Saturday, June 29, 2013

The Anti-Empire Report - Edward Snowden


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Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #118
O Relatório Anti-Império No. 118
By William Blum – Published June 26th, 2013
Por William Blum – Publicado em 26 de junho de 2013
Edward Snowden
Edward Snowden
In the course of his professional life in the world of national security Edward Snowden must have gone through numerous probing interviews, lie detector examinations, and exceedingly detailed background checks, as well as filling out endless forms carefully designed to catch any kind of falsehood or inconsistency. The Washington Post (June 10) reported that “several officials said the CIA will now undoubtedly begin reviewing the process by which Snowden may have been hired, seeking to determine whether there were any missed signs that he might one day betray national secrets.”
No decurso de sua vida profissional no mundo da segurança nacional Edward Snowden terá de ter passado por numerosas entrevistas de sondagem, exames com detector de mentiras, e extremamente detalhadas investigações de antecedentes, bem como pelo preenchimento de infindáveis formulários cuidadosamente concebidos para captar qualquer tipo de falsidade ou incoerência. O Washington Post (10 de junho) noticiou que “diversas autoridades disseram que a CIA agora indubitavelmente começará a reexaminar o processo por meio do qual Snowden pode ter sido contratado, buscando determinar se havia quaisquer sinais não percebidos de que ele um dia poderia trair segredos nacionais.”
Yes, there was a sign they missed – Edward Snowden had something inside him shaped like a conscience, just waiting for a cause.
Sim, havia um sinal que escapou a eles – Edward Snowden tinha algo, dentro de si, delineado em forma de consciência, apenas esperando por uma causa.
It was the same with me. I went to work at the State Department, planning to become a Foreign Service Officer, with the best – the most patriotic – of intentions, going to do my best to slay the beast of the International Communist Conspiracy. But then the horror, on a daily basis, of what the United States was doing to the people of Vietnam was brought home to me in every form of media; it was making me sick at heart. My conscience had found its cause, and nothing that I could have been asked in a pre-employment interview would have alerted my interrogators of the possible danger I posed because I didn’t know of the danger myself. No questioning of my friends and relatives could have turned up the slightest hint of the radical anti-war activist I was to become. My friends and relatives were to be as surprised as I was to be. There was simply no way for the State Department security office to know that I should not be hired and given a Secret Clearance. 1
Comigo aconteceu o mesmo. Fui trabalhar no Departamento de Estado, planejando tornar-me Autoridade/Oficial do Serviço Externo, com a melhor – a mais patriótica – das intenções, dando o melhor de mim para abater a fera da Conspiração Comunista Internacional. Então, porém, o horror, todos os dias, causado pelo que os Estados Unidos estavam fazendo às pessoas do Vietnã foi trazido ao país, chegando a mim, em todas as formas de mídia; causava-me náusea no mais íntimo de mim. Minha consciência havia encontrado sua causa, e nada do que me houvesse sido perguntado numa entrevista de pré-emprego teria alertado meus interrogadores do possível perigo que eu representava, porque eu próprio não sabia que representava perigo. Nenhuma indagação de amigos e parentes poderia ter revelado a menor sugestão do ativista radical contrário à guerra em que eu viria a tornar-me. Meus amigos e parentes ficariam tão surpresos quanto eu mesmo ficaria. Simplesmente não havia maneira de a secretaria de segurança do Departamento de Estado saber que eu não deveria ser empregado e receber Permissão de Acesso a Informação Confidencial. 1
So what is a poor National Security State to do? Well, they might consider behaving themselves. Stop doing all the terrible things that grieve people like me and Edward Snowden and Bradley Manning and so many others. Stop the bombings, the invasions, the endless wars, the torture, the sanctions, the overthrows, the support of dictatorships, the unmitigated support of Israel; stop all the things that make the United States so hated, that create all the anti-American terrorists, that compel the National Security State – in pure self defense – to spy on the entire world.
Assim, o que deveria fazer um pobre Estado de Segurança Nacional? Bem, poderia cogitar de comportar-se adequadamente. Parar de fazer todas as horríveis coisas que causam sofrimento a pessoas como eu, Edward Snowden, Bradley Manning e tantos outros. Parar com os bombardeios, as invasões, as guerras infindáveis, a tortura, as sanções, os golpes de estado, o apoio a ditaduras, o apoio incondicional a Israel; parar com todas as coisas que tornam os Estados Unidos tão odiados, que criam todos os terroristas antiestadunidenses, que compelem o Estado de Segurança Nacional – em pura autodefesa – a espionar o mundo inteiro.
Notes
Notas
1. To read about my State Department and other adventures, see my book West-Bloc Dissident: A Cold war Memoir (2002)
America’s Deadliest Export: DemocracyKilling HopeRogue StateFreeing the World to Death

Thursday, June 27, 2013

FFF - Motives Aside, the NSA Should Not Spy on Us



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PORTUGUÊS
The Future of Freedom Foundation
A Fundação Futuro de Liberdade
FFF Articles
FFF Articles
June 18, 2013
18 de junho de 2013
You need not suspect the motives of those responsible for NSA surveillance to detest what they are doing. In fact, we may have more to fear from spies acting out of patriotic zeal than those acting out of power lust or economic interest: Zealots are more likely to eschew restraints that might compromise their righteous cause.
Você não precisa suspeitar dos motivos dos responsáveis pela escuta que é efetuada pela Agência de Segurança Nacional - NSA para detestar o que ela está fazendo. Na verdade, poderemos ter muito mais a temer de espiões atuando por zelo patriótico do que daqueles que atuam por desejo de poder ou interesse econômico: Os zelotes têm maior probabilidade de desconsiderar restrições que possam comprometer sua causa virtuosa.
For the sake of argument, we may assume that from President Obama on down, government officials sincerely believe that gathering Americans’ telephone and Internet data is vital to the people’s security. Does that make government spying okay?
Para efeito de argumentação, podemos assumir que, do Presidente Obama para baixo, as autoridades acreditam sinceramente que coletar dados de telefone e Internet dos estadunidenses é vital para a segurança do povo. Isso faz com que a espionagem feita pelo governo esteja certa?
No, it doesn’t.
Não, não faz.
“Government is not reason, it is not eloquence — it is force. Like fire it is a dangerous servant and a fearful master; never for a moment should it be left to irresponsible action.” Although often attributed to George Washington, that famous quotation was probably was not uttered by him. Nevertheless, its value lies in what it says, not in who said it.
“O governo não é razão, não é eloquência — é força. Como o fogo, ele é servo perigoso e senhor temível; nem por um momento deverá ser deixado a praticar ação irresponsável.” Embora amiúde atribuída a George Washington, essa famosa citação provavelmente não foi proferida por ele. Todavia, seu valor está no que diz, não em quem a disse.
At best, government represents a risk to the people it rules. Even under a tightly written constitution and popular vigilance — both of which are easier to imagine than to achieve — government officials will always have the incentive and opportunity to push the limits and loosen the constraints.
Na melhor das hipóteses, o governo representa um risco para as pessoas a quem governa. Mesmo sob constituição escrita com precisão e vigilância popular — ambas as quais mais fáceis de imaginar do que de concretizar — as autoridades do governo sempre terão incentivo e oportunidade para forçar os limites e afrouxar as restrições.
But if their purpose is to protect us, why worry?
Se porém o propósito dele é proteger-nos, por que preocupar-nos?
It doesn’t take much imagination to answer to this question. A purported cure can be worse than the disease. Who would accept the placement of a surveillance camera in every home as a way of preventing crime? By the same token, gathering data on everyone without probable cause in order to locate possible terrorists should be abhorrent to people who prize their freedom and privacy.
Responder a essa pergunta não requer muita imaginação. Uma pretensa cura pode ser pior do que a doença. Quem aceitaria a colocação de uma câmera de vigilância em cada casa como forma de impedir crime? Pelo mesmo raciocínio, coletar dados a respeito de todo mundo sem causa provável para localizar possíveis terroristas deveria ser odioso para pessoas que valorizam sua liberdade e privacidade.
Since we’re assuming pure motives, we’ll ignore the specter of deliberate abuse. In our hypothetical case, no one would use the information in a way not intended to promote the general welfare. Pure motives, however, do not rule out error. So the danger remains that innocent people could have their lives seriously disrupted — or worse — by a zealous agent of government who sees an ominous pattern in someone’s data where none in fact exists. Author Nassim Nicholas Taleb points out that human beings are more likely to see order in randomness than vice versa. As a result, a blameless individual could have his life turned upside down by a bureaucrat who goes the extra mile to ensure that no terrorist act occurs on his watch. Think of the turmoil created for those falsely accused of the bombing at the Atlanta Olympic games and of sending anthrax letters after the 9/11 attacks.
Visto estarmos assumindo motivos puros, ignoraremos o espectro de abuso deliberado. Em nosso caso hipotético, ninguém usaria a informação de modo não visante a promover o bem-estar geral. Motivos puros, porém, não excluem a possibilidade de erro. Assim, pois, permanece havendo perigo de pessoas inocentes poderem ter suas vidas seriamente convulsionadas — ou coisa pior — por zeloso agente do governo que enxergue padrão nefasto nos dados de alguém, onde nada de fato exista. O autor Nassim Nicholas Taleb destaca que os seres humanos tendem mais a ver ordem na aleatoriedade do que vice-versa. Em decorrência, indivíduo irreprochável pode ter sua vida virada de cabeça para baixo por um burocrata que ande a milha adicional para assegurar que nenhum ato terrorista ocorra sob sua vigília. Pense nos problemas criados para aqueles falsamente acusados da explosão nos jogos Olímpicos de Atlanta e de enviarem cartas contaminadas com antraz depois dos ataques do 11/9.
The odds of such an error for any particular individual may be slight, but they are big enough if you put yourself into the picture.
A probabilidade de erro da espécie para qualquer pessoa específica pode ser pequena, mas é grande o suficiente se você incluir a si próprio.
However, that is not the only reason to reject even a well-intentioned surveillance state.
Nada obstante, esse não é o único motivo para rejeitarmos um estado de vigilância, mesmo que bem intencionado.
Julian Sanchez, who specializes in technology and civil liberties, points out that a person who has nothing to hide from government officials — if such a person actually exists — would still not have a good reason to tolerate NSA surveillance, because the general awareness that government routinely spies on us has an insidious effect on society:
Julian Sanchez, especializado em tecnologia e liberdades civis, destaca que uma pessoa que não tenha nada a esconder das autoridades do governo — se essa pessoa existir — mesmo assim não teria bom motivo para tolerar a escuta da NSA, porque a consciência geral de que o governo sistematicamente espiona-nos tem efeito insidioso sobre a sociedade:
Even when it isn’t abused … the very presence of that spy machine affects us and poisons us.… It’s slow and subtle, but surveillance societies inexorably train us for helplessness, anxiety and compliance. Maybe they’ll never look at your call logs, read your emails or listen in on your intimate conversations. You’ll just live with the knowledge that they always could — and if you ever had anything worth hiding, there would be nowhere left to hide it.
Mesmo quando não seja abusiva … só a presença dessa máquina de espionagem afeta-nos e envenena-nos.… É algo vagaroso e sutil, mas as sociedades grampeadas inexoravelmente nos condicionam para a impotência, a ansiedade e o servilismo. Talvez ela nunca examine sua lista de telefonemas, leia seus emails ou escute suas conversas íntimas. Você apenas viverá com o conhecimento de que ela sempre poderá — e se você alguma vez tiver algo que considere conveniente esconder, não haverá lugar algum onde possa escondê-lo.
Is that the kind of society we want, one in which we assume a government official is looking over our shoulders?
É esse o tipo de sociedade que desejamos, uma sociedade na qual assumimos que uma autoridade do governo está olhando por cima de nossos ombros?
Because government is force — “a dangerous servant and a fearful master” — it must be watched closely, even — especially — when it does something you like. But eternal vigilance is hard to achieve. People outside the system are busy with their lives, and politicians generally can’t be expected to play watchdog to other politicians. Therefore, at the least, we need institutional constraints and transparency: No secret warrants. No secret courts. No secret expansive interpretations of laws and constitutional prohibitions.
Pelo fato de o governo ser força — “servo perigoso e senhor temível” — ele precisa ser vigiado de perto, mesmo — especialmente — quando faz algo de que você goste. A vigilância eterna, porém, é difícil de conseguir. As pessoas fora do sistema estão ocupadas com suas vidas, e geralmente não se pode esperar que políticos vigiem outros políticos. Portanto, no mínimo, precisamos de restrições institucionais e transparência. Nada de mandados secretos. Nada de tribunais secretos. Nada de interpretações secretas elásticas de leis e de proibições constitucionais.


Sunday, June 23, 2013

FFF - TGIF: It’s Not Edward Snowden Who Betrayed Us



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The Future of Freedom Foundation
A Fundação Futuro de Liberdade
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Artigos da FFF
TGIF: It's Not Edward Snowden Who Betrayed Us
Graças a Deus é Sexta-Feira: Não Foi Edward Snowden Quem Nos Traiu
June 14, 2013
14 de junho de 2013
When you cut through the fog, the NSA controversy is about whether we should trust people with institutional power. Edward Snowden’s courageous exposure of massive secret surveillance separates those who say yes from those who say, “Hell no!”
Quando você dissipa a névoa, a controvérsia acerca da Agência de Segurança Nacional - NSA diz respeito a se devemos confiar em pessoas com poder institucional. A corajosa exposição, por Edward Snowden, de maciço grampo secreto separa aqueles que dizem sim daqueles que dizem “De modo algum!”
The trusting attitude can be found among progressives and conservatives alike (with notable exceptions), and even some who have identified themselves as libertarians. Matt Miller, an occasional guest host on the progressive network MSNBC, left no doubt where he stands when he flippantly wrote in the Washington Post,
A atitude de confiança pode ser encontrada tanto entre progressistas quanto entre conservadores (com notáveis exceções), e mesmo entre alguns que se têm identificado como sendo libertários. Matt Miller, anfitrião ocasional na rede progressista MSNBC, não deixou dúvida acerca de como se posiciona quando, levianamente, escreveu no Washington Post:
Do you empathize more with those who govern — and who in this case are charged with protecting us? Or has the history of abuse of power, and the special danger from such abuses in an age when privacy seems to be vanishing, leave you hailing any exposure of secret government methods as grounds for sainthood?…
Você sente mais empatia por aqueles que governam  — e que, neste caso, estão encarregados de proteger-nos? Ou a história de abuso de poder, e o perigo especial de tal abuso numa época em que a privacidade parece estar desaparecendo, faz você aclamar qualquer revelação de métodos secretos do governo como atestado de santidade?…
Is there potential for abuse? Of course. An Internet-era J. Edgar Hoover is frightening to conjure. But what Snowden exposed was not some rogue government-inside-the-government conspiracy. It’s a program that’s legal, reviewed by Congress and subject to court oversight.
Há potencial para abuso? Óbvio que sim. É aterrorizador imaginar um J. Edgar Hoover da era da Internet. Contudo, o que Snowden expôs não foi qualquer conspiração ilícita de governo-dentro-do-governo. Foi um programa legal, revisado pelo Congresso e sujeito a supervisão por tribunal.
So it’s okay if the government monitors masses of innocent people as long as it’s reviewed by a clique of gagged members of Congress and a secret rubber-stamp “court.” That’s what I call trust in power. Frankly, it’s more alarming that the spying is legal rather than rogue. Michael Kinsley once said, “The scandal isn’t what’s illegal, the scandal is what’s legal.”
Portanto está tudo bem se o governo monitora as massas de pessoas inocentes, desde que isso seja revisado por uma camarilha de membros amordaçados do Congresso e tenha chancela de “tribunal” secreto que aprova automaticamente. Isso é o que chamo de confiança no poder. Francamente, o fato de a espionagem ser legal é algo mais alarmante do que ela ser ilícita. Michael Kinsley disse uma vez: “O escândalo não é o que é ilegal, o escândalo é o que é legal.”
Miller’s progressive colleague Richard Cohen said much the same thing in much the same tone:
O colega progressista de Miller Richard Cohen disse algo muito parecido em tom muito parecido:
The National Security Agency has been monitoring telephone calls and e-mails — and even social media stuff of the sort you shouldn’t have been doing anyway. [!] To this, a whole lot of people have expressed shock. Oaths to the Fourth Amendment have filled the air. Unreasonable searches are simply unconstitutional, they assert — without asserting that anything has in fact been searched or seized. It has merely been noted and, if suspicious, referred to a court for the appropriate warrant.
A Agência de Segurança Nacional vem monitorando telefonemas e emails — e até material da mídia social do tipo que você não deveria vir praticando de modo nenhum. [!] Diante disso, toda uma pletora de gente tem expressado choque. Juramentos à Quarta Emenda têm enchido o ar. Buscas irrazoáveis são simplesmente inconstitucionais, afirmam essas pessoas — sem afirmar que qualquer coisa tenha sido, de fato, objeto de busca, ou apreendida. Foi meramente observada e, se suspeita, encaminhada a tribunal para o mandado apropriado.
The programs certainly can be abused. (So can local police powers.) But oddly enough, proof that this has not happened comes from the self-proclaimed martyr for our civil liberties, Edward Snowden.…
Os programas certamente podem ser objeto de abuso. (Assim como também os poderes da polícia local.) Contudo, estranhamente, a prova de que isso não tem acontecido vem do autoproclamado mártir de nossas liberdades civis, Edward Snowden.…
A defining trait of those who trust power is that abuse is of no concern until it occurs — if we learn about it, that is. It never occurs to them that power is inherently abusive. Donald Boudreaux informs us that Edmund Burke, the conservative Whig, had a keener insight into abuse. Burke wrote of America in 1775:
Traço distintivo daqueles que confiam no poder é o abuso só constituir preocupação depois de ocorrer — bem entendido, se ficarmos sabendo da existência dele. Nunca ocorre a eles que o poder é inerentemente abusivo. Donald Boudreaux nos informa que Edmund Burke, o Whig conservador, tinha discernimento mais agudo em relação ao abuso. Burke escreveu dos Estados Unidos em 1775:
In other countries, the people, more simple, and of a less mercurial cast, judge of an ill principle in government only by an actual grievance; here they anticipate the evil, and judge of the pressure of the grievance by the badness of the principle.  They augur misgovernment at a distance; and sniff the approach of tyranny in every tainted breeze.
Em outros países, as pessoas, mais simples, e de casta menos mercurial, julgam um princípio malsão no governo apenas pelo agravo real; aqui elas preveem o mal, e julgam da pressão do agravo pela ruindade do princípio. Auguram desgoverno à distância; e farejam a aproximação da tirania em toda brisa poluída.
(Cohen is true to form. After President Jimmy Carter’s energy-crisis speech in 1977, Cohen urged Carter to throw his arms around the sweaty beast of power — that’s nearly verbatim — concluding, “We are waiting for our orders, Mr. President.”)
(Cohen faz como de costume. Depois do discurso da crise de energia do Presidente Jimmy Carter em 1977, Cohen instou para que Carter lançasse seus braços em torno da suarenta besta do poder — palavras quase verbatim — concluindo: “Estamos à espera de nossas ordens, Sr. Presidente.”)
Both Miller and Cohen, along with others, try to diminish the disclosures by asserting that the government is only doing what Google does every day. The difference between, on the one hand, surveillance by a coercive monopoly with the legal authority to use aggressive force and, on the other, commercial offerings from one of several competing service providers seems to elude them.
Ambos Miller e Cohen, juntamente com outros, tentam minimizar as revelações mediante afirmarem que o governo está apenas fazendo o que o Google faz todo dia. A diferença entre, de um lado, escuta por monopólio coercitivo com autoridade legal para usar força agressiva e, de outro, ofertas comerciais de um dentre diversos provedores de serviço que competem uns com os outros parece escapar-lhes.
The editorial board of the Post agrees with its columnists:
A junta editorial do Post concorda com seus colunistas:
Just as it is important not to exaggerate the national security risks of transparency, it is also important not to give into the anti-government paranoia [!] of grandstanding politicians such as Sen. Rand Paul (R-Ky.), who on Sunday invoked the tyranny of King George III to criticize programs that are the result of a checked, deliberative process across three branches of government. Part of what makes this different is that if enough Americans expect more privacy after the debate Mr. Snowden incited, their representatives in Washington can act on their behalf.
Do mesmo modo que é importante não exagerar os riscos da transparência para a segurança nacional, é também importante não ceder à paranoia antigoverno [!] de políticos dados à pavonice como o Senador Rand Paul (R-Ky.), que no domingo invocou a tirania do Rei George III para criticar programas que são o resultado de um processo verificado, deliberativo, envolvendo três poderes do governo. Parte do que torna as coisas diferentes é que se estadunidenses suficientes esperarem maior privacidade depois do debate que o Sr. Snowden instigou, seus representantes em Washington poderão atuar em favor deles.
That’s another mark of trust in power: a belief that those “representatives” actually represent us in any meaningful sense. The great unasked question is: How can someone literally represent anywhere from several hundred thousand to tens of millions of strangers?
Eis aqui outra marca da confiança no poder: a crença de que aqueles “representantes” realmente representam-nos em algum sentido inteligível. A grande pergunta não respondida é: Como pode alguém literalmente representar algo situado no intervalo de diversas centenas de milhares a dezenas de milhões de estranhos?
For every ridiculous thing said by someone on the so-called Left, you can find an equivalent on the Right. Mark Thiessen, once a speech writer for President George W. Bush and Secretary of Defense Donald Rumsfeld, devoted his Washington Post column to assuring those of us who distrust power that “Big Brother is not watching you.” About the mass collection of telephone logs, Thiessen says we have no grounds for concern:
Para cada coisa ridícula dita por alguém da assim chamada Esquerda, você poderá encontrar equivalente na Direita. Mark Thiessen, no passado escritor de discursos do Presidente George W. Bush e do Secretário de Defesa Donald Rumsfeld, dedicou sua coluna no Washington Post para assegurar àqueles de nós que não confiamos no poder que “o Grande Irmão não está vigiando você.” Acerca da coleta maciça de registros de telefonemas, Thiessen diz que não temos motivo de preocupação:
In Smith v. Maryland, the Supreme Court held that there’s no reasonable expectation of privacy, and thus no Fourth Amendment protection, for the phone numbers people dial (as distinct from the content of the call), because the number dialed is information you voluntarily share with the phone company to complete the call and for billing purposes.
Em Smith v. Maryland, o Supremo Tribunal decidiu que não há expectativa razoável de privacidade, e portanto nenhuma proteção da Quarta Emenda, para os números de telefone que as pessoas discam (enquanto distintos do conteúdo do telefonema), porque o número discado é informação que você voluntariamente compartilha com a companhia telefônica para efetuar a chamada e para efeito de cobrança.
A third sign of trust in power is being impressed when one branch of government decides that you and I have no “reasonable expectation” that another branch of government will respect our privacy. After all, if you are willing to disclose a phone number to the telephone company (by calling that phone), why would you mind if the NSA stored the number (and other information) for future reference? Verizon, NSA — to quote a recent secretary of state, what difference does it make?!
Um terceiro sinal de confiança no poder é ficar impressionado quando um poder do governo decide que você e eu não temos “expectativa razoável” de que outro poder do governo vá respeitar nossa privacidade. Afinal de contas, se você está disposto a revelar um número de telefone para a companhia telefônica (ao fazer chamada para tal telefone), por que você se importaria se a NSA armazenasse o número (e outras informações) para futura referência?  Verizon, NSA — para citar recente secretário de estado, que diferença isso faz?!
“The leaks do not describe the many ‘inward-facing’ restrictions directed by the Foreign Intelligence Surveillance Court to the government that describe the conditions and limitations on when and how the data can be accessed and how they can [be] used,” Thiessen writes.
“Os vazamentos não descrevem as muitas restrições ‘voltadas para dentro’ dirigidas pelo Tribunal de Acompanhamento da Espionagem Estrangeira ao governo, que descrevem as condições e limitações acerca de quando e como os dados podem ser acessados e como eles podem [ser] usados,” escreve Thiessen.
In other words, trust them. The components of government will limit each other. What’s that you say? The director of national intelligence, James Clapper, lied before the Senate Intelligence Committee and the American people when asked if the government was collecting information on millions of Americans? He had to lie, we’re told. It was for our own good. (The head of the NSA, Gen. Keith Alexander, lied too.)
Em outras palavras, acredite neles. Os componentes do governo limitar-se-ão uns aos outros. O que acha você disso? O diretor de inteligência nacional, James Clapper, mentiu diante da Comissão de Inteligência do Senado e do povo estadunidense quando indagado acerca de se o governo estava coletando informações de milhões de estadunidenses? Ele tinha de mentir, dizem-nos. Foi para nosso próprio bem. (O chefe da NSA, Gen. Keith Alexander, mentiu também.)
As is said in the law, falsus in uno, falsus in omnibus.
Como é dito na lei, falsus in uno, falsus in omnibus.
David Brooks, the New York Times resident conservative, portrays Snowden as an alienated character, like Holden Caulfield, who “has not been a regular presence around his mother’s house for years,” who was an inadequate neighbor, and who has his priorities screwed up:
David Brooks, o conservador residente do New York Times, retrata Snowden como personagem alienado, como Holden Caulfield, que “não tem tido presença regular nas proximidades da casa de sua mãe há anos,” que tem sido vizinho inadequado, e que tem suas prioridades desarvoradas:
But Big Brother is not the only danger facing the country. Another is the rising tide of distrust, the corrosive spread of cynicism, the fraying of the social fabric and the rise of people who are so individualistic in their outlook that they have no real understanding of how to knit others together and look after the common good.
O Grande Irmão, porém, não é o único perigo defrontando o país. Outro é a crescente onda de desconfiança, a disseminação corrosiva do cinismo, o esgarçamento do tecido social e a ascensão de pessoas que são tão individualistas em suas posições perante a vida que não têm real entendimento de como levar outras pessoas à união e olharem procurarem o bem comum.
This seems rather overwrought. Let’s remember that all Snowden did was tell us how extensive the government’s data collection is; it goes beyond what even an author of the relevant law intended. (So much for its trumpeted legality. Note well: legal and constitutional language is inherently underdeterminate and subject to biased interpretation by those with an interest in expanding power.) From what Brooks has to say, you’d think a blank check for the government is what holds society together. Did Snowden indulge an excessive individualism, or did he in fact “look after the common good”? If you trust power, you’ll choose the former.
Isso parece escrito de modo complicado demais. Lembremo-nos de que tudo o que Snowden fez foi contar-nos o quanto é extensa a coleta de dados pelo governo; além até do que um autor da lei pertinente pretendia. (Já basta, no tocante à trombeteada legalidade. Note bem: a linguagem legal e constitucional é inerentemente insuficientemente determinada e sujeita a interpretação tendenciosa por aqueles com interesse em expandir poder.) Do que Brooks tem a dizer, você pensaria que o que mantém a sociedade coesa é um cheque em branco dado ao governo. Será que Snowden incorreu em individualismo excessivo, ou será que, na verdade, ele “procurou o bem comum”? Se você confia no poder, escolherá a primeira hipótese.
For society to function well [Brooks continued], there have to be basic levels of trust and cooperation, a respect for institutions and deference to common procedures. By deciding to unilaterally leak secret N.S.A. documents, Snowden has betrayed all of these things.
Para que a sociedade funcione bem [Brooks continuou], tem de haver níveis básicos de confiança e cooperação, respeito pelas instituições e deferência para com procedimentos comuns. Ao decidir unilateralmente vazar documentos secretos da N.S.A., Snowden traiu todas essas coisas.
Well, yes, trust and cooperation are necessary for society to function well. But that does not mean one should trust inherently untrustworthy institutions — quite the contrary. Snowden has struck a blow for trust and cooperation by exposing the spies in our midst.
Bem, sim, confiança e cooperação são necessárias para que a sociedade funcione bem. Isso porém não significa que se deva confiar inerentemente em instituições não fidedignas — muito pelo contrário. Snowden contribuiu para confiança e cooperação ao tornar visíveis os espiões no meio de nós.
What these pundits won’t understand is that distrust of power, which lies at the very heart of the centuries-old liberal tradition, is responsible for so much of what is good about our civilization. It was when people not only distrusted power but also grasped that they were justified in doing so that liberation began its slow progress, and zones of personal freedom began to be carved out.
O que esses formadores de opinião não entendem é que a desconfiança no poder, que se incrusta bem no cerne da tradição liberal de séculos de idade, é responsável por tanta coisa boa em nossa civilização. Foi quando as pessoas não apenas não confiaram no poder mas também entenderam que tinham razão em não confiar nele que a libertação começou seu lento progresso, e zonas de liberdade pessoal começaram a ser penosamente criadas.
Lord Acton’s dictum — “Power tends to corrupt, and absolute power corrupts absolutely” — is only liberalism’s the most famous statement of distrust. Before Acton, David Hume, one of the giants of the Scottish Enlightenment, noted,
O dito de Lord Acton — “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente” — é apenas a mais famosa declaração de desconfiança do liberalismo. Antes de Acton, David Hume, um dos gigantes do Iluminismo Escocês, observou:
Political writers have established it as a maxim, that, in contriving any system of government, and fixing the several checks and controuls of the constitution, every man ought to be supposed a knave, and to have no other end, in all his actions, than private interest. By this interest we must govern him, and, by means of it, make him, notwithstanding his insatiable avarice and ambition, co-operate to public good. Without this, say they, we shall in vain boast of the advantages of any constitution, and shall find, in the end, that we have no security for our liberties or possessions, except the good-will of our rulers; that is, we shall have no security at all.
Escritores políticos já estabeleceram como máxima que, na concepção de qualquer sistema de governo, e no estabelecimento de diversas verificações e diversos controles da constituição, todo homem deverá ser supostamente um patife, e não ter outro fim, em todas as suas ações, a não ser o interesse privado. Com base nesse interesse temos de governá-lo e, por meio dele, fazê-lo, apesar de sua insaciável avareza e ambição, cooperar com o bem público. Sem isso, dizem eles, em vão alardearemos as vantagens de qualquer constituição, e descobriremos, ao final, que não teremos segurança para nossas formas de liberdade ou propriedade, exceto a boa vontade de nossos governantes; isto é, não teremos segurança em absoluto.
One could quote the early liberals all day long on this subject, but you get the point. Those who today apologize for the NSA, the Obama administration, and their enablers in Congress betray the deepest ideals of Western civilization. They, not Edward Snowden, are the traitors.
Seria possível citar os primeiros liberais o dia inteiro a respeito desse tema, mas você já entendeu a ideia. Aqueles que hoje em dia pedem perdão em nome da NSA, a administração Obama, e seus viabilizadores no Congresso traem os mais profundos ideais da civilização ocidental. Eles, não Edward Snowden, são os traidores.