say “would” because no journalist would ever ask her about it, probably because they don’t understand the situation in Israel.
Você, obviamente, notará a similaridade com como as coisas funcionam em Israel: alguém pode ser cidadão do estado judaico sem ser de nacionalidade judaica (le’om). Portanto o líder da comunidade judaica mencionado no artigo do Guardian condenará Soder por sua declaração mas defenderia firmemente Israel embora este tenha em realidade implementado exatamente tal distinção entre nacionalidade e cidadania (provavelmente um dos motivos pelos quais Soder apoia Israel). Digo “defenderia” porque nenhum jornalista jamais perguntará a respeito, provavelmente por não entender a situação em Israel.
In response to my post, Moshe Machover, an Israeli philosopher teaching at London University, makes a similar point more bluntly:
Em reação a minha postagem, Moshe Machover, filósofo israelense que leciona na Universidade de Londres, faz observação similar de maneira mais brusca:
Note that the far-right Swedish politician not only admires Israel, but implicitly concurs with Israel’s leaders who claim that Israel is the nation state of all Jews. It would follow that Israel, not Sweden, is the nation state of Swedish Jews.
Note que o político sueco de extrema direita não apenas admira Israel como, implicitamente, concorda com os líderes de Israel que afirmam que Israel é o estado-nação de todos os judeus. Seguir-se-ia que Israel, não Suécia, é o estado-nação dos judeus suecos.