Friday, February 25, 2011

FFF - Commentaries - Military Commissions and the Case of Bin Laden's Cook

http://www.fff.org/comment/com1102l.asp
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THE FUTURE OF FREEDOM FOUNDATION - FFF
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Military Commissions and the Case of Bin Laden's Cook
by Andy Worthington, February 22, 2011

As Comissões Militares e o Caso do Cozinheiro de Bin Laden
por Andy Worthington, 22 de fevereiro de 2011

On February 10, it was reported that Ibrahim al-Qosi, a 50-year old Sudanese prisoner in Guantánamo who accepted a plea deal in his trial by military commission last July, had the 14-year sentence that was subsequently handed down by a military jury reduced to two years by Retired Vice Adm. Bruce MacDonald, the convening authority of the military commissions, who has the final say on whether or not to charge prisoners, and how to deal with sentencing.
Em 10 de fevereiro foi anunciado que Ibrahim al-Qosi, prisioneiro sudanês de 50 anos de idade em Guantánamo, que aceitou acordo em seu julgamento por comissão militar em julho último, teve a sentença de 14 anos a qual fora subsequentemente pronunciada por júri militar reduzida para dois anos pelo Vice-Almirante Reformado Bruce Mac
Donald, autoridade convocadora das comissões militares, que tem a palavra final acerca de se ou não acusarem-se prisioneiros, e de como lidar-se com o sentenciamento.

As a result, al-Qosi, a peripheral figure in al-Qaeda, who “worked as a cook in a portion of an al-Qaeda compound that housed single men in Kandahar, Afghanistan,” (as the Miami Herald put it), and also allegedly served on occasion as a bodyguard for Osama bin Laden, should be freed from Guantánamo and returned home in July 2012. As Reuters explained,
Em decorrência, al-Qosi, figura periférica da al-Qaeda, que “trabalhou como cozinheiro em parte de complexo da al-Qaeda o qual abrigava homens solteiros em Kandahar, Afeganistão,” (nas palavras do Arauto de Miami), e também teria servido vez por outra como guarda-costas de Osama bin Laden, deverá ser libertado de Guantánamo e voltar para casa em julho de 2012. Como explicou a Reuters,
Qosi’s lawyers said last year that once he returned to Sudan, he would enter a program run by the Sudanese intelligence service and designed to rehabilitate those with radical views. He would then return to live with his family but would be monitored to ensure he had no contact with radicals.
No ano passado, os advogados de Qosi disseram que, tão logo retornasse ao Sudão, ingressaria num programa gerido pelo serviço de inteligência sudanês projetado para reabilitar pessoas com pontos de vista radicais. Em seguida voltaria à vida com sua família mas seria monitorado para ficar assegurado não ter contato com radicais.
The United States still claims it has the right to continue holding al-Qosi after his two-year sentence expires, but that kind of injustice would, I hope, be a step too far even for the current administration and Congress, who have abandoned any attempt to close Guantánamo or deal fairly with the men still held, descending into callousness and scaremongering on the part of Congress, and cowardice and capitulation on the part of the administration.
Os Estados Unidos ainda afirmam ter o direito de continuar a manter al-Qosi preso depois da expiração de sua sentença de dois anos, mas esse tipo de injustiça seria, espero eu, ir longe demais, mesmo para a atual administração e para o Congresso, que desistiram de qualquer tentativa de fechar Guantánamo ou de tratar de maneira justa os homens ainda presos, numa degringolada de insensibilidade em relação aos problemas do próximo e de exploração do medo por parte do Congresso, e de covardia e capitulação por parte da administração.
Nevertheless, last Monday, responding to a specific request from the Miami Herald, Army Lt. Col. Tanya Bradsher stated, “Decisions regarding Mr. al-Qosi’s status after he serves his punitive confinement will be made by the detention authorities at that time.” The Herald added that she “called the sentence due to expire July 7, 2012, ‘being punished for past acts,’” explaining that al-Qosi could still be subject to “detention under the law of war” as “a belligerent during an armed conflict.”
Todavia, segunda-feira última, atendendo a pedido específico do Arauto de Miami, a Tenente-Coronel do Exército Tanya Bradsher declarou: “Decisões acerca da situação do Sr. al-Qosi depois de ele cumprir seu confinamento punitivo serão tomadas pelas autoridades de detenção na ocasião.” O Arauto acrescentou que ela “informou dever a sentença expirar em 7 de julho de 2012, ‘valendo como punição por atos passados,’” e explicou que al-Qosi ainda poderia ficar sujeito a “detenção conforme a lei da guerra” como “combatente durante conflito armado.”
This provoked a fierce and entirely justified response from al-Qosi’s military defense attorney, Navy Cmdr. Suzanne Lachelier, who said, “Indefinitely detaining a 53-year-old man who will have served his sentence and been in custody more than 11 years for being a cook serves neither our national security or foreign policy interests.” Instead, she added, “It bludgeons ‘the interests of justice.’”
Isso provocou resposta violenta e inteiramente justificada da advogada militar de defesa de al-Qosi, Comandante da Marinha Suzanne Lachelier, a qual disse: “Manter preso por tempo indefinido um homem de 53 anos de idade que terá cumprido sua sentença e estado em custódia por mais de 11 anos por ter sido cozinheiro não consulta nem a nossa segurança nacional nem a nossos interesses de política externa.” Pelo contrário, acrescentou ela: “Isso pisoteia os interesses da justiça.’”
However, as the Miami Herald also pointed out, another problem for al-Qosi is that Sudan, his home country, is on the state sponsors of terror list, and “congressional limits on Guantánamo detainee transfers [introduced in a military spending bill before Christmas] forbid the Obama administration from sending even cleared captives to states on the list” — although it should be noted that Congress did not insist on interfering with prisoners cleared for release by U.S. courts.
Contudo, como também destacou o Arauto de Miami, outro problema para al-Qosi é que o Sudão, seu país natal, figura na lista de estados patrocinadores do terror, e “limites impostos pelo Congresso a transferências de detentos de Guantánamo [inseridos antes do Natal num projeto de lei de gastos militares] proíbem à administração Obama mandar, para os estados constantes da lista, até mesmo cativos liberados” — embora deva-se notar que o Congresso não insistiu em interferir no caso de prisioneiros liberados para libertação por tribunais dos Estados Unidos.
What no one wants to discuss, of course, is how, logically, a two-year sentence for a man who actually met Osama bin Laden and was demonstrably involved, even in the most minor way, with al-Qaeda, means that the majority of the other men in Guantánamo, who never met bin Laden or worked with al-Qaeda, should also be freed by July 2012.
O que ninguém quer discutir, obviamente, é como, logicamente, uma sentença de dois anos para um homem que realmente encontrou-se com bin Laden e estava demonstravelmente envolvido, mesmo da maneira mais mínima, com a al-Qaeda, implica em a maioria dos outros homens em Guantánamo, que nunca se encontraram com bin Laden nem trabalharam com a al-Qaeda, dever ser libertada até julho de 2012.
Logic, however, is in short supply when it comes to discussing Guantánamo in the corridors of power in the United States, where, apparently, justice, fairness, and respect for international law may never again be of concern to U.S. lawmakers or the administration. Increasingly cast adrift from opinions in the rest of the world, America blithely continues to assert that everyone still in Guantánamo can be held indefinitely without charge or trial, with the exception of al-Qosi, and three other men subjected to trials by military commission.
A lógica, porém, é mercadoria rara quando se discute Guantánamo nos corredores do poder nos Estados Unidos onde, aparentemente, justiça, equidade e respeito pela lei internacional poderão nunca mais constituir objeto de preocupação dos legisladores ou da administração dos Estados Unidos. Cada vez ligando menos para as opiniões no resto do mundo, os Estados Unidos continuam alegremente a afirmar que todos em Guantánamo podem ser mantidos presos indefinidamente sem acusação ou julgamento, com exceção de al-Qosi e de três outros homens já submetidos a julgamento por comissão militar.
Those already tried are:
Os já julgados são:
Ali Hamza al-Bahlul, a Yemeni, and a self-confessed member of al-Qaeda who produced a propaganda video for the organization, and is serving a life sentence after a one-sided trial in October 2008, in which he refused to mount a defense.
Ali Hamza al-Bahlul, iemenita e membro confesso da al-Qaeda que produziu vídeo de propaganda para a organização, e está cumprindo sentença de prisão perpétua depois de julgamento não imparcial em outubro de 2008, no qual recusou-se a estruturar defesa.
Omar Khadr, a Canadian citizen, and a former child prisoner who accepted a plea deal last October, and will be repatriated to Canada next October to serve the last seven years of an eight-year sentence in his homeland.
Omar Khadr, cidadão canadense e ex-prisioneiro criança que aceitou acordo em outubro último, e será repatriado para o Canadá em outubro próximo para cumprir os últimos sete anos de sentença de oito anos em sua terra natal.
Noor Uthman Muhammed, from Sudan, a trainer at the Khaldan military camp in Afghanistan, who accepted a plea deal on February 15. On February 18, after a brief sentencing phase, in which prosecutors attempted to persuade a military jury to hand down a punitive sentence to Muhammed, he was given a 14-year sentence, reduced to 34 months as part of his plea deal, in which he has apparently agreed to be a witness in the trials of other men still held.
Noor Uthman Muhammed, do Sudão, treinador do campo militar de treinamento de Khaldan no Afeganistão, que aceitou acordo em 15 de fevereiro. Em 18 de fevereiro, depois de breve fase de sentenciamento na qual os promotores tentaram persuadir um júri militar a formalizar sentença punitiva a Muhammed, recebeu sentença de 14 anos, reduzida para 34 meses como parte de seu acordo, no qual ele aparentemente concordou com ser testemunha nos julgamentos de outros homens ainda mantidos presos.
The absurdity of this is all too obvious to anyone who cares to examine it. Unlike Ibrahim al-Qosi, Omar Khadr, and Noor Uthman Muhammed, 89 of the remaining 172 men in Guantánamo have actually been cleared for release for at least a year — and in some cases for nearly two years — after all the cases inherited by the Obama administration were examined by the Guantánamo Review Task Force, consisting of 60 career officials and lawyers in government departments and the intelligence agencies. Some of these men had also been cleared even earlier — in 2006 and 2007, for example — by military review boards under the Bush administration, but had not been freed by the time Bush left office.
O absurdo disso é totalmente óbvio para quem se dê ao trabalho de examinar o assunto. Diferentemente de Ibrahim al-Qosi, Omar Khadr e Noor Uthman Muhammed, 89 dos restantes 172 homens em Guantánamo em realidade foram liberados para libertação já há pelo menos um ano — e em alguns casos já há perto de dois anos — depois de todos os casos herdados pela administração Obama terem sido examinados pela Força-Tarefa de Revisão de Guantánamo, constituída por 60 oficiais de carreira e advogados em departamentos do governo e em órgãos de inteligência. Alguns desses homens já haviam sido liberados até antes — em 2006 e 2007, por exemplo — por juntas militares de revisão na administração Bush, mas não haviam sido libertados à época na qual Bush deixou o cargo.
Despite this, it’s possible that all of them — or nearly all of them — will still be held when al-Qosi is scheduled for release (and probably when Noor Uthman Muhammed’s date for release comes round in 2014), because 58 are Yemenis, and the release of Yemenis — even those cleared for release by President Obama’s own Task Force — was suspended by the president last January, after a backlash provoked by the discovery that Umar Farouk Abdulmutallab, the failed Christmas Day plane bomber in 2009, had been recruited in Yemen.
Apesar disso, é possível que todos eles — ou quase todos eles — ainda sejam mantidos presos na data programada para libertação de al-Qosi (e provavelmente quando a data de libertação de Noor Uthman Muhammed chegar, em 2014), porque 58 são iemenitas, e a libertação de iemenitas — mesmo aqueles liberados para libertação pela própria Força-Tarefa do Presidente Obama — foi suspensa pelo presidente em janeiro último, depois de reação negativa provocada pela descoberta de que Umar Farouk Abdulmutallab, o fracassado explodidor de bomba em avião do dia de Natal de 2009, havia sido recrutado no Iêmen.
The future is barely less bleak for the 31 other cleared prisoners who are still held because they face the risk of torture if sent back to their home countries (which include China, Libya, and Syria), and are waiting for third countries to offer them new homes instead. Although 15 countries have taken in 36 prisoners in this category (between May 2009 and August 2010), it’s possible that other countries’ well of good will has run dry and that the men will therefore remain at Guantánamo indefinitely, as Congress, lawmakers, and the administration itself have all made sure that no cleared prisoner will ever set foot on the U.S. mainland.
O futuro é muito pouco menos sombrio para os 31 outros prisioneiros liberados ainda mantidos cativos, pois enfrentam risco de tortura se mandados de volta para seus próprios países (que incluem China, Líbia e Síria), e estão à espera de terceiros países oferecerem-lhes guarida em lugar de seus próprios. Embora 15 países tenham aceito 36 prisioneiros nessa categoria (entre maio de 2009 e agosto de 2010), é possível que o poço de boa vontade dos outros países tenha secado e os homens pois permaneçam em Guantánamo indefinidamente, visto o Congresso, os legisladores e a própria administração já todos terem deixado certo nenhum prisioneiro liberado jamais colocar o pé no continente dos Estados Unidos.
As for the other men still held, the Task Force recommended that 33 should be put on trial. As a result, some may be tried by military commission before 2012 (the option for federal court trials having been cut off by Congress), and may, like al-Qosi, Omar Khadr, and Noor Uthman Muhammed, be offered plea deals. In part this is because the administration is fearful of losing if it proceeds with actual trials, and, in Muhammed’s case, it is because officials were obviously fearful that a trial would expose details of the case of Abu Zubaydah (with whom he was seized in Pakistan in March 2002), allowing room for lawyers to point out that this supposed “high-value detainee” and “al-Qaeda No. 3,” for whom the CIA’s torture program was specifically developed, was no such thing, and was instead a mentally damaged training camp facilitator. A trial in Muhammed’s case might also have allowed exposure for the story of Ibn al-Shaykh al-Libi, the emir of the camp, who was flown to Egypt by the CIA, tortured until he confessed to non-existent links between Saddam Hussein and al-Qaeda, which were used to justify the invasion of Iraq in March 2003, and later returned to Libya, where he died in mysterious circumstances in May 2009.
Quanto aos outros homens ainda mantidos presos, a Força-Tarefa recomendou que 33 sejam levados a julgamento. Em decorrência, alguns poderão ser julgados por comissão militar antes de 2012 (pois a opção de julgamento em tribunal federal foi impossibilitada pelo Congresso), e a eles poderão ser oferecidos acordos, como a al-Qosi, Omar Khadr e Noor Uthman Muhammed. Isso em parte porque a administração está temerosa de perder se der andamento a julgamentos de verdade e, no caso de Muhammed, porque as autoridades estavam obviamente temerosas de um julgamento expor detalhes do caso de Abu Zubaydah (com quem ele foi apanhado no Paquistão em março de 2002), dando espaço para que os advogados destaquem que esse pretenso “detento de alto valor” e “Número 3 da al-Qaeda,” para quem o programa de tortura da CIA foi especificamente desenvolvido, não era nada disso, e sim, antes, um facilitador de campo de treinamento sofrendo das faculdades mentais. Julgamento do caso de Muhammed também poderia ter permitido exposição da história de Ibn al-Shaykh al-Libi, o emir do campo, mandado pela CIA, de avião, para o Egito, torturado até confessar ligações inexistentes entre Saddam Hussein e a al-Qaeda, as quais foram usadas para justificar a invasão do Iraque em março de 2003, e posteriormente mandado de volta para a Líbia, onde morreu em circunstâncias misteriosas em maio de 2009.
For 47 others, however, even the option of trial is out of the question, as the Task Force concluded that they were too dangerous to release, but that there was insufficient evidence to put them on trial — in other words, that the supposed evidence is not evidence at all, but unverifiable statements and hearsay, often produced in dubious circumstances.
Para outros 47, porém, até a opção de julgamento está fora de questão, visto a Força-Tarefa ter concluído serem perigosos demais para libertação, mas haver evidência insuficiente para levá-los a julgamento — em outras palavras, a pretensa evidência não ser em absoluto evidência, e sim afirmações inverificáveis e boatos, amiúde produzidos em circunstâncias suspeitas. 
Even ignoring the valid presumption that some of these 47 men are almost certainly regarded as less significant than al-Qosi (and yet are to be held indefinitely), the mind reels at the revelation that the surest way out of Guantánamo is to be regarded as so significant that you are put forward for a trial by military commission and secure a favorable plea deal.
Mesmo ignorando a presunção básica de alguns desses 47 homens serem quase certamente vistos como menos importantes do que al-Qosi (e no entanto deverem ser mantidos presos indefinidamente), a revelação de que o modo mais seguro de sair de Guantánamo é ser visto como importante a ponto de ser escalado para julgamento por comissão militar e obter acordo favorável é de dar nó na mente.
It wasn’t supposed to be this way. After all, when Dick Cheney first revived the military commissions in November 2001, they were intended to provide a means to swiftly try and execute alleged terrorists after rigged trials in which evidence derived from torture was admissible. The Supreme Court brought this phase to an end in June 2006, ruling it illegal, but when the commissions were revived by Congress later that year in the Military Commissions Act of 2006, they were still regarded as a poor substitute for federal court trials by legal experts, who were particularly alarmed that they involved prosecutions for war crimes that were invented by Congress. Significantly, the same problems remained when Obama and Congress revived the commissions again in the summer of 2009.
Não deveria acontecer assim. Afinal de contas, quando pela primeira vez Dick Cheney reativou as comissões militares em novembro de 2001, a intenção delas era proporcionar um meio de se julgar e executar rapidamente pretensos terroristas depois de julgamentos de cartas marcadas nos quais admissível evidência obtida por meio de tortura. O Supremo Tribunal deu fim a essa fase em junho de 2006, declarando-a ilegal, mas quando as comissões foram reativadas pelo Congresso mais tarde naquele ano pela Lei das Comissões Militares de 2006, elas ainda eram vistas como substituto pífio para julgamentos em tribunal federal pelos especialistas em Direito, que se mostravam particularmente alarmados por elas envolverem processos por crimes de guerra inventados pelo Congresso. Sintomaticamente, os mesmos problemas permaneceram quando Obama e o Congresso reativaram de novo as comissões no verão de 2009.
Ironically, it may be this fundamental weakness, as much as the fear of losing trials, that is driving the Obama administration to seek plea deals rather than proceeding with trials, and which, in turn, is providing the majority of those charged with a better chance of leaving Guantánamo than their fellow prisoners.
Ironicamente, poderá ser essa debilidade fundamental, e bem assim o medo de perder em julgamentos, que está levando a administração Obama a buscar acordos em vez de dar andamento a julgamentos e que, por sua vez, está oferecendo à maioria dos que sofreram acusação melhor probabilidade de sair de Guantánamo do que a de outros prisioneiros.
Another irony is that we have been here before, but under George W. Bush. In August 2008, when Salim Hamdan, a Yemeni who had taken a job as part of bin Laden’s car pool, was tried by military commission, a military jury gave him a five and a half year sentence http://www.andyworthington.co.uk/2008/08/07/salim-hamdans-sentence-signals-the-end-of-guantanamo/, which translated to just five more months in Guantánamo when the judge in his case, Navy Capt. Keith Allred, took account of time served since Hamdan had first been charged.
Outra ironia é isso já ter acontecido antes, mas no governo de George W. Bush. Em agosto de 2008, quando Salim Hamdan, iemenita que arranjara emprego como parte da frota de carros de bin Laden, foi julgado por comissão militar, júri militar deu-lhe sentença de cinco anos e meio http://www.andyworthington.co.uk/2008/08/07/salim-hamdans-sentence-signals-the-end-of-guantanamo/, a qual se traduziu em apenas mais cinco meses em Guantánamo quando o juiz de seu caso, Capitão da Marinha Keith Allred, levou em conta o tempo cumprido por Hamdan desde quando acusado pela primeira vez.
As with al-Qosi, the administration claimed that it had the right to continue holding him even after his sentence was served, but in the end could not countenance what would, presumably, have been an international uproar. In al-Qosi’s case, it is to be hoped that similar concerns will prevail next July, but it is a sign of how monstrously and unjustly politicized Guantánamo has become in the US that it is by no means certain that the administration will recognize that certain principles — such as freeing prisoners after they have served their sentence — have to be honored if notions of justice are to mean anything at all.
Como no caso de al-Qosi, a administração asseverou ter direito de continuar a mantê-lo preso mesmo depois de sua sentença ser cumprida mas, no fim, não conseguiu manter sua posição em relação a algo que teria provocado, presumivelmente, alvoroço internacional. No caso de al-Qosi, é de esperar que preocupações semelhantes venham a prevalecer em julho próximo, mas é sinal do quanto Guantánamo se tornou monstruosa e injustamente politizada nos Estados Unidos o não ser, de modo algum, certo a administração venha a reconhecer que determinados princípios — tal como o de libertar prisioneiros uma vez tenham eles cumprido sua sentença — tenham de ser honrados se é que as noções de justiça significam qualquer coisa em absoluto.
By December 2008, Hamdan was a free man, back home in Yemen, and as I explained at the time of his sentence, and of his release, this should have shattered the supposed justification for holding every other prisoner regarded as less significant than him, although this did not happen then, just as it is not happening now, in the case of Ibrahim al-Qosi.
Em dezembro de 2008 Hamdan era homem livre, de volta ao Iêmen e, como expliquei à ocasião de sua sentença, e de sua libertação, isso deveria ter abalado a pretensa justificativa para manterem-se presos todos os outros cativos considerados menos importantes do que ele, embora isso não tenha acontecido então, do mesmo modo que não está acontecendo agora, no caso de Ibrahim Ibrahim al-Qosi.
History repeating itself this way should, of course, be a humiliation for the Obama administration, but I suppose that no one in a position of authority really cares that they are presiding over a prison in which Kafka meets Alice in Wonderland, as, crucially, the American people don’t care in sufficient numbers, and all that matters now is sending out the right messages to try and win the 2012 presidential election.
A história repetindo-se a si própria desse modo deveria, obviamente, constituir humilhação para a administração Obama, mas suponho que ninguém em posição de autoridade realmente se importe de estar superintendendo uma prisão na qual Kafka encontra Alice no País das Maravilhas, visto que, crucialmente, o povo estadunidense não se importa em número suficiente, e tudo o que importa agora é mandar as mensagens certas para tentar vencer a eleição presidencial de 2012.
Andy Worthington is the author of The Guantánamo Files: The Stories of the 774 Detainees in America’s Illegal Prison (published by Pluto Press) and serves as policy advisor to the Future of Freedom Foundation. Visit his website at: www.andyworthington.co.uk.
Andy Worthington é autor de Os Arquivos de Guantánamo: As Histórias dos 774 Detentos na Prisão Ilegal dos Estados Unidos (publicado pela Pluto Press) e atua como conselheiro de políticas de A Fundação Futuro de Liberdade. Visite o website dele em: www.andyworthington.co.uk.

Wednesday, February 23, 2011

FFF - Commentaries - When Will George W. Bush Be Tried for His War Crimes?

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COMMENTARIES COMENTÁRIOS
When Will George W. Bush Be Tried for His War Crimes?
by 
Sheldon Richman, February 21, 2011
Quando Será George W. Bush Julgado por Seus Crimes de Guerra?
por Sheldon Richman, 21 de fevereiro de 2011
We should take a small measure of satisfaction in former President George W. Bush’s cancellation of his trip to Switzerland after human-rights groups threatened to bring legal action against him for authorizing torture. Persons detained by the U.S. government after 9/11 were subjected to what the Bush administration euphemistically called “enhanced interrogation,” including waterboarding. In reality those methods constituted torture, violating U.S. law and international agreements. Deveríamos permitir-nos pequena dose de satisfação pelo cancelamento, pelo ex-Presidente George W. Bush, de sua viagem à Suíça depois de grupos de direitos humanos ameaçarem abrir processo legal contra ele por ter autorizado tortura. Pessoas detidas pelo governo dos Estados Unidos depois do 11/9 foram sujeitadas ao que a administração Bush chamou eufemisticamente de “interrogatório intensificado,” incluindo o waterboarding(*). Em realidade esses métodos constituíam tortura, violando a lei dos Estados Unidos e acordos internacionais.

(*) O waterboarding é uma forma de afogamento controlado que logra obter dois efeitos simultâneos, levando a ‘confissão’ da vítima em questão de segundos: a sensação de afogamento e o reflexo faríngeo, ou reflexo de engasgo. Há uma boa foto de aplicação do waterboarding em http://science.howstuffworks.com/water-boarding.htm
Under those agreements charges can be filed against members of the Bush administration in jurisdictions outside the United States. The Center for Constitutional Rights along with European groups said they will ask Swiss authorities to initiate a criminal case against Bush. They also planned to file their own complaint. Nos termos desses acordos, pode ser dada entrada em acusações contra membros da administração Bush em jurisdições fora dos Estados Unidos. O Centro de Direitos Constitucionais, juntamente com grupos europeus, disse que pediria às autoridades suíças que dessem início a processo criminal contra Bush. Planejava também dar entrada em sua própria queixa.
If all that Bush and members of his administration suffer for their crimes are travel restrictions, it will be a mild penalty indeed. (Alas, the U.S. government can and probably will obtain immunity for him.) They deserve far more, starting with a public criminal investigation in the United States, followed by trials. But President Obama says there will be no investigation of top officials. Wishing to “look ahead,” he has decided to treat Bush & Co. as above the law, embracing Richard Nixon’s maxim, When the president does it, it’s not illegal. In Germany that used to be known as the Führer Principle. Many of us naively thought it was repudiated at the Nuremberg trials after World War II. How wrong we were. The stain that Bush and Obama have left on America won’t fade anytime soon. Se tudo o que Bush e membros de sua administração sofrerem por seus crimes for restrições de viagem, tratar-se-á, com efeito, de penalidade leve. (Infelizmente o governo dos Estados Unidos pode e provavelmente obterá imunidade para ele.) Eles merecem muito mais, começando com investigação criminal pública nos Estados Unidos, seguida de julgamentos. O Presidente Obama, contudo, diz que não haverá investigações de autoridades de alto escalão. Desejando “olhar para a frente,” decidiu tratar Bush & Cia como acima da lei, adotando a máxima de Richard Nixon: Quando o presidente é quem faz, não é ilegal. Na Alemanha isso era chamado de o Princípio do Führer. Muitos de nós ingenuamente pensávamos que ele havia sido repudiado nos julgamentos de Nuremberg depois da Segunda Guerra Mundial. A nódoa que Bush e Obama deixam nos Estados Unidos não será removida tão cedo.
It would have been bad enough to torture people actually suspected of wrongdoing, but the Bush administration went well beyond that. Many people subjected to hideous treatment were picked up on the flimsiest of “evidence.” People were offered bounties to turn others in; naturally, some saw that as a chance to settle old scores having nothing to do with terrorism. Absence of evidence (as former Defense Secretary Donald Rumsfeld might say) was not considered evidence of absence. In at least one case, a man was tortured — by the U.S. government’s helper in Egypt, Omar Suleiman — to get the prisoner to say that Iraqi dictator Saddam Hussein had trained al-Qaeda agents. Bush and Vice President Dick Cheney badly wanted to justify their preexisting wish to effect regime change in Iraq by tying Saddam to 9/11. But there was never any evidence of Iraqi complicity. Já teria sido ruim o bastante torturar pessoas de fato suspeitas de atos ilícitos, mas a administração Bush foi muito além. Muitas pessoas sujeitas a pavoroso tratamento foram apanhadas com base na mais frágil “evidência.” Foi oferecida recompensa para pessoas entregarem outras pessoas; naturalmente, alguns viram nisso uma oportunidade de acertar velhas contas que nada tinham a ver com terrorismo. A ausência de evidência (como poderia dizer o ex-Secretário de Defesa Donald Rumsfeld) não era considerada evidência de ausência. Em pelo menos um caso, um homem foi torturado — pelo auxiliar do governo dos Estados Unidos no Egito, Omar Suleiman — para fazer com que o prisioneiro dissesse que o ditador iraquiano Saddam Hussein havia treinado agentes da al-Qaeda. Bush e o Vice-Presidente Dick Cheney desejavam ardorosamente justificar seu desejo preexistente de efetuar mudança de regime no Iraque mediante vincular Saddam ao 11/9. Nunca houve, porém, qualquer evidência de cumplicidade do Iraque.
That reminds us that torture was not the only crime committed by the Bush administration. The Iraq and Afghanistan wars were also (and still are) outrages because, among other reasons, they were based on lies. Bush officials, such as Rumsfeld and Secretary of State Colin Powell, now acknowledge “misstatements,” but that can hardly be taken seriously. We know that back then grave doubts were expressed over the quality of the so-called intelligence about Saddam’s alleged weapons of mass destruction. Rumsfeld’s excuses are pathetic. When he beat the drums for war, he said he knew where Saddam’s WMDs were. Now he says he meant he knew the location of “suspected sites.” Did he step out of Orwell’s 1984? Isso nos faz lembrar de que a tortura não foi o único crime cometido pela administração Bush. As guerras de Iraque e Afeganistão também foram (e ainda são) um acinte por, entre outros motivos, terem-se baseado em mentiras. As autoridades de Bush, tais como Rumsfeld e o Secretário de Estado Colin Powell, hoje reconhecem “declarações errôneas,” mas isso dificilmente poderá ser levado a sério. Sabemos que já naquele tempo foram expressadas graves dúvidas acerca da qualidade da assim chamada inteligência quanto às alegadas armas de destruição em massa de Saddam. As desculpas de Rumsfeld são patéticas. Quando fazia soar os tambores de guerra, dizia que sabia onde estavam as armas de destruição em massa de Saddam. Agora diz que sabia a localização de “lugares suspeitos.” Terá ele saído do 1984 de Orwell?
As many people long have believed, the Bush administration’s defector/informants were lying, but their American handlers didn’t care. The one known as Curvevball, Rafid Ahmed Alwan al-Janabi, admits he lied about Iraq’s biological weapons. “I had the chance to fabricate something to topple the regime. I and my sons are proud of that....” Janabi said, according to the Guardian. Como muitas pessoas acreditam há muito tempo, os desertores/informantes da administração Bush estavam mentindo, mas seus gerentes estadunidenses não se importavam. O conhecido como Curvevball, Rafid Ahmed Alwan al-Janabi, admite ter mentido acerca das armas biológicas do Iraque. “Tive a oportunidade de inventar algo para derrubar o regime. E meus filhos orgulham-se disso….,” disse Janabi, de acordo com o Guardian.
Is he proud of the million Iraqis who died, directly and indirectly, because of the war he helped bring about? How about all the maimed children? Are Bush, Cheney, Rumsfeld, Powell, and Condoleezza Rice satisfied that they relied on Janabi? Did they really have no reason for skepticism about his claims and motives? Terá ele orgulho do milhão de iraquianos que morreu, direta e indiretamente, devido à guerra que ajudou a desencadear? E quanto às crianças mutiladas? Estão Bush, Cheney, Rumsfeld, Powell e Condoleezza Rice satisfeitos de terem confiado em Janabi? Será que eles realmente não tinham nenhum motivo de ceticismo no tocante às afirmações e às motivações dele?
Americans are forced to spend billions of dollars on intelligence-gathering every year. Yet many insiders doubted what the administration was told about Iraqi WMDs in 2002. So what? Bush & Co., hell bent on killing Arabs after 9/11, weren’t interested in evidence or the lack thereof. They needed a way to scare the American people into war, and nothing was going to stop them. Os estadunidenses são forçados a gastar biliões de dólares, todo ano, em coleta de inteligência. No entanto, muitas pessoas de dentro duvidavam do que a administração havia dito, em 2002, acerca das armas de destruição em massa do Iraque. E daí? Bush & Cia., decididos a matar árabes depois do 11/9, não estavam interessados em evidência ou na falta dela. Precisavam de algum modo de causar pavor no povo estadunidense levando-o à guerra, e nada os deteria.
Let us hope the retribution against this evil bunch is only just beginning. Esperemos que a retribuição contra esse bando maligno esteja apenas começando.
Sheldon Richman is senior fellow at The Future of Freedom Foundation, author of Tethered Citizens: Time to Repeal the Welfare State, and editor of The Freeman magazine. Visit his blog “Free Association” at www.sheldonrichman.com. Send him email. Sheldon Richman é integrante de alto nível de A Fundação Futuro de Liberdade, autor de Cidadãos no Cabresto: Hora de Repudiar o Estado Assistencialista e editor da revista  O Homem Livre. Visite o blog dele, “Livre Associação,” em www.sheldonrichman.com. Envie-lhe email.

Sunday, February 20, 2011

FFF - Commentaries - U.S. Versus the Egyptian People

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COMMENTARIES COMENTÁRIOS
U.S. Versus the Egyptian People
by Sheldon Richman, February 14, 2011
Os Estados Unidos Contra o Povo Egípcio
por
 Sheldon Richman, 14 de fevereiro de 2011
The last thing the U.S. policy elite wants is real democracy in Egypt. That country has been a linchpin of American foreign policy for more than 30 years precisely because its government has been able to defy the will of the Egyptian people. If that should change now, America’s rulers and their Israeli partners will be in panic mode, if they aren’t already. A última coisa que a elite política dos Estados Unidos quer é democracia real no Egito. Aquele país veio sendo elemento crítico da política externa estadunidense por mais de 30 anos precisamente pelo fato de seu governo ter sido capaz de afrontar a vontade do povo egípcio. Se isso mudar agora, os governantes dos Estados Unidos e seus parceiros israelenses entrarão em estado de pânico, se ainda não entraram.
We may discount the insipid kind-of-pro-democracy statements coming from President Barack Obama and Secretary of State Hillary Clinton. They wanted the street protesters to go away, and if lip service to human rights would help bring that about, then they would engage in it. But they were careful not to encourage the throngs in Cairo’s Tahrir (Liberation) Square because they don’t trust common people with big decisions. Obama and Clinton played a cunning game, but rather ineptly. Earlier this month their special envoy, Frank Wisner, publicly said his old friend Egyptian dictator Hosni Mubarak “must stay in office to steer” the way toward a “national consensus around the preconditions” for reform. Clinton tried to distance herself from Wisner’s too-blunt words before essentially saying the same thing later. Podemos descontar as insípidas declarações de tipo pró-democracia oriundas do Presidente Barack Obama e da Secretária de Estado Hillary Clinton. Eles queriam que os manifestantes de rua fossem para casa, e se falsos elogios aos direitos humanos pudessem ajudar a fazer isso acontecer, proferi-los-iam. Tomaram, contudo, o cuidado de não estimular a multidão na Praça Tahrir (Libertação) do Cairo, porque não confiam em que pessoas comuns possam tomar grandes decisões. Obama e Clinton fizeram um jogo astucioso, mas bastante ineptamente. Mais cedo este mês o enviado especial deles, Frank Wisner, disse publicamente que seu velho amigo o ditador egípcio Hosni Mubarak “tem de continuar no cargo para manter sob controle” a marcha rumo a um “consenso nacional acerca das precondições” da reforma. Clinton tentou distanciar-se das palavras demasiado desbocadas de Wisner antes de, posteriormente, dizer essencialmente a mesma coisa.
But events moved too fast, and now Mubarak is history. Os eventos, porém, moveram-se demasiado rápido, e agora Mubarak é história.
The American policymakers must be frustrated. They need a firm hand in Egypt, but Mubarak stayed too long and they were powerless to maneuver Vice President Omar Suleiman into power. Suleiman was to be their new man. He had been a good servant through the years: When the CIA needed to have someone tortured, he was the go-to guy. The people would not have accepted him as the successor to Mubarak. Os formuladores de políticas estadunidenses certamente estão frustrados. Precisam de mão forte no Egito, mas Mubarak ficou tempo demais e eles foram impotentes para fazer a manobra de colocar o Vice-Presidente Omar Suleiman no poder. Suleiman seria seu novo homem. Havia sido bom servidor ao longo dos anos: Quando a CIA precisava de alguém ser torturado, ele era o cara com quem falar. O povo não o teria aceito como sucessor de Mubarak.
Why did the U.S. government side with authoritarianism in Egypt? To update what Franklin Roosevelt is reported to have said about Nicaraguan dictator Anastasio Somoza in 1939: Mubarak and Suleiman may have been sons of bitches, but they were our sons of bitches. For decades they were faithful agents of the American empire, at a cost of well over a $1 billion a year from American taxpayers. In the eyes of the power elite, it was money well spent. Por que o governo dos Estados Unidos apoiou o autoritarismo no Egito? Para atualizar o que se diz Franklin Roosevelt ter dito acerca do ditador nicaraguense Anastasio Somoza em 1939: Mubarak e Suleiman podem ter sido filhos da puta, mas eram nossos filhos da puta. Durante décadas foram agentes fiéis do império estadunidense, a custo de bem mais de $1 bilião de dólares por ano dos contribuintes estadunidenses. Aos olhos da elite do poder, era dinheiro bem empregado.
Support for Egyptian dictators was part of a bigger plan. Since World War II, when America succeeded Great Britain as the chief imperial power in the region, the U.S. government has opposed Arab nationalism and independence, and supported any ruler — secular or religious — who would toe the U.S. line. When it was necessary to cultivate the Muslim Brotherhood in Egypt because it hated secular nationalism and Marxism, that was the policy the Americans pursued. (In 1953 Dwight Eisenhower hosted a Muslim Brotherhood envoy at the White House, despite its reputation for violence.) At other times, it supported autocratic rulers who suppressed that organization (which renounced violence more than 50 years ago). It all depended on who America’s official enemy was and who was willing to carry water for the U.S. government — a cynical game, but that’s what superpowers do to gain their objectives. O apoio a ditadores egípcios era parte de um plano maior. Desde a Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos sucederam a Grã-Bretanha como principal poder imperial na região, o governo dos Estados Unidos veio-se opondo ao nacionalismo e à independência árabes, e apoiou qualquer governante — secular ou religioso — que se enquadrasse na linha dos Estados Unidos. Quando foi necessário manter boas relações com a Irmandade Muçulmana no Egito por ela odiar o nacionalismo secular e o marxismo, essa foi a política perseguida pelos estadunidenses. (Em 1953 Dwight Eisenhower recebeu um enviado da Irmandade Muçulmana na Casa Branca, a despeito da reputação dela de violência.) Em outras ocasiões, apoiou governantes autocráticos que reprimiram aquela organização (que renunciou à violência há mais de 50 anos). Tudo dependia de quem era o inimigo oficial dos Estados Unidos e de quem estava disposto a carregar água para o governo dos Estados Unidos — um jogo cínico, mas isso é o que as superpotências fazem para atingir seus objetivos.
And what were America’s objectives? Control of the vast oil reserves, which are seen as essential to U.S. global hegemony, and (mostly for domestic political reasons) unconditional support of Israel, including its expansion onto Palestinian land and intimidation of its neighbors. Any Arab leader willing to advance those goals — no matter how brutal or defiant of the people — could be a well paid friend of the United States. Otherwise, watch out. E quais eram os objetivos dos Estados Unidos? Controle das vastas reservas de petróleo, vistas como essenciais para a hegemonia global dos Estados Unidos e (principalmente por motivos políticos domésticos) apoio incondicional a Israel, inclusive a expansão daquele país para dentro de terra palestina e intimidação dos vizinhos dele. Qualquer líder árabe disposto a promover esses objetivos — não importa quão brutal ou afrontador do povo — podia tornar-se bem-pago amigo dos Estados Unidos. Caso contrário, cuidado.
The problem for America’s policy elite is that Arabs like neither foreign interference nor the brutal treatment of the Palestinians. That’s why they had to be denied a say in their own governance. Look up what happened when the “wrong” parties won elections in Algeria and Gaza. If the winner in a free Egyptian election is a party that sides with the long-suffering Palestinians, don’t expect the U.S. government to stand by. O problema da elite política dos Estados Unidos é os árabes não gostarem nem de interferência estrangeira nem do tratamento brutal dispensado aos palestinos. Eis porque foi necessário negar a eles voz ativa quanto à própria maneira de serem governados. Vejam só o que aconteceu quando os partidos “errados” ganharam as eleições na Argélia e em Gaza. Se o vencedor numa eleição egípcia livre for um partido que se ponha a favor dos palestinos sofredores há tanto tempo, não esperem que o governo dos Estados Unidos o apoiem.
And yet what could it do? Egyptians have experienced people power. They know what it’s like to abolish a government. Incredibly, Mubarak is gone, and resistance to other dictators is spreading. For America’s rulers, the chickens are on their way home. How could they not have known this day would come? E no entanto o que poderá ele fazer? Os egípcios tiveram a experiência do poder do povo. Sabem o que é extinguir um governo. Incrível, mas Mubarak se foi, e a resistência a outros ditadores está-se espalhando. Para os governantes dos Estados Unidos, a hora da verdade está chegando. Como não saberiam eles que esse dia chegaria?
Sheldon Richman is senior fellow at The Future of Freedom Foundation, author of Tethered Citizens: Time to Repeal the Welfare State, and editor ofThe Freeman magazine. Visit his blog “Free Association” at www.sheldonrichman.com. Send him email. Sheldon Richman é integrante de alto nível de A Fundação Futuro de Liberdade, autor de Cidadãos no Cabresto: Hora de Repudiar o Estado Assistencialista, e editor da revista O Homem Livre. Visite o blog dele, “Livre Associação” em www.sheldonrichman.com. Envie-lhe email.