Thursday, May 31, 2012

C4SS - The Life of Julia Under Anarchy

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PORTUGUÊS
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
The Life of Julia Under Anarchy
A Vida de Júlia na Anarquia
Carson: They're doing it to Julia.
Carson: Estão fazendo aquilo com a Júlia.
Posted by Kevin Carson on May 10, 2012 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 10 de maio de 2012 em Commentary
As a toddler Julia will begin a twenty-odd-year sentence in institutions designed to process her into a “human resource”: Someone encultured to view the existing institutional framework and power structure as natural and inevitable, who trusts and obeys the state and takes its self-justifications at face value. Someone who takes orders from authority figures behind desks, and has been trained — at taxpayer expense — in the skills employers want in their human resources. Both Obama and Romney enthusiastically support the need for this school-to-HR treadmill to “maintain global competitiveness.”
Ao dar seus primeiros passinhos Júlia começará a cumprir uma sentença de vinte e não sei quantos anos em instituições concebidas para o processamento dela visante a transformá-la num “recurso humano”: Uma pessoa condicionada a ver o arcabouço institucional e a estrutura de poder existentes como naturais e inevitáveis, que confia no e obedece ao estado e aceita as justificativas dele em causa própria como válidas. Alguém que aceita ordens de figuras de autoridade sentadas atrás de escrivaninhas, e treinado — a expensas do contribuinte — nas habilidades que os empregadores querem de seus recursos humanos. Tanto Obama quanto Romney apoiam entusiasticamente a necessidade dessa esteira ergométrica a partir da escola até chegar à condição de recurso humano, para “manter a competitividade global.”
Once Julia comes off the human resources assembly line, she’ll look for work in an economy where most employment opportunities are controlled by hierarchical, authoritarian institutions. She’ll spend her work life selling her labor in a system designed to minimize the competition employers face from self-employment — in which the state’s avowed macroeconomic policy is to keep the bargaining power of labor (aka “inflationary pressure”) within manageable bounds.
Ao Júlia sair da linha de montagem de recursos humanos, procurará emprego numa economia onde a maioria das oportunidades de emprego é controlada por instituições hierárquicas autoritárias. Ela passará sua vida de trabalho vendendo sua força de trabalho num sistema concebido para minimizar a competição que os empregadores enfrentam do autoemprego — no qual a política macroeconômica confessa do estado é manter o poder de barganha do trabalhador (também chamado de “pressão inflacionária”) dentro de limites administráveis.
If she tries to escape the reservation, she’ll confront a host of state-enforced artificial scarcities whose main effect is to make the means of production artificially expensive for labor, and impose artificial entry costs and overhead on self-employment. Until Julia turns 65, she’ll exist in a system where wage labor is the only alternative for all but the rich. The President, Democrat or Republican, will accept the basic presupposition of the “jobs culture” as a fact of nature.
Se ela tentar escapar da reserva enfrentará uma legião de formas de escassez artificiais cujo principal efeito é tornar os meios de produção artificalmente dispendiosos para o trabalhador, e impor custos artificiais de entrada no mercado e de overhead ao autoemprego. Antes de Júlia completar 65 anos, viverá dentro de um sistema onde o trabalho assalariado é a única alternativa para quem não seja rico. O Presidente, Democrata ou Republicano, aceitará o pressuposto básico da “cultura de empregos” como um fato da natureza.
Under market anarchy, Julia would live in a society where education was self-organized by her neighbors, her studies were shaped by her needs rather than those of future employers, and economic power was distributed and decentralized. She’d spend her working life in a market without entry barriers to using her skills in self-employment or in a cooperative shop, and where if she did consider wage employment she’d encounter potential employers as an equal rather than as a commodity pre-shaped to their needs.
Na anarquia de mercado Júlia viveria numa sociedade onde a educação seria organizada autonomamene pelos vizinhos dela, os estudos dela seriam definidos pelas necessidades dela em vez de pelas de seus futuros empregadores, e o poder econômico seria distribuído e descentralizado. Ela passaria sua vida de trabalho num mercado sem barreiras à entrada ou numa cooperativa, e se resolvesse cogitar de emprego assalariado falaria com os empregadores em termos de igualdade em vez de como um produto pré-delineado para atender às necessidades deles.
As a consumer, Julia will pay prices consisting largely of rents on artificial scarcity enforced by the state. She’ll spend $200 for proprietary software CDs that cost $5 to print out, and pay a 2000% markup on medications under patent. She’ll buy sneakers with a $195 brand-name premium over the $5 the sweatshop charged to make them, and a camera whose price comes mainly from embedded patent rents rather than actual parts and labor. She’ll pay a markup of about 20% as the result of price-fixing on goods manufactured in oligopoly industries.
Como consumidora, Júlia pagará valores consistentes, em grande parte, de lucros auferidos de escassez artificial apoiada pelo estado. Ela gastará $200 dólares com CDs de software patenteado que custam $5 dólares para gravar, e pagará 2000% de sobrepreço de medicamentos patenteados. Comprará tênis com preço aumentado em $195 dólares por causa da marca, acima dos $5 dólares cobrados pela fabriqueta que os produziu, e uma câmera cujo preço provém dos lucros excessivos possibilitados por uma patente embutida em vez de das peças realmente existentes e do trabalho de produção. Ela pagará sobrepreço de cerca de 20% como resultado de preços combinados de antemão entre os produtores de bens manufaturados em indústrias oligopolizadas.
Local goods and services will be far more expensive because of zoning laws that protect brick-and-mortar shops by requiring the rental of commercial space as a condition of doing business, high licensing fees, and regulatory codes that criminalize small-batch production by mandating industrial-scale machinery. Both Obama and Romney strongly support all these policies.
Bens e serviços locais serão muito mais caros por causa de leis de zoneamento que protegem fábricas com existência física real, ao exigirem o aluguel de espaço comercial como condição de condução de negócios, altos valores de licenciamento, e códigos regulamentadores que criminam a produção em lotes pequenos ao tornarem obrigatório maquinário de escala industrial. Tanto Obama quanto Romney apoiam decididamente todas essas políticas.
Under market anarchy, there’d be no state-enforced cartels, entry barriers, or artificial scarcity. Competition would drive the prices Julia pays down to the actual cost of production. Julia would far more easily purchase home-grown, -baked, and -sewn goods, as well as unlicensed daycare and cab service — all of which would involve near-zero overhead because they were provided out of her neighbors’ homes with ordinary household capital goods they already owned.
Na anarquia de mercado não haveria cartéis apoiados pelo estado, barreiras à entrada no mercado, ou escassez artificial. A competição reduziria os valores que Júlia paga ao custo real da produção. Júlia conseguiria muito mais facilmnte comprar bens cultivados, assados e cosidos em casa, bem como ter acesso a creche para crianças/asilo para velhos e serviços de táxi não sujeitos a licenciamento — todos os quais envolveriam overhead próximo de zero por serem proporcionados a partir das casas de seus vizinhos com bens de capital familiar ordinário já possuídos por eles.
Whether Julia buys or rents her home, the price of the land it sits on reflects enormous tracts of vacant and unimproved land being held out of use by state policy, so that landlords are protected from competition. Neither Obama nor Romney can even imagine an alternative to this state of affairs.
Se Júlia comprar ou alugar uma residência, o preço da terra onde o imóvel se localizar refletirá enormes tratos de terra vaga e não beneficiada mantida fora de uso pela política do estado, de tal maneira que os proprietários quedem protegidos da competição. Nem Obama nem Romney conseguirão jamais imaginar alternativa para esse estado de coisas.
Under market anarchy, there would be no enforceable title to vacant and unimproved land. Competition from freely available vacant land would reduce landlord rent, driving down Julia’s housing costs.
Na anarquia de mercado não haveria títulos de propriedade de terra não ocupada e não beneficiada. A competição oriunda de terra não ocupada livremente disponível reduziria os ganhos injustificados do senhorio, reduzindo os custos de moradia de Júlia.
Throughout her life, Julia’s travels in the United States will be restricted by an internal passport system in which boarding a plane, and soon maybe a train or bus, will require submission to being either scanned or groped. Her phone and Internet history and her purchases will be constantly monitored by a government for which the Fourth Amendment is a quaint relic of history. Every business where she shops will be spying on her for the government. She’ll be liable to indefinite detention without charge, or perhaps even murder by drone, based on an arbitrary and unilateral finding that she’s a “terrorist.” If there were ever any lingering hopes that the party controlling the presidency would make a difference in this regard, Obama dashed them long ago.
Ao longo de sua vida, as viagens de Júlia dentro dos Estados Unidos serão restringidas por um sistema de passaporte interno no qual embarcar num avião, e logo talvez num trem ou ônibus, requer submissão a ser escaneado ou revistado. A história telefônica e de internet dela e as compras que ela fizer serão constantemente monitoradas por um governo para o qual a Quarta Emenda(*) é uma relíquia graciosamente antiquada da história. Todas as empresas onde ela comprar algo espioná-la-ão para o governo. Ela estará sujeita a detenção por tempo indefinido, sem acusação, ou talvez até a assassínio por avião não pilotado, com base em arbitrária e unilateral constatação de ser uma “terrorista.” Se porventura tiver algum dia havido qualquer laivo de esperança de o partido no controle da presidência fazer qualquer diferença a esse respeito, Obama já acabou com ele há muito tempo.

(*) Quarta Emenda à Constituição dos Estados Unidos: O direito do povo de estar seguro em suas pessoas, residências, documentos, e pertences, contra buscas e apreensões irrazoáveis, não será violado, e nenhum Mandado será emitido, a menos que com base em causa provável, apoiada por Juramento ou afirmação, e descrevendo circunstanciadamente o lugar objeto de busca, e as pessoas ou coisas a serem apreendidas.
Under market anarchy … Well, you get the idea.
Na anarquia de mercado … Bem, você entende a ideia.
Under either party, Julia will be a means to the ends of people utterly unaccountable to her, a tool for enriching a ruling class. Under anarchy, Julia will be an end in her own right, free to build any life she chooses in peaceful cooperation with her neighbors.
Seja qual for o partido no poder, Júlia será um meio para o atingimento dos fins de pessoas completamente isentas de prestar contas a ela, será uma ferramenta para enriquecer uma classe dominante. Na anarquia, Júlia será um fim em si própria, livre para construir qualquer vida que escolher em cooperação pacífica com seus vizinhos.
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É anarquista mutualista e individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política MutualistaTeoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade  e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

Wednesday, May 30, 2012

Americas South and North - Photographing the Families of Chile's Disappeared (and How You Can Help)

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PORTUGUÊS
Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Um Olhar Voltado para Questões da Terra do Fogo ao Ártico
Photographing the Families of Chile’s Disappeared (and How You Can Help)
Fotografias das Famílias dos Desaparecidos do Chile (e Como Você Pode Ajudar)
May 30, 2012
30 de maio de 2012
One of the most vile and insidious ways that Augusto Pinochet’s regime violated human rights was through the use of “disappearance” against people it labeled threats to the state and society. Between 1973 and 1990 (and especially in the first five years of the military dictatorship), the regime forcibly kidnapped and executed over 3,000 bodies, many of which remain unaccounted for even today. The use of these repressive measure meant that the families of thousands of people were left with the heart-breaking duty to try to find out the fates and final resting place of their loved ones, a quest that continues to this day, nearly forty years after the regime began the use of state-sanctioned torture and murder.
Um dos mais vis e insidiosos modos pelos quais o regime de Augusto Pinochet violou direitos humanos foi por meio do uso de “desaparecimento” de pessoas que rotulava de ameaças ao estado e à sociedade. Entre 1973 e 1990 (e especialmente nos cinco primeiros anos da ditadura militar) o regime sequestrou e executou mais de 3.000 pessoas, os corpos de muitas das quais de destino desconhecido até hoje. O uso dessa medida de repressão implicou em deixar as famílias de milhares de pessoas com o doloroso dever de tentar descobrir o que aconteceu com e o lugar onde repousam seus queridos, uma busca que continua até hoje, perto de quarenta anos depois de o regime ter começado o uso de tortura e assassínio sancionados pelo estado.
Since the late-1980s, photographer Paula Allen has documented the struggles of a group of women in the Atacama desert in northern Chile, where at least twenty-six men’s bodies were buried after the regime summarily murdered them. The women only found bone fragments of some of the bodies in the 1990s, but they continue to gather at Calama every year to clean up the memorials to their husbands and share the burdens that they, as the loved ones of the regime’s victims (and victims in their own right) share. Their search, grief, memorialization, and identity as survivors of the disappeared all get at the heart of the ways that the Pinochet regime still directly affects the lives of its victims, and Allen’s photography does an outstanding job of chronicling the women’s trials and determination even while capturing the other-wordly nature of the Atacama Desert, the “world’s driest place.”
Desde o final dos anos 1980 a fotógrafa Paula Allen vem documentando a luta de um grupo de mulheres do deserto de Atacama no norte do Chile, onde pelo menos vinte e seis corpos de homens foram enterrados depois de o regime tê-los matado sumariamente. As mulheres só descobriram fragmentos de ossos de alguns dos corpos nos anos 1990, mas continuam a reunir-se em Calama todo ano para limpar os memoriais dedicados a seus maridos e compartilhar os fardos que elas, como entes queridos das vítimas do regime (e vítimas também em si próprias) compartilham. A busca, o pesar, a memorialização e a identidade delas como sobreviventes dos desaparecidos vão, todos, ao cerne dos modos pelos quais o regime de Pinochet ainda diretamente afeta as vidas de suas vítimas, e a fotografia de Allen efetua destacada obra de registrar a crônica das provações e da determinação das mulheres captando, outrossim, a natureza extramundana do Deserto de Atacama, o “lugar mais seco do mundo.”
Allen is now trying to publish a book (through the University of Florida’s Press) that will include her photography as it attempts to chronicle the particular lives of a handful of the thousands of people who still suffer from the regime’s actions. However, publishing costs and the tenuous budgets for university presses have made the project difficult to fulfill. As a result, Allen has begun a Kickstarter project to get the work published, and she seeks to reach $10,000 by June 28. (And for those unfamiliar with Kickstarter, the premise simple: there are various donation “levels” that will result in donors getting different things; for example, should somebody donate $25, your name will be included in the acknowledgements of the book and Allen will give you a personal thank you note; for those who contribute $150, you can get an acknowledgement in the book, an autograhped copy of the book, and a 30-minute photography consultation with Allen; etc.) For anybody interested in Latin America, human rights, women’s rights, or just photography, I strongly encourage you to contribute, so that Allen’s work and, more importantly, the story of the women of Calama, can reach a truly global audience.
Allen está agora tentando publicar um livro (por meio da Publicadora da Universidade da Flórida) que incluirá sua fotografia em sua tentativa de registrar a crônica das vidas específicas de um punhado dentre os milhares de pessoas que ainda sofrem em decorrência das ações do regime. Entretanto, os custos de publicação e os rarefeitos recursos orçamentários das publicadoras universitárias têm tornado o projeto difícil de ser concretizado. Em decorrência, Allen começou um projeto Kickstarter para conseguir a publicação da obra, e procura levantar $10.000 dólares até 28 de junho. (E para aqueles não familiarizados com o Kickstarter, a premissa é simples: há vários “níveis” de doação que resultarão em os doadores ganharem coisas diferentes; por exemplo, se alguém doar $25 dólares, terá o nome incluído na lista de reconhecimentos do livro e Allen dará à pessoa uma nota pessoal de agradecimento; para aqueles que contribuírem com $150 dólares, a pessoa poderá constar na lista de reconhecimentos do livro, ganhar uma cópia autografada do livro, e uma consulta a respeito de fotografia de 30 minutos com Allen; etc.) Para qualquer pessoa interessada na América Latina, em direitos humanos, direitos das mulheres ou apenas fotografia, encorajo enfaticamente que contribua, a fim de que a obra de Allen e, mais importante, a história das mulheres de Calama possa atingir um público verdadeiramente global.
And if you’re still unpersuaded, I’ll leave you not with one last argument in favor of the project from me, but with one last argument in favor of the project from globally-renowned author (and cousin to Salvador Allende, who Pinochet overthrew) Isabel Allende:
E se você ainda não estiver persuadido, deixo para você um último argumento em favor do projeto não enunciado por mim, e sim pela mundialmente renomada autora (e prima de Salvador Allende, que Pinochet derrubou) Isabel Allende:
 ”In the hallucinatory photographs of Paula Allen, the lunar landscape of northern Chile’s desert stretches toward the horizon like a sea of grief. That arid land is the perfect metaphor for the unremitting pain of the women of the disappeared. Their suffering is that vast, that terrible. The tiny figures of the women with shovels in their hands, scouring that plain baked by a brutal climate, are in these photographs converted into eternal symbols.”
”Nas alucinantes fotografias de Paula Allen, a paisagem lunar do deserto do norte do Chile estende-se rumo ao horizonte como um mar de pesar. Essa terra árida é a metáfora perfeita para a dor incessante das mulheres dos desaparecidos. O sofrimento delas é igualmente vasto, igualmente terrível. Os minúsculos contornos das mulheres com pás nas mãos, brunindo a planície crestada pelo clima brutal, são, nessas fotografias, convertidos em símbolos eternos.”

Tuesday, May 29, 2012

Americas South and North - On the Shifting Relations between the US and Latin America (and US Commentators’ Contradictions)

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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Um Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico
On the Shifting Relations between the US and Latin America (and US Commentators’ Contradictions)
Da Mudança nas Relações entre os Estados Unidos e a América Latina (e das Contradições dos Comentadores dos Estados Unidos)
May 14, 2012
14 de maio de 2012
US journalists continue to demonstrate a remarkable inability to reconcile their appreciation of Latin America’s growth and stability with their own jingoistic vision of the United States’ role in the hemisphere. The latest victim is Andres Oppenheimer, who ponders who “lost” Latin America and describes said “loss” as a “tragedy” even while acknowledging that the US is now working with “equals” in the hemisphere. As Greg perfectly puts it:
Jornalistas dos Estados Unidos continuam a exibir notável incapacidade de conciliar sua visão positiva do crescimento e da estabilidade da América Latina com sua própria visão jingoísta do papel dos Estados Unidos no hemisfério. A vítima mais recente é Andres Oppenheimer, que pondera acerca de quem “perdeu” a América Latina e descreve dita “perda” como “tragédia” ao mesmo tempo em que reconhece os Estados Unidos estarem agora trabalhando com “iguais” no hemisfério. Como Greg expressa com perfeição:
Aha! The tragedy is more equality.
Ah! A tragédia é mais igualdade.
To put it succinctly: Yep.
Para dizer de modo conciso: É.
I don’t want to understate the role of historical processes like the failure of neoliberalism in the 1990s and Latin American electorates voting for a New Left that moved away from kowtowing to the US’s demands (or the IMF’s or World Bank’s) and instead fought for their own national interests as they perceived them.
Não desejo apoucar o papel de processos históricos como o fracasso do neoliberalismo nos anos 1990 e o voto dos eleitores latino-americanos numa Nova Esquerda que não acedeu às exigências dos Estados Unidos de que se curvasse a eles (ou ao FMI, ou ao Banco Mundial) e lutou, isso sim, por seus próprios interesses nacionais do modo como os percebia.
However, the US’s diversion with the “war on terror” in Afghanistan and Iraq in the 2000s provided the Latin American New Left some small measure to implement a variety of economic and social policies without heavy-handed interference from the US and its agents (like the IMF or World Bank). This freedom has led to unprecedented growth and development in the region, even if inequalities are still very real and serious. As I said at my old haunt, these changes have happened in no small part because, not in spite of, the US’s relative absence.  Claims that the US has “lost” the region or presumptions among politicians  that the US can still unilaterally dictate the conditions of US-Latin American relations only reveal the cognitive dissonance that still dominates many observers’ and politicians’ understanding of Inter-American relations in the twenty-first century.
Contudo, a dispersão de atenção dos Estados Unidos, ao se voltarem para a “guerra ao terror” no Afeganistão e no Iraque nos anos 2000, deu à Nova Esquerda da América Latina pequeno espaço para implementar diversas políticas econômicas e sociais sem interferência com mão forte dos Estados Unidos e seus agentes (tais como FMI ou Banco Mundial). Essa liberdade levou a crescimento sem precedentes na região, embora as desigualdades ainda sejam muito reais e sérias. Como eu disse no lugar que sempre frequento, essas mudanças aconteceram, em não pequena parte, por causa, não a despeito da, ausência relativa dos Estados Unido. Alegações de que os Estados Unidos “perderam” a região ou presunções, entre os políticos, de que os Estados Unidos podem unilateralmente ditar as condições das relações Estados Unidos - América Latina só revelam a dissonância cognitiva que ainda domina o entendimento de muitos observadores e políticos acerca das relações interamericanas no século vinte e um.



Sunday, May 27, 2012

C4SS - The Government Lying to Us - What Else is New?

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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
The Government Lying to Us — What Else is New?
O Governo Mentindo para Nós — O Que Mais há de Novo?
Posted by Kevin Carson on May 22, 2012 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 22 de maio de 2012 em Commentary
A Twitter friend of mine recently recounted a conversation with another friend — not a self-described anarchist — who spontaneously concluded that voting was useless. “I think it’s insane to think that people who are in the kind of power that only government and capitalism provide would willingly allow their stability to be up to CHANCE.”
Amizade do Twitter descreveu, recentemente, conversa com outra amizade — não anarquista confessa — que concluiu, espontaneamente, ser o voto algo inútil. “Creio que é insanidade achar que pessoas que desfrutam desse poder que o governo e o capitalismo oferecem desejem de moto próprio que sua estabilidade dependa do ACASO.”
Exactly! You might be forgiven for thinking “the enemy” our ruling circles always talk about is somebody with a strange language and religion on the other side of the world. But in fact “the enemy,” for the ruling class, is anyone capable of disrupting its goals or undermining its power — including us. The American people are potentially a far greater threat to their power than any foreign government.
Exatamente! Você pode ser desculpado por acreditar que “o inimigo” do qual sempre falam nossos círculos dirigentes é alguém que fala uma língua estranha e tem uma estranha religião, vivendo no outro lado do mundo. Na verdade, porém, “o inimigo,” para a classe dirigente, é qualquer um capaz de atrapalhar seus objetivos e debilitar seu poder — inclusive nós. O povo estadunidense é ameaça muito maior ao poder dela do que qualquer potência estrangeira.
Australian scholar Alex Carey argued, in a book of that title, that the purpose of the corporate-state propaganda machine was “Taking the Risk Out of Democracy.” The modern institutions of concentrated corporate power and universal suffrage democracy, he said, both date from the late 19th century. This meant the most concentrated system of economic power in history faced an unprecedented danger of disruption from the caprice of a majority.
O acadêmico australiano Alex Carey argumenta, em livro com o título a seguir, que o objetivo da máquina de propaganda corporativa-estatal é “Extirpar, da Democracia, o Risco.” As modernas instituições de poder corporativo concentrado e a democracia de sufrágio universal, diz ele, datam, ambas, do século 19. Isso significa que o sistema de poder econômico mais concentrado da história enfrentou perigo sem precedentes de subversão tendo como causa a vontade cambiante de uma maioria.
That power structure wasn’t willing to leave its power to chance. Alongside corporate power and mass democracy, a third modern phenomenon arose in the early years of the 20th century: Propaganda as the science of “engineering consent.” People like Edward Bernays in the US, and their counterparts in Britain, oversaw Anglo-American propaganda efforts during WWI (remember those bayoneted babies in Belgium?). Afterward, Bernays went on to found the modern discipline of public relations.
Tal estrutura de poder não estava a fim de deixar seu poder sujeito ao acaso. Juntamente com o poder corporativo e a democracia de massa, surgiu, nos primeiros anos do século 20, um terceiro fenômeno moderno: A propaganda como ciência de “engendrar consentimento.” Pessoas como Edward Bernays nos Estados Unidos, e suas contrapartes na Grã-Bretanha, supervisaram os esforços angloestadunidenses de propaganda durante a Primeira Guerra Mundial (lembram-se daqueles bebês baionetados na Bélgica?). Posteriormente, Bernays veio a fundar a moderna disciplina de relações públicas.
The corporate economy, with its monstrous concentration of political and economic power, was no spontaneous or inevitable outgrowth of modern technology. It resulted from massive top-down social engineering by the state. But a system of power can only survive if it’s seen as natural and inevitable by the ruled.
A economia corporativa, com sua monstruosa concentração de poder político e econômico, não foi decorrência espontânea ou inevitável da tecnologia moderna. Resultou de maciço engendramento social de cima para baixo efetuado pelo estado. Um sistema de poder, porém, só pode sobreviver se for visto como natural e inevitável pelos governados.
So since the beginnings of mass democracy, there have been carefully orchestrated efforts to ensure that, by the time the public plays out the ritual of its “sovereign” power in electoral politics, most everything of importance has already been decided. In 1991, for example, by the time Operation Desert Storm began, the prior deployment of troops under Bush’s claimed authority as “Commander-in-Chief,” combined with a relentless barrage of propaganda about Kuwaiti “incubator babies,” guaranteed the actual launch of the war as a given.
Assim, pois, desde o começo da democracia de massa têm sido desenvolvidos esforços cuidadosamente orquestrados para assegurar que, ao o povo exercer o ritual de seu poder “soberano” em política eleitoral, a maioria das coisas de importância já tenham sido decididas. Em 1991, por exemplo, quando começou a Operação Tempestade do Deserto, o espraiamento prévio de tropas com base na alegada autoridade de “Comandante-em-Chefe” de Bush, conjugadamente a incessante barragem de propaganda acerca dos “bebês de incubadora” cueitianos, assegurou a deflagração real da guerra como um dado.
You may be tempted to think that’s mainly a practice of the Bad Old Republicans, that Democrats and Progressives are “different.” You may believe, with Thomas Frank, that the unsavory aspects of government under Republican control are an aberration, and that “the government” normally — in Soccer Mom parlance — “is just us.”
Você poderá ser tentado a achar que se trata principalmente de prática dos Velhos Republicanos Malvados, que os Democratas e Progressistas são “diferentes.” Você poderá acreditar, com Thomas Frank, que os aspectos repulsivos do governo quando sob controle Republicano são uma aberração, e que “o governo,” normalmente — no palavreado típico da mãe suburbana — “somos nós.”
Not quite. Back in 2004, Clinton National Security Adviser Sandy Berger said of the growing unpopularity of Bush’s war in Iraq: “We have too much at stake in Iraq to lose the American people.” If the allegedly sovereign American people are not “us” — if the corporate-state nexus constitutes a separate “us” — well, that really says it all.
Não é bem assim. Em 2004, o Assessor de Segurança Nacional de Clinton, Sandy Berger, disse da crescente impopularidade da guerra de Bush no Iraque: “Temos coisas demais em jogo no Iraque para perder o povo estadunidense.” Se o alegadamente soberano povo estadunidense não é “nós” — se o nexo corporação-estado constitui um “nós” separado — bem, isso realmente diz tudo.
But what about Saint Barack? Obama, who last year greenlighted Bahrain’s crackdown on its own pro-democracy movement while simultaneously grandstanding over Libya’s Gaddafi, has actively supported the regime’s detention of Yemeni journalist Abdulelah Haider Shaye for the “crime” of photographing crashed drones stamped “Made in USA” — thereby revealing American complicity in extra-legal, unaccountable assassinations by remote control and the hundreds of innocent civilians murdered in the process.
E quanto, contudo, ao Santo Barack? Obama, que no ano passado deu luz verde para a repressão, no Bahrain, do movimento pró-democracia daquele país simultaneamente com seu espetáculo grandioso de derrubada de Gaddafi na Líbia, tem apoiado ativamente a detenção, pelo regime, do jornalista iemenita Abdulelah Haider Shaye pelo “crime” de fotografar aviões não pilotados caídos com a estampa “Fabricado nos Estados Unidos” — assim revelando cumplicidade estadunidense em assassínios extralegais e sem responsabilização, por controle remoto, e nas centenas de civis inocentes assassinados nesse processo.
You might think, after all this, that explicitly legalizing the use of propaganda to manipulate the domestic public would be redundant. After all, as Noam Chomsky and Edward Herman pointed out, the American mass media adhere for the most part to a state propaganda model of reporting foreign news (did you get even the slightest whiff, from news coverage in August 2008, that Georgia might have done something to provoke “Russian aggression?”).
Você poderá pensar, depois disso tudo, que legalizar explicitamente o uso de propaganda para manipular o público doméstico seria redundante. Afinal, como Noam Chomsky e Edward Herman destacaram, a mídia de massa estadunidense adere, em sua maioria, ao modelo de propaganda estatal de veiculação de notícias externas (vocês, a partir da cobertura noticiosa de agosto de 2008, conseguiram farejar o menor sinal de a Geórgia poder ter feito alguma coisa para provocar a “agressão russa?”).
Nevertheless, they’re doing it. A bipartisan amendment proposed by Mac Thornberry and Adam Smith would repeal the Smith-Mundt Act of 1947, which prohibits State Department and Pentagon propaganda services from disseminating messages for domestic consumption. Thornberry complains that existing law “ties the hands of America’s diplomatic officials, military, and others by inhibiting our ability to effectively communicate in a credible way.” What sort of “credible ways” does he have in mind? They include US government sock puppets participating in online social media discussions, under false pretenses, to prop up support for failed US foreign and security policies.
Contudo, estão fazendo isso. Uma emenda bipartidária proposta por Mac Thornberry e Adam Smith revogaria a  Lei Smith-Mundt de 1947, que proíbe que serviços de propaganda do Departamento de Estado e do Pentágno disseminem mensagens para consumo doméstico. Thornberry reclama que a lei existente “ata as mãos de autoridades estadunidenses diplomáticas, militares e outras, ao inibir nossa capacidade de comunicar-nos eficazmente de modos dignos de crédito.” Que tipos de “modos dignos de crédito” tem ele em mente? Eles incluem títeres do governo dos Estados Unidos participando em discussões da mídia online, sob falsos pretextos, para obter apoio para políticas fracassadas externas e de segurança dos Estados Unidos.
What new levels of crudeness and mendacity can we expect from state propaganda, once it’s explicitly authorized in law? Your safest strategy, as before, is to continue assuming everything you hear from the state is either a misleading partial truth or an outright lie. You can’t go far wrong that way.
Que novos níveis de crueza e mendacidade podemos esperar da propaganda do estado, uma vez explicitamente autorizada em lei? A estratégia mais segura, como desde antes, é continuar assumindo que tudo o que ouvimos do estado é ou verdade parcial desinformadora ou mentira deslavada. Desse modo nunca poderemos estar muito errados.
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Kevin Carson, The Government Lying to Us — What Else is New?, Infowars, 05/22/12
Kevin Carson, The Government Lying to Us — What Else is New?, Infowars, 22/05/2012
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É anarquista mutualista e individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa:  Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.