Tuesday, December 31, 2013

The Anti-Empire Report - Americans are living in an Orwellian police state. Either that, or the greatest democracy ever.



English
Português
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #123
O Relatório Anti-Império No. 123
By William Blum – Published December 3rd, 2013
Por William Blum – Publicado em 3 de dezembro de 2013
Americans are living in an Orwellian police state. Either that, or the greatest democracy ever.
Os estadunidenses estão vivendo num estado policial orwelliano. Ou então na maior democracia que já existiu.
There are those in the United States and Germany these days who insist that the National Security Agency is no match for the East German Ministry for State Security, or Stasi, which, during the Cold War, employed an estimated 190,000 part-time secret informants, and an additional 90,000 officers full time, in a spying operation that permeated both East and West Germany. Since the end of the Cold War, revelations from the Stasi files have led to thousands of collaborators being chased from public life. Even now, new accusations of a Stasi association can hound politicians and celebrities in Germany. [Washington Post, November 18, 2013]
Há aqueles que, nos Estados Unidos e na Alemanha de nossos dias, insistem em que a Agência de Segurança Nacional não se compara ao Ministério da Segurança do Estado da Alemanha Oriental, ou Stasi, que, durante a Guerra Fria, empregava estimativamente 190.000 informantes secretos em tempo parcial, e outros 90.000 agentes em tempo integral, numa operação de espionagem que permeava tanto a Alemanha Oriental quanto a Ocidental. Desde o fim da Guerra Fria, revelações dos arquivos da Stasi levaram a milhares de colaboradores serem pressionados para fora da vida pública. Mesmo hoje, novas acusações de associação com a Stasi têm o poder de acossar políticos e celebridades na Alemanha. [Washington Post, 18 de novembro de 2013]
All that of course stems from an era before almost all information and secrets became electronic. It was largely labor intensive. In the digital age, the NSA has very little need for individuals to spy on their friends, acquaintances, and co-workers. (In any event, the FBI takes care of that department very well.)
Tudo isso, obviamente, deriva de uma época antes de quase toda informação e todo segredo tornarem-se eletrônicos. O trabalho era, na maior parte, executado por pessoas. Na era digital, a NSA tem muito pouca necessidade de indivíduos para espionar seus amigos, conhecidos e colegas de trabalho. (Quando isso é necessário, o FBI se encarrega dessa área muito bem.)
Can we ever expect that NSA employees will suffer public disgrace as numerous Stasi employees and informants have? No more than war criminals Bush and Cheney have been punished in any way. Only those who have exposed NSA crimes have been punished, like Edward Snowden and several other whistleblowers.
Poderemos esperar que algum dia os funcionários da NSA sofram desgraça pública como já sucedeu a numerosos empregados e informantes da Stasi? Não mais que com relação aos criminosos de guerra Bush e Cheney, que não foram punidos de forma alguma. Só foram punidos aqueles que expuseram os crimes da NSA, como Edward Snowden e diversos outros denunciantes.


Sunday, December 29, 2013

The Anti-Empire Report - Getting your history from the American daily press


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Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #123
O Relatório Anti-Império No. 123
By William Blum – Published December 3rd, 2013
Por William Blum – Publicado em 3 de dezembro de 2013
Getting your history from the American daily press
Do aprender história com a imprensa diária estadunidense
During the US federal government shutdown in October over a budgetary dispute, Washington Post columnist Max Fisher wondered if there had ever been anything like this in another country. He decided that “there actually is one foreign precedent: Australia did this once. In 1975, the Australian government shut down because the legislature had failed to fund it, deadlocked by a budgetary squabble. It looked a lot like the U.S. shutdown of today, or the 17 previous U.S. shutdowns.” [Washington Post, October 1, 2013]
Durante o fechamento do governo federal dos Estados Unidos em outubro, por causa de disputa orçamentária, o colunista do Washington Post Max Fisher perguntava se alguma vez aquilo havia acontecido em outro país. Concluiu que “há na verdade um precedente no estrangeiro: a Austrália fez isso uma vez. Em 1975, o governo australiano fechou as portas porque o legislativo deixara de financiá-lo, paralisado por um bate-boca orçamentário. Algo que foi muito parecido com o fechamento dos Estados Unidos de nossos dias, ou os 17 fechamentos anteriores do governo dos Estados Unidos.” [Washington Post, 1o de outubro de 2013]
Except for what Fisher fails to tell us: that it strongly appears that the CIA used the occasion to force a regime change in Australia, whereby the Governor General, John Kerr – a man who had been intimately involved with CIA fronts for a number of years – discharged Edward Gough Whitlam, the democratically-elected prime minister whose various policies had been a thorn in the side of the United States, and the CIA in particular.
Exceto naquilo que Fisher deixa de contar-nos: que parece fortemente a CIA ter usado a ocasião para forçar mudança de regime na Austrália, pela qual o Governador Geral, John Kerr – homem que estivera intimamente envolvido com frentes da CIA durante alguns anos – destituiu Edward Gough Whitlam, o primeiro-ministro democraticamente eleito cujas diversas políticas haviam sido um espinho na carne dos Estados Unidos e da CIA em especial.
I must again cite my own writing, for the story of the CIA coup in Australia – as far as I know – is not described in any kind of detail anywhere other than in my book Killing Hope: U.S. Military and C.I.A. Interventions Since World War II (2004).
Tenho de, de novo, citar meu próprio escrito, pois a história do golpe da CIA na Austrália - tanto quanto eu saiba - não é descrita em qualquer medida de detalhe a não ser em meu livro A Morte da Esperança: Intervenções da Instituição Militar dos Estados Unidos e da C.I.A. Desde a Segunda Guerra Mundial (2004).

Friday, December 27, 2013

The Anti-Empire Report - Getting your history from Hollywood



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Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #123
O Relatório Anti-Império No. 123
By William Blum – Published December 3rd, 2013
Por William Blum – Publicado em 3 de dezembro de 2013
Getting your history from Hollywood
Do aprender história com Hollywood
Imagine a documentary film about the Holocaust which makes no mention of Nazi Germany.
Imagine filme documentário acerca do Holocausto que não faça menção à Alemanha nazista.
Imagine a documentary film about the 1965-66 slaughter of as many as a million “communists” in Indonesia which makes no mention of the key role in the killing played by the United States.
Imagine filme documentário acerca da chacina de 1965-66 de um milhão de “comunistas” na Indonésia que não faça menção do papel decisivo na matança desempenhado pelos Estados Unidos.
But there’s no need to imagine it. It’s been made, and was released this past summer. It’s called “The Act of Killing” and makes no mention of the American role. Two articles in the Washington Post about the film made no such mention either. The Indonesian massacre, along with the jailing without trial of about a million others and the widespread use of torture and rape, ranks as one of the great crimes of the twentieth century and is certainly well known amongst those with at least a modest interest in modern history.
Não há, porém, necessidade de imaginar este último. Foi feito, e lançado no verão passado. Tem o título de “O Ato de Matar” e não faz qualquer menção ao papel dos estadunidenses. Dois artigos no Washington Post acerca do filme igualmente não fizeram tal menção. O massacre indonésio, juntamente com a prisão, sem julgamento, de cerca de outro milhão e o uso disseminado de tortura e estupro, figura como um dos grandes crimes do século vinte e é certamente bem conhecido daqueles que têm pelo menos modesto interesse em história moderna.
Here’s an email I sent to the Washington Post writer who reviewed the film:
Eis aqui email que mandei à autora do Washington Post que escreveu a resenha do filme:
“The fact that you can write about this historical event and not mention a word about the US government role is a sad commentary on your intellect and social conscience. If the film itself omits any serious mention of the US role, that is a condemnation of the filmmaker, and of you for not pointing this out. So the ignorance and brainwashing of the American people about their country’s foreign policy (i.e., holocaust) continues decade after decade, thanks to media people like Mr. Oppenheimer [one of the filmmakers] and yourself.”
“O fato de você poder escrever acerca desse evento histórico e não dizer uma só palavra acerca do papel do governo dos Estados Unidos é melancólico comentário acerca de nosso intelecto e nossa consciência social. Se o filme ele próprio omite qualquer menção séria ao papel dos Estados Unidos, isso é uma condenação do cineasta, e da senhora, por não destacar isso. E assim a ignorância e a lavagem cerebral do povo estadunidense acerca da política externa de seu país (isto é, do holocausto) continuam década após década, graças a pessoas da mídia como o Sr. Oppenheimer [um dos cineastas] e da senhora.”
The Post reviewer, rather than being offended by my intemperate language, was actually taken with what I said and she asked me to send her an article outlining the US role in Indonesia, which she would try to get published in the Post as an op-ed. I did so and she wrote me that she very much appreciated what I had sent her. But – as I was pretty sure would happen – the Post did not print what I wrote. So this incident may have had the sole saving grace of enlightening a Washington Post writer about the journalistic standards and politics of her own newspaper.
A resenhadora do Post, em vez de ficar ofendida com minha linguagem destemperada, encantou-se do que eu dissera e pediu-me para mandar para ela um artigo descrevendo o papel dos Estados Unidos na Indonésia, que ela tentaria fosse publicado no Post como artigo de fundo. Fi-lo, e ela me escreveu dizendo que gostara muito do que eu lhe mandara. Contudo – como eu tinha quase certeza de que aconteceria - o Post não publicou o que escrevi. Portanto o incidente poderá ter tido a única virtude redentora de esclarecer uma autora do Washington Post acerca dos padrões jornalísticos e da política de seu próprio jornal.
And now, just out, we have the film “Long Walk to Freedom” based on Nelson Mandela’s 1994 autobiography of the same name. The heroic Mandela spent close to 28 years in prison at the hands of the apartheid South African government. His arrest and imprisonment were the direct result of a CIA operation. But the film makes no mention of the role played by the CIA or any other agency of the United States.
E agora acaba de ser lançado o filme “Longa Caminhada Rumo à Liberdade,” baseado na autobiografia de 1994 de Nelson Mandela de mesmo nome. O heroico Mandela passou perto de 28 anos na prisão nas mãos do governo do apartheid sul-africano. Suas detenção e encarceramento foram resultado direto de uma operação da CIA. O filme, entanto, não faz qualquer menção ao papel desempenhado pela CIA ou por qualquer outro órgão dos Estados Unidos.
In fairness to the makers of the film, Mandela himself, in his book, declined to accuse the CIA for his imprisonment, writing: “The story has never been confirmed and I have never seen any reliable evidence as to the truth of it.”
Para sermos equânimes para com os autores do filme, o próprio Mandela, em seu livro, declinou de acusar a CIA por seu encarceramento, escrevendo: “A história nunca foi confirmada e nunca vi qualquer evidência fidedigna a confirmar-lhe a veracidade.”
Well, Mr. Mandela and the filmmaker should read what I wrote and documented on the subject some years after Mandela’s book came out, in my own book: Rogue State: A Guide to the World’s Only Superpower (2000). It’s not quite a “smoking gun”, but I think it convinces almost all readers that what happened in South Africa in 1962 was another of the CIA operations we’ve all come to know and love. And almost all my sources were available to Mandela at the time he wrote his autobiography. There has been speculation about what finally led to Mandela’s release from prison; perhaps a deal was made concerning his post-prison behavior.
Pois bem, o Sr. Mandela e o cineasta deveriam ler o que escrevi e documentei a respeito do assunto alguns anos depois do lançamento do livro de Mandela, em meu próprio livro: Estado Sem Escrúpulos: Guia referente à Única Superpotência do Mundo (2000). Não é propriamente um “flagrante”, mas creio que convence quase todos os leitores de que o que aconteceu na África do Sul em 1962 foi outra das operações da CIA de que todos viemos a ser conhecedores e amar. E quase todas as minhas fontes estavam disponíveis para Mandela à época em que ele escreveu sua autobiografia. Tem havido especulação acerca do que finalmente levou à libertação de Mandela da prisão; talvez acordo concernindo seu comportamente pós-prisional.
From a purely educational point of view, seeing films such as the two discussed here may well be worse than not exposing your mind at all to any pop culture treatment of American history or foreign policy.
De ponto de vista puramente educadional, assistir a filmes tais como os dois aqui discutidos poderá muito bem ser pior do que não expor a mente em absoluto a qualquer tratamento de cultura pop da história ou da política externa estadunidense.