Thursday, September 29, 2011

FFF - The Washington Post Condemns the Libertarian Dance Protestors

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The Washington Post Condemns the Libertarian Dance Protestors
O Washington Post Condena os Manifestantes Libertários Dançantes
Tuesday, June 7, 2011
Terça, 7 de junho de 2011
by Jacob G. Hornberger
Por Jacob G. Hornberger
Last week the Washington Post published an editorial condemning libertarians for violating a rule against dancing at the Jefferson Memorial. The Post said that the violation of the rule really didn’t constitute real civil disobedience because it didn’t involve a protest in support of some grand and glorious cause.
Semana última o Washington Post publicou editorial condenando libertários por violarem uma norma contra dança no Jefferson Memorial. O Post disse que a violação da norma em realidade não constituiu desobediência civil real porque não envolveu protesto em apoio a alguma causa nobre e gloriosa.
Permit me to explain to the Post what else might be going on here.
Permitam-me explicar ao Post o que mais poderá ter acontecido lá.
It isn’t so much that libertarians care about some ridiculous rule against dancing at government-owned memorials but rather that libertarians are sick and tired of the entire regulated-society, welfare-state, and warfare-empire way of life that statists have foisted upon our land.
Não é tanto que os libertários se importem com uma norma ridícula contra dançar em memoriais de propriedade do governo, e sim que os libertários estão fartos de todo o estilo de vida da sociedade regulamentada, do estado assistencialista e do império beligerante que os estatistas impingiram a nosso país.
That way of life necessarily entails hundreds of thousands of stupid rules and regulations that interfere with people’s peaceful pursuits, as well as the massive confiscation of people’s hard-earned money to redistribute to others, including Middle East dictators, and to support an overseas military empire that kills and maims people, including children, on a regular basis in unconstitutional (i.e., undeclared) wars in faraway lands.
Esse estilo de vida acarreta centenas de milhares de estúpidas regras e regulamentações que interferem com os projetos pacíficos das pessoas, bem como o confisco maciço do dinheiro duramente ganho pelas pessoas a fim de redistribui-lo para outros, inclusive para ditadores do Oriente Médio, e para apoiar um império militar no exterior que mata e mutila pessoas, inclusive crianças, de maneira sistemática em guerras inconstitucionais em terras distantes.
But we all know what happens if libertarians engage in civil disobedience against the things that go the heart of the welfare-warfare state. The federal government, with the full support of the mainstream statist press, will come down hard on the protestors with the same vicious spirit that guides the U.S. government’s Middle East dictatorial partners.
Todos nós, porém, sabemos o que acontece se os libertários se engajarem em desobediência civil contra as coisas que vão ao cerne do estado assistencialista-beligerante. O governo federal, com pleno apoio da imprensa majoritária estatista, reprimirá duramene os manifestantes com o mesmo espírito de violência típico dos parceiros ditatoriais dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Consider drug laws, quite possibly the most inane, immoral, failed, and destructive government program in history, even more so than Prohibition against booze.
Consideremos as leis contra drogas, muito possivelmente o mais descabido, imoral, fracassado e destrutivo programa de governo da história, mais ainda do que a Proibição contra o álcool.
What would happen if libertarians protested the drug war by appearing on the National Mall and smoking dope or snorting cocaine? Would not the D.C. cops go ballistic? Of course they would. They would swoop in against those peaceful protestors with batons and tasers and haul them away to the hoosegow. And then to teach the drug-war protestors a lesson, D.C.’s federal judges would throw the book at them with maximum sentences and fines.
O que aconteceria se os libertários protestassem contra a guerra às drogas mediante aparecerem no Passeio Nacional e fumarem maconha ou cheirarem cocaína? Os policiais do D.C. não ficariam furiosos? Claro que sim. Precipitar-se-iam contra tais manifestantes pacíficos com cassetetes e armas de eletrochoque e os arrastariam para a cadeia. E então, para ensinarem aos manifestantes contrários à guerra às drogas uma lição, juízes federais do D.C. seriam o mais rigorosos possível em relação a eles, impondo sentenças e multas máximas.
Never mind that drug users would not be initiating violence against anyone and that, at most, they would be hurting only themselves with drug consumption. The statists would respond that the state owns people as much as it owns its memorials and thus can punish them all it wants for engaging in purely self-destructive behavior.
Pouco importaria o fato de os usuários de drogas não estarem tomando iniciativa de violência contra ninguém e de, na pior das hipóteses, estarem causando dano apenas a si próprios por causa do consumo de drogas. Os estatistas responderiam que o estado é dono das pessoas de modo muito semelhante a como é dono de seus memoriais e, portanto, pode puni-las o quanto quiser por elas se engajarem em comportamento puramente autodestrutivo.
Better yet, what would happen to libertarians who protested D.C.’s tyrannical gun-control laws, which rival those in Syria, Egypt, and other Middle East dictatorships, by openly carrying firearms to defend themselves inside the murder capital of the world? We all know what would happen. The D.C. cops and the federal cops would arrest them immediately, perhaps even turn them over to the military as suspected terrorists, where they could be incarcerated forever without trial and waterboarded 150 times or so. In those cases where the president and the military permitted the federal courts to handle the prosecution, there is no doubt that the protestors would be facing several years in a federal penitentiary, again to teach them a lesson.
Melhor ainda, o que aconteceria a libertários que protestassem contra as tirânicas leis de controle de armas, que rivalizam com as de Síria, Egito e outras ditaduras do Oriente Médio, mediante portarem abertamente armas de fogo para defenderem-se dentro da capital do assassínio do mundo? Todos sabemos o que aconteceria. Os policiais do D.C. e os policiais federais os prenderiam imediatamente, talvez entregando-os inclusive à instituição militar como suspeitos de terrorismo, onde eles poderiam ser encarcerados para sempre sem julgamento e submetidos a waterboarding 150 vezes ou em torno disso. Nos casos em que o presidente e a instituição militar administrassem o processo, não há dúvida de que os manifestantes padeceriam diversos anos em penitenciária federal, mais uma vez para dar-lhes uma lição.
onsider such socialist programs as Social Security and Medicare, both of which are bankrupting our nation and inculcating in people a mindset of hopeless dependency on the federal government. Suppose young libertarians send a protest letter to the feds on April 15 stating that they are hereby renouncing all claims to these two welfare-state programs when they reach retirement age and, in return, are no longer going to be paying the taxes that fund them.
Consideremos programas socialistas tais como a Previdência Social e o Programa de Saúde para Idosos, ambos os quais estão levando nossa nação à falência e inculcando nas pessoas uma mentalidade de irremediável dependência em relação ao governo federal. Suponhamos que jovens libertários mandem uma carta de protesto aos federais em 15 de abril declarando por meio dela renunciarem a todos os seus direitos no tocante àqueles dois programas assistencialistas quando atingirem a idade de aposentadoria, não pagando, em troca, os impostos que os financiam.
What would happen to those protestors? Scared to the death at the prospect that their beloved welfare state would have diminished funding, the feds would quickly convene a grand jury, secure criminal indictments, and prosecute the protestors for felony refusal to pay their just share of federal taxes. “You don’t have a choice with respect to your retirement and healthcare,” they would be told. “This is a free country and you’re free to do what we tell you to do. You’re part of the Social Security and Medicare system, like or not.” At the same time, the feds would be seizing their property in civil proceedings, with garnishments, levies, attachments, and foreclosures.
O que aconteceria com tais manifestantes? Morrendo de medo diante da perspectiva de seu idolatrado estado assistencialista reduzir o financiamento, os federais rapidamente convocariam um júri de instrução, providenciariam indiciações criminais, e processariam os manifestantes por crime grave de recusa a pagar seu justo quinhão dos impostos federais. “Vocês não têm escolha com respeito a aposentadoria e saúde,” seria dito a eles. “Este é um país livre e vocês são livres para fazer o que dizemos a vocês para fazer. Vocês são parte do sistema de Previdência Social e de Assistência de Saúde para Idosos, gostem ou não.” Ao mesmo tempo, os federais confiscariam as propriedades deles em processos civis, com notificações, imposição de taxas, confiscos, e execuções de hipoteca.
What would happen if libertarians were to protest the unconstitutional wars in Libya, Iraq, Afghanistan, Yemen, Pakistan, and who knows where else by refusing to pay their federal income taxes? Again, the feds would go on the attack, viciously. The IRS would claim that the protestors owe 10 times more than they really do and start seizing assets without any judicial review whatsoever. Federal prosecutors would secure criminal indictments and convictions. U.S. Marshalls, and if necessary, the FBI and the ATF, and possibly with the assistance of the military, would enforce judicial orders. Just ask the survivors of Waco and Ruby Ridge.
O que aconteceria se os libertários protestassem contra as guerras inconstitucionais em Líbia, Iraque, Afeganistão, Iêmen, Paquistão e sabe-se lá onde mais, mediante recusarem-se a pagar seu imposto de renda federal? Mais uma vez, os federais iriam ferozmente ao ataque. O Serviço de Arrecadação - IRS afirmaria que os manifestantes devem 10 vezes mais do que realmente devem e começaria a confiscar ativos sem qualquer exame judicial. Promotores federais obteriam indiciações criminais e condenações. Xerifes dos Estados Unidos e, se necessário, FBI e ATF, possivelmente com ajuda da instituição militar, fariam cumprir ordens judiciais. Perguntem só aos sobreviventes de Waco e de Ruby Ridge.
Most everyone acknowledges that America’s many wars are being waged without the constitutionally required congressional declaration of war. While statists seem overly concerned about enforcing the rule against dancing at the Jefferson Memorial, isn’t it a shame that all too many of them don’t have the same level of concern for violations of constitutional rules — that is, the rules that we the people have imposed on government officials. In the mind of the statist, the Constitution’s declaration-of-war rule imposed on the president is picayune compared to the gravity of the federal government’s no-dancing rule imposed on the people.
Quase todo mundo reconhece que as muitas guerras dos Estados Unidos estão sendo conduzidas sem a constitucionalmente exigida declaração de guerra pelo Congresso. Enquanto os estatistas parecem extremamente preocupados com fazer cumprir a norma contra dança no Jefferson Memorial, não é uma vergonha que demasiados deles não tenham o mesmo nível de preocupação com a violação de normas constitucionais — isto é, as regras que nós o povo impusemos às autoridades do governo? Na mente do estatista, a norma de declaração de guerra da Constituição imposta ao presidente é fichinha em comparação com a gravidade da norma de proibição de dança imposta ao povo pelo governo federal.
The price of protesting against core features of the welfare-warfare, regulated-society way of life is obviously very high, which is why libertarians might be reluctant to engage in civil disobedience by violating them. But protesting against a stupid rule against dancing helps to let off steam without risk of severe punishment, and it puts statists in the ridiculous position of calling for harsh enforcement of one of its stupid rules. Of course, if the feds were to make dancing a felony offense carrying a mandatory-minimum sentence of 10 years, libertarians might well find some other stupid rule to protest.
O preço de protestar contra características fundamentais do estilo de vida de assistencialismo-beligerância e da sociedade regulamentada é obviamente muito alto, o que explica por que os libertários podem estar relutantes em engajar-se em desobediência civil mediante violar tais características. Protestar, entretanto, contra uma estúpida norma contra a dança ajuda a desabafar sem risco de punição severa, e coloca os estatistas na ridícula posição de preconizar cumprimento estrito de uma de suas normas estúpidas. Óbvio, se os federais tornassem dançar ofensa grave implicando em sentença mínima de 10 anos, os libertários bem poderiam encontrar alguma outra norma estúpida contra a qual protestar.
By the way, when the dancers returned to the Jefferson Memorial to protest the arrests for illegal dancing that had been made a few days before, this time the feds left them alone. That’s a victory for common sense, a rarity in D.C.(*)
Aliás, quando os dançarinos voltaram ao Jefferson Memorial para protestar contra as prisões por dança ilegal que haviam sido feitas poucos dias antes, dessa vez os federais os deixaram em paz. É uma vitória do bom senso, raridade no D.C.(*)
(*) Or the state is discretionary.
(*) Ou o estado é discricionário.
As a aside, wouldn’t it be nice if the mainstream media was as vigorous about going after federal officials for plunging our nation into bankruptcy, moral debauchery, and a loss of liberty, while wreaking death and destruction overseas with lies and deception and violations of the Constitution, as it is investigating sex lies and exclaiming against violations of a stupid rule against dancing?
Como observação parentética, não seria uma beleza se a mídia majoritária fosse tão vigorosa em acossar as autoridades federais por pilharem nossa nação até à falência, por dissipação moral e perda de liberdade, enquanto infligindo morte e destruição no exterior com mentiras e trapaças e violações da Constituição, quanto o faz quando investiga mentiras sexuais e clama contra violações de uma estúpida norma acerca de dança?
Jacob Hornberger is founder and president of the Future of Freedom Foundation.
Jacob Hornberger é fundador e presidente da Fundação Futuro de Liberdade.

Tuesday, September 27, 2011

C4SS - Carson Rejoinder to Gregory

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C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
Carson Rejoinder to Gregory
Réplica de Carson a Gregory
Posted by Kevin Carson on Aug 30, 2011 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 30 de agosto de 2011 em Commentary
Let me start by saying I’m a long-time admirer of Anthony Gregory’s writing, and I’m as surprised as he is that this has turned into a significant disagreement.  Frankly, given our considerable areas of agreement, I’m having a hard time figuring out why my commentary piece (“Corporations are People?  So Was Hitler”) set him off.
Permitam-me começar dizendo que sou, de longa data, admirador dos escritos de Anthony Gregory, e estou tão surpreso quanto ele com o fato disto ter-se transformado em desacordo de maiores proporções. Francamente, dadas nossas consideráveis áreas de acordo, é-me difícil imaginar por que meu texto de comentário (“Corporações são Pessoas? Hitler Também Era”) o terá acionado.
Gregory’s first objection, in “Contra Kevin Carson,” is to my assertion that the profits of large corporations are disproportionately the result of state-enforced unequal exchange (monopolies, artificial property rights, entry barriers, etc.).
A primeira objeção de Gregory, em “Contra Kevin Carson,” é a minha asserção de que os lucros das grandes corporações são desproporcionalmente o resultado de trocas desiguais forçadas pelo estado (monopólios, direitos artificiais de propriedade, barreiras à entrada no mercado etc.).
Right away, Carson assumes the premise that corporate profits generally result from “state-enforced unequal exchange.”    Surely workers and consumers often face state-imposed burdens that reduce their chances for optimally beneficial exchange.  But does this mean that corporate profit makers benefit at their expense?  Isn’t it possible for both sides even of an “unequal” transaction to be worse off, at   the margin, because of the state involvement, and yet be better off for having made the trade?
De imediato, Carson assume a premissa de que os lucros corporativos geralmente resultam de “trocas desiguais forçadas pelo estado.” Certamente trabalhadores e consumidores amiúde enfrentam ônus impostos pelo estado que reduzem suas probabilidades de trocas otimamente benéficas. Significará isso, porém, que os autores dos lucros corporativos beneficiam-se a expensas deles? Não será possível para ambos os lados até em uma transação “desigual” ficarem em pior situação, na margem, por causa do envolvimento do estado, e no entanto ficarem em situação melhor por haver sido feita a troca? 
In most cases, though, I don’t think it’s a matter of “both sides” being worse off as a result of state intervention.  When it comes to the dominant corporations in our economy, they are better off than an exchange in a free market economy would have made them.  A rent, by definition, is   the difference between the price that would have been sufficient incentive for the seller to bring a good to the market, and the price that the consumer is still willing to pay for the net utility of receiving the good.  By definition, when it results from state-enforced scarcities or entry barriers, this rent is exploitative.
Na maioria dos casos, contudo, não acho ser questão de “ambos os lados” ficarem em pior situação como resultado de intervenção do estado. No caso das corporações dominantes em nossa economia, elas ficam em melhor situação do que teriam ficado numa troca numa economia de livre mercado. Um rent, por definição, é a diferença entre o preço que teria sido incentivo suficiente para o vendedor levar um bem ao mercado e o preço que o consumidor ainda estivesse disposto a pagar pela utilidade líquida de receber o bem. Por definição esse rent, quando resulte de escassez ou barreiras à entrada no mercado forçadas/feitas valer pelo estado tem natureza de exploração.
What about the many entrepreneurs who   profit one year only to lose plenty the next?  Was it at their expense that consumers and workers profited?
O que dizer dos muitos empresários que lucram em certo ano e têm grandes prejuízos no outro? Foi a expensas deles que consumidores e trabalhadores tiveram lucro?
I’m not sure what relevance such entrepreneurs have to my column.  I don’t dispute for a minute that there are genuine entrepreneurs in the competitive sector of the economy.  What they have to do with the management of giant corporations engaged in administered pricing, in oligopoly markets where two or three firms control half the market — and whose pattern is usually closer to enormous profits one year, big profits the next, and a tax writeoff the next — isn’t clear to me.
Não estou seguro acerca de que relevância terão esses empresários para minha coluna. Não contesto por um minuto haver empresários genuínos no setor competitivo da economia. O que eles têm a ver com a gestão das corporações gigantescas envolvidas nos preços administrados, nos mercados de oligopólio onde duas ou três empresas controlam metade do mercado — e cujo padrão está usualmente mais próximo de enormes lucros em determinado ano, grandes lucros no ano seguinte, e redução de impostos no seguinte — não está claro para mim.
Here I must agree with the Austrian insight that if two parties come to make a deal, especially if they both walk away satisfied, their demonstrated preference is that the deal was not at their expense but at the overall improvement of their situation, and this should not be undermined by third-party observers.
Aqui tenho de concordar com a visão austríaca segundo a qual se duas partes vêm a fazer negócio, especialmente se ambas saírem satisfeitas, a preferência demonstrada(*) delas é a de que o negócio não foi feito a suas expensas, e sim a bem da melhora geral de sua situação, e isso não deveria ser invalidado por terceiros observadores. 

(*) Para a ideia de preferência demonstrada, de Rothbard, e o contraste com a ideia de preferência revelada, de Samuelson ver, por exemplo, http://rationalargumentator.com/Rothbard_demonstratedpreference.html
Well, sure.  Even the consumer who buys a product from a monopoly provider can be said — on the basis of demonstrated preference — to assign greater utility to engaging in the transaction than to refraining from it. But that’s the whole point of being in a monopoly position:  you can set the price to a level at which the consumer just barely considers the choice to buy as preferable to not buying — rather than engaging in a competitive market in which the price will tend to gravitate toward the actual cost of providing a good or service.  When someone buys a glass of water in the middle of the Sahara for $1000, she considers the transaction to be a net positive benefit compared to dying of thirst — so what?  The question is which of the parties to the transaction is in the dominant position, and how that affects the terms of exchange — and the returns on it for the dominant party.
Bem, com certeza. Pode-se dizer que mesmo o consumidor que compra um produto de um fornecedor monopolista — em base de preferência demonstrada — atribui maior utilidade a engajar-se na transação do que a abster-se dela. Mas essa é toda a questão referente a estar-se numa posição de monopólio: você pode definir o preço num nível tal que o consumidor mal pense na escolha de comprar como preferível à de não comprar — em vez de engajar-se em um mercado competitivo onde o preço tenderá a caminhar rumo ao custo real do fornecimento do bem ou prestação do serviço. Quando alguém compra um copo de água no meio do Saara por $1000 dólares, considera ser essa transação benefício positivo líquido em comparação com morrer de sede — mas e daí? A questão é qual das partes da transação está em posição dominante, e como isso afeta os termos da troca — e os retornos dela para a parte dominante.
And if a party’s revealed preference for an exchange over no exchange is sufficient to demonstrate its non-exploitative nature, I submit that’s a very low hurdle to clear.  But I deny that it is sufficient.  Exploitation, or privilege — by definition — is the use of coercive power to restrict the range of alternatives available to disadvantaged party, so that she is forced to choose an alternative far inferior to what would have been available absent such restriction.  When a consumer buys a CD or DVD at a 1000% copyright markup because it is illegal for a competitor to replicate the content for sale, the consumer may consider it a net positive to pay the enormous markup compared to not having access to the content at all.  But it is clearly exploitative.  A medieval peasant might consider it a net positive to pay the lord of the manor a third of his produce as rent in kind, in return for access to the land, rather than to starve.  So what?
E se a demonstração de preferência de uma parte por troca em vez de não troca for suficiente para comprovar que a natureza não é de exploração, sugiro tratar-se de um critério muito rasteiro. Eu, porém, nego que seja suficiente. A exploração, ou privilégio — por definição — é o uso de poder coercitivo para restringir o leque de alternativas disponíveis para uma parte em desvantagem, de tal modo que ela é forçada a escolher uma alternativa muito inferior à que teria estado disponível não fora tal restrição. Quando um consumidor compra um CD ou DVD pagando margem de copyright de 1000% por ser ilegal um competidor reproduzir o conteúdo para venda, o consumidor poderá considerar um positivo líquido pagar a enorme margem em comparação com não ter acesso nenhum àquele conteúdo. Trata-se, entretanto, claramente, de exploração. Um camponês medieval poderia considerar constituir positivo líquido pagar ao senhor da herdade um terço de sua produção como rent em espécie, em troca do acesso à terra, em vez de morrer de inanição. E daí?
If the fact that the consumer receives greater utility from engaging in a transaction than from not doing so is proof that an exchange isn’t exploitative, then no monopoly in history has ever qualified as exploitative by this standard.  The monopolist engages in price segmentation and dumping so as to target the price to the consumer’s ability to pay, and still receive a bare net utility over and above the price she pays.  By the very nature of monopoly, the monopolist has to allow some net utility for buying over not buying in order to make any sales at all.
Se o fato de o consumidor receber maior utilidade ao se engajar numa transação do que ao não fazê-lo for prova de que uma troca não tem caráter de exploração, então nenhum monopólio na história jamais se qualificou como exploração, por esse padrão. O monopolista engaja-se em segmentação de preços e dumping de maneira a calibrar o preço de acordo com a capacidade de pagamento do consumidor, e este ainda recebe utilidade líquida despojada acima e além do preço que paga(*). Pela própria natureza do monopólio, o monopolista tem de permitir alguma utilidade líquida do comprar em relação ao não comprar a fim de conseguir vender.’

(*) Enrolei-me na tradução mas felizmente o autor veio em meu socorro: ‘It’s the consumer who pays and receives a bare net utility over the price – that’s how monopolist’s targeting pricing works. The monopolist charges as much as possible for it to still be worth it to the consumer to buy.’  
In order to profit from increases in productivity that result from technological progress, the monopolist must allow the consumer to receive a bit of it to make it worth paying for even under monopoly conditions.  This means that the net productivity gain must be divided (say) 9-1 in favor of the monopolist instead of the monopolist taking the whole pie — but the whole gain would wind up going to the consumer if unfettered competition were allowed to socialize the benefits, under the conditions of a freed market.
Para lucrar com aumentos de produtividade resultantes do progresso tecnológico o monopolista tem de permitir ao consumidor receber pequena parcela daqueles, para fazer com que valha a pena pagar por eles, mesmo em condições de monopólio. Isso significa que o ganho líquido de produtividade tem de ser dividido (digamos) 9-1 em favor do monopolista em vez de o monopolista açambarcar o bolo inteiro — mas o ganho inteiro acabaria indo parar no consumidor se fosse permitido a competição desimpedida socializar os benefícios, nas condições de um livre mercado.
Typically, it is true, workers’ and consumers’ exchange would have been even more fruitful for them if not for the state.  Sometimes the state even creates captive labor and consumer markets for corporations.  But the sheer productivity in even the hampered market economy, whereby workers and consumers have in many ways improved their lot over the years, even if not as much as they should have, would seem to indicate that not all their interactions with corporations come at their net expense.  They may benefit much less than they should, due to the state, but surely the typical experience of consumers or workers engaged even in a corporatist system is not one of overall victimization….
Tipicamente, é verdade, as trocas de trabalhadores e consumidores teriam sido ainda mais frutíferas para eles não fora o estado. Por vezes o estado inclusive cria trabalho cativo e mercados consumidores para as corporações. Contudo, a pura produtividade, mesmo na economia de mercado tolhida, por meio da qual trabalhadores e consumidores melhoraram sua situação ao longo dos anos, mesmo se não tanto quanto deveriam tê-lo feito, pareceria indicar que nem todas as suas interações com as corporações se fazem a expensas deles, liquidamente. Eles poderão beneficiar-se muito menos do que deveriam, por causa do estado, mas seguramente a experiência típica de consumidores ou trabalhadores envolvidos mesmo num sistema corporatista não é uma experiência de vitimização cabal....
Gregory isn’t the first to raise this objection to my critique of state capitalism.  It’s a very ingenious argument.  Stephan Kinsella, for instance, has repeatedly argued that the American model of corporate capitalism must have a significant admixture of free market elements, because rather than becoming paralyzed by calculation problems it has resulted in the increased productivity and increased standards of living we witnessed in recent decades.
Gregory não é o primeiro a suscitar essa objeção a minha crítica do capitalismo de estado. É um argumento muito engenhoso. Stephan Kinsella, por exemplo, já argumentou repetidamente que o modelo estadunidense de capitalismo corporativo só pode incluir significativa dose de elementos de livre mercado porque, em vez de tornar-se paralisado por problemas de cálculo, resultou em aumento de produtividade e padrões crescentes de vida que testemunhamos nos anos recentes.
But as seemingly ingenious as it is, I don’t believe this argument can stand up in the face of analysis.  If it proves anything, it proves too much.  Even the feudal economy of the Middle Ages, even the planned economy of the old Soviet Union, achieved significant levels of technical progress. It seems even an extremely modest leavening of freedom, even in societies that are quite authoritarian or totalitarian, is sufficient to allow a significant amount of economic and technological progress despite the level of statism.
Por mais aparentemente engenhoso que seja, não acredito, contudo, que esse argumento possa resistir a análise. Se prova algo, prova em demasia. Mesmo a economia feudal da Idade Média, mesmo a economia planificada da antiga União Soviética, alcançaram níveis significativos de progresso técnico. Parece que uma levedura extremamente modesta de liberdade, mesmo em sociedades bastante  autoritárias ou totalitárias, é suficiente para permitir significativa quantidade de progresso econômico e tecnológico a despeito do nível de estatismo.
I would also argue that the conventional measures of standards of living in the United States should be taken with a grain of salt.  The corporate economy produces cars, refrigerators,  televisions, and computers that consumers certainly find preferable to those ten years ago, and the great majority of consumers prefer buying them on available terms to doing without.  But the prices for which they sell are probably several times greater than they would be on a free market, because they are produced by heavily cartelized industries which can pass the cost of wasted inputs and bureaucratic overhead onto the consumer through administered pricing, and in which the internal culture of the dominant firms is overwhelmingly characterized by calculational chaos.  The component hardware and software are proprietary, and thus marked up several hundred percent.
Eu argumentaria também que as medidas convencionais de padrão de vida nos Estados Unidos deveriam ser vistas com certa reserva. A economia corporativa produz carros, geladeiras, televisores e computadores que os consumidores certamente consideram preferíveis aos de há dez anos, e a grande maioria dos consumidores prefere comprá-los nas condições disponíveis em vez de ficar sem eles. Contudo, os preços pelos quais esses bens são vendidos são provavelmente diversas vezes maiores do que seriam num livre mercado, porque eles são produzidos por indústrias fortemente cartelizadas que podem repassar o custo de desperdício de insumos e de overhead burocrático para o consumidor por meio de preços administrados, e nas quais a cultura interna das firmas dominantes é esmagadoramente caracterizada por caos calculacional. Os componentes de hardware e de software são patenteados, e portanto exibem margem de diversas centenas por cento.
As is the case with the price of goods and services, so also measures of economic growth and GDP essentially define the consumption of inputs as the creation of value.  So we have an economy in which the quality of goods and services seems to be improving significantly, and consumers prefer having them to not having them.  But we also have an economy in which there is no way of determining whether the inputs wasted to create these things were worth it, or whether people would willingly buy them given the range of alternatives in a free market.  There is use-value of a sort, even significant progress in the creation of use-value, but an overall atmosphere of calculational chaos — just as in the old USSR.  And I submit that, to the extent that consumers accept a lesser degree of utility than they would in a free market, and that they pay a higher price for their   utility in labor hours than they would in a free market, the deficit they experience is — in the words of Benjamin Tucker — matched by an equal deficit(*) on the part of the dominant classes under state capitalism.
Como ocorre no caso do preço de bens e serviços, também medidas de crescimento econômico e PIB essencialmente definem o consumo de insumos como constituindo criação de valor. Assim, temos uma economia na qual a qualidade de bens e serviços parece estar melhorando significativamente, e os consumidores preferem tê-los a não tê-los. Todavia, temos também uma economia na qual não há maneira de determinar se os insumos desperdiçados para criar essas coisas valeram a pena, ou se as pessoas os adquiririam deliberadamente face a um espectro de alternativas de livre mercado. Há certa espécie de valor de uso, e até significativo progresso na criação de valor de uso, mas uma atmosfera geral de caos calculacional — exatamente como na antiga URSS. E sugiro que, na medida em que os consumidores aceitam menor nível de utilidade do que aceitariam num livre mercado, e pagam preço maior por sua utilidade, em horas de trabalho, do que pagariam num livre mercado, o déficit que experimentam é — nas palavras de Benjamin Tucker — igualado por éficit(*) equivalente por parte das classes dominantes no capitalismo de estado.
(*) Actually, Tucker says 'efficit' - as Carson told me when I asked him about this sentence.
(*) O artigo original diz, equivocadamente, deficit. Consultei o autor citando a sugestão de um leitor que propunha ‘surplus’, e o autor me esclareceu que de fato há equívoco, e mais: Tucker usa o termo ‘efficit’, obviamente por oposição a ‘deficit’. Adotei 'éficit'.
Gregory seems especially rankled by my use of Hitler.
O uso que fiz de Hitler parece irritar particularmente Gregory.
…[E]very system of class exploitation in human history has served the interests of some group of human beings. In every society in history, no matter how brutally exploitative, of course the ill-gotten gain was consumed by “people.” Roman patricians who lived off the sweat of slaves were people, and so were feudal landlords who gouged rents from the peasantry.  I suspect it was “people” — evil people — who profited from the gold teeth extracted at Auschwitz.
…[T]odo sistema de exploração de classes da história humana serviu aos interesses de algum grupo de seres humanos. Em toda sociedade da história, não importa quão brutalmente exploradora, obviamente o ganho ilícito foi consumido por “pessoas.” Os patrícios romanos que viviam do suor dos escravos eram pessoas, e bem assim o eram os senhores feudais que extorquiam rents dos camponeses. Suspeito de terem sido “pessoas” — pessoas perversas — quem se aproveitou dos dentes de ouro extraídos em Auschwitz.
He responds:
Ele retruca:
Now, I for one always enjoy a good comparison to the Nazis, and am on record in opposing Godwin’s Law.  But this comparison appears very unreasonable.  If   the idea is that there is a fair parallel to be drawn between those who profit off corporations and those who thrive on slave states and concentration camps, I find much to protest here.  I know this is a reductio ad absurdum argument, but it seems fatally flawed even in its fundamental conception.  A consumer walking into a Wal-Mart and buying a new stereo and CD might have been much better off if the state didn’t impose protectionist barriers to foreign electronics producers, increase the cost of recorded music through copyright, and impose a hundred other costs on the buyer.  Yet he is hardly a victim of the exchange itself.  He can choose not to buy these goods at all, and still get along fine in the world.  He really is choosing to give his money to corporations, however flawed the underlying structure of the economy.  Moreover, although any given corporation may benefit from state intervention, it might suffer as well.
Pois bem, quanto a mim, sempre gosto de uma boa comparação com os nazistas, e tenho posição explícita de oposição à Lei de Godwin. Essa comparação, contudo, parece muito irrazoável. Se a ideia é a de haver paralelo sensato a ser traçado entre aqueles que fazem as corporações lucrar e aqueles que prosperam em estados escravos e campos de concentração, encontro aqui muita coisa contra a qual protestar. Sei ser esse um argumento de reductio ad absurdum, mas ele parece fatalmente falho mesmo em sua concepção fundamental. Um consumidor que entra num Wal-Mart e compra um novo estéreo e CD poderia estar em situação muito melhor se o estado não impusesse barreiras protecionistas a fabricantes estrangeiros de eletrônicos, não aumentasse, por meio do copyright, o custo das músicas gravadas, e não impusesse uma centena de outros custos ao comprador. Entretanto, dificilmente este é vítima da troca ela própria. Ele pode escolher não comprar esses bens em absoluto, e ainda assim passar muito bem no mundo. Ele está realmente escolhendo dar seu dinheiro para as corporações, por mais falha a estrutura subjacente da economia. Além disso, embora qualquer dada corporação possa beneficiar-se de intervenção do estado, pode igualmente sofrer.
To apply Carson’s analogy, if the Wal-Mart customer is the man whose gold teeth are being extracted at Auschwitz, Wal-Mart isn’t the Nazi sadist doing the extracting – it’s the merchant who sold him the teeth.
Para aplicar a analogia de Carson, se o cliente do Wal-Mart é o homem cujos dentes estão sendo extraídos em Auschwitz, o Wal-Mart não é o sádico nazista que está procedendo à extração - é o negociante que vendeu-lhe os dentes.
Here he misses the point.  It wasn’t an “analogy” at all.  It was — as he himself acknowledges just a paragraph earlier — a reductio ad absurdum.  Those are two very different things.  My intent was to point out the idiocy of Romney’s implication that a system isn’t exploitative if the beneficiaries are human beings.  Every system of exploitation in human history, by definition, has benefited human beings.  The ruling class in every single system of exploitation was composed of human beings.  One can demolish Romney’s attempt to argue that   corporations are good because “the money goes to people” by simply listing the worst people in history; if a system is non-exploitative because its beneficiaries are all people, no matter how rotten, then no system in human history has ever been exploitative.
Aqui ele deixa escapar a questão substantiva. Não se tratou, em absoluto, de uma “analogia.” Foi — como ele próprio reconhece logo num parágrafo antes — reductio ad absurdum. São duas coisas muito diferentes. Meu intento foi destacar a estupidez da implicação de Romney de que um sistema não é explorador caso os beneficiários dele sejam seres humanos. Todo sistema de exploração da história humana, por definição, beneficiou seres humanos. A classe dominante, em todo sistema de exploração, era composta de seres humanos. Pode-se demolir a tentativa de Romney de argumentar que as corporações são boas porque “o dinheiro vai para pessoas” mediante simplesmente listar-se as piores pessoas da história; se um sistema não for explorador por seus beneficiários serem todos pessoas, por mais corrompidas, então nenhum sistema na história foi jamais explorador.
As for the other stuff sandwiched in that quote, I’ve already challenged the significance Gregory attaches to the fact that consumers “freely” choose the least bad among a constricted range of alternatives.
Quanto aos outros pontos ensanduichados nessa citação, já questionei a importância que Gregory atribui ao fato de os consumidores escolherem “livremente” o mal menor num um âmbito restrito de alternativas.
And the glib assertion that a given corporation might suffer as well as benefit from state intervention is a remarkable bit of legerdemain to tuck into a throwaway line. An ant might whip an elephant. But I’m putting my money on the elephant.
E a asserção finória de que dada corporação poderia sofrer tanto quanto beneficiar-se da intervenção do estado é notável prestidigitação para impingir uma ideia cambeta. Uma formiga pode em tese chicotear um elefante. Eu porém aposto meu dinheiro no elefante.
I do agree that corporate personhood can   pose problems and that only individuals have rights…. But Carson seems to be going much further in his critique, not simply questioning the categorization of corporate fictions as “people,” but in fact agreeing that they constitute people while harshly judging the ethical status and productive role of these people being discussed.
Concordo com que a personalidade corporativa possa colocar problemas e que apenas indivíduos têm direitos.... Carson, porém, parece estar indo muito além em sua crítica, não simplesmente questionando a categorização de ficções corporativas como “pessoas,” mas em realidade concordando com que elas constituem pessoas quando julga com severidade a condição ética e o papel produtivo dessas pessoas objeto de discussão.
Actually, I took no position one way or the other on the corporate personhood issue — i.e., on the fact that the corporation is legally considered a person separate and distinct from the shareholders severally or collectively — in the column which Gregory is criticizing. Romney’s quip that “corporations are people,” despite all the significance attached to those words in the liberal/progressive blogosphere, had nothing to do with the corporate personhood issue.  He was, rather, alluding to the thesis — popular in the nineties — of “people’s capitalism” or “pension fund socialism.”  The money corporations make is good, Romney said, because it all goes to people.  That — and only that — was the sense in which I   attacked the statement that “corporations are people.”
Em realidade, não assumo posição, nem num sentido nem no outro, no tocante à questão da personalidade corporativa — isto é, quanto ao fato da corporação ser legalmente considerada uma pessoa separada e distinta dos acionistas separada ou coletivamente — na coluna que Gregory critica. A tirada de Romney de que “corporações são pessoas,” a despeito de toda a importância atribuída a essas palavras na blogosfera liberal/progressista, nada teve a ver com a questão da personalidade corporativa. Ele estava, antes, aludindo à tese — popular nos anos noventa — do “capitalismo do povo” ou “socialismo de fundos de pensão.”  O dinheiro que as corporações ganham é bom, disse Romney, porque ele todo vai para pessoas. Esse — e apenas esse — foi o sentido em que ataquei a declaração de que “corporações são pessoas.”
Do corporate profits often rely on state intervention? Of course. But they are not necessarily exploitative. They are certainly not always at the expense of consumers and workers. We actors in the   marketplace, even one tainted by state involvement, do not always fall neatly into these categories of being consumers and workers or corporate beneficiaries. And many people who profit from corporate enterprises do so at great risk, putting everything they have on the line, without which entrepreneurship and thus economic growth and therefore civilization itself would be impossible. Surely big business has thrived on the state. I have   made this point many times myself….  But support from the state is not a necessary element to corporate profits, nor are all corporations even in our world on balance predatory institutions whose gains always come at the expense of workers or consumers.
Dependem lucros corporativos amiúde de intervenção do estado? Claro que sim. Eles não têm, contudo, necessariamente caráter de exploração. Eles certamente não se fazem sempre a expensas de consumidores e trabalhadores. Nós atores do mercado, mesmo um mercado corrompido pelo envolvimento do estado, nem sempre recaímos nitidamente nessas categorias de sermos consumidores e trabalhadores ou beneficiários corporativos. E muitas pessoas que lucram de empreendimentos corporativos fazem-no correndo grande risco, colocando tudo o que têm em jogo, sem o que o empreendendorismo e portanto crescimento econômico e portanto a própria civilização seriam impossíveis. Seguramente as grandes empresas têm prosperado graças ao estado. Eu próprio já expus essa ideia muitas vezes.... Contudo, o apoio do estado não é elemento indispensável dos lucros corporativos, nem são todas as corporações, mesmo em nosso mundo, tomando tudo em consideração, instituições predatórias cujos ganhos vêm sempre a expensas de trabalhadores e consumidores.
I believe the great majority of oligopoly corporations, in markets where a handful of firms controls more than half of market share, do in fact gain at the expense of workers and consumers.
Acredito que a grande maioria das corporações oligopolistas, em mercados onde um punhado de firmas controla mais da metade da fatia de mercado, em verdade ganha a expensas de trabalhadores e consumidores.
Support from the state may not be necessary to profit as such.  There would surely be entrepreneurial profit of the kind Gregory describes, accruing to those who receive greater than marginal returns by being the first to perceive and meet some unmet need, or who are first to market with some innovation.  But such profits would be ephemeral, and would always be in a process of being driven to zero by new entrants to the market.
O apoio do estado poderá não ser indispensável para que ocorra lucro enquanto tal. Haveria seguramente lucro empresarial do tipo que Gregory descreve, advindo àqueles que recebem retornos maiores do que marginais mediante serem os primeiros a perceber e atender a alguma necessidade não atendida, ou os primeiros a chegar ao mercado com alguma inovação. Tais lucros, porém, seriam efêmeros, e estariam sempre num processo de serem levados a zero por novos entrantes no mercado.
And to the extent that the market rate of return on capital and land is larger than its natural value as a result of artificial scarcities and artificial property rights enforced by the state, then every firm that enjoys the higher rate of return as a result of coercively-enforced privilege is objectively exploitative.  To the extent that business firms in the dominant sectors of the economy are larger and fewer, and prices stickier, than they would otherwise be, the super-profits extracted from consumers through unequal exchange are objectively exploitative.
E na medida em que a taxa de retorno sobre o capital e a terra no mercado é maior do que seu valor natural, em decorrência de escassez artificial e direitos artificiais de propriedade feitos valer pelo estado, toda empresa que goza de taxa de retorno mais elevada como resultado de privilégio coercitivamente imposto é objetivamente exploradora. Na medida em que as firmas de negócios nos setores dominantes da economia são maiores e em menor número, e os preços mais inelásticos do que seriam em situação diferente, os superlucros extraídos dos consumidores por meio de trocas iníquas têm objetivamente caráter de exploração.
In the end, people who choose to buy from corporations or work for them, when in fact there are alternatives out there, do so because they stand to benefit themselves. In a truly free market, certainly many more good alternatives would be available. But this doesn’t mean the economic choices people actually make in our flawed world are themselves exploitative or oppressive.
No final, as pessoas que optam por comprar das corporações ou por trabalhar para elas, quando de fato há alternativas disponíveis, fazem-no porque estão interessadas em beneficiar-se a si próprias. Num mercado verdadeiramente livre, certamente muito mais boas alternativas estariam disponíveis. Isso não significa, porém, que as escolhas econômicas que as pessoas realmente fazem em nosso falho mundo tenham caráter de exploração ou de opressão.
Sure it does. If the range of alternatives is smaller than it would be in a free market and the most satisfactory alternatives from the standpoint of workers and consumers are taken off the table, and corporate profits and management salaries are larger than they would otherwise be as a result of this restricted range, then — regardless of whether some alternatives still exist — the reduced utility that results from workers and consumers choosing less than optimal alternatives is exploitative and oppressive.
Claro que significa. Se o leque de alternativas é menor do que seria num livre mercado e as alternativas mais satisfatórias do ponto de vista dos trabalhadores e consumidores forem tiradas da mesa, e os lucros corporativos e os salários dos gerentes forem maiores do que seriam em outra situação como resultado desse leque restrito, então — independentemente de existirem ou não ainda algumas alternativas — a utilidade reduzida que resulta de trabalhadores e consumidores escolherem menos do que alternativas ótimas tem caráter de exploração e de opressão.
A person can be better off from an exchange, and still be exploited.  By its very nature, to repeat, monopoly pricing targets the price to the highest amount the consumer is able to pay and still get enough utility to make the exchange worthwhile.
Uma pessoa pode melhorar de situação graças a uma troca e, ainda assim, estar sendo explorada. Por sua própria natureza, repetindo, o preço de monopólio alcança a mais alta quantia que o consumidor tem condição de pagar e ainda obter utilidade bastante para que a troca valha a pena.
Gregory makes a great deal of my defense (a defense I regarded as rather backhanded at the time) of public school teachers in the context of the Scott Walker controversy in Wisconsin.
Gregory realça muito minha defesa (defesa que considerei bastante insatisfatória à época) dos professores de escola pública no contexto da controvérsia de Scott Walker em Wisconsin.
But even without knowing exactly what a   free society would look like, it is hard for me to see on what libertarian grounds Carson is more willing to humanize public school teachers than corporate beneficiaries….  The amount of state privilege involved in propping up the child indoctrination racket is surely comparable to, if not far exceeding, what is entailed for the average corporation.
Contudo, mesmo sem saber exatamente como seria uma sociedade livre, é difícil para mim ver com que base libertária Carson se mostra mais disposto a humanizar professores de escolas públicas do que beneficiários corporativos…. A quantidade de privilégio estatal envolvida em escorar a mamata da doutrinação das crianças é seguramente comparável, se não exceder de longe, à implicada no caso da corporação média.
I see the alliance between big business and big government as structurally central, as the defining feature, of our political-economic system.  The “Power Elite” running the nexus of state, finance capital and corporate management occupies the same position in the present system as landlords did seven hundred years ago.  The public education system is very much a second-tier component of this system.
Vejo a aliança entre as grandes empresas e o governo hipertrofiado como estruturalmente central, como característica definidora, de nosso sistema político-econômico. A “Elite de Poder” que gere a conexão de estado, capital financeiro e gerência corporativa ocupa a mesma posição, no presente sistema, que os senhores de terras ocupavam há setecentos anos. O sistema de educação pública é em grande parte um componente de segundo nível desse sistema.
The difference is this:  Public school teachers are performing a function — education — that, at least in some regards, would still exist in a free society.  And they are doing it in a context in which the state has preempted the function to a great extent and crowded out alternatives.  In a society where the biggest local tax most people pay is a property tax to fund the schools, most people will send their kids to the public schools as a default option.  So those who wish to teach but would like to do so in a non-state framework find their range of alternatives greatly and artificially diminished, compared to the opportunities in the state-owned system.  Although the diminution of alternatives is not as great in degree, it is the same in kind as that faced by workers in state enterprises in the old Soviet bloc.
A diferença é a seguinte: Os professores de escola pública estão desempenhando uma função — educação — que, pelo menos sob alguns aspectos, existiriam mesmo numa sociedade livre. E estão desempenhando-a num contexto no qual o estado em grande parte açambarcou a função e cerceou alternativas. Numa sociedade na qual o maior tributo local que a maioria das pessoas paga é um tributo sobre a propriedade para financiar as escolas, a maioria das pessoas mandará os filhos para escolas públicas como opção padrão. Assim, aqueles que desejem ensinar mas gostariam de fazê-lo numa estrutura não estatal deparam-se com seu leque de alternativas grande e artificialmente reduzido, em comparação com as oportunidades no sistema de propriedade do estado. Embora a redução de alternativas não seja tão grande em grau, é a mesma, em espécie, que a enfrentada por trabalhadores em empresas estatais no antigo bloco soviético.
I see teachers and firefighters, to a considerable extent, as people performing functions that would be legitimate in some form in a stateless society, and performing them in the face of a need to make the best of a statist system.  Their position may be formally privileged, but it is a secondary, subordinate and instrumental position of privilege.
Vejo professores e bombeiros, em considerável medida, como pessoas que desempenham funções que seriam legítimas em alguma forma de sociedade sem estado, e desempenhando-as diante da necessidade de tornar o melhor possível o sistema estatista. As profissões deles podem ser formalmente privilegiadas, mas é uma posição de priilégio secundária, subordinada e útil.
The rentiers and senior managers who live off corporate profits, on the other hand, are not making the best of a bad situation not of their making, or in a secondary position of privilege.  They are at the heart of a corporate ruling class, and the corporate ruling class is in a position to make rather than take the range of alternatives.  The public school system was created as a means to an end determined by the nature of the ruling class:  from its earliest days, it was shaped primarily by employers’ needs for docile, obedient, trained labor.
Em contraste, os rentistas e gerentes graduados que vivem de lucros corporativos não estão tornando a melhor possível uma situação ruim que não criaram, nem se encontram em posição de privilégio secundária. Encontram-se no cerne de uma classe dominante corporativa, e a classe dominante corporativa tem condições antes de criar do que de utilizar o leque de alternativas. O sistema escolar público foi criado como meio visante a um fim determinado pela natureza da classe dominante: desde seus primeiros dias, foi delineado precipuamente pelas necessidades dos empregadores de trabalhadores dóceis, obedientes e treinados.
Gregory might as well argue that the parish priest was equally as privileged as the nobleman living off the rents of entire provinces, because he was paid with tithes.  But the privilege that the village clerk received, like that of the public schoolteacher, was secondary and instrumental.  In both cases, the recipient receives some crumbs off the table in return for helping to promote the primary privileges of the first tier of the ruling class — the class for whose benefit the system exists.
Gregory poderia igualmente argumentar que o padre da paróquia era tão privilegiado quanto o nobre que vivia à custa de rents de províncias inteiras, porque era pago com dízimos. O privilégio, contudo, recebido pelo pároco da vila era, do mesmo modo que o do professor de escola pública, secundário e útil. Em ambos os casos, o recebedor recebe algumas migalhas da mesa em troca de ajudar a promover os privilégios principais do primeiro nível da classe dominante — a classe para benefício da qual o sistema existe.
I think Gregory is much more of a pluralist than I am when it comes to class analysis.  Like David Friedman, he sees the ruling class as a fortuitous cluster of interests that just happened to latch onto the state, rather than a coherent coalition.  As Friedman wrote in The Machinery of Freedom:
Acho que Gregory é muito mais pluralista do que eu quando o assunto é análise de classes. Assim como David Friedman, ele vê a classe dominante como um feixe fortuito de interesses que por acaso se vinculou ao estado, em vez de ver uma coalização coerente. Como escreveu Friedman em O Maquinário da Liberdade:
It seems more reasonable to suppose that   there is no ruling class, that we are ruled, rather, by a myriad of quarreling gangs, constantly engaged in stealing from each other to the great impoverishment of their own members as well as the rest of us.
Parece mais razoável supor não existir nenhuma classe dominante, e sermos governados, antes, por uma miríade de quadrilhas em conflito, constantemente engajadas em furtar umas das outras para grande empobrecimento de seus próprios membros, bem como do restante de nós.
So we’re all victims of statism, peasant and landlord alike, and we should just let bygones be bygones.  Or, as Homer Simpson might put it, “…we could sit here and try to figure out… who forgot to pick up who till the cows come home.  But let’s just say we were both wrong, and that’ll be that.  Now how ’bout a hug?”
Assim somos todos, tanto o camponês quanto o senhorio, vítimas do estatismo, e deveríamos simplesmente esquecer o passado. Ou, como poderia dizer Homer Simpson, “…podemos postar-nos aqui e ficar para sempre tentando descobrir… quem se esqueceu de apanhar quem. Vamos, porém, simplesmente dizer que estávamos ambos errados, e pronto. E agora, que tal um abraço?”
Murray Rothbard, on the other hand, believed — as Roderick Long described it — that the ruling class was
Murray Rothbard, por outro lado, acreditava — na descrição de Roderick Long — que a classe dominante era
a primary group that has achieved a position of structural hegemony, a group central to class consolidation and crisis in contemporary political economy.  Rothbard’s approach to this problem is, in fact, highly dialectical in its comprehension of the historical, political, economic, and social dynamics of class.
um grupo principal que conseguiu uma posição de hegemonia estrutural, um grupo fundamental para a consolidação e a crise de classes na economia política contemporânea. A abordagem de Rothbard do problema é, de fato, altamente dialética em sua compreensão da dinâmica histórica, política, econômica e social de classes.
Gregory also objects to this passage in my column.
Gregory também objeta a esta passagem de minha coluna.
….[J]ust before I heard about Romney’s latest blooper, I was reading about a study by psychologist Dacher Keltner.  The life experience of the rich, he says, makes them less empathetic and more selfish than ordinary people.  Part of this is willful obtuseness; legitimizing ideologies not only inure the exploited to getting the shaft, but enable the exploiters to sleep at night by reassuring themselves that the poor really deserve it.
[L]ogo antes de eu ouvir falar da última mancada de Romney, estava lendo a respeito de um estudo do psicólogo Dacher Keltner. A experiência de vida dos ricos, diz ele, torna-os menos empáticos e mais egoístas do que as pessoas comuns. Parte disso é obtusidade deliberada; legitimar ideologias é algo que não apenas habitua os explorados a levar na cabeça como também permite que os exploradores durmam à noite dizendo para si próprios que os pobres realmente merecem.
The rich justify their relations with other social classes with the help of the Americanist ideology, whereby they exaggerate their own perceived rugged individualism and see their wealth as the result of character:  “They think that economic success and political outcomes, and personal outcomes, have to do with individual behavior, a good work ethic….”
Os ricos justificam suas relações com outras classes sociais com a ajuda da ideologia estadunidensista, por meio da qual exalçam a percepção de seu próprio entranhado individualismo e veem sua riqueza como resultado de caráter: “Eles acham que o sucesso econômico e resultados políticos, e resultados pessoais, têm a ver com comportamento individual, com uma boa ética de trabalho....”
In other words, fake “free market” ideology — as opposed to the real thing — is the opiate of the elites.
Em outras palavras, a ideologia espúria de “livre mercado” — por oposição à genuína — é o ópio das elites.
He objects to that passage, first, on the grounds that it bears some resemblance to “the Marxist polylogism that Ludwig von Mises roundly refutes in his brilliant works including Human Action.”
Ele objeta a essa passagem, primeiro, com base em ela guardar alguma semelhança com “o polilogismo marxista que Ludwig von Mises refuta cabalmente em suas brilhantes obras, inclusive Ação Humana.”
“Americanist ideology,” Carson argues, resonates with people based on class, rather than on philosophical principles of potentially universal appeal.  He is not saying that class determines one’s philosophical reasoning, but it comes close.
“A ideologia estadunidensista,” argumenta Carson, repercute nas pessoas com base na classe, em vez de em princípios filosóficos de apelo potencialmente universal. Ele não diz que a classe determina o raciocínio filosófico de uma pessoa, mas passa perto.
I don’t think it’s close at all, unless any suggestion that groups with common social experiences tend to filter reality in common ways is “polylogist.”  This strikes me as something of a knee-jerk reaction, akin to reflexive appeals to “methodological individualism” evoked from some quarters when I engage in class analysis.  I don’t think Gregory, or anyone else, applies monologism and methodological individualism as strictly across the board as he does in the cases he selects for negative attention.  A thinking person simply couldn’t do so, without detaching herself completely from common sense thinking.
Não acho que passe perto em absoluto, a menos que qualquer sugestão de que grupos com experiências sociais comuns tendam a filtrar a realidade de maneiras comuns seja “polilogista.” Isso me bate como algo do tipo reação automática, afim de apelos reflexivos a “individualismo metodológico” evocados a partir de certos arraiais quando me engajo em análise de classes. Não acredito que Gregory, ou qualquer outra pessoa, aplique monologismo e individualismo metodológico tão estritamente de alto a baixo quanto o faz nos casos que seleciona para atenção negativa. Uma pessoa pensante simplesmente não poderia fazer isso sem desvincular-se completamente do pensamento de senso comum.
For one thing, I think Carson is off the mark if not simply wrong. Plenty of poorer Americans buy into vulgar, fake free-market ideology, and plenty of rich people denounce the free market — whether the real thing or its counterfeit — all the time. Poor people vote Republican to protect themselves from “socialism.” And there are those, including me, who oppose corporatism vehemently and yet still prefer it to the state socialism often advocated by most factions of the left. Meanwhile, there are about half a dozen lavishly wealthy anarchists who come to mind whose market radicalism is pretty damn genuine. Then there are the rich socialists, and the poor socialists, and everything in between. Moreover, Romney, if we are going to try to read his thoughts as Carson appears to be doing, probably doesn’t believe any of his own rhetoric. He isn’t defending “fake ‘free market’ ideology” to sleep better at night — but rather to win votes.
De minha parte, acho que Carson não é preciso, isso se não estiver totalmente errado. Muitos estadunidenses mais pobres compram ideologia vulgar de livre mercado, muitas pessoas ricas denunciam o livre mercado — ou o genuíno ou sua contrafação — o tempo todo. Pessoas pobres votam nos Republicanos para protegerem-se do “socialismo.” E há aqueles, inclusive eu, que se opõem veementemente ao corporatismo e apesar disso ainda o preferem ao socialismo de estado amiúde advogado pela maioria das facções da esquerda. Enquanto isso, há cerca de meia dúzia de anarquistas profusamente ricos que me vêm à mente cujo radicalismo de mercado é positivamente genuíno. E então há os socialistas ricos, e os socialistas pobres, e tudo o que vem no meio. Ademais, Romney, se formos ler o pensamento dele como Carson parece estar fazendo, provavelmente não acredita em nada de sua própria retórica. Ele não está defendendo “ideologia espúria de ‘livre mercado’” para dormir melhor à noite — e sim para ganhar votos.
Sure.  That’s why I said “legitimizing ideologies not only inure the exploited to getting the shaft, but enable the expoiters to sleep at night by reassuring themselves that the poor really deserve it [emphasis added].”  The same hegemonic ideology can perform different functions for different classes.  I’ve quoted — many times — Stephen Biko’s dictum that the most powerful weapon in the hands of the oppressor is the mind of the oppressed.
Sem dúvida. Eis porque eu disse que “legitimar ideologias é algo que não apenas habitua os explorados a levar na cabeça como também permite que os exploradores durmam à noite dizendo para si próprios que os pobres realmente merecem.[ênfase acrescentada].” A mesma ideologia hegemônica pode desempenhar diferentes funções para diferentes classes. Já citei — muitas vezes — o dito de Stephen Biko segundo o qual a mais poderosa arma nas mãos do opressor é a mente do oprimido.
But most important, it is a mistake to take   this route in critiquing someone’s point.  If Romney is wrong to humanize corporations in the way he did, and I don’t think his point was nearly as trivial as Carson does, it is not necessarily a reflection of Romney’s class.  This Marxian way of looking at the world is poor theoretical analysis.  I’ve heard people from all across the economic spectrum sound like Romney talking about corporations.
Mais importante, porém: é um equívoco tomar esse caminho ao criticar os pontos de vista de alguém. Se Romney está errado em humanizar corporações do modo como o fez, e não acredito que o ponto de vista dele seja nem de perto tão trivial quanto Carson acha, isso não é necessariamente um reflexo da classe à qual pertence Romney. Essa maneira marxiana de olhar o mundo é análise teórica pobre. Já ouvi pessoas de todos os pontos do espectro econômico parecerem com Romney falando acerca das corporações.
Again, sure.  It wouldn’t be much of a legitimizing ideology if it didn’t fool the ruled into accepting the interests of their rulers as legitimate, in addition to reassuring the rulers of their own legitimacy.  That’s why you can see howling mobs of Tea Party members, drawn in considerable proportion from the ranks of the working poor, who sincerely believe they’re being exploited mainly by ACORN and its constituency of people who “don’t even pay any taxes.”
De novo, sem dúvida. Não seria lá grande ideologia legitimadora se não tapeasse os dominados para aceitarem os interesses de seus dominadores como legítimos, além de renovar a confiança dos dominantes em sua própria legitimidade. Eis porque podem-se ver turbas sagradas uivantes de membros do Partido do Chá arrebanhadas em considerável proporção a partir dos trabalhadores pobres, as quais sinceramente acreditam estar sendo exploradas principalmente pela ACORN(*) e seu eleitorado de pessoas que “nem sequer pagam quaisquer tributos.”

(*) Sociedade de proteção a famílias de baixa renda. Ver Wikipedia.
It wasn’t long ago that the divide-and-conquer system of racism, which served the primary purpose of making both poor blacks and poor whites easier to exploit, was enthusiastically supported by dirt poor crackers in the sincere belief that they had a shared interest in “racial purity” in common with the guy in a mansion on a hill who owned half the county.   Meanwhile, the guy in the mansion and his friends from the local gentry sipped their mint juleps laughed themselves silly at the gullibility of the redneck in the wife-beater undershirt.
Não faz tanto tempo que o sistema de racismo dividir-para-dominar, que servia precipuamente ao propósito principal de tornar tanto pretos pobres quanto brancos pobres mais fáceis de explorar, era entusiasticamente apoiado por caipiras brancos miseráveis na crença sincera de que tinham interesse compartilhado na “pureza racial” em comum com o cara da mansão sobre a colina dono de metade do condado. Enquanto isso, o sujeito da mansão e seus amigos da pequena nobreza local bebericavam seus drinques com hortelã morrendo de rir da ingenuidade do capira vestido com camiseta sem manga.
C4SS Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political EconomyOrganization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política MutualistaTeoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.