Tuesday, April 30, 2013

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Iran deals deathblow to US global hegemony
Irã inflige golpe de morte à hegemonia global dos Estados Unidos
Saturday Apr 13, 2013
Sábado 13 de abril de 2013
The United States of America has become a byword for war. No other nation state has started as many wars or conflicts in modern times than the USA - the United States of Armageddon.
Os Estados Unidos da América tornaram-se expressão sinônima de guerra. Nenhum outro estado-nação iniciou tantas guerras ou conflitos nos tempos modernos quanto os Estados Unidos da América - os Estados Unidos do Armagedão.
Beneath the Western media façade of “unpredictable” and “aggressive” North Korea, the real source of conflict in the present round of war tensions on the Korean Peninsula is the US. Washington is presented as a restraining, defensive force. But, in reality, the dangerous nuclear stand-off has to be seen in the context of Washington’s historical drive for war and hegemony in every corner of the world.
Por baixo da apresentação enganosa, pela mídia ocidental, da Coreia do Norte como “imprevisível” e “agressiva,” a real fonte de conflito na presente rodada de tensões de guerra na Península Coreana são os Estados Unidos. Washington é apresentada como força refreadora e defensiva. Em realidade, porém, o perigoso impasse nuclear deve ser visto no contexto do impulso histórico de Washington rumo à guerra e à hegemonia em todos os cantos do mundo.
North Korea may present an immediate challenge to Washington’s hegemonic ambitions. However, as we shall see, Iran presents a much greater and potentially fatal challenge to the American global empire.
A Coreia do Norte pode representar um desafio imediato às ambições hegemônicas de Washington. Entretanto, como veremos, o Irã representa repto muito maior e potencialmente fatal para o império global estadunidense.
It is documented record, thanks to writers and thinkers like William Blum and Noam Chomsky, that the US has been involved in more than 60 wars and many more proxy conflicts, subterfuges and coups over the nearly seven decades since the Second World War. No other nation on earth comes close to this American track record of belligerence and threat to world security. No other nation has so much blood on its hands.
É registro documentado, graças a escritores e pensadores tais como William Blum e Noam Chomsky, que os Estados Unidos estiveram envolvidos em mais de 60 guerras e muito mais conflitos por procuração, artimanhas, e golpes, nas perto de sete décadas desde a Segunda Guerra Mundial. Nenhuma outra nação na terra chega perto desse histórico de beligerância e ameaça à segurança do mundo. Nenhuma outra nação tem tanto sangue nas mãos.
Americans like to think of their country as first in the world for freedom, humanitarian principles, technology and economic prowess. The truth is more brutal and prosaic. The US is first in the world for war-mongering and raining death and destruction down on others.
Os estadunidenses gostam de pensar em seu país como o primeiro do mundo em termos de liberdade, princípios humanitários, tecnologia e pujança econômica. A verdade é mais brutal e prosaica. Os Estados Unidos são os primeiros no mundo em termos de promoção de guerra e em derramar morte e destruição sobre os outros.
If the US is not perpetrating war directly, as in the genocide of Vietnam, then it is waging violence through surrogates, such as past South American dictatorships and death squads or its Middle Eastern proxy military machine, Israel.
Se os Estados Unidos não estão perpetrando guerra diretamente, como no genocídio do Vietnã, então estão conduzindo violência por meio de sub-rogados, ditaduras e esquadrões da morte sul-americanos do passado, e a máquina militar procuradora sua no Oriente Médio, Israel.
That bellicose tendency seems to have accelerated since the demise of the Soviet Union more than two decades ago. No sooner had the Soviet Union imploded than the US led the First Persian Gulf War on Iraq in 1991. That was then swiftly followed by a bloody intervention in Somalia under the deceptively charming title Operation Restore Hope.
Essa tendência belicosa parece ter-se acelerado desde o passamento da União Soviética, há mais de duas décadas. Mal havia a União Soviética implodido, já os Estados Unidos conduziam a Primeira Guerra do Golfo contra o Iraque em 1991. A qual foi então rapidamente sucedida por sangrenta intervenção na Somália sob o enganadoramente charmoso título de Operação Restauração da Esperança.
Since then we have seen the US become embroiled in more and more wars - sometimes under the guise of “coalitions of the willing”, the United Nations or NATO. A variety of pretexts have also been invoked: war on drugs, war on terror, Axis of Evil, responsibility to protect, the world’s policeman, upholding global peace and security, preventing weapons of mass destruction. But always, these wars are Washington-led affairs. And always the pretexts are mere pretty window-dressing for Washington’s brutish strategic interests.
Desde então vimos os Estados Unidos enredarem-se em cada vez mais guerras - por vezes sob o disfarce de “coalizões dos dispostos”, as Nações Unidas e a OTAN. Vários pretextos foram invocados: guerra às drogas, guerra ao terror, Eixo do Mal, responsabilidade de proteger, polícia do mundo, preservação de paz e segurança mundiais, impedir armas de destruição em massa. Sempre, porém, essas guerras são eventos liderados por Washington. E, sempre, os pretextos são meras fachadas ornamentadas dos bestiais interesses estratégicos de Wasghinton.
Now it seems we have reached a phase of history where the world is witnessing a state of permanent war prosecuted by the US and its underlings: Yugoslavia, Afghanistan, Iraq (again), Libya, Pakistan, Somalia (again), Mali and Syria, to mention a few. These theaters of criminal US military operations join a list of ongoing covert wars against Palestine, Cuba, Iran and North Korea.
Agora parece que chegamos a uma fase da história na qual o mundo testemunha um estado de guerra permanente conduzido pelos Estados Unidos e seus lacaios: Iugoslávia, Afeganistão, Iraque (de novo), Líbia, Paquistão, Somália (de novo), Mali e Síria, para mencionar uns poucos. Esses teatros de operações militares criminosas dos Estados Unidos juntam-se a uma lista de guerras não abertamente reconhecidas em andamento contra Palestina, Cuba, Irã e Coreia do Norte.
Fortunately, a twist of fate brought about by the Bolivarian Revolution of the late Venezuelan leader Hugo Chavez has ensured that much of South America - the primary US so-called sphere of influence - remains off-limits to Washington’s depredations, at least for now.
Felizmente, uma guinada do destino promovida pela Revolução Bolivariana do falecido líder venezuelano Hugo Chavez veio a assegurar que grande parte da América do Sul - a principal assim chamada esfera de influência dos Estados Unidos - permaneça à margem dos ataques predatórios de Washington, pelo menos por ora.
The question is: why has the US such an inordinate propensity for war? The answer is: power. The global capitalist economy mandates a fatal power struggle for the control of natural resources. To maintain its unique historic position of commanding capitalist profits and privilege, the US corporate elite - the executive of the world capitalist system - must have hegemony over the world’s natural resources.
A pergunta é: por que será que os Estados Unidos têm tal imoderada propensão para a guerra? A resposta é: poder. A economia capitalista global empreende uma fatal luta por poder, pelo controle de recursos naturais. Para manter sua posição histórica única de domínio de lucros e privilégios capitalistas, a elite corporativa dos Estados Unidos - o executivo do sistema capitalista mundial - tem de ter hegemonia no tocante aos recursos naturais do mundo.
The cold logic of this propensity was articulated clearly by US state planner George F Kennan in 1948: “We should cease to talk about vague and unreal objectives such as human rights, the raising of the living standards, and democratization. The day is not far off when we are going to have to deal in straight power concepts. The less we are then hampered by idealistic slogans, the better.”
A lógica fria dessa propensão foi enunciada claramente pelo planejador de estado dos Estados Unidos George F Kennan em 1948: “Devemos parar de falar acerca de objetivos vagos e irreais tais como direitos humanos, elevação do padrão de vida, e democratização. Não está longe o dia quando teremos de lidar com conceitos de poder direto. Quanto menos estejamos então tolhidos por slogans idealistas, melhor.”
In other words, Kennan was candidly admitting what US political leaders often dissimulate with fake rhetoric; that the US ruling elite has no interest in defending democracy, human rights or international law. The purpose is control of economic power, in accord with capitalist laws of motion.
Em outras palavras, Kennan estava candidamente admitindo o que os líderes políticos dos Estados Unios amiúde dissimulam com retórica falsa; que a elite dominante dos Estados Unidos não tem interesse em defender democracia, direitos humanos ou lei internacional. O objetivo é controle do poder econômico, de acordo com as leis de movimento capitalistas.
Kennan, who was one of the main architects of US foreign policy in the post-Second World War era, also noted with candidness and prescience:
Kennan, que foi um dos principais arquitetos da política externa dos Estados Unidos na era posterior à Segunda Guerra Mundial, também observou com candura e presciência:
“Were the Soviet Union to sink tomorrow under the waters of the ocean, the American military-industrial establishment would have to go on, substantially unchanged, until some other adversary could be invented. Anything else would be an unacceptable shock to the American economy.”
“Se amanhã a União Soviética afundasse nas águas do oceano, a instituição industrial-militar dos Estados Unidos teria de continuar, substancialmente sem mudança, até que outro adversário pudesse ser inventado. Qualquer coisa diferente disse seria choque inaceitável para a economia estadunidense.”
Thus we see how after the “evil empire” of the Soviet Union collapsed the US has been flailing to contrive a replacement “enemy” and pretext for its essential militarism. The 9/11 terrorist attacks and the subsequent “war on terror” has fulfilled this purpose to a degree, even though it is replete with contradictions that belie its fraudulence, such as the support given to Al Qaeda terrorist elements currently to overthrow the government of Syria.
Assim pois vemos como depois do “império do mal” da União Soviética ter entrado em colapso os Estados Unidos vêm-se empenhando em criar artificiosamente “inimigo” e pretexto substitutos para seu militarismo essencial. Os ataques terroristas do 11/9 e a subsequente “guerra ao terror” atingiram esse objetivo até certo ponto, embora de modo repleto de contradições que põem a nu sua natureza fraudulenta, como o apoio dado a elementos terroristas da Al Qaeda que atualmente tentam derrubar o governo da Síria.
The present threat of nuclear war on the Korean Peninsula is not really about North Korea or the US-backed South Korean state. As in 1945, Korea was the site of the US flexing its military muscle towards its perceived main global rivals - Russia and China. As the SecondWorld War drew to a close, the advances made by Communist Russia and China in the Pacific against imperialist Japan were a cause for deep concern in Washington with its eyes on the post-war global carve-up.
A atual ameaça de guerra nuclear na Península Coreana na realidade não diz respeito à Coreia do Norte ou ao estado sul-coreano apoiado pelos Estados Unidos. Como em 1945, a Coreia era o local de os Estados Unidos exibirem seu poderio militar para os países percebidos como principais rivais mundiais - Rússia e China.  Ao chegar ao fim a Segunda Guerra Mundial, os avanços feitos pela Rússia e a China comunistas no Pacífico contra o Japão imperialista foram causa de profunda preocupação para a Washington de olhos voltados para o trinchamento global pós-guerra.
That is why the US took the unprecedented step of dropping atomic bombs on Japan. It was the most far-reaching demonstration of raw power by the US to its rivals. Russian and Chinese advances on the Korean Peninsula against the Japanese, which were welcomed by the Korean population, were halted dead in their tracks by the twin nuclear holocausts in Hiroshima and Nagasaki.
Eis porque os Estados Unidos deram o passo sem precedentes de jogar bombas atômicas no Japão. Foi a demonstração de mais longo alcance do poder bruto dos Estados Unidos a seus rivais. Os avanços russo e chinês na Península Coreana contra os japoneses, que foram saudados pela população coreana, foram subitamente sustados pelos holocaustos nucleares gêmeos em Hiroshima e Nagasaki.
The partition of Korea in 1945 at the behest of Washington was also part of the post-war demarcation for global influence and staking out control of resources. The American-instigated Korean War (1950-53) and the subsequent decades of tensions between the North and South states afforded Washington a permanent military presence in the Pacific.
A divisão da Coreia em 1945 por ordem de Washington foi também parte da demarcação pós-guerra por influência global e prospecção de controle de recursos. A Guerra da Coreia instigada pelos estadunidenses (1950-53) e as subsequentes décadas de tensões entre os estados do Norte e do Sul garantiram a Washington presença militar permanente no Pacífico.
Rhetoric about “defending our allies” reiterated again this week by US defense secretary Chuck Hagel is but a cynical chimera for the real purpose and rationale for Washington’s presence in Korea - strategic control of Russia and China for hegemony over natural resources, markets, transport, logistics, and ultimately capitalist profit.
A retórica acerca de “defender nossos aliados,” reiterada mais uma vez esta semana pelo secretário de defesa dos Estados Unidos Chuck Hagel, é apenas uma quimera cínica para o real objetivo e a real explicação da presença de Washington na Coreia - controle estratégico de Rússia e China para hegemonia em recursos naturais, mercados, transporte, logística e, em última análise, lucro capitalista.
Tragically, North and South Korea are still caught in the cross-hairs of Washington’s geopolitical war with Russia and China. That is what makes the present tensions on the Peninsula so dangerous. The US could gamble that a devastating strike on North Korea is the best way at this historical juncture for it to send another brutal message to its global rivals. Unfortunately, North Korea’s nuclear capability and truculent attitude - amplified by the Western mainstream media - could serve as a superficial political cover for Washington to again take the military option.
Tragicamente, Coreia do Norte e do Sul estão ainda enredadas na mira da guerra geopolítica de Washington contra Rússia e China. Isso é o que torna as presentes tensões na Península tão perigosas. Os Estados Unidos poderão entender que ataque devastador à Coreia do Norte seja a melhor maneira, na presente conjuntura histórica, de enviar outra mensagem brutal a seus rivais globais. Infelizmente, a capacidade nuclear da Coreia do Norte e sua atitude truculenta - amplificada pela mídia majoritária ocidental - poderá servir como cobertura política superficial para Washington de novo escolher a opção militar.
Iran, however, presents a greater and more problematic challenge to US global hegemony. The US in 2013 is a very different animal from what it was in 1945. Now it resembles more a lumbering giant. Gone is its former economic prowess and its arteries are sclerotic with its
internal social decay and malaise. Crucially, too, the lumbering American giant has squandered any moral strength it may have had in the eyes of the world. Its veil of morality and democratic principle may have appeared credible in 1945, but that cover has been torn asunder by the countless wars and nefarious intrigues over the ensuing decades to reveal a pathological warmonger.
O Irã, porém, representa desafio maior e mais problemático para a hegemonia global dos Estdos Unidos. Os Estados Unidos, em 2013, são muito diferentes do que eram 1945. Hoje eles se parecem mais com um gigante claudicante. Sua pujança econômica se foi, e suas artérias estão esclerosadas com deterioração e mal-estar sociais internos. Crucialmente, também, o claudicante gigante estadunidense dissipou qualquer força moral que possa ter tido aos olhos do mundo. Seu véu de moralidade e de princípio democrático pode ter parecido crível em 1945, mas esse disfarce foi esgarçado pelas incontáveis guerras e infames maquinaçções ao longo das décadas seguintes, revelando um fomentador patológico de guerras.
The American military power is still, of course, a highly dangerous force. But it is now more like a bulging muscle hanging on an otherwise emaciated corpse. Iran presents this lumbering, dying power with a fatal challenge. For a start, Iran does not have nuclear weapons or ambitions and it has repeatedly stated this, thereby gaining much-reciprocated good will from the international community, including the public of North America and Europe. The US or its surrogates cannot therefore credibly justify a military strike on Iran, as it might do against North Korea, without risking a tsunami of political backlash.
O poderio militar estadunidense é ainda, obviamente, força altamente perigosa. É, porém, hoje, mais como um músculo protuberante pendendo de um cadáver no mais emaciado. O Irã coloca diante desse poderio claudicante, moribundo, um desafio fatal. Em primeiro lugar, o Irã não tem armas ou ambições nucleares e tem dito isso repetidamente, ganhando desse modo muita reciprocidade em boa vontade da comunidade internacional, inclusive do público da América do Norte e da Europa. Os Estados Unidos ou seus sub-rogados não têm pois como justificar de modo crível ataque militar ao Irã, diferentemente do que ocorre no tocante à Coreia do Norte, sem arriscarem-se a um tsunami de maciça reação política negativa.
Secondly, Iran exerts a controlling influence over the vital drug that keeps the American economic system alive - the world’s supply of oil and gas. Any war with Iran, if the US were so foolish to embark on it, would result in a deathblow to the waning American and global economy.
Em segundo lugar, o Irã exerce influência controladora sobre a droga vital que mantém vivo o sistema econômico estadunidense - o suprimento mundial de petróleo e gás. Qualquer guerra ao Irã, se os Estados Unidos fossem insensatos a ponto de embarcarem nela, resultaria em golpe mortal na minguante economia estadunidense e global.
A third reason why Iran presents a mortal challenge to US global hegemony is that the Islamic Republic is a formidable military power. Its 80 million-strong people are committed to anti-imperialism and any strike from the US or its allies would result in a region-wide war that would pull down the very pillars of Western geopolitical architecture, including the collapse of the Israeli state and the overthrow of the House of Saud and the other the Persian Gulf oil dictatorships.
Terceiro motivo pelo qual o Irã representa desafio mortal para a hegemonia global dos Estados Unidos é que a República Islâmica é uma potência militar formidável. Seus 80 milhões de pessoas estão comprometidos com o anti-imperialismo e qualquer ataque dos Estados Unidos ou de seus aliados resultaria numa guerra da amplitude de toda a região, que derrubaria exatamente os pilares da arquitetura geopolítica ocidental, incluindo o colapso do estado israelense e a derrubada da Casa de Saud e de outras ditaduras do petróleo do Golfo Pérsico.
US planners know this and that is why they will not dare to confront Iran head-on. But that leaves the US empire with a fatal dilemma. Its congenital belligerence arising from in its capitalist DNA, puts the US ruling elite on a locked-in stalemate with Iran. The longer that stalemate persists, the more the US global power will drain from its corpse. The American empire, as many others have before, could therefore founder on the rocks of the ancient Persian empire.
Os planejadores dos Estados Unidos sabem disso e eis porque não ousam confrontar o Irã diretamente. Isso, porém, coloca o império dos Estados Unidos num dilema fatal. Sua beligerância congênita oriunda de seu DNA capitalista coloca a elite dominante dos Estados Unidos num beco sem saída em relação ao Irã. Quanto mais o beco sem saída persistir, mais o poderio global dos Estados Unidos será drenado de seu cadáver. O império estadunidense, como aconteceu antes com vários outros impérios, poderá pois submergir nos rochedos do vetusto império persa.

However, the story will not end there. The attainment of world peace, justice and sustainability does not only necessitate the collapse of American hegemony. We need to overthrow the underlying capitalist economic system that gives rise to such destructive hegemonic powers. Iran represents a deathblow to the American empire, but the people of the world will need to build on the ruins.
A história, contudo, não acaba aqui. O atingimento de paz, justiça e sustentabilidade no mundo não precisa apenas do colapso da hegemonia estadunidense. Precisamos derrubar o sistema econômico capitalista subjacente que faz surgir tais potências hegemônicas destrutivas. O Irã representa um golpe de morte no império estadunidense, mas o povo do mundo precisará construir em cima das ruínas.
FC/JR/SL
FC/JR/SL
Finian Cunningham, originally from Belfast, Ireland, was born in 1963. He is a prominent expert in international affairs. The author and media commentator was expelled from Bahrain in June 2011 for his critical journalism in which he highlighted human rights violations by the Western-backed regime. He is a Master’s graduate in Agricultural Chemistry and worked as a scientific editor for the Royal Society of Chemistry, Cambridge, England, before pursuing a career in journalism. He is also a musician and songwriter. For many years, he worked as an editor and writer in the mainstream news media, including The Mirror, Irish Times and Independent. He is now based in East Africa where he is writing a book on Bahrain and the Arab Spring.He co-hosts a weekly current affairs programme, Sunday at 3pm GMT on Bandung Radio. More articles by Finian Cunningham
Finian Cunningham, originalmente de Belfast, Irlanda, nasceu em 1963. É preeminente especialista em assuntos internacionais. Esse autor e comentador da mídia foi expulso de Bahrain em junho de 2011 por causa de seu jornalismo crítico no qual destacou violações de direitos humanos pelo regime apoiado pelo Ocidente. Tem Mestrado em Química Industrial e trabalhou como editor científico da Sociedade Real de Química, em Cambridge, Inglaterra, antes de encetar carreira jornalística. É também músico e compositor de canções. Por muitos anos trabalhou como editor e escritor na mídia noticiosa majoritária, inclusive em The Mirror, Irish Times e Independent. Hoje mora na África Oriental onde está escrevendo um livro acerca de Bahrain e da Primavera Árabe. É coanfitrião de um programa semanal de atualidades, aos domingos, às 3 da tarde GMT na Bandung Radio. Mais artigos de Finian Cunningham

Monday, April 29, 2013

Americas South and North - Get to Know a Brazilian – João Baptista Figueiredo



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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
Get to Know a Brazilian – João Baptista Figueiredo
Conheça um Brasileiro – João Baptista Figueiredo
March 3, 2013
3 de março de 2013
This week we wrap up a sub-series on the presidents of Brazil’s military dictatorship (1964-1985) by looking at the final and longest-serving of the military presidents, João Baptista Figueiredo, who governed from 1979 to 1985, when the military stepped away from the presidency.
Esta semana encerramos uma subsérie acerca dos presidentes da ditadura militar do Brasil (1964-1985) tratando do último e com mais longo período de atuação dos presidentes militares, João Baptista Figueiredo, que governou de 1979 a 1985, quando os militares saíram da presidência.
Photo - João Baptista Figueiredo (1918-1999), who served as the last president of Brazil’s military dictatorship, governing from 1979 to 1985.
Foto - João Baptista Figueiredo (1918-1999), que atuou como último presidente da ditadura militar do Brasil, governando de 1979 a 1985.
Born on January 15, 1918, João Baptista de Oliveira Figueiredo was the first president whose family came from a military background since the first president of the military dictatorship, Humberto Castelo Branco. Though Figueiredo was born in Rio de Janeiro, at 11 he enrolled at the Military School of Porto Alegre in Brazil’s southernmost state of Rio Grande do Sul; in that regard, he continued the trend of his previous 3 predecessors, all of whom hailed from Rio Grande do Sul. Like his predecessors, he had a direct tie to Getúlio Vargas’s regime, albeit of a very different nature. Where previous presidents had supported Vargas’s rise in 1930 and aided the federal government against the 1932 Constitutionalist revolt in São Paulo, Figueiredo’s father, Euclides Figueiredo, led the São Paulo forces in rebellion against Vargas, ultimately leading to his exile after federal forces triumphed over the paulistas. Although in exile in Portugal, João’s father continued to conspire with other Vargas opponents. Euclides returned in 1934 after an amnesty, but he continued his criticisms. After Vargas declared the Estado Novo in 1937, he supported the semi-fascist Integralista uprising in 1938, leading to his arrest. Stripped of his military commission, he was sentenced to four years in prison.
Nascido em 15 de janeiro de 1918, João Baptista de Oliveira Figueiredo foi o primeiro presidente cuja família tinha antecedentes militares desde o primeiro presidente da ditadura militar, Humberto Castelo Branco. Embora Figueiredo tivesse nascido no Rio de Janeiro, com 11 anos de idade inscreveu-se na Escola Militar de Porto Alegre no estado mais sulista do Brasil, Rio Grande do Sul; sob esse aspecto, ele continou a tradição de seus três predecessores, todos os quais haviam nascido no Rio Grande do Sul. Como seus predecessores, tinha vínculo direto com o regime de Getúlio Vargas, embora de natureza muito diferente. Enquanto os presidentes anteriores haviam apoiado a ascensão de Vargas em 1930 e ajudado o governo federal contra a revolta constitucionalista de 1932 em São Paulo, o pai de Figueiredo, Euclides Figueiredo, comandara as forças de São Paulo em rebelião contra Vargas, o que por fim levou a seu exílio depois que as forças federais triunfaram sobre os paulistas. Embora no exílio em Portugal, o pai de João continuou a conspirar com outros opositores de Vargas. Euclides voltou em 1934 depois de uma anistia, mas continuou com suas críticas. Depois de Vargas ter declarado o Estado Novo em 1937, ele apoiou o levante semifascista Integralista em 1938, o que levou a sua detenção. Destituído de suas credenciais militares, foi sentenciado a quatro anos de prisão.
Photo - Euclides Figueiredo (1883-1963), father of João Figueiredo. Euclides ended up playing a key role in the 1932 Constitutionalist revolt against Getúlio Vargas, and was both exiled and imprisoned for his opposition. He would die one year before the coup that created the military dictatorship that his son would be a key part of.
Foto - Euclides Figueiredo (1883-1963), pai de João Figueiredo. Euclides acabou desempenhando papel fundamental na revolta constitucionalista de 1932 contra Getúlio Vargas, e foi tanto exilado quanto preso por sua oposição. Ele morreria um ano antes do golpe que criou a ditadura militar da qual seu filho viria a fazer parte fundamental.
While João’s father continued to unsuccessfully challenge the government, Figueiredo continued along his military path. Indeed, even while his father was a vocal opponent of Vargas, João received a sword from Vargas for finishing first in his class in 1937. A member of the cavalry (fitting well with the gaucho tradition of Rio Grande do Sul), Figueiredo continued to teach in military institutions even while improving his own training and rising through the ranks in the 1940s. After dictator Alfredo Stroessner rose to power in neighboring Paraguay in 1954, Figueiredo was a member of the  Brazilian military mission in Paraguay between 1955 and 1958. Toward the end of the decade, he took courses at the War College in 1960; upon completing his training there, he worked in the Council of National Security in 1961, where he began a career path that would take him through Brazil’s security apparatuses and ultimately to the presidency.
Enquanto o pai de João continuava a, sem sucesso, desafiar o governo, Figueiredo continuou sua carreira militar. Na verdade, embora seu pai fosse aberto opositor de Vargas, João recebeu de Vargas uma espada por terminar como primeiro aluno da classe em 1937. Membro da cavalaria (muito consonamente com a tradição gaúcha do Rio Grande do Sul), Figueiredo continuou a lecionar em instituições militares enquanto simultaneamente aperfeiçoava seu próprio treinamento e ascensão na carreira nos anos 1940. Depois que o ditador Alfredo Stroessner subiu ao poder no vizinho Paraguai em 1954, Figueiredo tornou-se membro da missão militar brasileira no Paraguai entre 1955 e 1958. Pelo fim da década fez cursos na Escola Superior de Guerra em 1960; ao completar seu treinamento ali, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional em 1961, onde começou um tipo de carreira que o levaria aos aparatos de segurança do Brasil e por fim à presidência.
When the military coup of 1964 took place, Figueiredo was an instructor at the Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Command and General Staff College; ECEME) while continuing to serve in national security. Figueiredo supported the coup, and his background in national security led to his nomination as the head of the Serviço Nacional de Informações (National Information Service; SNI) in Rio de Janeiro. Still not a general, he continued to rise through the ranks of the military. In 1969, Emílio Médici, a fellow gaucho, picked Figueiredo as his Chief of the Military Cabinet, a position he held from 1969 to the end of the Médici government in 1974. (During the regime, presidential cabinets were split between a military cabinet and a civilian cabinet, with a Chief of each reporting to the president.) With the selection of Ernesto Geisel in 1974, the military shifted from the hardliner governments of Costa e Silva and Médici back to the “Sorbonne school;” yet Figueiredo bridged the gap, becoming Geisel’s head of the SNI. Geisel decided Figueiredo should be his successor, and elevated his SNI chief to a full general in 1977 so that he could assume the presidency when Geisel left office in 1979. After Geisel successfully outmaneuvered the hard-liners in the military in 1977, Figueiredo’s pathway to the presidency opened. Although there still were no direct presidential elections in Brazil, Figueiredo nonetheless campaigned around the country, and Congress indirectly elected him at the end of 1978. On March 15, 1979, he was officially inaugurated as the fifth (and final) president of Brazil’s military regime.
Quando houve o golpe militar de 1964, Figueiredo era instrutor na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército - ECEME, continuando a servir na área de segurança nacional. Figueiredo apoiou o golpe, e seus antecedentes em segurança nacional levaram-no a ser nomeado para chefe do Serviço Nacional de Informações - SNI no Rio de Janeiro. Ainda não general, continuou a ascender na carreira militar. Em 1969, Emílio Médici, companheiro gaúcho, escolheu Figueiredo como seu Chefe do Gabinete Militar, cargo que ele exerceu de 1969 até o fim do governo Médici em 1974. (Durante o regime, os gabinetes presidenciais eram divididos entre um gabinete militar e um gabinete civil, com um chefe de cada reportando-se ao presidente.) Com a escolha de Ernesto Geisel em 1974, a instituição militar deslocou-se dos governos de linha dura de Costa e Silva e Médici para a “escola da Sorbonne;” Figueiredo, contudo, diminuiu a lacuna, ao tornar-se chefe do SNI de Geisel. Geisel resolveu que Figueiredo deveria ser seu sucessor, e promoveu seu chefe do SNI a general pleno em 1977 a fim de que ele pudesse assumir a presidência quando Geisel deixasse o cargo em 1979. Depois de Geisel ter bem-sucedidamente manobrado levando a melhor sobre os linhas-duras da instituição militar em 1977, o caminho de Figueiredo até a presidência ficou aberto. Embora ainda não houvesse eleições diretas para presidente no Brasil, Figueiredo, não obstante, fez campanha por todo o país, e o Congresso elegeu-o indiretamente ao final de 1978. Em 15 de março de 1979, ele oficialmente tomou posse como quinto (e último) presidente do regime militar do Brasil.
Photo - Ernesto Geisel (left) with Figueiredo (right) during Geisel’s presidency (1974-1979), when Figueiredo served as head of the SNI.
Foto - Ernesto Geisel (esquerda) com Figueiredo (direita) durante a presidência de Geisel (1974-1979), quando Figueiredo era chefe do SNI.
Upon taking office, Figueiredo continued the path of reopening Brazilian politics, a process begun under Geisel’s distensão (“detachment”) and continuing with Figueiredo’s abertura (“opening”). In August of 1979, he issued a general amnesty that pardoned political prisoners (but not opponents of the regime who’d been convicted of violent crimes); just as importantly, however, the amnesty pardoned those members of the armed forces and the state under military rule who had committed torture, murder, and “disappearances.” At the time of its declaration, the amnesty covered both torturers and opposition in an effort to “move on,” and while many exiles celebrated the ability to return to Brazil, it also set the stage for a general public tendency to ignore and “forget” the crimes of the regime, with the result that only in the last year has Brazil officially had a truth commission investigate the regime. Figueiredo also undid other dictatorship-era legislation, allowing the previous two parties (MDB and ARENA, jokingly called “the party of ‘yes’ and the party of ‘yes, sir!’” during the most repressive parts of the regime). However, the move was not as democratic as it seemed. Figueiredo hoped that, in allowing new (and multiple) parties, the opposition in the MDB would fragment while the ARENA could continue, allowing an ARENA civilian candidate to win election when he stepped down in 1985. Early on, the move seemed to have success; ARENA simply became the Partido Democrático Social (Democratic Social Party; PDS), while the MDB splintered into a number of parties.
Ao assumir o cargo, Figueiredo deu continuidade ao processo de reabrir a política brasileira, processo que começara como a distensão de Geisel e continuou como a abertura de Figueiredo. Em agosto de 1979, ele promulgou uma anistia geral que perdoou prisioneiros políticos (mas não opositores do regime que tivessem sido condenados por crimes violentos): igualmente importante, porém, a anistia perdoou aqueles membros das forças armadas e do estado sob domínio militar que haviam cometido tortura, assassínio, e “desaparecimentos.” À época em que anunciada, a anistia abrangia tanto torturadores quanto oposição, num esforço de “ir adiante,” e embora muitos exilados comemorassem a possibilidade de retorno ao Brasil, ela também pavimentou o caminho para uma tendência pública generalizada de ignorar e “esquecer” os crimes do regime, com o resultado de que apenas no ano passado o Brasil teve oficialmente uma comissão da verdade para investigar o regime. Figueiredo 
também desfez outra legislação da era da ditadura, permitindo os antigos dois partidos (MDB e ARENA, jocosamente chamados de “o partido do ‘sim’ e o partido do ‘sim, senhor!’” durante os períodos mais repressores do regime). Entretanto, a manobra não era tão democrática quanto parecia. Figueiredo esperava que, permitindo novos (e múltiplos) partidos, a oposição do MDB se fragmentasse enquanto a ARENA pudesse continuar, permitindo que um candidato civil da ARENA ganhasse a eleição quando ele deixasse o cargo em 1985. De início, a manobra pareceu ser bem-sucedida; a ARENA simplesmente tornou-se o Partido Democrático Social - PDS, enquanto o PSDB fracionou-se em diversos partidos.
While Figueiredo attempted to control the political climate, economically and socially, he found things slipping out of his control. The long-term effects of the so-called “economic miracle” of 1967-74 were becoming increasingly clear, as Brazil’s foreign debt rapidly grew and the global oil crises of the 1970s hit the economy hard. By the early 1980s, inflation in Brazil had gone over 100%, which was no small matter; when the military overthrew democratically-elected president João Goulart in 1964, it cited 100% inflation as one of the justifications for military intervention. That inflation was now higher than it had ever been under Goulart undermined the regime’s legitimacy, even while foreign debt reached $61 billion in 1981.
Embora Figueiredo tentasse controlar o clima político, econômica e socialmente, ele descobriu que as coisas fugiam a seu controle. Os efeitos de longo prazo do assim chamado “milagre econômico” de 1967-74 iam-se tornando cada vez mais claros, à medida que a dívida externa do Brasil crescia rapidamente e as crises mundiais do petróleo dos anos 1970 atingiam duramente a economia. No início dos anos 1980 a inflação no Brasil havia passado de 100%, o que não era coisa de pouca importância; quando a instituição militar derrubara o democraticamente eleito presidente João Goulart em 1964, ela citara a inflação de 100% como uma das justificativas para intervenção militar. A inflação agora mais alta do que jamais havia sido no governo de Goulart solapava a legitimidade do regime, enquanto a dívida externa atingia $61 biliões de dólares em 1981.
These economic troubles were not abstract problems. The growing economic unrest, combined with years of military rule and a lack of electoral democracy at the state and federal levels led to growing challenges to the regime, challenges that first erupted in 1979, just months after Figueiredo took office. In November of 1979, over 170,000 metalworkers went on strike in São Paulo over wage issues. Led by Luís Inácio “Lula” da Silva, a charismatic metalworker and union leader who had lost his finger in a workplace accident, the workers demanded the government make up lost wages for underreporting inflation in the mid-1970s. While there were violent encounters between workers and armed forces, the workers continued to mobilize and the strikes spread throughout the country, marking the first time since before the dictatorship where workers had mobilized on such a large scale. The strike was a key moment in the dictatorship, showing both that the working classes had the will and ability to mobilize and challenge the regime while testing the government’s policy of abertura. Ultimately, in the new political context, the workers formed their own party, the Partido dos Trabalhadores (Workers Party; PT), with Lula at its head. The party also drew in middle-class activists who had been involved in the National Students Union (UNE) and in student protests in the 1960s, giving the PT a broader reach, and Lula became a national political figure.
Essas turbulências econômicas não eram problemas abstratos. A crescente insatisfação econômica, conjugada com anos de governo militar e falta de democracia eleitoral nos níveis estadual e federal, levou a crescentes desafios ao regime, desafios que primeiro irromperam em 1979, meses apenas depois de Figueiredo ter assumido o cargo. Em novembro de 1979, mais de 170.000 metalúrgicos entraram em greve em São Paulo a propósito de questões salariais. Liderados por Luís Inácio “Lula” da Silva, carismático metalúrgico e líder sindical que havia perdido seu dedo num acidente no local de trabalho, os trabalhadores exigiram que o governo compensasse perdas salariais decorrente de informar inflação mais baixa do que a real em meado anos 1970. A despeito de violentos embates entre trabalhadores e forças armadas, os trabalhadores continuaram a mobilizar-se e as greves espalharam-se pelo país, caracterizando a primeira vez desde antes da ditadura em que os trabalhadores se mobilizavam em escala tão vasta. A greve foi momento decisivo na ditadura, tanto ao mostrar que as classes trabalhadoras tinham a vontade e a capacidade para mobilizarem-se e desafiar o regime quanto ao testar a política do governo de abertura. Por fim, no novo contexto político, os trabalhadores formaram seu próprio partido, o Partido dos Trabalhadores - PT, com Lula à frente. O partido também atraiu ativistas da classe média que haviam estado envolvidos na União Nacional dos Estudantes (UNE) e em protestos estudantis dos anos 1960, o que deu ao PT maior alcance, e Lula tornou-se figura política nacional.
Photo - Luís Inácio Lula da Silva during the 1979 Metalworkers’ Strike in São Paulo. The strike marked a significant moment in the history of the dictatorship and launched the political career of a man who would ultimately serve as president from 2003-2011.
Foto - Luís Inácio Lula da Silva durante a Greve dos Metalúrgicos de 1979 em São Paulo. Essa greve caracterizou importante momento na história da ditadura e deflagrou a carreira política de um homem que por fim se tornaria presidente de 2003 a 2011.
The urban working class was not the only group to protest the regime. In the wake of 1968′s university reform, the military regime had emphasized enrollment in fields like applied science, engineering, medicine, and technology (what today is trendily called “STEM” education). However, the emphasis on these fields had predictable results: throughout the 1970s, enrollment went up, leading to a glutted job market. Thus, by the 1980s, a growing number of middle-class white-collar workers with university degrees were having a difficult time finding employment, even while inflation skyrocketed. Thus, doctors, engineers, university professors, and others increasingly took to the streets to protest and organize, and groups like university professors (who were still mostly federal employees) even formed their own union. Meanwhile, while UNE itself remained illegal, Figueiredo made clear he would not persecute it, and in 1979, it reconstituted itself after having been inactive due to repression throughout most of the 1970s.
A classe trabalhadora urbana não foi o único grupo a protestar contra o regime. Na esteira da reforma universitária de 1968, o regime militar havia enfatizado inscrição em campos tais como ciência aplicada, engenharia, medicina, e tecnologia (o que hoje é chamado, de maneira moderna, de educação“STEM”). Entretanto, a ênfase nesses campos teve resultados previsíveis: ao longos dos anos 1970, as matrículas aumentaram, levando a um mercado de trabalho superlotado. Assim, ao chegarem os anos 1980, crescente número de trabalhadores qualificados da classe média com diploma universitário estava tendo dificuldade para encontrar emprego, enquanto ao mesmo tempo a inflação disparava. Assim, pois, médicos, engenheiros, professores universitários e outros cada vez mais tomavam as ruas para protestar e organizar-se, e grupos tais como os de professores universitários (que eram ainda, em sua maioria, funcionários federais) inclusive formaram seu próprio sindicato. Enquanto isso, embora a UNE ela própria permanecesse ilegal, Figueiredo deixou claro que não a perseguiria e, em 1979, ela se reconstituiu depois de ter ficado inativa por causa da repressão ao longo da maior parte dos anos 1970.
In this context, the hardliners attempted one last, flailing attempt to stifle repression. After a series of bomb attacks against newspaper stands and the Ordem dos Advogados do Brasil (Order of Lawyers of Brazil; OAB) that left a number of people wounded (and killed a secretary at the OAB), there was one final attempt. On April 30, 1981, a number of musicians put on a show to celebrate International Workers’ Day the following day. While thousands of students inside the building sang along, Sergeant Guilherme Pereira do Rosário and Captain Wilson Dias Machado drove a car through the parking lot. The men hoped to deposit bombs to blow up the building, wounding students and perhaps creating a context where the hardliners could return to power and halt the abertura. However, one of the bombs went off in Rosário’s lap, immediately killing him and wounding Machado. Just like that, the hardliners’ efforts to reassert control literally blew up in their faces. When Machado was able to talk, it emerged that he was an officer in the military; while the attack completely and finally discredited the hardliners, Figueiredo’s slow movement in condemning the act and the SNI’s efforts to cover it up also discredited his own government, only adding to the criticisms of the regime.
Nesse contexto, os linhas-duras fizeram uma última e inútil tentativa de reativar a repressão. Depois de uma série de ataques com bombas a bancas de jornais e à Ordem dos Advogados do Brasil - OAB que deixaram diversas pessoas feridas (e mataram uma secretária da OAB), houve uma tentativa final. Em 30 de abril de 1981 diversos músicos montaram um espetáculo para comemorarem o Dia Internacional dos Trabalhadores no dia seguinte. Enquanto milhares de estudantes dentro do edifício cantavam acompanhando a música, o Sargento Guilherme Pereira do Rosário e o Capitão Wilson Dias Machado guiaram um carro através do estacionamento. Eles esperavam depositar bombas para explodir o edifício, ferindo estudantes e talvez criando um contexto onde os linhas-duras pudessem voltar ao poder e sustar a abertura. Entretanto, uma das bombas explodiu no colo de Rosário, matando-o imediatamente e ferindo Machado. De modo simples assim os esforços dos linhas-duras para retomarem o controle explodiram literalmente em suas caras. Quando Machado pôde falar, ficou claro que ele era oficial da instituição militar; embora o ataque finalmente trouxesse descrédito sobre os linhas-duras, a lentidão de Figueiredo em condenar o ato e os esforços do SNI para encobri-lo também desacreditaram o próprio governo, só aumentando as críticas ao regime. 
Photo - The body of Sergeant Guilherme Pereira do Rosário after the bomb he and Captain Wilson Dias Machado carried with them exploded. The incident marked the final exclamation point on the military hardliner’s violence during the military regime.
Foto - O corpo do Sargento Guilherme Pereira do Rosário depois que a bomba que ele e o Capitão Wilson Dias Machado carregavam com eles explodiu. O incidente marcou o ponto de exclamação final da violência dos linhas-duras militares durante o regime militar.
In this setting, the regime continued to suffer political setbacks in spite of its earlier efforts to control the political system. In 1982, the country enjoyed its first direct elections for governor and for Congress in over 16 years, and throughout the country, opposition candidates enjoyed a degree of success unprecedented up to that point in the dictatorship. In Congress, the opposition, while fragmented along different party lines, carried the Chamber of Deputies. However, the PDS carried the Senate and most of the governorships, suggesting perhaps Figueiredo’s strategy of dividing the opposition was working. Not all the governorships were successes for the regime, however. Perhaps most notably, the citizens of Rio de Janeiro elected Leonel Brizola, João Goulart’s brother-in-law who had tried to get Goulart to move further to the left, to the governorship; that Brizola had been one of the top targets of the regime when it exiled and stripped politicians of their rights in 1964 and was now governor showed just how tired many had grown of the military government.
Nesse cenário, o regime continuou a sofrer reveses políticos a despeito de seus esforços anteriores para controlar o sistema político. Em 1982, o país fruiu suas primeiras eleições diretas para governador e para o Congresso em mais de 16 anos e, em todo o país, candidatos da oposição obtiveram grau de sucesso sem precedentes até aquele ponto da ditadura. No Congresso, a oposição, embora fragmentada ao longo de diferentes linhas partidárias, ganhou na Câmara dos Deputados. Entretanto, o PDS ganhou no Senado e na maior parte dos governos estaduais, sugerindo talvez que a estratégia de Figueiredo de dividir a oposição estava funcionando. Nem todos os governos estaduais representaram, porém, sucesso do regime. Talvez mais notavelmente, os cidadãos do Rio de Janeiro elegeram Leonel Brizola, cunhado de João Goulart que havia tentado fazer Goulart mover-se mais para a esquerda, como governador; o fato de Brizola ter sido um dos maiores alvos do regime quando este excluiu e destituiu políticos de seus direitos, em 1964, e ser agora governador, mostrou o quanto muita gente estava cansada do governo militar.
In spite of conservative and military opposition to the shifting political tide, Figueiredo made clear he intended to stand by abertura and his pledge to exit office in 1985. He refused to annul any of the elections. When he had to travel to the Cleveland Clinic after a heart attack in 1981, civilian vice president Aureliano Chaves served his constitutional role as de facto president, marking the first time a civilian had governed Brazil since 1964. This transition, while temporary, was not insignificant; when Costa e Silva had a stroke that incapacitated him in 1969, the military refused to allow civilian vice president Pedro Aleixo assume his duties. Thus, Figueiredo’s insistence that the military was withdrawing from governance seemed sincere.
A despeito de oposição conservadora e militar à maré política que mudava, Figueiredo deixou claro que pretendia manter a abertura e cumprir sua promessa de sair do cargo em 1985. Recusou-se a anular qualquer das eleições. Quando teve de viajar para a Clínica Cleveland depois de um ataque cardíaco em 1981, o vice-presidente civil Aureliano Chaves desempenhou seu papel constitucional como presidente de fato, caracterizando a primeira vez que um civil governava o Brasil desde 1964. Essa transição, embora temporária, não foi insignificante; quando Costa e Silva teve um derrame que o incapacitou em 1969, a instituição militar recusou-se a permitir que o vice-presidente Pedro Aleixo assumisse suas obrigações. Portanto, a insistência de Figueiredo em afirmar que a instituição militar estava saindo do governo parece que foi sincera.
In this context, the opposition began to consider the possibility of forming a united front against the PDS. Pointing to the fact that the 1985 presidential election was still set to be an indirect election, with Congress electing the president, the regime’s opponents found a unifying platform. Representatives from and supporters of varying opposition parties began to unite under the banner of Diretas Já!, or “Direct elections now!” A congressman put forth a bill calling for the 1985 presidential election to be direct, and throughout the country, massive rallies took place, showing the popularity of the idea. Hundreds of thousands marched in Rio de Janeiro, the first time since 1968 that so many had taken to the streets, and in São Paulo, over one million gathered at the Praça da Sé. Although 298 voted in favor of the bill, it failed, as 112 pro-government politicians abstained, leaving Congress without a quorum.
Nesse contexto, a oposição começou a cogitar da possibilidade de formar uma frente unida contra o PDS. Concentrando-se no fato de que a eleição presidencial de 1985 ainda estava planejada para ser uma eleição indireta, com o Congresso elegendo o presidente, os opositores do regime descobriram uma plataforma unificadora. Representantes e partidários de diversos partidos de oposição começaram a unir-se sob a bandeira das Diretas Já!, ou “Eleições Diretas agora!” Um deputado propôs um projeto de lei exigindo que a eleição presidencial de 1985 fosse direta e, por todo o país, enormes ajuntamentos/comícios tiveram lugar, mostrando a popularidade da ideia. Centenas de milhares de pessoas marcharam no Rio de Janeiro, a primeira vez, desde 1968, em que tanta gente havia tomado as ruas e, em São Paulo, mais de um milhão de pessoas reuniu-se na Praça da Sé. Embora 298 pessoas votassem em favor do projeto de lei, ele não foi aprovado, visto que 112 políticos favoráveis ao governo abstiveram-se, deixando o Congresso sem quorum.
Photo - An aerial image of the million who gathered to demand direct elections in the Diretas Já rally in São Paulo in April 1984.
Foto - Imagem aérea do milhão de pessoas que reuniu-se para exigir eleições no comício das Diretas Já em São Paulo em abril de 1984.
Nonetheless, the movement was significant not only because of its magnitude, but because it set the stage for the indirect election at the end of the year. The opposition parties set aside differences to rally behind Tancredo Neves, a veteran politician who had been João Goulart’s Prime Minister in 1961-1962. Neves’ skill as a politician and the mobilization of the masses earlier in 1984 made clear to Congress that the country was tired of the regime and its allies. After a contentious convention, the PDS nominated corrupt São Paulo governor Paulo Maluf; the move alienated many in the PDS, including José who threw their support behind Neves. In exchange, Neves selected former ARENA/PDS leader José Sarney as his running mate. On January 15, 1985, Congress gathered to vote for the next president, and Tancredo Neves defeated Maluf, 480 to 180 votes. While Brazilians did not get the direct elections they’d demanded, they did get the first president since 1964 who was not tied to military rule.
Nada obstante, o movimento foi importante não apenas por sua magnitude, mas por montar o cenário para a eleição indireta no final do ano. Os partidos de oposição deixaram de lado suas diferenças para congregarem-se em torno de Tancredo Neves, político veterano que havia sido Primeiro-Ministro de João Goulart em 1961-1962. A habilitade de Neves como político e a mobilização das massas antes, em 1984, deixaram claro para o Congresso que o país estava cansado do regime e de seus aliados. Depois de uma convenção litigiosa, o PDS indicou o corrupto governador de São Paulo, Paulo Maluf; a manobra alienou muitas pessoas do PDS, inclusive José Sarney, que redirecionaram seu apoio para Neves. Em troca, Neves selecionou o ex-líder de ARENA/PDS José Sarney como seu companheiro de chapa. Em 15 de janeiro de 1985 o Congresso reuniu-se para votar o próximo presidente, e Tancredo Neves derrotou Maluf, 480 a 180 votos. Embora os brasileiros não tivessem obtido as eleições diretas que haviam exigido, obtiveram o primeiro presidente desde 1964 não atrelado ao governo militar. 
As for Figueiredo himself, he willingly left politics. Tired of the fighting and of receiving blame for Brazil’s economy spiraling out of control, he left the stage quickly, if not necessarily gracefully. As he was preparing to exit office, an interviewer asked him how he wanted the Brazilian people to remember him; Figueiredo pointedly replied, “Forget me.” Though Neves was too ill to take office, dying before he could be inaugurated, Sarney assumed the presidency. Thus, Brazil’s military dictatorship came to an end. Figueiredo quietly left office and entered into private life, ultimately dying in 1999, the last of the military presidents to serve and the last to die.
Quanto ao próprio Figueiredo, por escolha própria deixou a política. Cansado das lutas e de ser-lhe atribuída a culpa pela economia do Brasil espiralar fora de controle, deixou o cenário rapidamente, embora não necessariamente de maneira elegante. Quando preparava-se para deixar o cargo, um entrevistador perguntou-lhe como ele desejava que o povo brasileiro o lembrasse; Figueiredo respondeu sem rodeios: “Esqueçam-me.” Como Neves estivesse doente demais para assumir o cargo, morrendo antes de poder ser empossado, Sarney assumiu a presidência. Assim, a ditadura militar do Brasil chegou ao fim. Figueiredo quietamente deixou e cargo e foi para a vida privada, vindo a falecer em 1999, o último dos presidentes militares a atuar e o último a morrer.
This is part of a series. Other entries have included composer and tropicalista Rogério Duprat, architect Oscar Niemeyer, and Princess Isabel.
Este texto é parte de uma série. Outros itens já incluíram o compositor e tropicalista Rogério Duprat, o arquiteto Oscar Niemeyer, e a Princesa Isabel.