Sunday, October 30, 2011

C4SS - Move Over, Lawrence O'Donnell

ENGLISH
PORTUGUÊS
C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS – CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
Move Over, Lawrence O’Donnell
Caia Fora, Lawrence O’Donnell
Posted by Kevin Carson on Sep 10, 2011 in Feature Articles
Afixado por Kevin Carson em 10 de setembro de 2011 em Artigos em Destaque
Michael Lind, at Salon (“Why libertarians apologize for autocracy,” Aug. 30,) charges libertarians with an affinity for authoritarian regimes when it comes to implementing “free market reform.”
Michael Lind, em Salon (“Por que os libertários se desculpam pela autocracia,” 30 de agosto,) acusa os libertários de afinidade com regimes autoritários quando se trate de implementar “reforma de livre mercado.”
Of course he produces the obligatory quote from Mises on Mussolini having “saved European civilization,” along with the standard anecdotes of Hayek’s Chicago Boys and Pinochet.  He makes much, in particular, of Pinochet’s Secretary of Labor and Social Security — now a Cato fellow — Jose Piñera, who privatized the state pension system and “designed the labor laws that introduced flexibility to the Chilean labor market…”
Obviamente ele faz a citação obrigatória de Mises a respeito de Mussolini ter “salvo a civilização europeia,” juntamente com as historietas padrão dos Rapazes de Chicago de Hayek e de Pinochet. Enfatiza, em especial, o Secretário do Trabalho e Previdência Social de Pinochet  — agora associado do Cato — Jose Piñera, que privatizou o sistema de aposentadoria do estado e “delineou as leis do trabalho que trouxeram flexibilidade ao mercado de trabalho chileno…”
I won’t even get into the question of Hayek’s complicity in specific policies, because that’s a topic for an entire monograph. Suffice it to say I’m skeptical of the extent to which he can be blamed for endorsing any particular measures.
Nem tratarei da questão da cumplicidade de Hayek em políticas específicas, porque esse é tópico para uma monografia inteira. Basta dizer que sou cético acerca da extensão na qual ele possa ser responsabilizado por endossar quaisquer medidas específicas.
More important is that Pinochet’s so-called “free market reforms” mostly fail a libertarian smell test, and bear little resemblance to anything like genuine free market reform.  There are plenty of us left-wing free market libertarians, at Center for a Stateless Society and Alliance of the Libertarian Left, who have nothing but outrage and contempt for Pinochet.
Mais importante é que as assim chamadas “reformas de livre mercado” de Pinochet em sua maioria não conseguem passar por um teste de cheiro(*) libertário, e guardam pouca semelhança com qualquer coisa tal como genuína reforma de livre mercado. Há bastantes de nós libertários de esquerda de livre mercado, no Centro por uma Sociedade sem Estado e na Aliança da Esquerda Libertária, que só sentimos indignação e desprezo por Pinochet.

(*) Teste de vazamento num cano de escoamento; é introduzido no cano material com forte cheiro e os vazamentos são detectados mediante rastreamento do cheiro até sua origem. Ver http://www.answers.com/topic/smell-test
Some right-wing “libertarians,” who care more about defending the interests of big business than about genuine free market principles as such, are fond of saying that Pinochet was “economically libertarian but politically authoritarian.” Balderdash!
Alguns “libertários” de direita, que mais cuidam de defender os interesses das grandes empresas do que princípios de livre mercado enquanto tais, gostam de dizer que Pinochet era “economicamente libertário mas politicamente autoritário.” Bobagem!
Pinochet’s economic policies were more state capitalist than libertarian.
As políticas econômicas de Pinochet foram mais capitalistas de estado do que libertárias.
I don’t doubt a bit that Pinochet’s new labor laws “introduced flexibility to the Chilean labor market.” All that hanging from hooks, and assorted other stress holds, would surely limber those uppity workers up just as supple as anyone could please.  Lest we forget, even the most orthodox of marginalist economists consider labor to be a coequal “factor of production.”  In Chile, owners of that particular “factor of production” who attempted to organize and negotiate a better rate for their services frequently found themselves lying in ditches with their faces hacked off.   Factory managers escorted members of the secret police onto the shop floor to point out the labor organizers and agitators, to be subsequently “disappeared,” tortured and murdered — their bellies, as Lind points out, slit open before they were dumped into the ocean from helicopters.  You think if a left-wing dictator had taken similar measures against the owners of capital, in order to reduce their bargaining power, it would be described as “politically authoritarian but economically libertarian”?
Não duvido nem um pouco de que as novas leis do trabalho de Pinochet “trouxeram flexibilidade ao mercado de trabalho chileno.” Todo aquele pessoal pendurado em ganchos, e diversas outras formas de imposição de desconforto, seguramente tornariam aqueles trabalhadores arrogantes tão dóceis quanto alguém pudesse desejar. É bom não esquecer, até o mais ortodoxo dos economistas marginalistas considera o trabalho como “fator de produção” em nível de igualdade. No Chile, os donos desse “fator de produção” específico que tentaram organizar-se e negociar melhor índice para seus serviços frequentemente vieram parar em fossos com a cara retalhada. Gerentes de fábricas conduziam membros da polícia até o chão de fábrica para apontar para organizadores do trabalho e agitadores, para eles serem subsequentemente “desaparecidos,” torturados e assassinados — com as barrigas, como Lind destaca, rasgadas abertas antes de eles serem lançados ao oceano a partir de helicópteros. Acham vocês que se um ditador de esquerda tivesse tomado medidas semelhantes contra os donos do capital, para reduzir-lhes o poder de barganha, isso seria descrito como “politicamente autoritário mas economicamente libertário”?
Genuine libertarians oppose the grant of artificial titles to vacant and unimproved land, by which the landed aristocracy is able to hold the land out of use or charge tribute to those who would homestead and cultivate it.  By this libertarian standard, the whole quasi-feudal hacienda system that prevails in Latin America is utterly illegitimate.  Up to eighty percent of the land on a hacienda is undeveloped, while neighboring land-poor peasants work as agricultural laborers on the landlord’s property — land which their ancestors probably broke for cultivation.  By any legitimate principle of free market libertarianism, this land would belong to the peasants.  Pinochet’s partial reversal of Allende’s land reform was just as much an act of theft, by libertarian standards, as the Enclosures in England or forced collectivization in the USSR.
Libertários genuínos opõem-se à concessão de títulos artificiais de terra não ocupada e não melhorada, por meio dos quais a aristocracia rural consegue manter a propriedade de terra sem uso ou cobrar tributo daqueles que nela se instalem ou a cultivem. Segundo esse padrão libertário, todo o sistema quase-feudal de hacienda que prevalece na América Latina é completamente ilegítimo. Até oitenta por cento da terra de uma hacienda são não desenvolvidos, enquanto pobres camponeses vizinhos trabalham como trabalhadores agrícolas na propriedade do dono — terra que seus ancestrais provavelmente partilhavam para cultivo. Por qualquer princípio legítimo de libertarismo de livre mercado, essa terra pertenceria aos camponeses. A revogação parcial da reforma agrária de Allende por Pinochet foi furto, pelos padrões libertários, tanto quanto os Cercados [Enclosures] na Inglaterra ou a coletivização forçada na URSS.
Pinochet’s “privatization” program, like most other examples of such policies carried out around the world under the Washington Consensus, was really corporate looting.  The typical “privatization” cycle is this:  World Bank technocrats, in collusion with their native counterparts in the state bureaucracy, persuade a regime that’s utterly unaccountable to its people to go deep into hock to fund public infrastructure — mostly the utilities and road infrastructure to subsidize foreign capital investment and make it more profitable.  Once the regime is in debt, the World Bank and IMF act like a “company store” to extort desired behaviors from the regime.  Besides ratifying “intellectual property” protectionism, such measures usually entail “structural adjustment” policies like “privatizing” the infrastructure, often selling it to the same global investors it was built to subsidize in the first place, at fire sale prices.  The sale is often preceded by enormous amounts of government spending to make the assets sufficiently attractive to be salable.  The new owners’ first order of business, of course, is stripping assets and selling them off, usually realizing far more than the purchase price.  And the newly privatized state services continue to function within a web of state-enforced corporatist protections so the “private” state services don’t have to compete in a free market.
O programa de “privatização” de Pinochet, como a maioria dos outros exemplos de tais políticas implementados em todo o mundo sob o Consenso de Washington, foi na realidade pilhagem corporativa. O ciclo típico de “privatização” é o seguinte: tecnocratas do Banco Mundial, em conluio com seus similares nativos na burocracia do estado, persuadem um regime completamente acima de qualquer prestação de contas a seu povo a ir fundo no endividamente para financiar infraestrutura pública — principalmente serviços públicos e infraestrutura rodoviária, para subsidiar investimento de capital estrangeiro e torná-lo mais lucrativo. Uma vez o regime tornado devedor, o Banco Mundial e o FMI agem como uma “loja da empresa(*)” para extorquir comportamentos desejados do regime. Além de ratificarem o protecionismo da “propriedade intelectual,” tais medidas usualmente implicam em políticas de “ajuste estrutural” tais como “privatização” da infraestrutura, amiúde com venda dela, para começo de conversa aos mesmos investidores globais para subsídio aos quais ela havia sido construída, a preços de liquidação para fechamento da loja. A venda é amiúde precedida de enorme montante de gastos do governo para tornar os ativos atraentes o suficiente para ser vendidos. A primeira ordem do dia do novo proprietário, naturalmente, é vender os ativos individualmente, ganhando geralmente muito mais do que o preço de compra. E os recentemente privatizados serviços do estado continuam a funcionar dentro de uma teia de proteções corporatistas feitas cumprir pelo estado, de tal maneira que os serviços estatais “privados” não tenham de competir num livre mercado.

(*) Parte do chamado truck system, no qual os trabalhadores eram pagos em mercadorias ou em alguma moeda interna à empresa, sendo assim forçados a fazer suas compras na loja da empresa, onde os preços eram mantidos artificialmente altos. Ver http://en.wikipedia.org/wiki/Truck_system
Most “Free Trade Agreements” are really corporate protectionist measures that have about as much to do with free trade as the Ministry of Truth had to do with truth.  The same is true of the extent to which most “free market reform” has anything to do with free market reform.
A maioria dos “Acordos de Livre Comércio” são em realidade medidas protecionistas corporativas que têm tanto a ver com livre comércio quanto o Ministério da Verdade tinha a ver com a verdade. O mesmo pode ser dito da extensão na qual a maior parte das “reformas de livre mercado” têm que ver com reforma de livre mercado.
Lind’s critique takes on an extra layer of irony when we consider the role of FDR and Truman in creating the postwar global American Empire, and the role of Cold War liberals in installing reactionary dictators when “communists” like Arbenz menaced the moral sanctity of United Fruit’s bananas.  Sukarno and Diem were overthrown as part of Saint Kennedy’s “bear any burden, pay any price” policy of counterinsurgency, and it was carried out by idealistic liberals from Harvard and Georgetown.
A crítica de Lind incorre em dose extra de ironia quando consideramos o papel de Franklin Delano Roosevelt e Truman na criação do Império Estadunidense global pós-guerra, e o papel dos liberais da Guerra Fria na elevação ao poder de ditadores reacionários quando “comunistas” como Arbenz ameaçaram a santidade moral das bananas da United Fruit. Sukarno e Diem foram derrubados como parte da política de contrainsurgência de “arcar com qualquer ônus, pagar qualquer preço” de Santo Kennedy, a qual foi levada a efeito por liberais idealistas de Harvard e Georgetown.
Boris Yeltsin’s kleptocrats carried out policies in Russia that were quite similar to Pinochet’s “free market reform” in Chile.  And Jeffrey Sachs — you know, the same progressive fellow who hangs with Bono and Warren Buffet these days — was at least as culpable in the process as Friedman ever was.
Os cleptocratas de Boris Yeltsin levaram a efeito, na Rússia, políticas muito similares às da “reforma de livre mercado” de Pinochet no Chile. E Jeffrey Sachs — vocês sabem, o mesmo sujeito progressista que confraterniza hoje em dia com Bono e Warren Buffet — foi pelo menos tão merecedor de reprovação no processo quanto Friedman jamais foi.
Lind quotes at length from an 1857 de Macaulay:
Lind cita extensamente de uma carta de 1857 de Macaulay:
It is quite plain that your Government will never be able to restrain a distressed and discontented majority. For with you the majority is the Government, and has the rich, who are always a minority, absolutely at its mercy. The day will come when, in the State of New-York, a multitude of people, none of whom has had more than half a breakfast, or expects to have more than half a dinner, will choose a Legislature. Is it possible to doubt what sort of Legislature will be chosen? On one side is a statesman preaching patience, respect for vested rights, strict observance of public faith. On the other is a demagogue ranting about the tyranny of capitalists and usurers, and asking why anybody should be permitted to drink champagne and to ride in a carriage, while thousands of honest folks are in want of necessaries. Which of the two candidates is likely to be preferred by a working man who hears his children cry for more bread?
Está bastante claro que o Governo de vocês nunca conseguirá conter uma maioria desiludida e descontente. Pois com vocês a maioria está o Governo, que tem os ricos, que são sempre minoria, absolutamente à sua mercê. Dia virá quando, no Estado de New-York, uma multidão de pessoas, nenhuma das quais terá comido mais do que meio café da manhã, nem terá esperança de ter algum dia mais de meio jantar, escolherá um Legislativo. Será possível ter dúvida quanto ao tipo de Legislativo que será escolhido? De um lado haverá um estadista pregando paciência, respeito pelos direitos adquirdos, estrito respeito à confiança do público. Do outro lado estará um demagogo verberando contra a tirania dos capitalistas e usurários, e perguntando por que se deveria permitir a alguém beber champagne e andar de carruagem enquanto milhares de pessoas honestas não têm o necessário básico. Qual dos dois candidatos será provavelmente preferido por um trabalhador que ouve seus filhos chorarem pedindo mais pão?
Lind’s problem is that he has a mirror-image view to that of all the “autocracy sympathizers” he criticizes:  the state’s “progressive” interventions result from the power of the majority over the minority.  He ignores the possibility that the reason all those people had only half a breakfast was that the state was actively intervening to promote the interests of the minority against those of the majority, and that there wasn’t much libertarian about Macaulay’s “vested rights.”
O problema de Lind é ele ter uma visão de imagem no espelho de todos os “simpatizantes da autocracia” que critica: as intervenções “progressistas” do estado resultam do poder da maioria sobre a minoria. Ele ignora a possibilidade de o motivo pelo qual todas essas pessoas tinham apenas meio café da manhã era o estado estar intervindo ativamente para promover os interesses da minoria contra os da maioria, e não haver muito de libertário nos “direitos adquiridos” de Macaulay.
The class polarization in Macaulay’s England was the culmination of a series of events that included both the Tudor and Parliamentary Enclosures, the nullification of copyhold, the Combination Act, and the Laws of Settlement.  In England, as J.L. and Barbara Hammond put it, the government took the society apart and put it back together much as a foreign occupier would do with a conquered country.  The industrial revolution as it actually took place was a coup d’etat by the state against society, by which the majority of the laboring population was robbed of its property in the land, forcibly turned into a propertyless proletariat, restricted from free association, and constrained in its movements by an internal passport system.  The main function of the state, on other words, was to enable a privileged class to live off the rents of artificial property rights and artificial scarcity.
A polarização de classes na Inglaterra de Macaulay foi a culminância de uma série de eventos que incluíram os Cercados dos Tudor e do Parlamento, a nulificação da posse por enfiteuse, a Lei Antissindicatos/Antinegociações Trabalhistas e as Leis do Assentamento. Na Inglaterra, nas palavras de J.L. e Barbara Hammond, o governo desmontou a sociedade e a montou de novo de modo muito parecido com aquele pelo qual um ocupador estrangeiro a montaria num país conquistado. A revolução industrial, do modo como aconteceu, foi um golpe de estado contra a sociedade, por meio do qual a maioria da população trabalhadora teve roubada sua propriedade da terra, foi transformada pela força num proletariado sem propriedades, restringida quanto à livre associação e constrangida em seus movimentos por um sistema de passaporte interno. A principal função do estado, em outras palavras, era capacitar uma classe privilegiada a viver dos rendimentos de direitos artificiais de propriedade e de escassez artificial.
Although right-wingers like to present the issue as one of preventing the state from redistributing wealth downward, the real issue is one of stopping the state from redistributing wealth upward.
Embora os direitistas gostem de apresentar a questão como dizendo respeito a impedimento de o estado redistribuir a riqueza para baixo, a real questão diz respeito a conter a redistribuição da riqueza para cima pelo estado.
Like the supposed friends of autocracy Lind criticizes, Lind himself seems to believe that an ostensible “representative democracy” can function as a genuinely popular government, and present a real threat to entrenched privilege.  A century of what Noam Chomsky calls “formal democracy” or “spectator democracy,” however, has shown experiments in representative government to be governed by Robert Michels’ Iron Law of Oligarchy:  “It is organization which gives birth to the domination of the elected over the electors, of the mandatories over the mandators, of the delegates over the delegators.”
Como os pretensos amigos da autocracia que Lind critica, o próprio Lind parece acreditar que uma aparente “democracia representativa” possa funcionar como governo genuinamente popular, e represente ameaça real ao privilégio arraigado. Um século do que Noam Chomsky chama de “democracia formal” ou “democracia de espectador,” contudo, já mostrou os experimentos em governo representativo serem governados pela Lei Férrea da Oligarquia de Robert Michels:  “É organização que dá origem ao domínio dos eleitos sobre os eleitores, dos mandatários sobre os mandantes, dos delegados sobre os delegantes.”
The anarchist P. J. Proudhon compared representative democracy to constitutional monarchy:  “Instead of saying, as did M. Thiers, the King reigns and does not govern, democracy says, the People reigns and does not govern, which is to deny the Revolution…”
O anarquista P. J. Proudhon comparou a democracia representativa com a monarquia constitucional: “Em vez de dizer, como o fez M. Thiers, o Rei reina e não governa, a democracia diz o Povo reina e não governa, o que é negar a Revolução…”
The so-called “progressive” policies of the 20th century welfare-regulatory state, on closer scrutiny, turn out to be measures adopted by the state as “executive committee of the (corporate) ruling class.”  Their primary purpose was to stabilize the corporate economy and guarantee a predictable rate of profit by restricting competition, guaranteeing sufficient aggregate demand to fully utilize industrial capacity, and prevent politically destabilizing levels of destitution.  As shown by Gabriel Kolko in The Triumph of Conservatism, the primary actors behind the Progressive Era regulatory regime was the regulated industries, which sought to cartelize their respective markets through the state.  G. William Domhoff has demonstrated, in a series of heavily documented policy studies, that FDR’s New Deal economic policies reflected the interests of one wing of organized capital.  Whatever incidental benefits these policies carried for the average person, they were not primarily the result of democratic pressure from below but a side-effect of the corporate ruling class promoting its own self-interest.
As assim chamadas políticas “progressistas” do estado assistencialista-regulamentador do século 20, quando examinadas mais de perto, revelam-se ser medidas adotadas pelo estado como “comissão executiva da classe dominante (corporativa).” Sua finalidade precípua foi a de estabilizar a economia corporativa e garantir taxa previsível de lucro mediante restrição à competição, garantindo demanda agregada suficiente para utilização plena da capacidade industrial, e para impedir níveis desestabilizadores de destituição. Como mostrado por Gabriel Kolko em O Triunfo do Conservadorismo, os atores principais por trás do regime regulamentador da Era Progressista eram as indústrias regulamentadas, que buscavam cartelizar seus respectivos mercados por meio do estado. G. William Domhoff já mostrou, numa série de estudos de política maciçamente documentados, que as políticas econômicas do Novo Pacto de Franklin Delano Roosevelt refletiam os interesses de apenas uma ala do capital organizado. Quaisquer benefícios incidentais que essas políticas tenham acarretado para a pessoa média não foram precipuamente resultado de pressão democrática vinda de baixo, e sim um efeito secundário da promoção, pela classe dominante corporativa, de seu interesse próprio.
In other words, the political impetus behind the Food Stamps program had a lot more to do with the agribusiness interests in Bob Dole’s constituency than with the immensely powerful voting bloc of unemployed single mothers.
Em outras palavars, o estímulo político por trás do programa de Vales Alimentação teve muito mais a ver com os interesses do agronegócio do eleitorado de Bob Dole do que com o imensamente poderoso bloco votante das mães solteiras desempregadas.
Roderick Long, in a post at Bleeding Heart Libertarians (“Libertarians In Jackboots?August 30), challenges the “generous assumption”
Roderick Long, numa postagem de Libertários de Coração Dilacerado (“Libertários Calçando Botas de Cano Alto?” 30 de agosto), questiona a “generosa assunção”
that existing democracies really are majoritarian. As many libertarians have argued, the logic of monopoly government and special-interest capture explains why real-life “democracies” tend to be plutocratic oligarchies in democratic trappings.
de que as democracias existentes sejam realmente majoritárias. Como muitos libertários já argumentaram, a lógica do governo monopolista e da captura dos interesses especiais explica por que as “democracias” da vida real tendem a ser oligarquias plutocráticas com aspecto exterior democrático.
On top of everything else, Lind repeats Lawrence O’Donnel’s howler about libertarians’ alleged silence about “abuses by police and the military.”  He’s seriously never heard of Radley Balko? Liberals at The Nation have actually treated libertarian criticism of the TSA’s “papers, please” regime as a disingenuous right-wing conspiracy to discredit government.   If Lind is honestly unaware of just how prevalent libertarian critiques of the police state and national security state really are, it probably says something about the value of his opinion.
Por cima de tudo Lind repete a tolice de Lawrence O’Donnell acerca do alegado silêncio dos libertários acerca de “abusos da política e da instituição militar.” Ele seriamente nunca ouviu falar de Radley Balko? Liberais do The Nation em verdade têm tratado as críticas libertárias acerca do regime da Administração da Segurança do Transporte - TSA de “seus documentos, por favor” como conspiração insincera da direita para desacreditar o governo. Se Lind honestamente não está ciente de o quanto são realmente disseminadas as críticas dos libertários ao estado policial e ao estado de segurança nacional, isso provavelmente diz algo acerca do valor da opinião dele.
Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

Friday, October 28, 2011

C4SS - Jesus Christ, Pirate

http://c4ss.org/content/8238 http://c4ss.org/content/8238
ENGLISH PORTUGUÊS
C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY C4SS - CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building awareness of the market anarchist alternative no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
FEATURE ARTICLES ARTIGOS EM DESTAQUE
Jesus Christ, Pirate Jesus Cristo, Pirata
Posted by Kevin Carson on Sep 6, 2011 in Commentary Afixado por Kevin Carson em 6 de setembro de 2011 em Comentário
After reportedly feeding a crowd of five thousand with five loaves and two fishes, Jesus Christ of Nazareth was recently served with formal legal notice from industry trade associations, demanding that he cease and desist from what they charge is an illegal food-sharing operation under the terms of the Miracle Millennium Anti-Replication Act (MMAA). Depois de, conforme se conta, ter alimentado uma multidão de cinco mil pessoas com cinco pães e dois peixes, Jesus Cristo de Nazaré foi recentemente formalmente notificado pelas associações comerciais do ramo, as quais exigem que ele cesse e desista do que elas acusam ser operação ilegal de compartilhamento de alimentos nos termos da Lei Anti-Réplica do Milênio do Milagre (MMAA).
Miracle-working rabbis like Mr. Christ, and their alleged property rights infringements, have been the center of controversy in recent years.  They’re the subject of a public education campaign by the Foodstuffs Producers Association of Galilee and Judea.  Loaves and fishes producers argue that unauthorized replication of food, since it deprives them of revenues to which they are entitled, amounts to stealing. Sympathetic rabbis in synagogues throughout Palestine are reading FPAGJ public service announcements, aimed at countering public perceptions that “everybody does it” and “it’s just a little thing,” to their flocks:  “Don’t bakers and fishermen deserve to be paid?”  Many Torah schools have adopted FPAGJ “anti-foodlifting” curricula. Rabis fazedores de milagres como o Sr. Cristo, e suas alegadas infringências dos direitos de propriedade, têm sido centro de controvérsia em anos recentes. São objeto de campanha de educação do público pela Associação dos Produtores de Alimentos de Galileia e Judeia. Os produtores de pães e peixes argumentam que reprodução não autorizada de alimentos, visto privarem-nos de receita à qual têm direito, equivalem a furto. Rabis solidários, em sinagogas Palestina a fora, estão lendo anúncios do serviço público FPAGJ, visantes a contraporem-se a percepções do público de que “todo mundo faz” e “é coisa de somenos importância,” a seus rebanhos:  “Padeiros e pescadores não merecem ser pagos?”  Muitas escolas de Torá adotaram os cursos FPAGJ “contra o furto de comida.”
In related news, the Wine Industry Association of Palestine has complained amid surfacing reports that Jesus, in another alleged act of illegal sharing, also replicated wine at a wedding feast in Cana of Galilee. Em notícias relacionadas, a Associação da Indústria do Vinho da Palestina vem reclamando, em meio a notícias que vêm à tona, que Jesus, em outro ato alegadamente de compartilhamento ilegal, também reproduziu vinho numa festa de casamento em Caná da Galileia.
Physicians’ licensing boards, likewise, point to alleged eyewitness accounts of Jesus practicing medicine without a license.  This unauthorized medical practice, according to widespread reports, has extended to lepers, the lame, the halt, the blind, a man with a palsied hand, a woman with an issue of blood, and assorted victims of demonic possession.  The medical industry denounces Jesus’ actions as unfair competition.  According to a spokesman for the Galilean Medical Association, “it’s unfair to expect a licensed physician who spent years as an apprentice and who has to cover the overhead from office space to compete with some carpenter who just waves his hands around and heals people for free.” Juntas de licenciamento de médicos, analogamente, destacam alegadas descrições de testemunhas oculares segundo as quais Jesus andaria praticando medicina sem licença. Essa prática médica não autorizada, de acordo com disseminadas notícias, estendeu-se para alcançar leprosos, aleijados, mancos, cegos, um homem com a mão paralisada, uma mulher com fluxo de sangue, e vítimas diversas de possessão demoníaca. A área médica denuncia as ações de Jesus como competição desleal. De acordo com porta-voz da Associação Médica da Galileia, “não é justo esperar que um médico licenciado que despendeu anos como aluno e que tem de pagar as despesas gerais do espaço do consultório tenha de competir com um carpinteiro que simplesmente move as mãos e cura as pessoas gratuitamente.”
Although the Embalmers’ Guild has also complained of rumored resurrections of the dead, legal experts say there is no actual statute defining that particular activity as a criminal offense. Embora a Guilda dos Embalsamadores também tenha reclamado de rumores de ressurreição dos mortos, especialistas legais dizem não haver lei vigente definindo essa atividade, especificamente, como ofensa criminal.
On the other side, a small but growing movement of gustatory property opponents takes issue with the “piracy” label. They argue that copying food, as an inherently non-rivalrous activity, isn’t theft; because the newly replicated food is created ex nihilo, nobody else’s stock of food is diminished.  Fisherman Simon Bar Jonah of Galilee and his brother Andrew agree. “Instead of trying to suppress competition, the fishing industry should replace its archaic business model. Opportunities are out there for anyone willing to innovate. We haven’t lost a denarius because of Jesus’ food-sharing.” Por outro lado, pequeno mas crescente movimento de oposição à propriedade gustativa perfila-se contra a rotulação de “pirataria”. Argumenta que copiar alimentos, atividade intrinsecamente sem caráter de competitividade, não é furto; sendo o recente alimento novo reproduzido criado ex nihilo, não há diminuição do estoque de alimentos de ninguém. O pescador Simão Filho de Jonas da Galileia e seu irmão André concordam. “Em vez de tentar suprimir a competição, a indústria pesqueira deveria substituir seu modelo arcaico de negócios. Há oportunidades disponíveis para quem estiver disposto a inovar. Nós não perdemos um só denário por causa do compartilhamento de alimentos procedido por Jesus.”
But authorities aren’t buying it. Pontius Pilate, Procurator of Judea, recently announced plans to crack down on gustatory property pirates like Jesus. “If you think I’m going to wash my hands of this Jesus guy, God love him, think again. Replicating loaves, fishes and wine is stealing, just the same as a smash-and-grab at Macy’s. This is a big effing deal.” As autoridades, porém, não vêm aceitando essa argumentação. Pôncio Pilatos, Procurador da Judeia, anunciou recentemente planos de repressão a piratas da propriedade gustativa tais como Jesus. “Se você acha que eu vou lavar as mãos em relação a esse tal de Jesus, pobre dele, pense de novo. Reproduzir pães, peixes e vinho é furtar, do mesmo modo que fazer arrastão na loja Macy's de departamentos. Trata-se de assunto importantíssimo.”
Next week:  Johann Gutenberg, unauthorized book-sharer. Próxima semana:  Johann Gutenberg, compartilhador não autorizado de livros.
C4SS Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog. O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

Wednesday, October 26, 2011

FPJ - Labor’s Demise as a Countervailing Power

ENGLISH
PORTUGUÊS
Foreign Policy Journal
Jornal de Política Externa
Labor’s Demise as a Countervailing Power
O Fim do Trabalho como Poder de Contraposição
by Paul Craig Roberts
por Paul Craig Roberts
September 3, 2011
3 de setembro de 2011
It is Labor Day weekend, 2011, but labor has nothing to celebrate.  The jobs that once gave American workers a stake in capitalism have left and gone away.  Corporations in pursuit of near-term profits have moved labor’s jobs to China, India, Indonesia, Taiwan, South Korea and Eastern Europe.
É fim de semana do Dia do Trabalho de 2011, mas o trabalhador nada tem para comemorar. Os empregos que, no passado, deram aos trabalhadores uma parte no capitalismo acabaram e deram adeus. Corporações em busca de lucros de curto prazo transferiram os empregos dos trabalhadores para China, Índia, Indonésia, Taiwan, Coreia do Sul e Leste Europeu.
Labor arbitrage, that is, the substitution of foreign labor that is paid less than its productivity for American labor, has enriched Wall Street, shareholders, and corporate CEOs, but it has devastated American employment, household incomes, tax base, and the outlook for the US economy.
A arbitragem do trabalho, isto é, a substituição do trabalho estadunidense por trabalho estrangeiro remunerado por menos do que sua produtividade, enriqueceu Wall Street, acionistas e Executivos Principais corporativos, mas devastou o emprego estadunidense, a renda familiar, a base tributária e as perspectivas da economia dos Estados Unidos.
This Labor Day weekend’s job report, announced by the Bureau of Labor Statistics (BLS) on Friday, September 2, says zero net new jobs were created in August, a number 250,000 less than the amount of monthly job creation necessary to make progress in reducing America’s high rate of unemployment.
O relatório de emprego deste fim de semana do Dia do Trabalho, anunciado pelo Bureau de Estatística do Trabalho (BLS) na sexta-feira, 2 de setembro, diz ter sido criado em agosto zero novo emprego líquido, número 250.000 menor do que a quantidade de criação mensal de empregos necessária para ser feito progresso na redução do alto índice de desemprego dos Estados Unidos.
The zero figure is actually an optimistic number. As John Williams (shadowstats.com) has made clear, problems with the BLS’s seasonal adjustments and “birth-death” model during the prolonged downturn that began in December 2007 result in the BLS over-estimating new jobs and underestimating lost jobs.
A cifra zero é em realidade um número otimista. Como John Williams (shadowstats.com) deixou claro, problemas com os ajustes sazonais do BLS e do modelo “nascimento-morte” durante a prolongada retração que começou em dezembro de 2007 resultam em o BLS superestimar novos empregos e subestimar empregos perdidos.
Seasonal adjustments and the “birth-death” model were designed with a growing economy in mind and result in miscounts during downturns. For example, the “birth-death” model estimates new jobs that are created from new start-up companies that are not yet reporting, and it estimates the job losses from companies that have gone out of business. In a growing economy, start-ups exceed jobs losses, but the situation reverses during downturns or during periods of sub-normal job growth. For the past forty-four months, the “birth-death” model has overestimated the number of new jobs created. When the annual revisions are made to the job reports, the excess jobs are taken out, but it is seldom headline news.
Os ajustes sazonais e o modelo “nascimentos-falecimentos” foram projetados com uma economia em expansão em mente e resultam em erros de contagem durante retrações. Por exemplo, o modelo “nascimentos-falecimentos” faz estimativas de novos empregos criados em empresas recentemente inauguradas que ainda não estão dando informações a respeito, e faz estimativas de perdas de emprego em empresas que fecham as portas. Numa economia crescente, as inaugurações excedem as perdas de emprego, mas a situação se inverte durante retrações ou períodos de crescimento subnormal de empregos. Nos últimos quarenta e quatro meses o modelo “nascimentos-falecimentos” vem superestimando o número de novos empregos criados. Ao serem feitas revisões anuais dos relatórios de emprego o excessi de empregos é extirpado, mas isso raramente se torna notícia de primeira página.
The reason that nearly four years of economic stimulus, consisting of large federal budget deficits and near zero interest rates, hasn’t revived the economy is that the jobs that Americans once had have been moved offshore. Stimulus cannot put Americans back to work in jobs that have been given to foreign countries.
O motivo pelo qual aproximadamente quatro anos de estímulo econômico, consistindo em grandes déficits orçamentários federais e taxas de juros próximas de zero, não revigoraram a economia é que os empregos que os estadunidenses tinham no passado foram transferidos para fora do país. Os estímulos não conseguem fazer estadunidenses voltarem a ter empregos que foram dados a países estrangeiros.
Post-World War II Keynesian economists, such as Paul Krugman and Robert Reich, think that if the federal government would add more stimulus by enlarging the already massive federal deficit, new jobs would somehow be created to take the place of those that have left.  This is a delusion. Not only have the supply chains necessary to support US economic activity been disrupted and broken by offshoring, but also the same incentive—excess supplies of foreign labor that produces more value than it is paid—that sent jobs abroad is still operative.
Economistas keynesianos posteriores à Segunda Guerra Mundial, tais como Paul Krugman e Robert Reich, acham que, se o governo acrescentasse mais estímulos mediante aumentar o já maciço déficit federal, novos empregos seriam de alguma forma criados para tomar o lugar dos que já se foram. Isso é um desvario. Não apenas as cadeias de suprimento necessárias para dar suporte à atividade econômica dos Estados Unidos foram desorganizadas e rompidas pela externalização como, também, o mesmo incentivo — oferta excessiva de trabalho no estrangeiro, o qual produz mais valor do que aquilo que é pago — que impeliu os empregos para fora ainda continua a existir.
In a word, the US economy has been de-industrializing, moving from a developed to an underdeveloped economy, for the past two decades.  It has been the case for many years that when the US economy manages to eke out new jobs, they are in non-tradable domestic services, such as health care and social assistance, waitresses and bar tenders, retail clerks. Non-tradable employment consists of jobs that do not produce goods and services that could be exported to reduce the large US trade deficit.
Numa palavra, a economia dos Estados Unidos vem-se desindustrializando, transformando-se de economia desenvolvida em subdesenvolvida, nas últimas duas décadas. Vem acontecendo há muitos anos que, quando a economia dos Estados Unidos consegue criar com dificuldade novos empregos, estes são em serviços internos ao país não transacionáveis, tais como saúde e assistência social, garçonetes e atendentes de bar, vendedores no varejo. Empregos não transacionáveis são aqueles que não produzem bens e serviços que possam ser exportados para reduzir o grande déficit comercial dos Estados Unidos.
The long-term deterioration in the US economy has been covered up by “reforming” the official measures of unemployment and inflation.  The U3 measure of unemployment, the current 9.1% unemployment rate, only measures unemployment among those who are actively seeking a job. Those who have become discouraged by the inability to find a job and have ceased looking are not counted as being among the unemployed, and the U3 measure makes no adjustment for those who are forced into part-time jobs because there is no full-time employment.
A deterioração de longo prazo da economia dos Estados Unidos vem sendo ocultada pela “reforma” das mensurações oficiais de desemprego e inflação. A medida U3 de desemprego, o atual índice de desemprego de 9.1%, só mede o desemprego entre aqueles que estejam procurando emprego ativamente. Aqueles que se desencorajaram por serem incapazes de encontrar emprego e pararam de procurar não são contados como estando entre os desempregados, e a mensuração U3 não faz ajustes no tocante àqueles forçados a empregos de tempo parcial por não haver empregos de tempo integral.
The government knows that the U3 “headline” unemployment rate is seriously understated and provides a broader measure known as U6. This measure, which is seldom reported by the financial media, includes short-term discouraged workers (those who have not looked for jobs for six months or less) and an adjustment for those who wish full time employment but can only find part time work.  Currently, this measure of unemployment stands at 16.2%.
O governo sabe que o índice de desemprego U3 das “manchetes” está seriamente abrandado e oferece uma mensuração mais ampla conhecida como U6. Essa mensuração, raramente informada pela mídia financeira, inclui trabalhadores desencorajados de curto prazo (aqueles que não vêm procurando emprego há seis meses ou menos) e um ajuste no tocante àqueles que desejam emprego de tempo integral mas só conseguem achar trabalho em tempo parcial. Atualmente, essa medida de desemprego situa-se em 16,2%.
In 1994, the Clinton “progressive” administration defined long-term discouraged workers out of existence. Consequently, no official unemployment rate includes long-term (more than six months) discouraged workers as unemployed.  John Williams estimates this number and adds it to the U6 measure to produce a current rate of US unemployment of 22.7%, an unemployment rate 2.5 times higher than the official rate.
Em 1994, a administração “progressista” de Clinton definiu os trabalhadores desencorajados de longo prazo como fora de existência. Consequentemente, nenhum índice oficial de desemprego inclui trabalhadores desencorajados (mais de seis meses) como desempregados. John Williams avalia esse número e acrescenta a ele a mensuração U6 obtendo, assim, um índice atual de desemprego nos Estados Unidos de 22,7%, 2,5 vezes maior do que o oficial.
Similar understatement exists in the measure of inflation known as the Consumer Price Index. In order to reduce cost-of-living adjustments to Social Security checks and to hold down other inflation adjustments, the “progressive” Clinton administration accepted the Boskin Commission’s recommendation to introduce substitution into what had been a fixed, weighted, basket of goods used to measure the cost of a constant standard of living. In the new “reformed” measure, if the price of an item increases, say New York strip steak, the index assumes that consumers switch to a less expensive cut, such as round steak. Thus, the price increase doesn’t show up in the CPI.
Abrandamento similar existe na medida de inflação conhecida como Índice de Preços ao Consumidor - CPI. Para reduzir os ajustes do custo de vida nos cheques da Previdência Social e para manter baixos outros ajustes inflacionários, a administração “progressista” Clinton aceitou a recomendação da Comissão Boskin de introduzir substituição naquilo que havia sido uma cesta fixa, ponderada, de bens usada para medir o custo de um padrão de vida constante. Na nova mensuração “reformada,” se o preço de um strip steak(*) New York subir, o índice assumirá que os consumidores mudaram para um corte menos dispendioso, como o round steak. Assim, o aumento de preço não aparece no CPI.

Consumers, or a number of them, do tend to behave in this way. However, since the basket of goods comprising the CPI is no longer constant, but changes with price changes, the CPI has become a variable measure of the cost of living that reduces the inflation rate by measuring a lower standard of living.
Os consumidores, ou certa quantidade deles, tendem a comportar-se desse modo. Contudo, visto que a cesta de bens do CPI não mais é constante, e sim muda com as mudanças de preço, o CPI tornou-se uma mensuração variável do custo de vida que reduz o índice de inflação mediante medir um padrão de vida mais baixo.
John Williams estimates the CPI according to the previous official methodology that used a fixed basket of goods. He finds the rate of inflation to be much higher than is reported by the substitution-based methodology.
John Williams avalia o CPI de acordo com a metodologia oficial anterior, que usava uma cesta fixa de bens. Ele conclui que o índice de inflação é muito mais alto do que o relatado pela metodologia baseada em substituição.
The understatement of inflation serves to boost real Gross Domestic Product growth. In order to compare how much larger (or smaller) the economy is this year compared to last year, the GDP figure has to be adjusted for inflation.  If the economy grew 5% in nominal terms and inflation was 3%, then GDP grew 2% in real terms, that is, real goods and services, as opposed to mere price rises, increased 2% over the year.
O abrandamento da inflação serve para empurrar para cima o crescimento real do Produto Interno Bruto - GDP. Para comparar o quanto a economia é maior (ou menor) este ano em relação ao ano passado, a cifra do GDP tem de ser ajustada à inflação. Se a economia cresceu 5% em termos nominais e a inflação foi de 3%, o GDP cresceu 2% em termos reais, isto é, os bens e serviços reais, por oposição a meros aumentos de preços, aumentaram 2% ao longo do ano.
When John Williams adjusts US GDP with the former or traditional measure of inflation, he finds that there has been no growth in real GDP for several years. In other words, during the period of “economic recovery” the economy has actually been declining.
Quando John Williams ajusta o GDP dos Estados Unidos usando a mensuração tradicional anterior de inflação, descobre não ter havido crescimento do GDP real durante vários anos. Em outras palavras, durante o período de “recuperação econômica” a economia, em realidade, estava declinando.
American economic decline began with offshoring during the Clinton administration. Instead of addressing this threat, the Clinton administration launched the neoconservative program of American Empire with American and NATO naked aggression against Serbia, sending the Serbian leader off to be tried as a war criminal for resisting the dissolution of his country.
O declínio econômico estadunidense começou com a externalização durante a administração Clinton. Em vez de atacar a ameaça, a administração Clinton deflagrou o programa neoconservador do Império Estadunidense com agressão nua dos Estados Unidos e da OTAN à Sérvia, mandando o líder sérvio para fora do país para ser julgado como criminoso de guerra por resistir à dissolução de seu país.
The Bush/Cheney regime elevated the pursuit of American Empire under cover of “the war on terror.” Based entirely on lies and falsified intelligence, Bush/Cheney launched wars against the Taliban, who were unifying Afghanistan, and against Saddam Hussein in Iraq.
O regime Bush/Cheney aumentou o alcance do Império Estadunidense encobrindo-o sob “a guerra contra o terror.” Com base inteiramente em mentiras e inteligência deturpada, Bush/Cheney deflagraram guerras contra o Talibã, que estava unificando o Afeganistão, e contra Saddam Hussein no Iraque.
In the 1980s, Hussein was used by Washington to launch a war against the revolutionary government in Iran that had overthrown the American puppet government headed by the Shah of Iran.  Ever since Washington lost its puppet rule over the Iranians, Washington has refused diplomatic relations with Iran. In the place of diplomatic relations, Washington demonizes Iran in order to set the country up for another attack a la Serbia, Afghanistan, Iraq, Libya, Somalia, Pakistan, and Yemen.  Syria is next.
Nos anos 1980, Hussein foi usado por Washington para deflagrar uma guerra contra o governo revolucionário do Irã, que havia deposto o governo títere dos Estados Unidos encabeçado pelo Xá do Irã. Desde que Washington perdeu seu governo títere dos iranianos, vem-se recusando a manter relações diplomáticas com o Irã. No lugar de relações diplomáticas, Washington demoniza o Irã a fim de preparar o terreno para outro ataque àquele país, no estilo dos ataques a Sérvia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Somália, Paquistão e Iêmen. A Síria é a próxima.
Saddam Hussein’s service to Washington was overlooked when it became more important to eliminate support for Hamas and Hezbollah, two barriers to Israel’s expansion in the Middle East, than to maintain Washington’s gratitude to an Iraqi pawn.
O serviço prestado por Saddam Hussein a Washington foi negligenciado quando se tornou mais importante eliminar apoio a Hamas e Hezbollah, duas barreiras à expansão de Israel no Oriente Médio, a manter a gratidão de Washington a um fantoche iraquiano.
Despite unequivocal reports from arms inspectors that Iraq had no weapons of mass destruction and most certainly had nothing whatsoever to do with 9/11, top Bush/Cheney regime officials demonized Iraq as the greatest threat to America. The imagery of mushroom clouds from nuclear weapons was evoked, and a war was launched entirely on false pretexts that destroyed a country and left over one million Iraqis dead and four million displaced. What Washington did to Iraq is what the Nazis were tried and executed for at the Nuremberg Trials.
A despeito de relatos inequívocos de inspetores de armas de que o Iraque não dispunha de armamentos de destruição em massa e muito certamente nada tinha a ver com o 11/9, autoridades de cúpula do regime Bush/Cheney demonizaram o Iraque como a maior de todas as ameaças aos Estados Unidos. Foi evocada a imagem de nuvens em forma de cogumelo e uma guerra foi deflagrada com base inteiramente em falsos pretextos, a qual destruiu um país e deixou mais de um milhão de iraquianos mortos e quatro milhões desalojados. O que Washington fez ao Iraque é aquilo pelo que nazistas foram julgados e executados nos Julgamentos de Nuremberg.
Obama was elected in order to stop the illegal and senseless wars.  Instead, Obama both continued the wars in Iraq and Afghanistan and expanded the wars into Libya, Pakistan, and Yemen. Since the deregulation of the financial system under the Bush/Cheney regime and the “war on terror,” the entire economy of the US has been sacrificed for the benefit of the financial sector and the military/security complex.
Obama foi eleito a fim de acabar com as guerras ilegais e sem sentido. Em vez disso, Obama tanto continuou as guerras no Iraque e no Afeganistão quanto expandiu as guerras em Líbia, Paquistão e Iêmen. Desde a desregulamentação do sistema financeiro no regime Bush/Cheney e a “guerra contra o terror,” a economia inteira dos Estados Unidos vem sendo sacrificada em benefício do setor financeiro e do complexo militar/de segurança.
Labor Day is an anachronism. It should be renamed Corporation Day or War Day to celebrate the success of Bush/Obama in eliminating labor unions as a countervailing power to corporate power and the elevation of War as the highest goal of the American state.
O Dia do Trabalho é um anacronismo. Deveria ser rebatizado de Dia da Corporação ou Dia da Guerra, para comemorar o sucesso de Bush/Obama em eliminar os sindicatos de trabalhadores como poder de contraposição e a exaltação da Guerra como a mais alta meta do estado estadunidense.
The Honorable Dr. Paul Craig Roberts was appointed by President Reagan Assistant Secretary of the U.S. Treasury and confirmed by the US Senate. He was Associate Editor and columnist with the Wall Street Journal, and he served on the personal staffs of Representative Jack Kemp and Senator Orrin Hatch. He was staff associate of the House Defense Appropriations Subcommittee, staff associate of the Joint Economic Committee of Congress, and Chief Economist, Republican Staff, House Budget Committee. He wrote the Kemp-Roth tax rate reduction bill, and was a leader in the supply-side revolution. He was professor of economics in six universities, and is the author of numerous books and scholarly contributions. He has testified before committees of Congress on 30 occasions. Read more articles by Paul Craig Roberts.
O Honorável Dr. Paul Craig Roberts foi nomeado Secretário Assistente do Tesouro dos Estados Unidos pelo Presidente Reagan e confirmado pelo Senado dos Estados Unidos. Foi Editor Associado e colunista do Wall Street Journal, e integrou as equipes pessoais do Deputado Jack Kemp e do Senador Orrin Hatch. Foi membro associado da Subcomissão de Apropriações de Defesa da Câmara, membro associado da Comissão Conjunta de Economia do Congresso e Economista-Chefe, Membro Republicano, da Comissão de Orçamento da Câmara. Escreveu o projeto de lei de redução da taxa tributária Kemp-Roth e foi líder na revolução da oferta. Foi professor de economia em seis universidades e é autor de numerosos livros e contribuições acadêmicas. Já depôs perantes comissões do Congresso em 30 ocasiões. Leia mais artigos de Paul Craig Roberts.