Sunday, March 22, 2015

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Israelis vote against pretence of peace
Israelenses votam contra pantomima de paz
Published time: March 18, 2015 14:01
Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu waves to supporters at the party headquarters in Tel Aviv March 18, 2015. (Reuters / Amir Cohen)
Despite the predictions, the Israeli left has been soundly beaten in Tuesday’s elections by its more honest ‘right wing’, whose commitment to the total eradication of the Palestinians as any kind of political entity is openly stated.
A despeito das previsões, a esquerda israelense foi exemplarmente batida nas eleições de terça-feira pela ‘direita,’ mais honesta, cujo compromisso com a total erradicação dos palestinos como qualquer forma de entidade política é enunciado sem rebuços.
The defeat of the Zionist Union, ostensibly committed to negotiations and a two-state solution, should not, therefore, be read as the defeat of any genuine desire for peace, but as an increasing desire amongst Israelis to abandon the pretence that they seek anything other than permanent violent colonial domination of the indigenous Arabs.
A derrota da União Sionista, pretensamente comprometida com negociações e com solução de dois estados, não deverá, portanto, ser entendida como derrota de qualquer desejo genuíno de paz, e sim como desejo crescente, entre os israelenses, de abandonarem a ficção de estarem buscando qualquer outra coisa que não domínio colonial permanente violento dos árabes indígenas.
The traditional means of justifying the ongoing “incremental genocide”’ of the Palestinians, to use Ilan Pappe’s apt phrase, has been to sporadically initiate fraudulent “peace talks”, the inevitable collapse of which serves to justify the next round of bloodletting. These talks, such as those culminating in Barak’s so-called “generous offer” in 2000 – of which more below – are thus embarked on not to resolve the conflict but to justify its escalation, and in a way that simultaneously brings Israel’s international partners on board and salves the consciences of Israeli ‘liberals’. The rejection, then, of the Zionist Union and its commitment to “peace talks”’ represents an end to any perceived necessity to do either.
O meio tradicional de justificar o permanente “genocídio incremental”’ dos palestinos, para usar a expressão feliz de Ilan Pappe, tem sido iniciar esporadicamente fraudulentas “conversações de paz”, o inevitável colapso das quais serve para justificar a próxima rodada de derramamento de sangue. Essas conversações, tais como as que culminaram na assim chamada “generosa oferta” de Barak em 2000 – da qual falaremos abaixo – são pois utilizadas não para resolver o conflito, e sim para justificar a escalada dele, e de maneira tal que simultaneamente una sob a liderança israelense seus parceiros internacionais e aplaque a consciência dos ‘liberais’ de Israel. A rejeição, portanto, da União Sionista e de seu compromisso com “negociações de paz”’ representa fim de percepção de necessidade de fazer qualquer das duas coisas acima citadas.
The differences between the two parties were always, then, more a matter of presentation than of policies or goals. Indeed, the list of policies which were not up for negotiation was predictably long.
As diferenças entre os dois partidos sempre foram, pois, mais questão de apresentação do que de políticas ou objetivos. Na verdade, a lista de políticas não passíveis de negociação era previsivelmente longa.
On Iran, there is little difference between the two main parties, with Isaac Herzog, leader of the opposition Zionist Union declaring that “No Israeli leader will accept a nuclear Iran”- followed, naturally, by that classic war-cry, “All options are on the table.”
No tocante ao Irã, há pouca diferença entre os dois principais partidos, com Isaac Herzog, líder da oposicionista União Sionista declarando que “Nenhum líder israelense aceitará Irã nuclear”- seguido, naturalmente, do clássico grito de guerra “Todas as opções estão em cima da mesa.
On Gaza, both sides supported last summer’s aerial bombardment, with Herzog giving his full support to Netanyahu’s slaughter. Of the seven week ‘campaign’ - which killed or maimed over 12,000 men, women and children and left over 100,000 homeless - Herzog said that he backed “the decisions of the political and military leadership, which were reasonable and sensible throughout the operation” Al Monitor even commented that: “Given all the critical barbs that Netanyahu faced throughout the war not only from his coalition partners, but even from senior members of his own party, he could not have hoped for a more supportive and statesmanlike opposition leader.”
No tocante a Gaza, ambos os lados apoiaram o bombardeio aéreo do último verão, com Herzog dando total apoio à chacina de Netanyahu. Acerca da ‘campanha’ de sete semanas - que matou ou mutilou mais de 12.000 homens, mulheres e crianças e deixou mais de 100.000 pessoas sem teto - Herzog disse que apoiava “as decisões da liderança política e militar, que foram razoáveis e sensatas durante a operação.” O Al Monitor inclusive comentou que: “Considerando-se todas as farpas políticas que Netanyahu enfrentou no decorrer da guerra, não apenas de seus parceiros de coalizão mas até de membros de alto nível de seu próprio partido, não poderia ter sido esperado líder de oposição mais solidário e com mais postura de homem do estado.”
And on Syria, both have consistently (and unsurprisingly) supported the armed insurgency against the Assad government. Most recently both Herzog and his ZU partner Tzipi Livni declared their support for the January 18th airstrike on Syria which wiped out six leading Hezbollah commanders – that is to say, six of the most effective military leaders in Syria’s war against ISIS – but this comes on the back of years of support for the Syrian ‘rebels’ who, Herzog (correctly) noted in 2012, “want peace with Israel after Assad falls” and “wish to ‘be friends’ with the Jewish state.” Elsewhere Herzog is reported as having “built close ties with figures in the Syrian opposition” and called for a US war against Syria – a move which would very likely have led to a full ISIS takeover of the country.
E quanto à Síria, ambos consistentemente (e não surpreendentemente) apoiaram a insurgência armada contra o governo Assad. Mais recentemente ambos Herzog e sua parceira do ZU Tzipi Livni declararam seu apoio ao ataque de 18 de janeiro à Síria que varreu da face da Terra seis importantes comandantes do Hezbollah – vale dizer, seis dos mais eficazes líderes militares na guerra da Síria contra o ISIS – mas isso vem em na esteira de/ em acréscimo a anos de apoio aos ‘rebeldes’ sírios que, observou Herzog (corretamente) em 2012, “querem a paz com Israel depois que Assad cair” e “desejam ‘amizade’ com o estado judaico.” Algures Herzog é citado como tendo “construído estreitos vínculos com figuras da oposição síriae pedido publicamente guerra dos Estados Unidos à Síria – lance que teria muito provavelmente levado a tomada total do país pelo ISIS.
Palestinian artists paint on the remains of car that witnesses said was destroyed by Israeli shelling during a 50-day war last summer, in Rafah in the southern Gaza Strip February 24, 2015. (Reuters / Ibraheem Abu Mustafa)
Support for the crippling, if not total destruction, of Syria, Iran and Palestine – this is all a given in Israeli politics. On these issues, there is nothing to discuss. As Meron Rappoport has noted, “the Palestinian issue was almost totally absent from this campaign.
Apoio ao estropiamento, se não a total destruição, de Síria, Irã e Palestina – isso é ponto pacífico na política israelense. No tocante a essas questões, nada há para discutir. Como Meron Rappoport observou, “a questão palestina ficou quase totalmente ausente nessa campanha.
Veteran Israeli commentator Gideon Levy elaborated: “The horrible war that took place just a few months ago – which cost Israel 10 billion shekels and dozens of lives, as well as the lives of over 2,000 Palestinians in Gaza, including hundreds of women and children, and which did not achieve anything or bring about change – hasn’t been discussed at all.
O veterano comentador israelense Gideon Levy explicou de modo mais detalhado: “A horrível guerra que teve lugar há apenas poucos meses – que custou a Israel 10 biliões de shekels e muitas vidas, bem como as vidas de mais de 2.000 palestinos em Gaza, inclusive centenas de mulheres e crianças, e que não conseguiu nada nem trouxe mudança – não foi em absoluto discutida.
Yet, we are led to believe that there are differences – significant ones – even on these so-called ‘foreign policy’ issues (yes, for European inhabitants of historic Palestine, it seems, even Palestine itself is considered ‘foreign policy’). As Avi Shlaim has written, “the Israeli voter is invited to choose between two starkly contrasting visions. For the Zionist Union, ending the occupation is a long-term strategic goal. It advocates negotiations with the Palestinian Authority, leading to a two-state solution to the conflict... [whereas] Netanyahu is doing everything in his power to prevent the emergence of a viable Palestinian state. His long-standing and unswerving policy is to oppose Palestinian freedom, self-determination, and statehood. He is the unilateralist par excellence. Land confiscation, economic strangulation, and brutal repression are his chief policy instruments for consolidating Israel's control over the West Bank.”
Nada obstante, querem que acreditemos haver diferenças – significativas – até mesmo nessas questões assim chamadas de ‘política externa’ (sim, para habitantes europeus da Palestina histórica, parece, até a própria Palestina é considerada assunto de ‘política externa’). Como escreveu Avi Shlaim, “o eleitor israelense é convidado a escolher entre duas visões fortemente contrastantes. Para a União Sionista, acabar a ocupação é objetivo estratégico de longo prazo. Defende negociações com a Autoridade Palestina, levando a solução de dois estados para o conflito... [enquanto] Netanyahu está fazendo tudo em seu poder para impedir o surgimento de estado palestino viável. Sua política de longo tempo e inflexível é opor-se a liberdade, autodeterminação e estado palestinos. Ele é unilateralista por excelência. Conficos de terra, estrangulamento econômico e repressão brutal são seus principais instrumentos de política para consolidar o controle da Cisjordânia por Israel.”
It seems, then, that there are fundamental differences on the conflict after all: Herzog’s desire for negotiations, leading to a Palestinian state, appears to contrast strongly with Netanyahu’s policy of sabotaging peace talks and making a Palestinian state impossible. Yet the reality is, these seemingly contradictory policies in fact work in tandem.
Pareceria, pois, haver diferenças fundamentais no tocante ao conflito, afinal de contas: o desejo de Herzog de negociações, levando a estado palestino, parece contrastar agudamente com a política de Netanyahu de sabotar conversações de paz e tornar impossível construção de estado palestino. No entanto a realidade é, essas políticas aparentemente contraditórias na verdade funcionam em sincronia.
Is Herzog’s vision really that of the “Palestinian freedom, self-determination, and statehood” so vehemently opposed by Netanyahu? It is revealing that Ehud Barak gave wholehearted public backing to Herzog. Barak, lest we forget, was in 2000 the architect of the so-called “generous offer” of a ‘state’ divided into a series of discontiguous cantons, the abandonment of the right to return, and the forfeiting of much of East Jerusalem – in other words, a state pretty much shorn of all the meaningful attributes of statehood. That Barak now argues that Herzog “can be trusted to deal with the Palestinians,” suggests that he “can be trusted” to make just such an offer in any future negotiations - an offer that is virtually guaranteed to be rejected, but which allows the Israelis to embark on another round of war – and for US and Britain to support it – safe in the delusion that they ‘tried’ to resolve things, but those bloody-minded Palestinians rejected their magnanimity once again.
É a visão de Herzog realmente a de “liberdade, autodeterminação e condição de estado dos palestinos” tão veementemente oposta à de Netanyahu? É revelador que Ehud Barak tenha dado apoio público completo e entusiástico a Herzog. Barak, para que não esqueçamos, foi, em 2000, o arquiteto da assim chamada “oferta generosa” de um ‘estado’ dividido numa série de cantões descontínuos, a extinção do direito de regresso, e a renúncia a Jerusalém Leste – em outras palavras, estado praticamente tosado de todos os atributos relevantes da condição de estado. Que Barak agora argumente que Herzog “merece confiança quanto a lidar com os palestinos” sugere que este “mereça confiança” quanto a fazer exatamente a mesma oferta em negociações futuras - oferta a ser praticamente garantidamente rejeitada, mas que permitiria aos israelenses lançarem-se a outra rodada de guerra – e a Estados Unidos e Grã-Bretanha apoiarem-nos – de pé firme no desvario de que eles ‘tentaram’ resolver as coisas, mas esses palestinos turrões rejeitaram mais uma vez sua magnanimidade.
In other words, even this apparent difference on Palestinian statehood disguises another basic shared commitment to preventing a functioning, stable and genuinely independent Palestinian state. The difference is between offering the Palestinians a state bereft of the key attributes of statehood, or offering them nothing at all. But the relation between these apparently opposing policies has always been cyclical and symbiotic, with Israel alternating between punishing the Palestinians, and offering them a chance to sell out. Once the sell-out is rejected, the next round of bloodletting could then be undertaken with a ‘clean conscience’. The victory of Likud represents the desire for an end to this cycle of fraudulent negotiations followed by sporadic massacres, in favor of a policy which simply gets on with the massacring.
Em outras palavras, mesmo essa aparente indiferença acerca da condição de estado para os palestinos disfarça outro compromisso básico compartilhado para impedir estado palestino funcional, estável e genuinamente independente. A diferença está entre ou oferecer aos palestinos estado destituído dos atributos relevantes de estado, ou oferecer-lhes absolutamente nada. A relação, contudo, entre essas políticas aparentemente opostas sempre foi cíclica e simbiótica, com Israel alternando-se entre punir os palestinos e oferecer-lhes oportunidade de traírem suas crenças e princípios. Uma vez rejeitada a traição de crenças e princípios, poderá se empreendida a próxima rodada de derramamento de sangue com a ‘consciência limpa’. A vitória do Likud representa o desejo de fim desse ciclo de negociações fraudulentas seguidas de massacres esporádicos, em favor de política que simplesmente vá em frente com o massacre.
But before those of us in the West get on our high horse of condemnation, we should remember that, just as Israel and Palestine is a microcosm of relations between the West and the Global South as a whole, so is Israeli politics the mirror image of politics in Britain, the US, France and all the other countries who ape their political systems. Just as Israel is divided between those who like their wars openly racist and those who prefer to delude themselves that they only come about after “everything else has been tried,” so the rest of the Western world is divided between those who want to fight their wars openly using high tech weapons fired from battleships proudly waving their own flags, and those who would prefer to lurk in the background, sending over their ‘trainers’ and‘non-lethal’ weaponry whilst waging economic warfare against all those powers who refuse to submit to Western dictate. It is divided between the increasingly overt racism of UKIP, the Front National or the Tea Party, or the respectable racism of those whose immigration quotas, detention centers and police murders come couched in terms of regrettable necessities. What is not being contested in any of these elections is the commitment to a continuation of the war against the third world in some form – not in Israel, not in the US, and certainly not in Britain. And, just as in Israel, the trend is towards doing away with the pretence altogether - and openly embracing fascism.
Antes porém de nós, no Ocidente, arvorarmo-nos altaneiramente em juízes condenadores, lembremo-nos de que, do mesmo modo que Israel e Palestina são microcosmo das relações entre o Ocidente e o Sul Global como um todo, também a política de Israel é a imagem invertida da política na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos, na França e em todos os outros países que copiam seus sistemas políticos. Do mesmo modo que Israel está dividido entre aqueles que preferem suas guerras abertamente racistas e aqueles que preferem iludir-se dizendo que elas só ocorrem depois que “tudo o mais já foi tentado,” assim o resto do mundo ocidental está dividido entre aqueles que desejam conduzir suas guerras abertamente usando armas de alta tecnologia disparadas de navios de guerra que orgulhosamente agitam suas próprias bandeiras, e aqueles que preferem espreitar a partir do plano de fundo, enviando seus ‘treinadores’ e armas ‘não letais’ enquanto conduzem guerra econômica contra todas aquelas potências que se recusem a submeter-se ao édito do Ocidente. Está dividido entre o racismo cada vez mais aberto de UKIP, Frente Nacional ou Partido do Chá, e o racismo respeitável daqueles cujas quotas de imigração, centros de detenção e assassínios pela polícia vêm acondicionados no palavreado de lamentáveis imprescindibilidades. O que não está sendo contestado em nenhuma dessas eleições é o compromisso com continuação da guerra contra o terceiro mundo de alguma forma – não em Israel, não nos Estados Unidos, e certamente não na Grã-Bretanha. E, do mesmo modo que em Israel, a tendência é no sentido de acabar completamente com a pantomima - e adotar abertamente o fascismo.
Dan Glazebrook, for RT.
Dan Glazebrook is a political writer and author of “Divide and Ruin: The West's Imperial Strategy in an Age of Crisis”.
Dan Glazebrook é escritor político e autor de “Dividir para Arruinar: A Estratégia Imperial do Ocidente em Época de Crise”.
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